Novo Centro Cultural Fiesp: um presente da indústria para São Paulo e para o Brasil

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A arquiteta Moema Wertheimer não escondia o orgulho. E não tinha que esconder mesmo: estava ali, na frente dela, o resultado de um trabalho que já foi inaugurado fazendo toda a diferença, o novo Centro Cultural Fiesp. Aberto na manhã deste domingo (19/02), com uma apresentação da Bachiana Filarmônica do Sesi-SP, o espaço agora tem mais de 5 mil metros quadrados, incluindo galeria de fotos, mais espaços de exposições e um café com vista para um jardim assinado por Burle Marx. Isso além dos já conhecidos Teatro do Sesi-SP e Galeria de Arte do Sesi-SP.

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“Estou emocionada de ver as pessoas se apropriando desse espaço de forma tão bonita”, disse Moema, responsável pelo projeto de revitalização do centro. “Todo mundo bem acomodado nas poltronas e sofás, ouvindo piano e vendo o jardim projetado por Burle Marx”.

O público foi convidado a entrar e ficar à vontade logo após a apresentação da Bachiana, realizada num palco montado na frente do prédio, lotando a Avenida Paulista. Não teve calor de 34 graus que impedisse a plateia de aplaudir e gritar “bravo” durante o concerto liderado pelo maestro João Carlos Martins, que ainda acompanhou seus músicos ao piano.

Entre muitos clássicos e sucessos populares, canção nenhuma emocionou mais do que Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, “um hino de São Paulo e do novo Centro Cultural Fiesp”. “Esse espaço já é um ponto de encontro na Paulista, reúne todos os segmentos da sociedade, fico feliz de ver”, disse Martins.

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Martins, à esquerda, e Skaf: emoção de entregar à Paulista um novo ponto de encontro. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


“Foi uma apresentação maravilhosa”, afirmou a supervisora de vendas Rejane Melo, de 45 anos, que veio de Ferraz de Vasconcelos, na Zona Leste da capital, especialmente para a inauguração do centro. “Quero frequentar ainda mais o prédio da Fiesp a partir de agora”.

O pianista Fábio Caramuru, de 60 anos, também aprovou o concerto. E disse estar ansioso para frequentar o café a ser aberto em março, com vista para o já citado jardim de Burle Marx. Até lá, todos os visitantes do centro podem circular pelo local, sentar nas mesas e poltronas e relaxar entre uma exposição e outra. “Esse espaço é um local único”, disse.

Um dos convidados da inauguração, o líbero Serginho, astro da seleção brasileira de vôlei nas Olimpíadas do Rio de Janeiro e atleta do Sesi-SP, também era só elogios. “Venho muito ao prédio da Fiesp e considero esse espaço um destaque na Paulista”, afirmou. “É incrível que a Fiesp sempre apoie a cultura”.

Um presente

Anfitrião da festa, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, agradeceu a presença do público e destacou o fato de que o novo centro cultural ficará aberto todos os dias, sempre com programação gratuita. “Todo mundo que estiver passando pela Paulista poderá entrar aqui, conferir as nossas exposições, conhecer o nosso café”, disse. “O novo Centro Cultural Fiesp é um presente da indústria de São Paulo para a cidade e para o Brasil”.

A programação especial deste domingo segue até o final do dia, com show de Luciana Melo e Jairzinho no palco da Paulista às 16h15 e a apresentação da peça Tróilo e Créssida, às 19h, no Teatro do Sesi-SP.

Para saber mais sobre o novo centro, é só clicar aqui.

>> Ouça boletim sobre o novo Centro Cultural Fiesp

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Público lotou as instalações do novo Centro Cultural Fiesp na inauguração deste domingo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Trinta e cinco coisas que você não sabia sobre o prédio da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Quem passa pela Paulista e olha, admirado ou curioso, para a construção em forma de pirâmide que ocupa o número 1313 da avenida não imagina que, por trás daquele concreto revestido de alumínio, todos os dias, em média, 3 mil pessoas circulem pela sede da indústria de São Paulo. Funcionários ou visitantes, são pessoas envolvidas com atividades que movimentam a economia do estado mais rico do país, além de levar educação, cidadania, cultura e esporte para industriários ou não.

O prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é um templo de trabalho, mas também de história. De suas varandas, funcionários mais antigos viram  arranha-céus brotarem na paisagem e carros ocuparem cada vez mais espaço na rua. Pelas salas de reuniões, onde são servidos 250 cafezinhos por dia, já passaram chefes de estado daqui e de fora, personalidades como a argentina Cristina Kirchner e o francês François Hollande, para citar apenas dois nomes.

Abaixo, 35 curiosidades sobre o edifício que completa 35 anos de atividades nesta quarta-feira (27/08). Ou 35 motivos para gostar ainda mais da pirâmide erguida em um dos endereços mais famosos do Brasil.

O PRÉDIO

1) Lá do alto –Tendo como referência a Avenida Paulista, o prédio da Fiesp tem altura de 92 metros.  

A sede da indústria paulista: pirâmide de trabalho e história. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A sede da indústria paulista: pirâmide de trabalho e história. Foto: Everton Amaro/Fiesp


2) A outra sede – Antes da mudança para a atual sede, a Fiesp funcionava no chamado Palácio Mauá, no local em que hoje está o Fórum Hely Meirelles, no Centro da capital.

3) Tijolo por tijolo – As obras começaram em agosto de 1970.

4) O maior andar – O maior andar do edifício é o térreo superior, com 2.769 metros quadrados. É lá que ficam a entrada corporativa do edifício e o Centro Cultural Fiesp com a Galeria de Arte do Sesi-SP. Já o menor é o 15º, com 969 metros quadrados.

5) Concurso público – O projeto arquitetônico do edifício foi selecionado em um concurso público, vencida pelo escritório Rino Levi Associados. A ideia era criar uma construção que fosse expressiva e que se tornasse numa referência na Avenida Paulista.

6) Burle Marx – No acesso pelo número 1.336 da Alameda Santos, há um mosaico de 515,68 metros quadrados assinado pelo paisagista e arquiteto Roberto Burle Marx (1909-1994). O trabalho foi feito em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono.

Um tesouro na fachada dos fundos do prédio, por Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Um tesouro na fachada dos fundos do prédio, por Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


7) Sindicatos e associações – Além da Fiesp, Ciesp, Sesi-SP, Senai-SP e Instituto Roberto Simonsen têm sede no edifício 49 sindicatos e associações da indústria. Essas entidades ocupam o 7º, 8º, 9º e 10º andares.

8 )  Sesi e Senai – Junto com a Fiesp e o Ciesp, o Sesi-SP também se mudou para a Paulista em 1979. Já o Senai-SP veio somente em 2002.

9) Mudança anunciada – Em 26 de agosto de 1979, um dia antes da mudança, as edições dominicais da Folha de S. Paulo e do Estado de S. Paulo divulgaram a abertura da nova sede da Fiesp.

10) Nobel da arquiteturaEm 1998, o edifício passou por uma reforma, com a construção de um mezanino onde foi instalada a Galeria do Sesi-SP. O autor do projeto foi o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, o único brasileiro a ganhar o Pritzker, considerado o “Nobel da arquitetura”, além de Oscar Niemeyer.

11) Corte na laje – Com a mudança no térreo, foi feita a recuperação da distância original entre o asfalto automotivo e a entrada principal do prédio na Paulista. Para conseguir esse efeito, Paulo Mendes da Rocha fez um “corte” da laje do pavimento superior ao passeio público e recuou a laje inferior onde hoje funciona o Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

Acesso ao prédio a partir da Paulista: integração com a avenida. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Acesso ao prédio a partir da Paulista: total integração com a avenida. Foto: Everton Amaro/Fiesp


12) ‘Rotas de fuga’ – De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da federação, Alberto Batista Passos, o prédio da Fiesp possui duas escadas de rota de fuga isoladas do chamado conjunto administrativo, ou seja, de seu centro, onde ficam as salas. “Existem corredores em todo o perímetro do edifício que direcionam para estas saídas”, explica.

13) 11 bustos – Onze empreendedores inspiram quem passa pelo 11º andar. A homenagem consiste em 11 bustos de nomes importantes para a economia de São Paulo e do Brasil. São eles: Horacio Lafer, José Ermirio de Moraes, Raphael de Souza Noschese, Morvan Dias de Figueiredo, Jorge Street, Roberto Simonsen, Francisco Matarazzo, Armando de Arruda Pereira, Antonio Devisate, Theobaldo de Nigris e Nadir Dias de Figueiredo.

14) Mais luz – Outro mérito apontado na elaboração da sede da indústria paulista está no fato de que a inclinação em direção ao topo pudesse garantir mais luz à construção. Uma preocupação pouco comum nos anos 1970.

15) Agora em agosto –Em sua mais recente reforma, concluída em agosto de 2014, em seus andares inferiores, foi aberta a área de recepção com o objetivo de separar a área corporativa do acesso ao Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso.

16) Pelo 99 – No chamado andar intermediário, acessado como 99 pelo elevador e ocupado pelo  Sesi-SP, trabalham 355 pessoas. De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da Fiesp, Alberto Batista Passos, o piso tem área total de 2.143 metros quadrados.

O andar intermediário, no qual trabalham 355 pessoas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O andar intermediário da construção, no qual trabalham 355 pessoas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


17) Ralador de queijo – A cobertura metálica que reveste o prédio é chamada de “brize-soleil”, sendo feita de alumínio. O revestimento rendeu ao prédio um apelido carinhoso: “ralador de queijo”.

18) Estacionamentos – Juntos, os quatro subsolos de estacionamento da casa têm capacidade para 367 veículos, vagas compartilhadas por todas as instituições que funcionam no prédio.

19) Novela e Copa –Marco da arquitetura paulistana, a construção foi destacada na abertura da novela em Amor à Vida”, exibida em 2013 e 2014 no horário das 21h, na Rede Globo, e no vídeo produzido pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) apresentando São Paulo como uma das cidades que sediaram a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.  

O DIA A DIA 

20) Um café, por favor – Todos os dias, são servidos 250 cafezinhos nas reuniões realizadas no prédio.

Café servido nas reuniões do prédio: 250 xícaras por dia. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Café servido nas reuniões realizadas no prédio: 250 xícaras por dia. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


21) De plantão – A cada madrugada, de domingo a domingo, uma equipe fica de plantão trabalhando com a manutenção preventiva e corretiva do prédio, cuidando de pontos como o sistema de ar-condicionado e o quadro elétrico, por exemplo. Ao todo, 190 pessoas trabalham na administração do edifício, como seguranças, bombeiros, recepcionistas e oficiais de manutenção, entre outros profissionais.

22) Funcionários –Trabalham no prédio mais de 1.900 pessoas, considerando a Fiesp, Instituto Roberto Simonsen, Ciesp, Sesi-SP e Senai-SP.

23) Os elevadores – Os sete elevadores da casa fazem 12,6 mil viagens por dia. Os pisos mais solicitados são o térreo, o primeiro subsolo e o quarto andar.

24) 172 câmeras – O trabalho de monitoramento dos andares foi reforçado, em 2014, com a instalação de 172 câmeras que gravam em alta definição.

25) Receita e Junta Comercial – No prédio são oferecidos serviços variados para os empresários. Entre eles, um posto de atendimento da Receita Federal e outro da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).

26) Reciclar é preciso – Desde janeiro, todo o lixo orgânico gerado pelo restaurante do Espaço Eventos, do 16º andar, está sendo processado para o uso, nos jardins das escolas do Sesi-SP, como adubo. Por enquanto, o material está armazenado no quarto subsolo. Por falar no assunto, 29,5% de todo o lixo produzido no edifício é reciclado. Para se ter uma ideia, a média de reciclagem na cidade de São Paulo é de menos de 10%.

O primeiro subsolo, no qual há postos de atendimento da Receita Federal e da Jucesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O acesso pela Alameda Santos, com postos de atendimento da Receita Federal e da Jucesp. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


AS PESSOAS

27) Pelas catracas –As catracas do prédio registram, em média, 3 mil acessos de pessoas nos chamados dias úteis. Por mês, são 66 mil acessos, mais que a população de cidades do interior paulista como Vinhedo, Penápolis e Andradina, por exemplo.

28) O homem por trás do nome – Empresário que dá nome ao prédio, Luís Eulálio de Bueno Vidigal Filho foi presidente da Fiesp entre 1980 e 1986, sendo hoje presidente emérito da entidade. A escolha de seu nome foi tomada em decisão da diretoria da federação.

29) De Bachelet a Berlusconi – O mundo passou, e ainda passa, por aqui: entre 2004 e agosto de 2014, nada menos que 67 chefes de estado estiveram na Fiesp. Entre eles, nomes como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, Michelle Bachelet (Chile), Álvaro Uribe (Colômbia), Shimon Peres (Estado de Israel), Silvio Berlusconi (Itália) e François Hollande (França).

Hollande, um dos 67 chefes de estado que visitaram a Fiesp entre 2004 e 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Hollande, um dos 67 chefes de estado que visitaram a Fiesp entre 2004 e 2014. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

30) Sempre haverá uma solução – Em 29 de maio de 2013, o economista Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006, fez sucesso em palestra realizada durante reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp. “Não importa o tamanho do problema, sempre haverá uma solução simples para resolvê-lo”, disse Yunus na ocasião.

Yunus: sucesso na reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores. Foto: Junior Ruiz/Fiesp

Yunus: sucesso na reunião extraordinária do Comitê de Jovens Empreendedores. Foto: Junior Ruiz/Fiesp


31) Os presidentes – Desde a sua inauguração, em 1979, a sede da indústria paulista recebeu muitos presidentes brasileiros. Entre eles, João Baptista de Oliveira Figueiredo, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

A ARTE

32) Na fachada – Uma das principais atrações do edifício, a Galeria Digital, que consiste em uma plataforma de transmissão de obras interativas em movimento e estáticas na fachada da construção, foi inaugurada em dezembro de 2012. Até agora, foram exibidas 51 obras no espaço como parte integrante de mostras, além de 23 vídeos artísticos e comemorativos independentes. De acordo com a agente de Atividades Culturais do Sesi-SP, Luciana Paulillo, o sistema é acionado por meio de um computador que transmite as imagens para a Galeria formada por lâmpadas de led. De modo geral, os vídeos interativos são exibidos até as 22h. Já aqueles que ficam passando de modo ininterrupto ficam no ar até as 6h.

A Galeria Digital da Fiesp: para deixar a Paulista mais iluminada. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Galeria Digital da Fiesp: para deixar a Paulista mais iluminada. Foto: Everton Amaro/Fiesp


33) As produções – Um dos principais espaços culturais da Paulista, o Teatro do Sesi-SP já recebeu 45 peças adultas e 32 voltadas para jovens. No Espaço Mezanino, foram 20 peças, num total de 97 produções no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

34) Exposições – Na Galeria de Arte do Sesi-SP, já foram realizadas 76 exposições.

35) O último prêmio – Foi no Teatro do Sesi-SP, no dia 1º de abril de 2014, que o cantor Jair Rodrigues, falecido em 08 de maio deste ano, recebeu o seu último prêmio. Ele foi escolhido o melhor ator coadjuvante no 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, por sua atuação no filme “Super Nada”, de Rubens Rewald e Rossana Foglia.

Jair Rodrigues na cerimônia de entrega do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, em abril. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Jair Rodrigues na cerimônia de entrega do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema, em abril. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Arquitetura: obra de Burle Marx valoriza fachada da Fiesp e do Ciesp na Alameda Santos

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Quem passa pela Alameda Santos, rua paralela à Avenida Paulista, na altura do número 1336, talvez nem perceba que atrás de duas árvores está uma obra de Roberto Burle Marx (1909-1994), um dos mais célebres arquitetos e paisagistas brasileiros.

O mosaico, um painel de 515,68 m² em concreto aparente, fica nos fundos do Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), ao lado da entrada do acesso para o subsolo da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

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Painel tem formas abstratas. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


Ele foi criado pelo conhecido autor do paisagismo do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, e de tantas outras obras no Brasil e no exterior, em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono. O trabalho foi originado por um convite do escritório Rino Levi Associados, responsável pelo projeto arquitetônico do edifício da Fiesp e Ciesp – as entidades passaram a ocupar a nova sede em agosto de 1979.

Em entrevista ao site da Fiesp, concedida por telefone, Haruyoshi Ono, hoje com 70 anos, explica que o painel teve origem depois de outra parceria com Rino Levi para o Paço Municipal de Santo André, no Centro Cívico, no final da década de 60.

O escritório, já sob o comando de Roberto de Cerqueira e Luiz Roberto Carvalho Franco, chamou Burle Marx e Ono para desenvolver dois trabalhos naquele que seria o prédio da Fiesp.

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Roberto Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Arquivo/Núcleo de Arquitetura Paisagista/Porto

Ono e Burle Marx não chegaram a acompanhar a obra e só viram o resultado depois da inauguração do prédio – o painel não tem a assinatura de ambos moldada no concreto.

“O desenho nasceu uma coisa abstrata. Burle Marx fez o primeiro rabisco. Eu desenvolvi o desenho, comecei a desenhar o croqui em papel e transformei em desenho técnico”, diz Ono, explicando que na etapa seguinte é feito um estudo de volumetria, estudo das dimensões que determinam o volume de uma construção.

Ono também fez a maquete. “É uma obra que, em geral, as pessoas não conhecem”, comenta o principal e mais próximo parceiro de Burle Marx em diversos projetos paisagísticos no Brasil e no exterior que herdou seu legado e até hoje comanda o escritório Burle Marx Ltda, no Rio de Janeiro.

Obra representativa

De acordo com o paisagista Robério Dias, doutor em Geografia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a tese “O patrimônio paisagístico do sítio Roberto Burle Marx: uma visão geográfica”, Burle Marx fez muitos painéis: associados a plantas, de pedra de cantaria, em cerâmica e também só em concreto, com altos e baixos relevos,  uma forma de expressão estética sem plantas.

“Dentre os que conheço dele, nesta categoria, considero o painel em questão [o da Fiesp] um dos mais importantes, tanto pelas dimensões e destaque circunstancial, quanto pela força da composição, com diferenças de nível bastante acentuadas, o que lhe confere a qualificação, no meu entender, de obra muito representativa de um dos maiores artistas brasileiros”, explica Dias.

Ex-colaborador de Burle Marx, Dias aponta apenas um aspecto negativo para quem pretende apreciar a obra de 19,72 metros de largura por 26,15 de altura: “a existência, exatamente em frente, de postes, com fiação elétrica aérea urbana, que interferem na apreciação da obra”.

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Painel em concreto, com altos e baixos relevos: forma de expressão estética sem plantas de Burle Marx e Haruyoshi Ono. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


>> Saiba mais sobre Roberto Burle Marx

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