Iniciativas Sustentáveis: Braskem – Crise hídrica como oportunidade

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Por Karen Pegorari Silveira

Cada vez mais as empresas estão sendo cobradas por suas ações e atentas à fiscalização que pode vir do governo, de entidades de defesa dos recursos naturais, mas principalmente do consumidor final. As companhias que não se atentarem a isso poderão ser seriamente afetadas financeiramente e se tornarem insustentáveis a um curto espaço de tempo.

O estudo Gerenciamento de riscos hídricos no Brasil e o setor empresarial: desafios e oportunidades, realizado pela Câmara Temática de Água, do Conselho Empresarial Brasileiro pelo Desenvolvimento (CEBDS/CTÁgua), relata que, no mundo, a captação de água triplicou nos últimos 50 anos e estima-se que 20% das reservas subterrâneas são explorados acima de sua capacidade de recuperação natural, afetando diretamente a sociedade e a economia.

Ainda, segundo o estudo, em poucos países no mundo se observa uma dependência tão forte em relação aos recursos hídricos e, dessa forma, muitas empresas perceberam que a crise poderia ser uma oportunidade de intensificar ainda mais os investimentos e ações para garantir a economia dos recursos hídricos e aprimorar o uso eficiente da água em seus processos.

A Braskem é uma dessas empresas que decidiu estabelecer o consumo consciente dos recursos hídricos como uma de suas principais metas. Para isso a companhia já investiu R$ 250 milhões em projetos voltados à eficiência hídrica e obteve uma economia de R$ 154 milhões em redução de custos com tratamento de efluentes líquidos e gastos operacionais. Com essa estratégia, a empresa manteve um índice de consumo estável, com aumento de apenas 0,5% desde 2002, seis vezes inferior à média da indústria química mundial (ICCA- International Council of Chemical Associations).

Para cumprir a meta de atingir o índice de 40% de utilização de água de reuso até 2020, uma das iniciativas tomadas em 2009, foi a parceria para o desenvolvimento dos Projetos Aquapolo, na região metropolitana de São Paulo, e o Agua Viva, em Camaçari, na Bahia. O objetivo era se antecipar a um cenário de restrição de recursos hídricos já previsto para essas regiões.

O Aquapolo tem a finalidade de produzir água industrial de alta qualidade a partir do esgoto doméstico gerado na Bacia do ABC. Ele é um projeto da SABESP e Foz do Brasil, do Grupo Odebrecht Ambiental, com parceria da Braskem, e irá fornecer água para 10 grandes indústrias do polo petroquímico da região que antes utilizavam água do Rio Tamanduateí e outras fontes complementares, num total de 380 litros por segundo, além de água potável da Sabesp num volume de 191 litros por segundo. A Braskem é o principal cliente deste projeto, com o consumo de 65% de sua capacidade, e utilizou cerca de 19 bilhões de litros de água de reuso apenas nos dois últimos anos. O Aquapolo é o maior empreendimento para a produção de água de reuso industrial na América do Sul, e quinto maior do planeta.

Já o Projeto Água Viva, fruto de uma parceria entre a Braskem e Cetrel, é considerado o maior projeto de reaproveitamento de água na indústria baiana e vai gerar economia mínima de 4 bilhões de litros ao ano para a companhia. Inaugurado em dezembro de 2012, com investimento superior a R$ 20 milhões, o projeto tem como objetivo garantir o suprimento hídrico a partir do tratamento de efluentes industriais e do aproveitamento de água de chuva. A iniciativa possibilita reduzir o uso de energia elétrica com a substituição de métodos de tratamento de água fluvial e efluentes por um processo único de reaproveitamento.

Para o gerente de Desenvolvimento Sustentável, Mário Pino, com essas iniciativas, a Braskem, traduz de maneira muito eficaz o compromisso público da companhia com o desenvolvimento sustentável, tendo a gestão hídrica como uma de suas principais preocupações. “Não nos limitamos a melhorar a pegada hídrica apenas das operações industriais, mas também atuamos em parceria com os clientes para desenvolver novos produtos ou novas aplicações que contribuam para a melhoria da eficiência no uso da água em sua cadeia de valor, inclusive com soluções intersetoriais e relacionadas a áreas como agricultura e saneamento, entre outras”, diz.

Mário Pino relata ainda que o consumo cada vez maior de água de reuso trouxe vantagens competitivas para a Braskem, principalmente em um cenário em que a preocupação com o desenvolvimento sustentável vai muito além do discurso, exigindo metas reais e tangíveis.

Sobre a Braskem

A Braskem é a maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. Com 36 plantas industriais distribuídas pelo Brasil, Estados Unidos e Alemanha, a empresa produz anualmente mais de 16 milhões de toneladas de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos. Maior produtora de biopolímeros do mundo, a Braskem tem capacidade para fabricar anualmente 200 mil toneladas de polietileno derivado de etanol de cana-de-açúcar.

Seminário na Fiesp debate Plano de Produção e Consumo Sustentáveis

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu na manhã desta quinta-feira (06/11) o seminário “Plano de Produção e Consumo Sustentáveis”. O evento tem realização conjunta com o Instituto Cidade Sustentável (ICS), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Braskem, Caixa e Syngenta.

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Paulo Dallari, diretor da Fiesp (ao centro): problema da gestão de resíduos é grave. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Na abertura do evento, o diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA), Paulo Dallari, alertou que o problema da gestão de resíduos é grave e que, se nada for feito, pode se converter em uma grande preocupação como a crise hídrica que afeta o estado de São Paulo e outras localidades do país. “A Fiesp estará sempre articulada e apoiando qualquer iniciativa nesse sentido”, disse Dallari, referindo-se ao debate sobre soluções.

Um dos objetivos do evento é justamente debater os principais temas que integram o primeiro ciclo de implantação do Plano de Produção e Consumo Sustentáveis (2011/2014) e revisar os temas que farão parte da segunda etapa, que irá de 2015 a 2018.

De acordo com o presidente do ICS, Paulo Sérgio da Silva, o governo está trabalhando no segundo ciclo do Plano. Ele reforçou que nada é mais é mais atual do que discutir sustentabilidade. “Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de segunda-feira [03/11], estabeleceu que sob hipótese alguma podemos deixar que a temperatura da Terra passe dos quatro graus até 2100”, informou. “Se não tomarmos uma atitude, uma ação, uma providência, de produzirmos e consumirmos produtos que tenham como base a sustentabilidade ambiental, com certeza as próximas gerações vão sofrer.”

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Ariel Pares, do Ministério do Meio Ambiente: governo aposta muito no instrumento do poder de compra do Estado. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ariel Pares, diretor do departamento de Economia e Meio Ambiente do MMA, afirmou que nos próximos seis anos, em âmbito global, está em jogo o debate de duas questões importantes: os objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que após 2015 irão substituir os atuais Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), e as discussões sobre Mudanças Climáticas.

Segundo ele, não se promovem mudanças sem estímulos e promoção. “As empresas ganham porque têm mercado  e têm condições de reagir positivamente em função de oportunidades. E nós ganhamos porque elas contribuem com um processo produtivo que é menos impactante. E com isso ganha a sociedade.”

Pares chamou a atenção para três aprendizados necessários: os instrumentos a serem utilizados, os estímulos podem ser dados pelo governo e, por fim, aprender que esse processo envolve o estabelecimento de uma relação de confiança entre setor público e privado. O governo, destacou Pares, aposta muito no instrumento do poder de compra do Estado.

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Sergio Monforte da CNI: é preciso definir critérios em conversas setoriais. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

As compras governamentais são justamente um dos temas de debates que a Confederação Nacional da Indústria (CNI), vem promovendo com federações e com associações industriais, segundo o representante da CNI, Sergio Monforte.

“Um ponto crítico é a definição de critérios. Quais são esses critérios na prática? Critérios que estão relacionados aos produtos eletroeletrônicos são muito diferentes ao de produtos de limpeza”, argumentou Monforte, propondo diálogos setoriais que também tenham como base estudos científicos que deem substância às discussões.

Monforte disse ainda que no cenário internacional discute-se uma norma ISO 20.400 sobre compras sustentáveis. Para elaborar a posição brasileira, uma comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vai promover uma reunião no dia 4 de dezembro, no Rio de Janeiro.

Convidado do evento, o vereador por São Paulo Gilberto Natalini disse que o estresse ambiental tem causa. “E a causa somos nós. Então somos nós temos que resolver. Sei o quanto a indústria paulista tem se esforçado para ajudar a resolver isso. A palavra que mais resume isso é conversa e diálogo.”

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Mercado livre de energia elétrica é uma tendência mundial, afirma presidente da Abraceel

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Reginaldo Miranda da Abraceel

O custo de energia elétrica no Brasil está entre os mais caros do mundo, de acordo com o presidente da presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Reginaldo Medeiros. E, segundo ele, entre os motivos desse custo elevado estão a multiplicidade de impostos e a falta de políticas regulatórias do mercado livre de energia elétrica brasileiro.

Medeiros foi um dos participantes do painel  Mercado Livre e Competitividade Industrial, realizado durante o 13º Encontro de Energia da Fiesp, no Hotel Unique, em São Paulo.

O evento, coordenado pelo diretor da divisão de energia do departamento de infraestrutura da Fiesp (Deinfra), Luiz Pescarmona, contou com a participação do presidente da Tractebel Energia, Manoel Zaroni Torres; do presidente da Brix, Marcelo Mello; do diretor de energia da Braskem, André Gohn; e do presidente do grupo CPFL Brasil, Marco Antonio Oliveira de Siqueira.

Veja um resumo dos assuntos discutidos no painel:

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Marco Antonio Oliveira Siqueira.

Marco Antonio Oliveira de Siqueira (CPFL) – O presidente do grupo CPFL afirmou que 40% dos custos de energia elétrica no Brasil são provenientes de encargos e tributos. “Temos que trabalhar os custos dos encargos. Só desta forma garantiremos melhorias para competitividade da indústria nacional”, afirmou.

Siqueira defendeu o ajuste do sistema de precificação do produto. “O modelo de precificação estimula o consumidor a não fechar contratos de longo prazo e esperar a redução do preço”. E completou: “Se essa sinalização não for corrigida não teremos mais investimentos na área de energia.”


Reginaldo Medeiros (Abraceel) – O presidente-executivo da Abracel afirmou que o Brasil não pode abrir mão de ampliar o mercado livre de energia e de criar condições objetivas para que todos os consumidores tenham acesso aos seus benefícios. De acordo com o palestrante, o mercado livre de energia é uma tendência em outros países do mundo como os Estados Unidos, os membros da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia, que conseguiram aumentar a segurança com o processo de certificação e oferecer aos consumidores vantagens competitivas na oferta de energia.

“A única forma de pressionar as empresas a reduzir permanentemente o preço de energia elétrica no Brasil é promover a competição da indústria, por meio da livre escolha do consumidor. Isso possibilitará uma redução de custos para o consumidor final”, avaliou.

Manoel Zaroni (Tractebel) – O presidente da Tractebel afirmou que o preço da energia elétrica praticado no Brasil é baixo. De acordo com o palestrante, a multiplicidade de impostos eleva o custo final do produto: “O custo da geração de energia poderia ser mais barato, embora eu reafirme que ela [energia] é muito barata no Brasil. Nós construímos usinas, pela característica hidroelétrica, mais barata do que outros países”. E completou: “Quanto mais seguro o ambiente de investimento, são menores os riscos de precificação e custo de energia”, alertou.

Zaroni defendeu a adoção de políticas regulatórias no mercado livre de energia elétrica. “Ampliar o mercado livre é uma coisa mais do que necessária. Não faz sentido continuar com o mercado cativo de energia.”

Marcelo Mello (Brix) – O presidente da Brix apresentou as vantagens da plataforma eletrônica de negociação de energia elétrica, que registrou 5 milhões de megawatts-hora (MWh) em cerca de 4.500 transações realizadas desde o início de sua operação,  em julho de 2011, tornando-se, segundo o palestrante, um importante canal de compra e venda de energia elétrica para as empresas. “O mercado livre aumenta a competitividade da indústria brasileira e oferece oportunidades de negócios”, avaliou.

André Gohn (Braskem) – O diretor de energia da Braskem afirmou que a incerteza no preço de energia e o número excessivo de encargos e regras são fatores que desestimulam os investimentos do setor produtivo na geração de energia. “O consumidor precisa de energia elétrica confiável e com preço competitivo. Se houver uma redução no custo de energia da indústria, isso beneficiará as famílias através da redução dos preços dos produtos e serviços.”


Humanidade 2012: lideranças empresariais debatem caminhos para uma nova economia

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dia de programação do “Seminário Lideranças Empresariais”, nesta quinta-feira (20/06), no Rio, executivos de três grandes corporações debateram desafios e possíveis contribuições do setor empresarial para o equilíbrio entre os pilares social, ambiental e econômico no desenvolvimento sustentável.

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Empresários discutem alternativas sustentáveis para a economia

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp); Eduardo Gouvêa, presidente da Firjan; e Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, participaram do evento.

Leia a seguir o resumo do painel:

Ricardo Antonio Mello Castanheira (CCR) – O vice-presidente de relações institucionais da CCR, uma das maiores empresas de concessão de infraestrutura do mundo em transporte, aeroportos, metrô, barcas, que administra 2.800 quilômetros de rodovias, disse que para prestar serviços de qualidade aos usuários é preciso pensar no equilíbrio entre os três modais de sustentabilidade.

“O que temos feito para transitar nessa economia verde são os mais de 80 programas nas áreas sociais e ambientais, com uma infraestrutura que pode ajudar evitando desperdício de recursos”, apontou o executivo da CCR.

Castanheira destacou ainda o desenvolvimento de asfalto ecológico, feito a partir de pneus usados, opção que, segundo ele, torna a rodovia mais segura e confortável aos usuários.

“A cada quilômetro pavimentado com asfalto ecológico, tira-se mil pneus usados de circulação. Cerca de 15% das rodovias administradas pela CCR são feitas com esse asfalto ecológico”, revelou.

O vice-presidente de Relações Institucionais da CCR incluiu também os programas de educação de trânsito e de saúde do caminhoneiro, além da inspeção veicular na cidade de São Paulo – “responsável pela baixa de 7% da emissão de carbono na capital paulista, segundo pesquisa realizada pela USP [Universidade de São Paulo]”, informou.

Jorge Soto (Braskem) – O diretor de sustentabilidade da Braskem informou que a indústria química está presente em 95% dos produtos e até dos serviços utilizados. “Estamos constantemente buscando algo novo para favorecer a sociedade, e as questões sociais e ambientais estão sendo cada vez mais lembradas.”

Soto apresentou ainda como exemplo concreto da Braskem o desenvolvimento de um polímero feito a partir de etanol de cana de açúcar, utilizado na produção de plásticos.

O diretor da Braskem alertou que é preciso ter consumidores conscientes no ato de comprar. “Mas também deve haver informação suficiente”, ressalvou.

Os consumidores do futuro, segundo ele, devem tomar privilegiar basear decisões de compra nas informações mais do que no preço. “Daqui a 20 anos, espero que o Brasil tenha capacidade de se tornar uma potência da economia verde.”

Milton Seligman (Ambev) – Segundo o vice-presidente de relações corporativas da multinacional de bebidas, desde 1994 o sistema de gestão ambiental está implantado em toda a companhia, o que apresentou resultados objetivos e concretos no aproveitamento de resíduos sólidos de 98,3%.

Seligman destacou a redução de 35% da emissão de CO2 nos últimos cinco anos. Já no mais importante insumo de produção da companhia, a água, houve redução de 33% de uso nos últimos dez anos. “Temos uma dependência de água na faixa de 92% em relação aos produtos fabricados, portanto, não há ninguém mais interessado na manutenção de volumes disponíveis deste recurso natural em qualidade e quantidade do que a Ambev.”

A forte reinserção das embalagens retornáveis também foi mencionada como ação ambiental que não pode ser feita apenas pelas companhias. “É preciso um esforço anticíclico, do descartável ao retornável”, disse o vice-presidente de relações corporativas da Ambev.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma iniciativa é resultado de uma realização conjunta da Fiesp Sistema Firjan, Fundação Roberto Marinho, Sesi-Rio, Sesi-SP, Senai-Rio, Senai-SP, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, até 22 de junho, paralelamente à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. O objetivo é realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável.

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