Conselho do Agronegócio da Fiesp debate os acordos comerciais de comércio global

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

“Os mega blocos comerciais e o agronegócio brasileiro”. Este foi o tema da reunião desta segunda-feira (07/04) do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi liderado pelo presidente do Cosag, João Sampaio, na sede da entidade.

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Marcos Jank: Brasil ficou parado e deixou de “jogar o jogo global”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor global de assuntos corporativos da BRF, Marcos Jank, defendeu que o setor empresarial deve exigir que a agenda de acordos comerciais seja global. “É preciso entender o que está acontecendo e, por meio do Cosag, pensar em soluções”, afirmou.

Jank explicou sobre as PTAs [sigla em inglês para Acordos Preferenciais de Comércio] e quais as gerações de evolução das mesmas. Segundo ele, a primeira geração tinha por objetivo a redução de tarifas. A segunda defendeu, além da redução tarifária, a área de livre comércio.

“A resistência que o Brasil tinha em assinar acordos de livre comércio foi o que barrou a Alca, por exemplo”, explicou.

Já a geração atual discute as altas tecnologias e a convergência regulatória, que é um pouco diferente da harmonização regulatória, com todas as regras comuns a todos os envolvidos, como a União Europeia, por exemplo. “A convergência tem por objetivo alterar regras dos países envolvidos para o bem comum, especialmente no âmbito do meio ambiente. Quem não convergir, acaba sendo prejudicado”, disse Jank.

O diretor da BRF defendeu a importância dos acordos globais. “Os Estados Unidos [EUA] assumiram dois grandes acordos e a Alca não aconteceu efetivamente, mas quase toda a América está integrada”, afirmou ao ressaltar que, além disso, os norte-americanos assinaram acordos com diversos países como Coreia, Austrália, alguns países do Oriente Médio. A Europa também não ficou atrás, com acordos preferenciais de comércio assinados com os mesmos países que assinaram com os EUA. “A Europa está hiperativa em negociações comerciais”, enfatizou.

Na visão de Jank, o Brasil ficou parado. “Nós deixamos de jogar o jogo global. O assunto é grave e precisamos nos mexer”, alertou. Para ele, é preciso discutir isso em 2014. “O setor de carnes provavelmente é o mais afetado nesse processo. Temos que fazer mais estudos, analisar os impactos e trazer esse assunto para o processo político”, destacou.

“Hoje, o agronegócio é parte de cadeias de valores globais e nós ficamos para trás. É importante retomar essa agenda no Congresso”, concluiu.

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Flávio Soares. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor do Departamento de Mecanismos inter-regionais do Ministério das Relações Exteriores, ministro Flávio Soares Damico, concordou. “É difícil ser minimalista quando se fala do impacto do agronegócio na economia brasileira, que é responsável por grande parte da evolução deste país”, afirmou. Para ele, a retomada do regionalismo comercial deve ser analisada sob uma ótica muito mais política do que meramente comercial.

Na conclusão, o ex-ministro da Agricultura e membro do Cosag, Roberto Rodrigues, alertou para o atraso do Brasil nos acordos comerciais. “Não há dúvida que nós perdemos firmeza e espaço nesse âmbito. Precisamos correr atrás”, afirmou.

O deputado estadual Itamar Borges também assistiu à reunião.

Iniciativas Sustentáveis: BRF – segunda maior indústria alimentícia do país, criou programa para monitorar e qualificar sua cadeia de fornecedores

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Por Karen Pegorari Silveira

Em uma sociedade na qual os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à qualidade dos produtos e nos serviços, e com os mercados globalizados, dinâmicos e altamente competitivos, há uma crescente preocupação das empresas não só em manter, mas também em incrementar seu desempenho dentro da cadeia de suprimentos na qual se inserem. Isto é especialmente importante para a indústria de alimentos dada à grande diversidade de produtos para atender os distintos segmentos de mercado.

Diante da necessidade de inovação tecnológica e organizacional, as agroindústrias nacionais estão promovendo toda uma reestruturação na rede de suprimentos, evidenciando crescente integração dos fornecedores e de distribuidores à cadeia de suprimento de alimentos processados. Este é o caso da BRF, formada a partir da fusão da Sadia e Perdigão. A BRF nasceu, em 2009, como a maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e a segunda maior indústria alimentícia do país. A união de duas grandes empresas contribuiu para unir esforços e experiências, sobretudo no que se refere à sustentabilidade.

Para a BFR, o compromisso com o desenvolvimento sustentável pode ser demonstrado por meio de um conjunto de diretrizes e ações focadas na obtenção de resultados positivos nos três pilares da sustentabilidade: econômico-financeiro, ambiental e social. Sua gestão estratégica tem como base o fortalecimento de práticas sustentáveis em toda a cadeia de valor e no relacionamento com os principais públicos de interesse.

A estratégia está sendo viabilizada por meio das ações do Programa de Monitoramento da Cadeia de Fornecedores. A iniciativa tem como principal objetivo identificar e minimizar os principais riscos sociais e ambientais para reduzir os impactos negativos das operações relacionadas à empresa. São realizadas capacitação e conscientização de negociadores e fornecedores sobre os padrões de sustentabilidade. A partir desse treinamento, esse público passa a entender detalhadamente o Programa de Monitoramento de Fornecedores e as metas para atendimento do mesmo, que abrangem a assinatura do Código de Conduta para Fornecedores, realização de avaliações socioambientais e auditorias. Essas auditorias são realizadas nos fornecedores mais críticos, priorizadas de acordo com o volume de compras e a sua localização em áreas com maior impacto ambiental, como os próximos do bioma amazônico, terras indígenas, unidades de conservação e focos de desmatamento.

Desde o início, o Código de Conduta para Fornecedores, que tem o objetivo de reafirmar o compromisso com a gestão responsável e sustentável, já foi enviado para mais de 21.500 fornecedores até o final do ano passado.

“O Programa de Monitoramento de Fornecedores permite identificar e minimizar riscos socioambientais que não estão sob a gestão direta da BRF, além de estimular boas práticas em toda a cadeia produtiva da companhia”, diz Luciana Ueda, Gerente de Sustentabilidade da BRF.

A Companhia exige padrões mínimos ambientais e de direitos humanos de seus fornecedores. Há verificação constante de algumas informações públicas, como a Lista do Trabalho Escravo e a Lista de Áreas Embargadas do Ibama. Além desses padrões, há a obrigatoriedade de atendimento a outros critérios, dependendo da particularidade do setor. No caso de compra de grãos, a empresa não adquire insumos de fornecedores que promovam o desmatamento ilegal da Amazônia. Já as propriedades de produtores integrados passam por avaliação constante e, caso ocorra descumprimento de compromissos ambientais e sociais estabelecidos, é elaborado um plano de ação para reverter o quadro.

A BRF tem por prática não se relacionar com fornecedores que descumpram padrões mínimos de direitos humanos (trabalho infantil ou escravo), trabalhistas (liberdade sindical) e de respeito ao meio ambiente e, em 2012, não foram identificados esses riscos nas operações.

Cada diretoria encontra-se em uma fase de implantação e ampliação do Programa de Monitoramento, porém 100% dos novos contratados já seguem os critérios do Código de Conduta para Fornecedores. Como forma de monitoramento, existem o Código de Ética, Código de Conduta para Fornecedores e Políticas específicas para contratação.

Em 2013, não houve ocorrências de trabalho infantil ou trabalho forçado ou análogo ao escravo em fornecedores. Para os casos nos quais são identificados desacordos com algum requisito do código de conduta, dependendo da gravidade, ou são executados planos de melhoria ou o contrato de fornecimento é cancelado. As principais irregularidades causadoras de rompimento contratual são a presença na Lista do IBAMA de Autuações Ambientais e Embargos e na Lista Suja do Ministério do Trabalho e Emprego.

A compra com fornecedores locais também é uma prioridade da empresa, que não vê somente a oportunidade de redução de custos com transporte e em emissões e gases de efeito estufa, mas também uma melhor integração com a comunidade.

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Evento organizado pelo Senai-SP criará soluções inovadoras para empresas Baumer, BRF e Samsung

Agência Indusnet Fiesp

Vinte e sete alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) têm a missão de desenvolver, em apenas 48 horas, uma proposta totalmente inovadora no campo mercadológico para três indústrias. A maratona de criatividade e conhecimento começou na quarta-feira (25/09) e prossegue até sábado (28/09), no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

Realizado pelo segundo ano consecutivo, o “Desafio de Ideias” é uma das atividades paralelas do São Paulo Skills, evento promovido a cada dois anos pelo Senai-SP e que pela primeira vez terá a participação do Instituto Federal de Educação e do Centro Paula Souza.

Nesta edição, o Desafio de Ideias reunirá 45 alunos – 27 do Senai-SP, nove do Instituto Federal de Educação e nove do Centro Paula Souza – e as empresas Baumer, BRF e Samsung. Na abertura (25/09), os jovens receberam os desafios das empresas e, a partir desse momento, têm dois dias para apresentar soluções de caráter inovador. As atividades são transmitidas em tempo real aos visitantes do São Paulo Skills por meio de televisores posicionados em locais estratégicos do Pavilhão de Exposições do Anhembi.

As ideias serão apresentadas aos representantes das empresas que avaliarão quesitos como criatividade, viabilidade, empreendedorismo e originalidade. A competição conta com nove equipes formadas por cinco alunos e dois docentes-orientadores. Cada empresa dará um prêmio à equipe considerada vencedora de seu respectivo desafio.

A inovação no âmbito empresarial

Reformular um produto já existente ou oferecer as novidades demandadas pelo mercado exige pesquisa e criatividade. Por isso, as indústrias têm a necessidade de investir tempo e recursos para promover a inovação. A fim de oferecer soluções e ampliar sua atuação nas empresas, o Senai-SP organiza o “Desafio de Ideias”, concurso técnico-cultural que tem como princípios a Inovação Aberta e o Design.

De acordo com esses conceitos, o processo de inovação de uma empresa não deve se limitar aos seus quadros funcionais. Pelo contrário, ela depende da articulação de recursos internos e externos, tanto para o desenvolvimento quanto para a exploração comercial de novos produtos e serviços. O conceito de Design pode ser entendido como a transformação da criatividade em inovação e a correspondência entre as necessidades humanas com os recursos técnicos disponíveis, considerando as restrições práticas dos negócios.

Dessa forma, o “Desafio de Ideias” tem como finalidade aproximar as indústrias das ideias criativas dos alunos, criando novos produtos, processos e negócios para as empresas parceiras. O concurso promove oportunidades para que as empresas participantes conheçam e identifiquem pessoas com perfil criativo e empreendedor. Também é uma forma de estabelecer parceria com o Senai-SP para o desenvolvimento de plataformas tecnológicas, apropriação da metodologia para o desenvolvimento de novos produtos, processos e gestão, bem como das soluções apresentadas e dos respectivos materiais criados.

O evento ocorre simultaneamente com o São Paulo Skills, que reunirá mais de 700 alunos de todo o estado de São Paulo, e o “Inova Senai”, competição tecnológica que apresentará 80 projetos de aplicação industrial, com o objetivo de revelar novos talentos para diversos setores da indústria.