Fiesp divulga perspectivas para 2015 do PIB de 12 setores da cadeia produtiva da construção

Agência Indusnet Fiesp

O Observatório da Construção da Fiesp traçou as perspectivas econômicas para 2015 para 12 setores da indústria e do comércio de materiais de construção, de máquinas e equipamentos para a construção e do segmento de serviços da cadeia da construção. As estimativas foram feitas a partir dos dados calculados para 2014 para a última edição do Construbusiness e da evolução até agosto deste ano dos indicadores de produção, preços e emprego.

As projeções indicam para esses setores queda quase generalizada no PIB (o valor adicionado pelo setor), reflexo, em grande medida, da expectativa de uma retração mais acentuada do valor da produção da maioria dos setores frente à evolução do consumo intermediário, que inclui os insumos comprados para a produção, de cada segmento. O setor de cimento, por exemplo, deve fechar o ano com PIB 10,8% inferior ao de 2014. Em siderurgia e indústria de produtos de aço para construção, o recuo estimado é de 7,7%. No comércio de materiais de construção, 0,4%.

Os setores de estruturas metálicas (-21,1%) e de máquinas e equipamentos para a construção (-23%) tiveram quedas mais acentuadas, refletindo o fim de um ciclo de investimentos – e a falta de um novo.

Extração de pedra e areia

O PIB da indústria extrativa de pedra e areia deve atingir R$ 3,7 bilhões em 2015, com queda de 2,8% em relação ao de 2014. O valor da produção deve recuar 0,5%, e o consumo intermediário (os insumos usados) deve crescer 1,5% frente ao ano passado. Entre 2010 e 2015, porém, o crescimento médio anual do valor adicionado do setor deverá chegar a 2,8%, em termos reais, pouco acima da expansão do valor da produção, estimada em 2,5% ao ano, mas abaixo da expansão do consumo intermediário no mesmo período (3,1% ao ano). Na média de 2015, o emprego no setor deve ficar em 41,4 mil postos de trabalho, contingente 2,8% inferior à média de 2014. Estima-se que o PIB por trabalhador alcance R$ 89,4 mil em 2015, patamar idêntico ao estimado para o ano de 2014.

Cimento

Espera-se que o PIB do setor de cimento chegue a R$ 6,5 bilhões em 2015, o que corresponde a uma queda expressiva de 10,8% ante o valor de 2014. Com isso, o crescimento médio anual entre 2010 e 2015 deve ser de 5,2%, em termos nominais. Considerando a inflação do período pelo IGP-DI, o que se observa, com base na estimativa para 2015, é uma queda de 1,0% ao ano em termos reais do valor adicionado do setor. Do lado do valor da produção, a expectativa para 2015 é também negativa, de queda de 8,7%, com valor estimado de R$ 19,3 bilhões. O pessoal ocupado, por sua vez, deve registrar expansão em 2015, atingindo o patamar médio de 28,8 mil em 2015. Como resultado da retração do valor adicionado e do crescimento do emprego, espera-se que o PIB por trabalhador recue 14,9% frente ao nível de 2014, atingindo R$ 227,2 mil.

Artefatos de concreto, cimento e fibrocimento

Em 2015, estima-se que o PIB do setor de artefatos de concreto, cimento, fibrocimento, gesso e materiais semelhantes atinja R$ 3,9 bilhões, o que representaria um declínio de quase 10% frente ao resultado do ano passado. Entre os anos de 2010 e 2015, a taxa de expansão do PIB do setor chegou a 4,5%, em termos nominais. Quando a inflação do período é considerada, há, na verdade, um declínio de 1,7% ao ano do valor adicionado do setor. O valor da produção deve chegar a R$ 15,2 bilhões em 2015, o que também refletiria um declínio frente ao valor do ano passado (-7,7%). O emprego do setor deve, da mesma forma, declinar na passagem de 2014 para 2015. A expectativa é de que o nível médio do pessoal empregado passe de 81,0 mil pessoas no ano passado para 77,9 mil na média de 2015, um contingente 3,9% inferior.

Produtos cerâmicos

O PIB da indústria brasileira de produtos cerâmicos para a construção deve ser de R$ 5,0 bilhões em 2015, segundo as estimativas. Tal resultado representa uma expansão modesta de 1,5% frente ao PIB observado em 2014 e contrasta com a taxa média de -1,8% ao ano de variação real do PIB desta indústria entre 2010 e 2015. A expectativa é de que o valor da produção chegue a R$ 14,2 bilhões em 2015, com expansão de 3,9% frente a 2014 e com crescimento real médio de 0,5% ao ano entre 2010 e 2015. Apesar do crescimento estimado para o valor adicionado e de produção em 2015, espera-se um avanço relativamente mais acentuado do consumo intermediário, de 5,2%, o que contribuiria para uma expansão média de 2,7% ao ano em termos reais entre 2010 e 2015. Ainda segundo as estimativas, essa indústria deve ocupar 118,1 mil pessoas na média em 2015, com recuou de 2,8% frente a 2014, com o PIB por trabalhador chegando a R$ 42,6 mil no ano.

Material plástico

O PIB da indústria de material plástico para construção deve registrar uma queda de 1,4% em 2015, atingindo R$ 2,1 bilhões neste ano. Dessa forma, o valor adicionado desta indústria, entre 2010 e 2015, acusou uma retração média de 3,5% ao ano em termos reais, resultado de uma expansão média mais acentuada do consumo intermediário (2,0% ao ano) relativamente à expansão do valor da produção (0,2% ao ano). Em 2015, o emprego nesse setor deve recuar 3,4% ante 2014, passando de 44,6 mil trabalhadores na média do ano passado para 43,0 mil na média de 2015. Com o declínio mais acentuado do emprego frente ao do valor adicionado, a expectativa para 2015 é de que a produtividade do setor (PIB por trabalhador) avance 2,1%, alcançando R$ 50,0 mil por trabalhador. O valor da produção, por sua vez, deve chegar a R$ 9,1 bilhões em 2015, o que apontaria para um modesto crescimento de 1,1%.

Tintas e vernizes

Em 2015, a expectativa é de que o PIB da indústria brasileira de tintas, vernizes, esmaltes, lacas e produtos afins para a construção civil chegue a R$ 2,3 bilhões, valor 4,9% menor do que o apurado em 2014. Com este resultado, o valor adicionado pelo setor deve registrar crescimento médio anual de 6,1% entre 2010 e 2015, o que corresponderia a uma taxa de -0,1% ao ano em termos reais no mesmo período. Estima-se que o valor da produção atinja R$ 7,8 bilhões em 2015, com declínio médio real de 3,4% ao ano desde 2010. Esse setor industrial deve empregar, em média, cerca de 14,2 mil pessoas em 2015, retração de 2,2% frente à média de 2014, com produtividade estimada de R$ 162,1 mil por trabalhador para este ano. Vale registrar que, com referência a 2010, o PIB por trabalhador dessa indústria obteve, com base nas estimativas, expansão de 1,0% ao ano até 2015.

Siderurgia

O PIB da siderurgia e da indústria de produtos de aço para construção deve chegar a R$ 3,9 bilhões em 2015. Este valor é 7,7% menor que o observado em 2014. O valor da produção deve atingir R$ 15,6 bilhões este ano, indicando queda nominal de 2,4% em relação ao ano passado. O crescimento médio anual foi de 2,4% entre 2010 e 2015, o que correspondeu a uma queda real de 3,5% ao ano no período, considerando a inflação do IGP-DI. A expansão nominal do PIB (0,6% ao ano) inferior ao crescimento do valor da produção (2,4% ao ano) entre 2010 e 2015 indica aumento do consumo intermediário, que foi pressionado principalmente pelo custo da energia. Em termos reais, porém, o valor adicionado pela parcela da siderurgia brasileira envolvida com a construção civil declinou a uma taxa de 5,2% ao ano entre 2010 e 2015.

Estruturas metálicas

O PIB da indústria brasileira de estruturas metálicas – que inclui as esquadrias metálicas e estruturas pré-fabricadas – deve alcançar R$ 3,6 bilhões em 2015, indicando queda de 21,1% em relação a 2014. Assim, o crescimento real do PIB do setor deve ser de 6,2% ao ano entre 2010 e 2015, o que equivale a um recuo de 0,4% ao ano em termos nominais. Na média de 2015, o setor deve empregar 86,5 mil pessoas, indicando crescimento de 1,9% ao ano desde 2010. Espera-se que o PIB por trabalhador no setor alcance R$ 41,4 mil em 2015, indicando queda real de 8,9% ao ano em termos reais desde 2010.

Equipamentos de distribuição de energia elétrica

O PIB do setor de equipamentos de distribuição de energia elétrica para a construção deve recuar 2,1% e chegar a R$ 4,4 bilhões em 2015, com participação de 8,5% no PIB da indústria de materiais, máquinas e equipamentos para construção naquele ano. Estima-se que o valor da produção do setor alcance R$ 17,3 bilhões, o que implica crescimento médio anual de 1,1% em termos reais desde 2010. A evolução do pessoal ocupado deve apresentar queda de 0,6% em igual comparação. Assim, o setor deve empregar 42,7 mil pessoas na média de 2015. O valor adicionado por trabalhador deve alcançar R$ 102,4 mil em 2015, com crescimento real de 1,1% ao ano entre 2010 e 2015.

Máquinas e equipamentos para a construção

A indústria de máquinas e equipamentos para a construção deve responder por um PIB de R$ 2,0 bilhões em 2015, com queda de 23% em relação a 2014. O crescimento médio em termos nominais deve chegar a 0,2% ao ano desde 2010, o que resultará em queda real de 5,7% ao ano entre 2010 e 2015. O valor da produção deve chegar a R$ 10,5 bilhões este ano, com crescimento anual de 5,8% desde 2010, ou queda de 0,4% ao ano em termos reais. Estima-se que essa indústria deve empregar cerca de 20 mil trabalhadores na média de 2015, gerando um PIB por trabalhador próximo a R$ 96 mil. Desde 2010, a produtividade da mão de obra na indústria de máquinas e equipamentos para construção registrou queda real de 4,4% ao ano.

Comércio de materiais

O comércio de materiais de construção deve gerar um PIB de R$ 44,5 bilhões em 2015, incluindo atividades atacadistas e varejistas. Este valor equivale a mais de 9% do PIB da cadeia produtiva da construção brasileira. O valor da produção deve chegar a R$ 165,6 bilhões em 2015. O emprego nesse segmento da cadeia deve atingir 1,165 milhão de trabalhadores na média do ano, com produtividade de R$ 38,2 mil por empregado. Em termos reais, o valor adicionado pelo comércio de materiais de construção deve cair 0,4% em relação a 2014 em termos reais.  Apesar disso, o PIB em termos reais deve acumular crescimento de 6,6% ao ano entre 2010 e 2015, com expansão do emprego a um ritmo de 5,8% ao ano.

Serviços de engenharia e arquitetura e de apoio à construção

Os serviços de engenharia e arquitetura e os serviços de apoio à construção, incluindo manutenção predial, responderam por um PIB de R$ 78,7 bilhões em 2015. Esse valor foi idêntico ao valor alcançado em 2014. O crescimento médio em termos nominais deve atingir 9,4% ao ano desde 2010, o que resultou em expansão real de 3,0% ao ano. O valor da produção desses setores deve ultrapassar R$ 120 bilhões em 2015. Estima-se que os serviços de engenharia e arquitetura e os serviços de apoio à construção cheguem a empregar mais de 2 milhões de trabalhadores na média de 2015, gerando um PIB por trabalhador próximo a R$ 38,9 mil. Desde 2010, o emprego nesses serviços registrou aumento de 4,2% ao ano, o que implica queda real da produtividade de 1,1% ao ano.