Painel trata de alternativas para o setor aquaviário brasileiro

Tallita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

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Adalberto Tokarski. Foto: Luis Benedito/Fiesp

No painel “Para onde vai o setor aquaviário no Brasil”, que aconteceu na manhã desta terça-feira (07/05) no 8º Encontro de Logística e Transportes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o superintendente de navegação interior da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Adalberto Tokarski, apresentou o Plano Nacional de Integração Hidroviária (PNIH), concebido pela Antaq em cooperação com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), expondo sua importância para o país, para o setor e para a própria Antaq.

“O PNIH visa atender o objetivo de preparar um estudo detalhado sobre as hidrovias brasileiras”, explicou.

Segundo Tokarski, a base de dados georreferenciada do projeto é um diferencial que permitiu a criação de um sistema de inteligência para desenvolver estudos e simulações. “Isso proporcionou indicações de futuras áreas para implantação de terminais hidroviários no Brasil”, afirmou.

Todarski acredita que é necessário haver transparência e afirmou que não mede esforços e nem recursos para publicar e divulgar todos os estudos: “todas essas informações não têm que ficar para nós”.


De acordo com o superintendente de navegação interior da Antaq, esse diagnóstico das redes de hidrovias mostram que esse modal é passível de uso e que sua utilização está avançando muito. “Se tiver a infraestrutura, é possível usar o modal hidroviário. E quem não o utilizar, no futuro irá perder”, concluiu.

Cabotagem

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Luis Fernando Resano. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Luis Fernando Resano, explanou sobre a cabotagem.

De acordo com ele, o transporte marítimo gera menos custos e é mais seguro. “No Brasil, 52% do transporte é feito por rodovias e apenas 8% via mar”, alertou. “A demanda é crescente, especialmente dos contêineres, e não dá mais para ignorar esse fato.”

Ainda segundo Resano, os investimentos em novas embarcações têm sido crescentes desde 2009, porém ainda não são suficientes. “A maioria das novas embarcações foi importada e não construída pela nossa indústria, o que não é bom”, alertou.

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Elias Gedeon. Foto: Luis Benedito/Fiesp

O diretor da Notre Dame Consultores Associados, Elias Gedeon, concorda. “Por que a cabotagem não deslancha no Brasil?”, indagou ao relatar que nos últimos três anos esse modelo cresceu apenas 41%, enquanto o longo curso cresceu 89%. “A cabotagem não está tendo o crescimento que precisa.”

Segundo o diretor, há algumas melhorias que devem ser feitas no setor para agradar aos donos de carga, que buscam confiabilidade, segurança, frequência do e redução do tempo de transporte e simplificação da documentação. “Além disso, a cabotagem é um modal mais sustentável”, concluiu.


Visão integrada

O diretor-presidente do porto de São Sebastião, Casemiro Tércio Carvalho, falou sobre os gargalos operacionais e legais do transporte hidroviário e alertou para o fato de que a hidrovia não é concorrente da rodovia e nem da ferrovia. “É preciso haver interconexão entre os modais. Ferrovias, rodovias e hidrovias são complementares”, afirmou.

Carvalho se disse crítico ao modelo atual de gestão portuária. “Atualmente, tem-se a visão de que o porto começa e acaba no próprio porto, o que é um erro”, ressaltou. “É preciso ter uma visão integrada com os outros modais e planejar um nível estratégico”, acrescentou.

Mas, apesar disso, o diretor se diz otimista. “Acredito que é possível melhorar. E a MP 595 [MP dos Portos], embora eu tenha críticas pontuais, vem para ajudar”, concluiu.

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