Bachiana emociona ao homenagear medalhistas de ouro do Sesi-SP

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

Foi com uma intensa salva de palmas que as mais de 1.400 pessoas na Sala São Paulo receberam na noite desta sexta-feira (26/8) Serginho, Douglas Souza, Bruninho e Lucão, atletas do Sesi-SP campeões de vôlei nos Jogos do Rio. Homenageados pela orquestra Bachiana Filarmônica Sesi-SP, sob a regência do maestro João Carlos Martins, os meninos de ouro do Brasil foram recebidos no palco de um dos mais charmosos e importantes pontos da capital paulista ao som do Hino da Vitória, tema do eterno Ayrton Senna.

Com a presença do presidente da Fiesp, do Ciesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, do diretor nacional de jornalismo da Band, Fernando Mitre, do ex-jogador de futebol e atual comentarista da TV Globo Walter Casagrande e do narrador, radialista e apresentador esportivo Galvão Bueno, o evento foi recheado de surpresas.

Ao som dos famosos bordões “É do Brasil” e “É ouro”, Galvão Bueno assumiu o microfone e levou para o palco 4 dos 12 atletas que mais uma vez marcaram a história do país. Aplaudidos de pé, com os flashes das câmeras e celulares registrando todos os ângulos do palco, o ambiente ficou em êxtase ao receber Serginho, líbero de 40 anos e maior medalhista olímpico em esportes coletivos, Douglas Souza, jovem promessa de 21 anos, e a dupla Bruninho e Lucão, que o Sesi-SP trouxe de volta da Itália.

“Eu gosto sempre de dizer que o esporte é umas das melhores ferramentas de inclusão social. Tivemos não só o vôlei e futebol, mas outros exemplos disso durante este mês. E temos aqui hoje um grande exemplo também, a Bachiana do Sesi-SP e os atletas do Sesi-SP juntos, isso é importante, mostrar para o mundo que podemos fazer as coisas bem feitas. Temos ferramentas e sabemos usá-las, se não fosse através da cultura nós não estaríamos aqui hoje”, comentou Galvão, que após elogiar e agradecer pelo convite do maestro ainda fez um pedido ao Brasil.

“Estou muito grato de estar aqui hoje, em poder fazer parte deste momento. E a única coisa que eu peço e espero, na altura dos meus 66 anos, sendo 42 de profissão, é que a gente possa ter, venha de onde vier, da forma que vier, uma política séria de apoio à cultura e ao esporte, porque assim fazendo nós estaremos melhorando a qualidade de vida de muita gente, que vai poder trabalhar, mostrar seu valor e ser na vida o que eles são e o que conseguiram. O Sesi-SP é um desses exemplos, e nada melhor que essa união, entre culturas neste momento.”

Emocionado com as palavras de Galvão, Serginho recebeu o microfone das mãos do narrador e apresentador e -mais uma vez ovacionado por todos- agradeceu pelo convite e carinho. Com um sorriso carismático no rosto e o jeito brincalhão, o líbero confessou preferir estar em um jogo a no palco naquele momento.

“Primeiro quero agradecer o convite do maestro, é uma honra muito grande poder estar neste palco, ao Galvão Bueno pelas palavras, e principalmente ao nosso clube, o Sesi-SP, que, através do nosso presidente Paulo Skaf, sempre nos ajudou, formando cidadãos e atletas de alto nível e colocando o esporte alinhado com a educação e a cultura. Estou muito honrado de estar aqui no meio de todas essas pessoas. Mas confesso que eu preferiria estar em um jogo agora, em uma final do que estar aqui em cima, estou com um medo danado.”

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Medalhistas de ouro do Sesi-SP no palco com a Bachiana, regida por João Carlos Martins. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Mesmo nervoso com a situação de estar em um placo junto com a Bachiana, Serginho ainda aproveitou o momento para compartilhar um pouco de suas crenças. “Conquistar uma medalha olímpica não é fácil. O Bernardinho nos falou em uma das últimas conversas, que o vitorioso é apenas o perdedor que tentou mais uma vez, então nós somos os perdedores que tentaram mais uma vez e conquistaram. Creio que o que vale e o que nos move é o que temos dentro do coração. E se nós conseguimos, nós não somos diferentes de vocês, somos todos iguais, então em qualquer coisa que a gente vá fazer, é colocar o coração e a dedicação. Qualquer um consegue, se eu consegui, qualquer um consegue”, finalizou, emocionado.

Recém-chegado ao time da capital paulista, o levantador Bruninho, mesmo tímido, não escapou das brincadeira de Serginho e também foi convidado a falar. Presente pela primeira vez em uma apresentação de orquestra, o capitão da seleção brasileira não só agradeceu o convite como também a todos os brasileiros pelo carinho que vem sentindo por onde passa.

“Eu só queria agradecer todas essas oportunidades que estou tendo aqui. É a primeira vez que venho a um concerto de música clássica, e vocês são sensacionais. E sobre a emoção de vencer uma olimpíada no Brasil, está sendo muito boa. A gente sentiu o carinho de cada brasileiro e ainda estamos sentindo nas ruas as pessoas orgulhosas do nosso trabalho, e isso demonstra que todo sacrifício valeu a pena. Isso paga qualquer medalha e qualquer prêmio, eu só tenho a agradecer a todos vocês.”

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp e do Sesi-SP, participou da homenagem aos medalhistas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Uma grande homenagem não poderia terminar assim, apenas com agradecimentos. Com essas palavras, Galvão Bueno assumiu mais uma vez o microfone e fez um pedido especial ao maestro. Ao ser prejudicado por um manifestante nos Jogos Olímpicos de 2004, quando liderava a maratona, Vanderlei Cordeiro de Lima não pôde ouvir o hino nacional do Brasil, por ter chegado na terceira colocação. Assim, com o consentimento de todos os presentes e atendendo ao pedido, João Carlos Martins se dirigiu ao piano e encerrou o concerto, de modo encantador, com o som do hino brasileiro soando entre seus dedos.

Bachiana Filarmônica Sesi-SP 2016

A orquestra, que na temporada 2016 conta a história da música clássica por meio das Olimpíadas, apresentou em seu quarto espetáculo o tema Brasil. Sob os olhares atentos dos espectadores, João Carlos Martins iniciou a noite com a Abertura Zemira, de José Mauricio Nunes Garcia. Para maior dramaticidade o número traz efeitos teatrais de “relâmpagos e trovoadas” nos bastidores. Na sequência, o maestro trouxe para o palco dois grandes sucessos de Villa-Lobos (Trenzinho Caipira Fuga), e para fechar a primeira parte, Quem Sabe?, de Carlos Gomes.

Ainda interpretando peças de grandes compositores brasileiros, o segundo ato contou, sob a regência de Edson Beltrami, com as três danças de Camargo Guarnieri, Dança Brasileira, Dança Negra Dança Selvagem, e para selar seu comando frente à Bachiana, Beltrami mexeu com os sentidos da plateia ao apresentar, Fantasia, peça de autoria própria. E, passando a maestria de volta para Martins, Batuque, de Lorenzo Fernández, foi o número de encerramento do espetáculo.