Poli apresenta na Fiesp projeto para tornar reversível usina Henry Borden

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na primeira reunião de 2017 do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), nesta terça-feira (24/1), foram debatidos diversos temas de interesse para os especialistas, que foram de segurança hídrica e elétrica aos resultados da COP22, no Marrocos, realizada no ano passado.

O engenheiro civil Sadalla Domingos, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), apresentou projeto de pesquisa, em andamento, sobre “Geração Hidrelétrica e Abastecimento de Água na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê”. O objetivo do projeto é garantir o abastecimento e a geração de energia em projeto de solução convergente, levando-se em conta a extensa área impermeabilizada da área metropolitana de São Paulo, onde vivem 21 milhões de pessoas ou 10% da população brasileira, conforme alertou o palestrante.

Historicamente, as primeiras hidrelétricas aproveitavam a queda de água natural. Em um segundo momento, trabalhou-se revertendo-se as águas da Bacia para vertente marítima. A partir de 1942, previu-se a utilização plena do reservatório Guarapiranga, mas não havia água suficiente nas serras a fim de abastecer a metrópole e, por isso, se estabeleceu uma disputa com os reservatórios das hidrelétricas. Com maior demanda, passou-se a utilizar água de bacias vizinhas.

A proposta dos pesquisadores da Poli é transformar a usina Henry Borden em usina hidrelétrica reversível, com o objetivo de estabilizar o sistema de distribuição de energia elétrica e de oferta de água. Foi feito um diagnóstico, e o projeto poderia ser instalado no rio das Pedras, em Cubatão. “No Japão, toda hidrelétrica é reversível, nenhuma gota é enviada para o mar”, afirmou.

O vazamento da petrolífera britânica British Petroleum (BP) no Golfo do México foi considerado o maior acidente ambiental em termos de recursos envolvidos. Jayme de Seta Filho, ex-gerente da área de emergências da Petrobras, trouxe detalhes do desastre do Golfo, ocorrido em 20 de abril de 2010, quando houve perda de óleo, seguido de explosão e incêndio, prejuízos à flora e fauna. Saldo: 11 mortos, 36 horas de incêndio até a submersão da plataforma e vazamento de 3,2 a 5 milhões de barris. O vazamento só foi controlado em 17 de julho de 2010. Como causas apontadas, falha na integridade do poço, perda de controle hidrostático e falha na vazão.

De acordo com o especialista, o trabalho de contenção e resolução envolveu 100 mil pessoas, 6.500 navios, 3.500 km barreiras de contenção, US$ 29 bilhões nas ações de resposta e recuperação ambiental. Diversos países ajudaram na tarefa, especialmente o Brasil.

“Foi a maior mobilização de embarcações desde a II Guerra Mundial”, informou, com a participação de 6 mil navios, mais 6 navios sonda, além de 150 aeronaves. Tratou-se de uma excepcionalidade. Após o acidente, o setor de óleo e gás avançou em termos tecnológicos, de prevenção e resposta e sistema de gestão de crises”, avaliou.

Mais de cinco anos depois, segundo os relatórios, a área está limpa, após US$ 14 bilhões em limpeza de 1.100 milhas de costa e US$ 7,1 bilhões em projetos de recuperação ambiental.

Reunião do Cosema, da Fiesp, em que Sadalla Domingos apresentou projeto para a usina Henry Borden

Reunião do Cosema em que Sadalla Domingos apresentou projeto para a usina Henry Borden. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


COP22

Na Conferência do Clima, a COP 22 de Marrakesh, realizada no Marrocos, de 7 a 19 de novembro de 2016, conseguiu-se o impossível, o consenso no combate à mudança do Clima. O processo foi considerado irreversível pelas autoridades francesas, avaliou o tenente-brigadeiro do ar Aprigio de Moura Azevedo, diretor executivo de projetos da Fiesp. 2016 foi o ano mais quente desde 1880.

A COP22 se deu sob a influência da entrada antecipada (em 4/11/2016) do Acordo de Paris com a rápida ratificação do documento pelos países, em suas instâncias nacionais, que somaram 55% dos países signatários e mais de 55% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Em função dessa antecipação, não houve tempo hábil para estabelecer regras e diretrizes da CMA1 – instância operacional do Acordo de Paris – e seu regulamento de funcionamento. Por essa excepcionalidade, o Protocolo de Kyoto ainda permanece em vigor.

Ficou acordado que as atividades prosseguem no âmbito na COP23, a ser realizada em Bonn, no final deste ano, mas sob a presidência das Ilhas Fiji.

Em termos de resultado da COP22, pode-se apontar:

– o Fundo Verde contará com aporte de US$ 100 bilhões a partir de 2020 e concretização dos valores financeiros comprometidos, bem como financiamento de longo prazo;

– ações de adaptação sob o Acordo de Paris (com foco nos países insulares e africanos);

– programas de trabalho de enfrentamento e financiamento para perdas e danos, conforme estabelecido no Acordo de Varsóvia (com foco nos países insulares e africanos);

– participação do setor privado no estabelecimento de metodologia e regras para precificação do carbono e planejamento para a economia de baixo carbono;

– regras e facilitação para transferência de tecnologia;

– reconhecimento da necessidade de investimentos globais de, no mínimo, US$ 3 trilhões para incrementar a infraestrutura correlacionada à economia de baixo carbono com vistas à manutenção da temperatura do planeta 2º C abaixo do nível pré-industrial.