Na Fiesp, secretário adjunto de Planejamento avalia relações do Brasil com exterior

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Para analisar os atuais esforços do Brasil com parceiros comerciais, o Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) recebeu nesta terça-feira (20) o secretário adjunto de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Renato Baumann.

Segundo o presidente do Coscex, Rubens Barbosa, apesar do cenário atual desafiador, o Brasil figura como uma das dez maiores economias do mundo e os investidores ainda miram oportunidades locais de médio e longo prazo.

De acordo com Baumann, o governo brasileiro negocia memorandos de entendimento e acordos com pelo menos cinco países: Estados Unidos, com destaque para os contratos de parceria público-privada (PPPs) e compras públicas; China, com o Fundo Brasil-China de investimentos; França e Japão; além da Itália, interessada sobretudo em projetos de rodovias. “Nossa expectativa é que o fundo com os chineses passe a operar até o final deste mês”, observou o secretário.

OCDE

Baumann explicou ainda que uma eventual participação do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) exigiria a incorporação de 280 normas solicitadas a todos os interessados em fazer parte da entidade multilateral. O grupo reúne atualmente 35 países e tem como foco a promoção de políticas sociais, apoio na resolução de problemas de competitividade das economias e medição comparativa de produtividade, fluxos de comércio e investimentos.

O secretário afirmou que até outubro deste ano um conselho deverá sinalizar a aceitação ou não do processo de entrada do Brasil na organização, assim como de outros países que estão na fila de espera da OCDE. “Há um grande interesse na entrada de um dos Brics (o grupo dos países em desenvolvimento) na entidade”, completou.

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Baumann: governo negocia acordos com pelo menos cinco países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na Fiesp, embaixador Graça Lima comenta resultados de cúpula do Brics em Ufá

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Um dos mais importantes resultados da sétima reunião de cúpula do Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em Ufá, Rússia, na primeira quinzena de julho, foi a ratificação dos compromissos asumidos durante a assinatura de criação, pelo bloco, do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

O banco foi inaugurado em Xangai, também em julho deste ano, com um capital autorizado inicial de US$ 100 bilhões.  Outro avanço significativo do bloco é a criação do Arranjo Contingente de Reservas (ACR), com fundo de US$ 100 bilhões para ajudar membros do bloco com dificuldades.

“São iniciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do Brics”, afirmou o embaixador Graça Lima ao participar da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo Graça Lima, o banco deve financiar não só projetos dos países-membros do bloco, como também de outras economias em desenvolvimento.

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Embaixador Graça Lima: "Inciativas ambiciosas que demonstram a capacidade de atuação do BRICS". Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Sobre as perspectivas para o bloco, o embaixador afirmou que “o Brasil entende que os Brics devem continuar sendo um vetor, uma força positiva para a retomada do crescimento econômico. E os resultados obtidos em Ufá mostram os Brics plenamente capazes de construir consenso diante de uma gama de temas”.

Projeto

Na avaliação do ex-embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, a criação do Brics contribuiu principalmente para um “melhor conhecimento entre os países”.

“O que me impressionou desde a primeira reunião foi o crescente número de reuniões entre instituições dos países. Isso é fundamental para que haja melhor conhecimento do que ocorrer nesses países em termos oficiais e empresariais”, disse durante a reunião na Fiesp.

Barbosa aproveitou a ocasião para questionar sobre a existência de uma eventual agenda brasileira nas negociações do bloco.

“Me pergunto se o Brasil, assim como a Rússia e a China, que colocaram sua agenda, tem um projeto para o Brics. Qual é a posição concreta do Brasil sobre os Brics? Temos algum projeto para ser examinado”.

Em resposta à indagação de Barbosa, Graça Lima garantiu que esta será “a primeira pergunta” que fará quando voltar a Brasília.

Crescimento inclusivo do Brasil será tema da 6ª Cúpula dos Brics

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

As características, a evolução e os desafios das economias do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – grupo de países que forma o chamado Brics – foram tema da palestra do ministro Flavio Soares Damico, diretor do Departamento de Mecanismos inter-regionais do Ministério das Relações Exteriores.

Ele foi o convidado da reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) desta terça-feira (10/06),  realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo o ministro, a tendência é  de que as economias entre os países desenvolvidos e os Brics continuem a se estreitar. A soma do PIB dos países que formam o Brics se aproxima rapidamente do PIB dos Estados Unidos. “Hoje, o PIB dos Brics já representa 94% do produto interno norte-americano”, informou Damico.

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Damico: questão de tempo para a China ter o maior PIB do mundo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Além do crescimento da participação dos Brics no Produto Interno Bruto (PIB) global, Damico ressaltou que é “apenas uma questão de tempo para que a China torne-se o maior PIB do mundo”.  Em 2012, a economia chinesa tornou-se maior que a soma das outras economias dos Brics, correspondendo a 55% do total.

A China é parceira irremediável do Brasil, e, segundo Damico, continuará a crescer, mesmo passando por reformas econômicas internas.

O ministro também analisou a evolução do comércio entre os países que formam o bloco. “Por serem economias complementares, o comércio entre as nações passou de US$ 27,7 bilhões, em 2002, para US$ 266,1 bilhões em 2013”.

6ª Cúpula dos Brics

Em sua participação Damico ainda chamou atenção para os principais temas que serão tratados na 6ª Cúpula dos Brics, a ser realizada nas cidades de Brasília e Fortaleza, nos dias 15 e 16 de julho. O crescimento inclusivo será um dos principais pilares do encontro, segundo o ministro.

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A reunião do Coscex: impacto positivo do crescimento econômico dos Brics. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Na cúpula estará em pauta o impacto positivo do crescimento econômico dos países em relação à mitigação da pobreza, devido, principalmente, às políticas de inclusão social na Índia e no Brasil”, encerrou Damico.









Setor da construção precisa de mais incentivos governamentais, afirma vice-presidente da Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Representando o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, na abertura da Concrete Show 2012, na capital, o vice-presidente da entidade e presidente do Conselho Superior da Indústria de Construção (Consic) da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, parabenizou nesta quarta-feira (29/08) as organizações do setor reunidas no evento e fez algumas considerações sobre a situação atual da construção civil no Brasil.

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José Carlos de Oliveira Lima discursa na abertura do Concrete Show South America 2012


“Este setor é importante, pois representa a base de toda a construção. E hoje a indústria de cimento merece nossos elogios porque se organizou, melhorou tecnologicamente e conseguiu reunir toda a cadeia do cimento”, analisou.

Oliveira Lima citou um dado da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), que aponta crescimento de 5% nas vendas na construção civil de janeiro a julho deste ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. “Enquanto alguns falam de crise, nós falamos de crescimento e de investimento neste campo crescente no país”, afirmou.

Apesar deste aumento, o vice-presidente da Fiesp ressaltou que são necessários mais incentivos governamentais no setor da construção, como a desoneração da folha de pagamento dos trabalhadores, entre outros. “Assim como os automóveis, que devem ser contemplados com a prorrogação do IPI [Imposto sobre Produtos Industrializados], temos que ter a prorrogação deste tributo em materiais de construção e a desoneração da folha de pagamento dos trabalhadores, para que o setor continue crescendo e investindo”, defendeu.

Competitividade

O vice-presidente da Fiesp disse, ainda, que o déficit habitacional no Brasil é de seis milhões de moradia: “Isso é resultante da falta de competitividade do país”, alertou, ao completar que o Brasil é o principal país dos BRICS (Brasil, Rússia, China e África do Sul). “Temos uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada em 2016, e o país ainda tem problemas de mobilidade urbana, infraestrutura, aeroportos, estradas”, apontou, acrescentando que o setor da construção “é preponderante, e é fundamental que se melhore a tecnologia como um todo, porque não é apenas com tijolo sobre tijolo que vamos ter essa rapidez no atendimento dessa necessidade do mercado imobiliário, que está despontando e é uma realidade no Brasil”.

Ao final, Oliveira Lima convidou a todos os visitantes da Concrete Show 2012 a participarem do 10º Construbusiness, no dia 3 de dezembro próximo, na sede da Fiesp. “Vamos tratar de produtividade, qualidade e tratamento tributário diferenciado e sustentabilidade”, antecipou.

Cursos e serviços

O Concrete Show South America 2012 prossegue até o dia 31 de agosto, no Centro de Exposição Imigrantes (Rodovia dos Imigrantes, Km 1,5, São Paulo, SP). O Serviço Nacional de Aprendizado Industrial de São Paulo (Senai-SP) está presente no evento, por meio de sua escola Orlando Laviero Ferraiuolo (Tatuapé), com um estande na Rua H, nº 760, onde o visitante tem a oportunidade de conhecer ensaios técnicos voltados à área do concreto (esclerometria, ruptura de corpos de prova, pasta de consistência normal, granulometria e speedy test). Além disso, a entidade da indústria divulgará seus cursos e serviços relacionados ao setor.

Valor dos BRICS no cenário internacional é debatido na Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A III Mesa-redonda O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional, realizada na manhã desta terça-feira (31/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), discutiu a atuação internacional relevante do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e do Brasil, em particular.

Moderada pelo embaixador José Vicente de Sá Pimentel, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, a mesa Perspectivas brasileiras acerca dos BRICS fez uma análise do ponto de vista da economia, para expor os interesses individuais dos países que compõem o bloco.

Mesa-redonda, na Fiesp, aborda perspectivas brasileiras acerca dos BRICS

Mesa-redonda, na Fiesp, aborda perspectivas brasileiras acerca dos BRICS

“O maior objetivo do BRICS é a ambição de uma visão político-econômica alternativa”, afirmou Fernando de Azevedo Pimentel, conselheiro do Ministério da Fazenda, ao explicar que a agenda do grupo é um catalisador, pois tem atingido resultados positivos comuns a todos os países envolvidos. Para Pimentel, o BRICS tem a oportunidade de apresentar a visão de como deveria ser o mundo.

Leia também: reportagem sobre a mesa ‘O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional‘.

Paulo Nogueira Batista Jr., representante do Fundo Monetário Internacional (FMI), observou que, desde sua criação, o BRICS causa controvérsias sobre seu real significado, mas ainda assim é reconhecido como uma instância notável.

“O BRICS tem sido nossa principal aliança no FMI e no G20 [grupo dos 20 países mais ricos do mundo]”, ressaltou. Batista Jr. falou ainda sobre a criação de um fundo monetário comum entre os países do BRICS, afirmando que a reserva das somas totalizaria em U$ 4,3 trilhões, uma quantia significativa e que gera segurança. Ele defendeu a ideia de que esse fundo deveria ser virtual, o que resolveria diversos problemas, como a ocupação de um espaço físico, criação de cargos e excesso de despesas.

O embaixador Ronaldo Mota Sardenberg falou da contribuição do BRICS nesse momento e afirmou que, para fazer essa avaliação, é impossível dissociar a análise política da econômica. Para ele, o BRICS aumenta a probabilidade de uma ordem internacional de multipolaridade.

Sob o ponto de vista da participação do Brasil, o embaixador mostrou-se preocupado. “Com o desempenho econômico baixando, [o país] não atinge metas econômicas e isso dificulta políticas externas”, explicou. “O BRICS tem uma oportunidade muito grande de se estabelecer, pois é um grupo que favorece a mudança pacífica”, concluiu Sardenberg.

Ao final das apresentações, os participantes foram convidados a participar das discussões com os membros da mesa, que também contou com a presença do embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, de Luiz Eduardo Melin, do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e do Embaixador Valdemar Carneiro Leão Neto.

Na Fiesp, especialistas analisam perspectivas dos países membros do BRICS sobre o Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A fim de analisar as ações dos países integrantes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), especialistas, acadêmicos e autoridades de cada um dos membros do bloco se reuniram nesta terça-feira (31/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em torno da III Mesa-redonda O Brasil, os BRICS e a Agenda Internacional.

O evento foi realizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, em conjunto com a Fundação Alexandre de Gusmão, vinculada ao Ministério de Relações Exteriores (MRE).

Compareceram ainda parlamentares, diplomatas e outras autoridades do governo brasileiro envolvidas nos processos de negociação entre os membros dos BRICS.

Leia também: reportagem sobre a mesa ‘Perspectivas brasileiras acerca dos BRICS‘ .

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Mesa-redonda O Brasil, os Brics e a agenda internacional: 'esforço para trazer o MRE mais próximo do mundo acadêmico'

Os professores Fedor Lukyanov (Revista Russia in Global Affairs – Rússia), Varun Sahni (Jawaharlal Nehru University-JNU, Índia), Jin Canrong (Renmin University of China) e Elizabeth Sidiropoulos (South African Institute of International Affairs-SAIIA, África do Sul) expuseram as perspectivas de seus relativos países sobre o Brasil e do grupo como um todo.

O embaixador José Vicente de Sá Pimentel, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, afirmou que o encontro é um esforço para trazer o MRE mais próximo do mundo acadêmico, em um “esforço de diplomacia pública”. Dos outros dois seminários que aconteceram em São Paulo e Nova Délhi, na Índia, ele lembrou que vários palestrantes apontaram como o problema do empresário brasileiro a “despreocupação” com o planejamento e com as análises estratégicas.

“O empresariado brasileiro, de certa maneira, perde um apoio importante que teria no mundo acadêmico, que poderia trazer análises e perspectivas úteis ao seu planejamento”, considerou Pimentel.

Fato político

Para o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, a discussão é um “exercício de diplomacia pública” e também um “exercício de sugestões políticas para o Itamaraty”.

“Recentemente, por causa da crise econômica, surgiram comentários de economistas importantes sobre a evolução das economias dos países dos BRICS, e qualquer que seja este desenvolvimento, ela está aqui para ficar”, afirmou Barbosa.  Ele acrescentou que a institucionalização dos BRICS é um fato político que ocorreu e vai se desenvolver e desdobrar em ações políticas e econômicas.

O embaixador afirmou estar acompanhando a questão dos BRICS, que considera como uma das importantes iniciativas da política externa brasileira. “Se verificarmos o grau de aproximação com esses sucessivos planos de ação desde a primeira reunião, vamos ver que em pouco tempo muita coisa foi feita para melhorar o conhecimento entre os países, que era restrito, mas agora começa a ser reparado”, completou.

Segundo Rubens Barbosa, as reuniões indicaram grandes progressos relativos à cooperação dentre os países membros, e uma incipiente cooperação nos organismos financeiros internacionais. “Os países membros ganhariam maior influência na medida em que os BRICs pudessem falar com uma única voz em temas políticos e econômicos específicos”, sublinhou.

Conselho Superior de Estudos Avançados da Fiesp debate a inserção dos BRICs

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

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Da esq. p/ dir.: Adhemar Bahadian, Ruy Altendeldfer, Marcos Prado Troyjo e Celso Monteiro de Carvalho, durante reunião do Consea/Fiesp



A reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, nesta segunda-feira (21), analisou o tema “O Brasil e a conjuntura internacional – A inserção dos BRICs” na série de palestras Repensando o Brasil. Convidado pelo presidente do Conselho, Ruy Altenfelder, o mestre em Sociologia das Relações Internacionais e conselheiro do Consea, Marcos Prado Troyjo, compôs a mesa diretora ao lado do vice-presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema), Celso Monteiro de Carvalho, e do embaixador Adhemar Bahadian.

“Há vinte anos estive presente em um seminário, aqui na Fiesp, que tratava de um assunto semelhante. Acho interessante traçar um paralelo para mostrar em que medida, no período de uma geração, as coisas mudaram ou não”, contou Troyjo. Em 1978, por exemplo, Brasil possuía 100 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 200 bilhões. A China por sua vez, tinha um bilhão de habitantes e a soma de seus bens e serviços não ultrapassava os US$ 56 bilhões.

“[Ou seja], a China tinha uma população dez vezes maior que a nossa e seu PIB era três vezes menor que o brasileiro. Em apenas trinta anos, eles conseguiram aumentar sua economia em 89 vezes”, explicou Troyjo. Para ele, os chineses deixaram de ser uma sociedade de cópia, para ser uma sociedade de “adaptação criativa”, com inovações tecnológicas e investimentos certeiros.

Após traçar um histórico da situação econômica e política dos anos 1990 e citar as principais transformações advindas com o século 21, Troyjo alertou que, apesar de apresentarem rápido crescimento de suas economias, Brasil, Rússia, China e Índia possuem pensamentos políticos, humanos e econômicos muitos diferentes e que é possível entendê-los fazendo quatro perguntas:

  • O que sua elite quer para sua população?
  • O que sua elite quer para ela mesma?
  • O que o país quer do mundo?
  • O que o país quer para o mundo?

“Os países têm ambição. A Rússia, por exemplo, tem grandes dificuldades em definir a reposta para primeira pergunta. Eles têm um sistema híbrido, muito autoritário, mas é um sistema que não está definido”, e Troyjo.

Em sua análise, a elite indiana não sabe o que quer para sua população, uma vez que a mobilidade social – por questões religiosas – é praticamente proibida. Os chineses, por sua vez, querem formar uma gigantesca sociedade de classe média, mesmo que o ato democrático seja rarefeito. “E o que a China quer do mundo é a prolongação desse status de ser a planta industrial do mundo, até pra promover o acumulo de excedentes necessários que vão se tornar o colchão de recursos com o qual vai conseguir financiar a mudança de DNA de sua economia.”

Reflexões

Troyjo também acredita que a elite brasileira não sabe o que quer para a população, assim como o país não sabe com qual composição orgânica do PIB quer chegar em 2030. Tais indefinições atrapalham na hora de tecer planejamentos estratégicos econômicos e políticos. “O Brasil é como uma rocha esférica no topo de uma montanha e pode pender para os dois lados, isto é, as coisas podem dar muito errado, ou muito certo.”

Para o presidente do Conselho, Ruy Altenfelder, a discussão sobre os BRICs, incluindo África do Sul, é muito importante, pois proporcionará reflexões e sinalizará rumos para economias que vêm dando certo. A próxima reunião do Consea está marcada para 30 de janeiro de 2012 e continuará com a série “Repensando o Brasil”.