Projetos inovadores da Rússia e da China são apresentados em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Projetos sobre desenvolvimento urbano foram apresentados por representantes de capitais europeias e asiáticas durante reunião, na tarde desta sexta-feira (27/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O objetivo das apresentações feitas por membros do Clube C6 de Comércio Internacional, foi mostrar como o setor privado tem contribuído para a melhoria dos aspectos econômicos, sociais e ambientais de suas comunidades.

Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp mediou o encontro.

Sergei Shimakov, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Moscou, destacou os princípios que permeiam as políticas de desenvolvimento urbano na capital russa, líder em volume de infraestrutura para transporte construída.

Uma das iniciativas apresentadas foi o “redesenho” das áreas industriais da região, com o desenvolvimento de novos setores para produção de formas de transporte, centros de inovação e núcleos para a indústria farmacêutica. A “Nova Moscou”, como chamou Shimakov, já conta com 30 quilômetros de linhas de metrô subterrâneo e 11 estações. Até 2016, o número deve atingir  62 quilômetros, com 34 estações operando.

A reunião com representantes do C6 na Fiesp: experiências da Rússia e da China em debate. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião com representantes do C6 na Fiesp: experiências da Rússia e da China em debate. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Wang Chaoying, diretor geral do Sub-Conselho para a Promoção do Comércio Internacional de Pequim, explicou como a cidade chinesa enfrenta os graves problemas de urbanização na capital do país oriental, como déficit de moradia, poluição e falta de recursos, como comida e produtos medicinais. “De 1976 a 2013 a população de Pequim passou de 17 milhões para 730 milhões de pessoas, tornando-se um centro político e cultural”, afirmou Chaoying.

Limitação ao registro de novos veículos

Para combater tais problemas, segundo ele, a China começa a desenvolver uma limitação para o registro de novos veículos, estimulando o uso de novas maneiras de transporte, como bicicletas elétricas. Segundo Chaoying, a iniciativa privada é um dos centros de apoio para essas medidas que combatem o crescimento desorganizado.

Para Colin Stanbridge, CEO da Câmara de Comércio e Indústria de Londres, o transporte público estimula a inovação e o crescimento de empregos.

Ele chamou a atenção para o projeto M4 Corridor, uma linha de trem rápida e sem paradas, que vai do oeste de Londres até o aeroporto de Heathrow. “Essa iniciativa fez com que muitas empresas se instalassem próximo do M4 Corridor para ter acesso rápido ao aeroporto”, revelou.

No encerramento do encontro, Eric Schweitzer, presidente da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria da Alemanha, e Jan Eder, CEO da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria da Alemanha, apresentaram as características e inovações recentes na cidade alemã, abordando desenvolvimento em transporte baseado em eletromobilidade, projeto que conta com parcerias governamentais e privadas do país.

Ao fim do encontro, o presidente em exercício da Fiesp, Benjamin Steinbruch, conversou com os membros do grupo.

Clube C6 de Comércio Internacional se reúne para discutir desenvolvimento urbano

Alice Assunção,  Agência Indusnet Fiesp

Desde quinta-feira (26/06), o Clube C6, formado pelas Câmaras de Comércio e Indústria de Londres, Paris, Berlim e Moscou, tem se reunido na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. No encontro deste ano, o principal tema do grupo é o desenvolvimento urbano das grandes cidades do mundo.

A primeira parte da reunião desta sexta-feira (27/06) foi conduzida pelo diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto. Até o fim do dia, o grupo deve apresentar um projeto que demonstre como o setor privado tem contribuído e pode continuar contribuindo para superar os desafios econômicos, sociais e ambientais das cidades.

Anfitrião, Zanotto explicou aos membros do C6 que a Fiesp não lida apenas com os problemas conjunturais que afetam a indústria, mas milita em causas como a redução da elevada de taxa de juros, o que repercute em todas as atividades da economia brasileira.

Os representantes do C6 com Zanotto (ao centro): superação de desafios econômicos e sociais. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Os representantes do C6 com Zanotto (ao centro): superação de desafios econômicos e sociais. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“Nós temos confrontado o governo contra as elevas taxas de juros também”, disse Zanotto. Ele acrescentou ainda que a federação possui dois objetivos primordiais: “um é ser um representante independente dos negócios, mas, por outro lado, somos responsáveis pelo maior sistema de ensino financiado pelo setor privado”, disse ao citar as ações do Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria de São Paulo (Senai-SP) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

Problemas, problemas

Segundo Zanotto, os maiores problemas de conjuntura econômica e social estão nas metrópoles. Em sua avaliação, não há consenso “para resolver os grandes problemas das cidades, por isso a Fiesp acredita que reuniões como essas são muito importantes”.

Representante britânico, o CEO da Câmara de Comércio e Indústria de Londres, Colin Stanbridge, afirmou na reunião que, para superar gargalos como o de transporte público, principal pauta de reclamações em cidades desenvolvidas, é necessário integrar todos os responsáveis pelos diferentes modais do sistema em uma única discussão.

“Integrar todas as chefias do transporte público, juntar esses chefes e discutir para o bem estar nas cidades. É ótimo fazer isso”, garantiu Stanbridge.

O chefe de Comércio de Londres também afirmou que a economia do Reino Unido, e de Londres, vai bem, “mas há temores de superaquecimento, sobretudo do mercado imobiliário”.

Ainda na lista dos desafios, Stanbridge citou a expansão das malhas metroviária e ferroviária de Londres.

“Transporte sempre é um problema. Temos um bom sistema, mas precisamos de mais linhas [de metrô]. Temos as ferrovias, que também precisamos expandir, mas é um assunto muito delicado por conta de questões como poluição, barulho e custo”, explicou.

Metas para o Brasil

No caso do Brasil, o coordenador de mobilidade urbana do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), Renato Boareto destacou que os desafios para melhorar a mobilidade urbana de cidades como São Paulo está na definição de metas e planos para linhas de trem e metrô. Segundo ele, essas medidas incluem questões ambientais, redução do consumo de energia e de emissão de gases poluentes e aspectos de segurança de seus operadores.

Durante a sua apresentação para o grupo, Boareto avaliou ainda que o transporte da região metropolitana é “muito confuso, sem coordenação”.

Nesta tarde, os membros do C6 devem apresentar soluções para desenvolvimento urbano de suas cidades.

Também participaram da reunião na manhã desta sexta-feira (27/06), o presidente da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria da Alemanha, Eric Schweitzer, Jan Eder, CEO da Associação das Câmaras de Comércio e Indústria da Alemanha, Sergei Shimakov, vice-presiednte da Câmara de Comércio e Indústria de Moscou, Wang Chaoyang, diretor-geral do Sub-Conselho para a Promoção do Comércio Internacional de Pequim e Yuan Xiaokun, gerente de projetos do Sub-Conselho.