Brasil não tem ‘grande estratégia’ para prosperidade, critica economista Marcos Troyjo em reunião na Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O diplomata e economista Marcos Troyjo, diretor do BRICLab do Centro de Estudos sobre o Brasil, Rússia e China da Universidade de Columbia,  falou, nesta segunda-feira (15/04), na sede da Federação das Indústria do Estados de São Paulo (Fiesp), sobre o atual cenário da globalização e o papel e os desafios do Brasil.

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Na mesa: Jorge Borhausen, Ivette Senise Ferreira , Ruy Altenfelder e Marcos Troyjo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Troyjo participou do debate “Repensando o Brasil: O Brasil na Encruzilhada da Globalização”, promovido pelo Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp.

“Os líderes do país têm uma grave dificuldade em identificar onde está o interesse nacional”, afirmou o economista.  “O Brasil, hoje, não tem uma grande estratégia que visa à prosperidade do país. Vivemos na inércia. O Brasil é uma nave espacial completamente alienada do que acontece no mundo. Não sabemos o percentual do nosso PIB [Produto Interno Bruto] para Ciência e Tecnologia, não temos metas ou expectativas”, acrescentou o economista, que também integra o Consea.

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Marcos Troyjo: 'Planeta passa por um processo de reglobalização e Brasil parece não ter conhecimento'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Trovyo, o planeta passa por um processo de reglobalização, do qual o Brasil parece não ter conhecimento. Há duas grandes forças de reglobalização atuando neste momento, segundo o economista. Uma delas é o novo papel da China no mundo.

“A China da manufatura baixa está desaparecendo e vemos nascer a China 2.0, na qual os valores médios de remuneração interna crescem. Está mais caro produzir lá. Sendo assim, as empresas estão buscando outros lugares para produzir. Quem está sendo beneficiado com isso são os vizinhos geoeconômicos da China, como o Vietnã e a Malásia, e também o México e o continente africano”, explicou Troyjo.

A segunda força consiste nas aproximações entre Ásia, Estados Unidos e Europa. “Vemos o surgimento de megamovimentos que nascem a partir dos Estados Unidos. O primeiro dos movimentos é uma parceria transpacífica, que pretende integrar em um acordo de livre comércio as economias do NAFTA, as economias dos países da franja sul-americana (Peru, Colombia, Chile), Japão e a Coreia do Sul. A segunda parte desse movimento é a parceria transatlântica, que resultará em um acordo de livre-comércio entre EUA e Europa , para ser iniciado já em 2015”, contou.

“São eventos da maior magnitude dos quais o Brasil parece não ter ideia. Temos inúmeras possiblidades, as quais não são aproveitadas”, encerrou.

O Consea volta a se reunir no dia 20 maio, quando Roberto Teixeira da Costa falará sobre o tema “Tendências Globais para 2030 – Como ficamos nesse cenário global?”.

Na reunião estiveram presentes o presidente do conselho, Ruy Martins Altenfelder, e a vice-presidente, Ivette Senise Ferreira.