Em visita do presidente da Bulgária à Fiesp, Skaf destaca papel do país na aproximação com União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou nesta quarta-feira (3/2) durante visita à casa da indústria paulista do presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, que o país pode dar impulso às negociações entre o Mercosul e a União Europeia. A aproximação entre Bulgária e Brasil é estratégica, disse.

Ressaltou também as vantagens da Bulgária em logística por sua localização – facilitando inclusive o comércio com a China. “Teremos um divisor de água nas relações com a Bulgária a partir desta visita”, afimou Skaf. “Vai mudar o rumo e fazer muito bem aos dois países.” Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, deve haver um reforço da corrente de comércio. Lembrou que a falta de conhecimento entre clientes e fornecedores pode ser obstáculo nas relações entre países e que a presença e a abertura de canais de relacionamento devem ajudar a movimentar o comércio. “Aqui nasce um relacionamento em que faremos o possível para incrementar os negócios entre os países.”

Plevneliev se disse honrado em estar na Fiesp, para o Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, e declarou que seu país está de portas abertas para os empresários. Afirmou que trabalhará para acelerar o acordo Mercosul-União Europeia, antes ainda de ocupar a presidência da união, em 2018. Lembrou que seu país está no centro do comércio entre Europa e Ásia e citou como vantagem a máxima simplificação do sistema tributário búlgaro, com uma alíquota única de impostos de 10%.

Dizendo-se defensor da abertura das fronteiras, declarou que atuar na Bulgária dá às empresas brasileiras acesso ao maior mercado do mundo, o europeu. A influência mais ampla na UE desejada pelo Brasil será apoiada pela Bulgária, disse, lembrando que também as empresas búlgaras querem atuar mais no Brasil. Mineração e alimentos estão entre os destaques de sua economia – por exemplo, a Bulgária produz alimentos para a estação espacial. Citou também o protagonismo do país em empreendedorismo (terceiro país em startups da Europa) e em tecnologia da informação. E há um boom de outsourcing rumo ao país, disse, citando Coca-Cola e Lufthansa como empresas que usam os serviços búlgaros. Destacou ainda que a parceria com o Brasil é lógica, mas também humana, em razão da comunidade búlgara que vive em São Paulo.

Plevneliev foi homenageado com a Ordem do Mérito Industrial, concedida pela Fiesp a personalidades e instituições dignas do reconhecimento ou da admiração da indústria.

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Paulo Skaf discursa na abertura do Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, com a presença de Rosen Plevneliev. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Thomas Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) abriu o encontro destacando o momento e as afinidades e complementaridades entre Bulgária e Brasil, lembrando que a Fiesp valoriza a inserção internacional. Entre os diferenciais da Bulgária, disse, estão seu posicionamento estratégico, no Mar Negro, o fato de pertencer à UE e estar preparada para ocupar sua presidência. No curto prazo, explicou Zanotto depois do Fórum, a Bulgária pode ser um centro de distribuição e logística para a região. “Você olha ali e tem a Ucrânia, a Romênia, Rússia, que são países onde a logística é complexa. Conversei hoje cedo com um presidente de uma empresa, perguntei se ele vendia para essa região e ele disse ‘olha, a gente chega até a Turquia, mas quando entra no Mar Negro a logística fica complicada e cara’.” Mesmo não tendo uma economia muito grande, a Bulgária se posiciona “plenamente” para ser um hub logístico, explicou Zanotto. “Para nós, Comércio Exterior, esse é o principal interesse.”

O ministro de Economia da Bulgária, Bozhidar Lukarski, declarou que o Brasil é prioritário para seu país na América Latina. Tsvetan Simeonov, presidente da Câmara Búlgara de Comércio e Indústria foi direto: “Estamos aqui para fazer negócios.” Assim como tinha feito o presidente búlgaro, também frisou a baixa carga tributária –e a simplicidade das regras- na Bulgária, além de seu baixo índice de inflação. Clique aqui para ter acesso à apresentação (em inglês) feita por Simeonov.

Zanotto mostrou o peso do Brasil no agronegócio mundial, com sua liderança na exportação de diversos produtos. Frisou, apesar do fim do atual ciclo econômico, a força dos fundamentos econômicos do Brasil. Explicou que o erro no câmbio levou o Brasil por 15 anos a se tornar exportador de produtos primários, o que começa a ser corrigido pelo novo patamar da moeda. Falou sobre os desafios ao setor exportador, que deve puxar a indústria, mas não de forma fácil nem rápida. Como oportunidade de negócios citou o papel central do Plano Nacional de Exportações, que cobre praticamente todos os pontos importantes para alavancar os negócios, como remoção de barreiras comerciais. Destacou também a atratividade dos projetos de infraestrutura no país.