Certificado de origem digital facilita exportações para Argentina e Uruguai

Agência Indusnet Fiesp

Para apresentar detalhes do documento de comércio exterior que está facilitando negócios e poupando recursos das empresas brasileiras, argentinas e uruguaias – o chamado certificado de origem digital (COD) – o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp realizou seu segundo seminário sobre o tema na última terça-feira (20 de junho), em São Paulo. Para o diretor titular adjunto do Derex e mediador do encontro, Vladimir Guilhamat, o certificado de origem digital é um facilitador importante, principalmente no que diz respeito a tempo, para as empresas exportadoras.

Na visão do coordenador-geral de Regimes de Origem do Departamento de Negociações Internacionais do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Rodrigo Serran, o COD figura como ferramenta essencial de facilitação de comércio, dispensando a necessidade de utilização de certificados de origem em papel e aumentando a segurança das transações entre os países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

“O COD dispensa o trâmite em papel, o arquivo é criptografado e enviado digitalmente ao importador. Funcionários habilitados na Aladi assinarão digitalmente estes arquivos”, explicou. Segundo ele, o governo brasileiro tem trabalhado intensamente para levar às empresas os benefícios do COD. “Brasil e Argentina têm a meta de, a partir do ano que vem, permitir apenas CODs em suas relações comerciais, eliminando os certificados de origem em papel”, completou.

A coordenadora de Facilitação de Comércio da Fiesp, Patricia Vilarouca de Azevedo, apresentou o passo a passo do processo de emissão do COD no sistema Fiesp e Ciesp. “A agenda de facilitação de comércio tem sido prioritária para nós [Fiesp e Ciesp], e para quem já emite certificado de origem impresso, emitir COD é ainda mais fácil”, finalizou.

Certificado de Origem Digital foi tema de evento na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diálogo regulatório Brasil-Argentina reúne especialistas e empresários na Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Uma integração comercial mais intensa entre Brasil e Argentina foi foco do seminário “Diálogo regulatório Brasil-Argentina”, realizado conjuntamente por Fiesp, Ciesp e Centro de Estudos do Comércio Global e Investimento (CCGI) da FGV nesta segunda-feira (11 de junho). Para além das atuais condições do Mercosul, especialistas e agentes de governo debateram estratégias de expansão e promoção das economias da região no exterior.

Na avaliação do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o governo argentino tem mostrado uma grande coerência em suas ações envolvendo o Mercosul, na busca por investimentos e parcerias. “A ideia é que juntos e mais fortes possamos fabricar e vender também produtos de maior valor agregado. Se não conseguimos fazer a convergência regulatória do século 20, como faremos a do século 21?”, questionou.

Zanotto apontou que, para a Fiesp, esse assunto tem sido prioridade desde 2012. Recentemente, a federação publicou uma cartilha técnica com propostas de aprimoramento de regulamentos na América Latina, na tentativa de eliminar obstáculos ao comércio regional. “Temos que caminhar mais rápido, passar por cima da burocracia, encontrando denominador comum”, defendeu.

O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, por sua vez, detalhou algumas dificuldades enfrentadas pelo seu país por conta de questões de convergência regulatória e os esforços feitos nos últimos anos por ambos os países. Já o subsecretário de Comércio Exterior do Ministério da Produção da Argentina, Shunko Rojas, contou como os argentinos estão trabalhando uma agenda ambiciosa de negócios para o Mercosul, considerando concessões, posições na Organização Mundial do Comércio (OMC) e acordos com a União Europeia (UE).

Para Mario Marconini, diretor de Política Comercial do Derex, o debate sobre cooperação regulatória é prioritário para a agenda de inserção internacional do país, sobretudo em um contexto marcado pela perda de protagonismo exercido pelas tarifas. Nesse sentido, Brasil e Argentina podem exercer um papel central na agilização da discussão regulatória dentro do Mercosul.

Na análise do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Abrão Miguel Árabe Neto, há um universo extenso de outros temas que impactam o comércio exterior além das tarifas. Dentre eles, está presente a discussão sobre barreiras não tarifárias, incluindo as questões regulatórias. “A discussão sobre cooperação regulatória foi definida nos níveis mais altos de governo como uma prioridade para a aproximação comercial entre Brasil e Argentina”.

O encontro contou ainda com a apresentação de projetos sobre regulação, incluindo as pesquisas da coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, além de estudos sobre perspectivas para o aprofundamento do comércio bilateral, elaboração de propostas políticas e diálogos setoriais: automotivo, industriais, agricultura e alimentos.

Abertura do Diálogo Regulatório Brasil-Argentina, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp recebe vice-presidente da Costa do Marfim

Agência Indusnet Fiesp

Como parte da visita da delegação da Costa do Marfim ao Brasil, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp recebeu nesta terça-feira (12 de dezembro) o vice-presidente marfinense, Daniel Kablan, em São Paulo.

Também participaram da reunião executiva para apresentação de oportunidades de negócios e parcerias com empresas brasileiras o ministro da Indústria e das Minas da Costa do Marfim, Jean Claude Brou, o ministro do Emprego e da Proteção Social, Jean Claude Kouassi, a ministra da Saúde e da Higiene Pública, Raymonde Goudou Coffie, e a ministra da Educação Nacional, do Ensino Técnico e da Formação Profissional, Kandia Camara.

De acordo com Kablan, seu país vem trabalhando para conquistar importantes reformas a fim de garantir a consolidação de sua economia. Segundo o vice-presidente, a Costa do Marfim quer acelerar seus acordos da área de agronegócios, principal gerador de empregos do país, com destaque para produtos como cacau, café, palmito e algodão

“Queremos a implementação de zonas industriais modernas e mais parcerias com os setores privado nacional e internacional”, afirmou Kablan. “Do Brasil, também temos muito interesse pela capacidade de inovação das empresas”, completou

Na ocasião, o assessor de Assuntos Estratégicos da Fiesp, André Rebelo, apresentou um painel sobre a conjuntura econômica brasileira, assim como as principais oportunidades de cooperação e investimentos entre os dois países

Já o diretor de Relações Exteriores do Senai-SP, Roberto Monteiro Spada, detalhou como o projeto de formação técnica e profissional realizado pelo Senai tem sido transformador para a indústria brasileira e um fator essencial para sua constante atualização.

Vice-presidente da Costa do Marfim e delegação participam de reunião na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Cinco maiores bancos da China apresentam oportunidades de financiamento na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Em uma iniciativa inédita de reunir os cinco maiores bancos da China no Brasil, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) realizou nesta terça-feira (7 de novembro) um seminário para apresentar aos empresários brasileiros opções chinesas de financiamento empresarial.

Em parceria com o Ciesp e apoio do Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT), do Consulado Geral da China em São Paulo e da Associação das Empresas Chinesas no Brasil (Abec), os participantes do encontro puderam conhecer oportunidades de financiamento e negócios do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), do China Construction Bank (CCB), do Agricultural Bank of China (ABC), do Bank of China, do Bank of Communications (Bocom) e da seguradora Sinosure.

Na visão do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, a presença do setor financeiro chinês na Fiesp tem um significado especial pois representa uma oportunidade de alavancar a competitividade da indústria brasileira por meio de novos investimentos.

Para o diretor do Derex Harry Chiang, o Brasil e a China são parceiros naturais em produtos de diversos segmentos. “O comércio entre os dois países tem crescido muito rápido, pelo tamanho do mercado chinês e pela velocidade da implementação de projetos no país”, disse.

Chiang falou ainda que a Fiesp espera que empresas brasileiras de médio e pequeno porte também tenham acesso ao mercado chinês, que nos próximos cinco anos deverá importar pelo menos US$ 10 trilhões.

Da Abec e presidente do Bank of China, Zhang Guanghua explicou que mais de 200 empresas chinesas já atuam no mercado brasileiro de forma intensa. “É importante que ocorram mais encontros e trocas de ideias que facilitem o comércio bilateral entre as economias e a operação dessas companhias no Brasil”, sugeriu.

O vice-presidente executivo do CCB Brasil, Paulo Celso Del Ciampo, por sua vez, falou da formação da diretoria do banco no país, formada por três chineses e quatro brasileiros. Em 2016, as operações de crédito da instituição foram de US$ 9 bilhões, US$ 7,3 bilhões em crédito comercial. As linhas de negócio da casa incluem um banco comercial de moeda estrangeira, que atua fortemente em crédito de financiamento para importação e exportação, cartas de crédito, garantias internacionais e empréstimos externos. Em reais, as operações se concentram em leasing, finanças, cobranças e cartão de crédito corporativo. Na área de investimentos, a carteira é formada por operações como hedge, mercados futuros, swap e câmbio. No varejo, o foco são os consignados, financiamento de veículos, crédito pessoal e cartão de crédito.

Ciampo explicou também que o ICBC possui US$ 3 trilhões em ativos, US$ 2,2 trilhões em depósitos, US$ 225 bilhões em patrimônio líquido e US$ 33 bilhões de lucro líquido. Na China, o banco múltiplo tem 15 mil agências, presença em todos os continentes do mundo e produtos como financiamento de crédito corporativo, trade finance, financiamento para infraestrutura e clearing, para a compensação dos serviços financeiros. No varejo, eles também realizam serviços como financiamento imobiliário e de crédito ao consumidor, gestão de fortunas, securitização, operações de câmbio, metais preciosos, derivativos e gestão de grandes investidores.

O diretor executivo do Bank of Communications (BOCOM), Cassio Von Gal, detalhou uma presença global também relevante, principalmente na área corporativa e de alta renda. A carteira de crédito expandida da instituição soma R$ 3,5 bilhões, dividida entre clientes de médio e grande porte. Em setembro deste ano, o patrimônio líquido do banco ficou próximo dos R$ 570 milhões.

O representante do escritório de representação do ABC, Zheng Feng, lembrou ainda que apesar do nome da instituição remeter ao segmento agrícola, o ABC realiza diversos serviços destinados a outros setores. Feng citou operações na área comercial, de investimento, crédito, financiamento e investimento e de crédito imobiliário.

Segundo o representante da Sinosure, Zhang Zhi, a instituição financeira deverá atuar como uma importante porta de entrada e parceira das estratégias de mitigação de risco e cooperação de crédito para os negócios brasileiros, principalmente de exportação.

Representantes dos maiores bancos da China durante reunião na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Apresentações – Workshop Brasil-Portugal sobre Gestão de Resíduos Sólidos

Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do Workshop Brasil-Portugal sobre Gestão de Resíduos Sólidos.

Palestrante: José Eduardo Martins, ex-Ministro de Meio Ambiente de Portugal e sócio da Abreu Advogados

Evolução da Política de Gestão de Resíduos em PortugalPalestra 1 e Palestra 2

Palestrante: Fabricio Soler, Felsberg Advogados

A legislação de resíduos sólidos no Brasil

Palestrante: Carlos Ohde, Diretor de Inovação e Novos Negócios da Sinctronics

An innovation center in sustainable technology for the electronics industry

 

Economia Digital pode puxar crescimento econômico do Brasil, avalia embaixador norte-americano

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

O momento atual para o Brasil discutir a economia digital é mais do que importante para sua recuperação econômica uma vez que o ritmo da inovação cresce a uma velocidade sem precedentes, revolucionando não apenas a maneira como nos comunicamos mas como fazemos negócios. E porque o Brasil é um dos cinco principais mercados para as maiores empresas de tecnologia do mundo, como Facebook, Netfix ou Salesforce. A opinião é de Michael McKinley, embaixador dos Estados Unidos no Brasil, que falou durante a Conferência sobre Economia Digital Brasil Estados Unidos, evento realizado nesta quinta-feira (26 de outubro) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em parceria com o governo dos Estados Unidos.

Coordenado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) a Fiesp, o evento reuniu líderes dos setores público e privado para a discussão sobre o futuro da economia digital, suas oportunidades, desafios, competitividade e processos regulatórios, além dos impactos de sua implementação nas indústrias. Para o embaixador norte-americano, o Brasil não é apenas um dos cinco principais mercados como também apresenta enorme potencial de crescimento, já que apenas 60% da população brasileira está online atualmente. “Além de aumentar o investimento e acesso à internet, as tecnologias inovadoras podem elevar a produtividade. Hoje, setores inteiros estão se transformando e à medida que se tornam mais produtivos novas questões surge sobre o futuro do trabalho”, diz McKinley.

Holly Vineyard, primeira subscretária adjunta do Departamento de Comércio dos Estados Unidos lembrou que a economia digital é a economia mundial, reforçando a importância do encontro entre os dois países, a troca de experiências e a parceria com o Brasil para o desenvolvimento de uma regulação adequada para a economia digital. Também falou do potencial brasileiro dentro da tecnologia digital. Mario Marcolini, diretor-titular adjunto do Derex. ratificou a ideia dizendo que a economia digital talvez seja a mais importante hoje mundialmente e admite o atraso do Brasil em relação a sua implementação.

“Chama a atenção quando falamos em fluxos comerciais porque hoje eles já foram superados pelos fluxos digitais, que crescem 45 vezes desde 2005. Mas o Brasil, infelizmente, está um pouco atrasado tanto no debate quanto na execução de tudo o que é necessário para avançar nessa área da economia digital, diz Marcolini. Hoje, no Brasil, diz o diretor do Derex, olhando para a economia digital do ponto de vista das empresas, 43% delas não identificam quais tecnologias teriam potencial para alavancar a competitividade, ou seja, quase a metade delas desconhece as vantagens dessa evolução digital e como ela poderia melhorar sua competitividade.

“É aí que a Fiesp, por meio do Derex, vem trabalhando para tentar informar as empresas”, diz Marcolini. “Uma coisa que chama a atenção é a possibilidade que se tem hoje com a economia digital de ter micromultinacionais, empresas que são muito pequenas ou médias e que podem se conectar com o mundo inteiro.”, diz Marcolini. Segundo ele, há várias startups que já nascem multinacionais, mal nascem e já estão interagindo com o mundo. Sem falar, diz o executivo, do que tudo isso representa para a vida das pessoas:  são 900 milhões nas redes sociais e a contribuição dos fluxos digitais para o mundo também. Hoje, os fluxos digitais representem 10% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, estimados em US$ 7,8 trilhões.

Oportunidades e desafios da economia digital foram discutidos em evento pomovido pela Fiesp em parceria com governo norte-americano. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

No Brasil, perto de 48 milhões já fizeram ao menos uma compra virtual. Estamos falando de compras digitais de R$ 44 bilhões, ou 4% do varejo brasileiro, montante ainda muito baixo se comparado a outros países. “Uma coisa importante é que, infelizmente, quando o Brasil fizer tudo o que ele precisa fazer para estar no nível razoável na área digital, ainda assim ele estará apenas se  equiparando aos seus competidores. Não que isso se transformará em uma vantagem competitiva necessariamente. Temos uma lição de casa a fazer apenas para cegar onde outros que competem com o Brasil no mercado internacional já estão”, diz o diretor do Derex.

Thiago Carmargo Lopes, secretário de política de Informática (Sepin), do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. reforça afirmando que este é o momento de fortalecer os objetivos comuns de Brasil e Estados Unidos. Lembrou que, no passado, discussões como a de proteção de dados, chegou a afastar o país do norte-americanos, mas que hoje a discussão aproxima os dois países. Falou do Plano Nacional da Internet das Coisas, em discussão dentro do BNDES, e da participação do governo nas discussões para a implementação do padrão de 5G junto com os Estados Unidos, o Japão e a Europa. “Discussão que o Brasil sempre saiu atrás, mas que agora faz parte dessa discussão”, concluiu.

O embaixador Mackinley lembrou que as inovações são inevitáveis e as politicas que escolhermos agora terão impacto significativo no crescimento da economia digital entre as principais economias, E, mais uma vez, citou o Brasil com destaque; “Entre as principais economias do mundo onde se prevê um grande crescimento da economia digital até 2020, o Brasil aparece em 5º lugar.

Produção de castanhas e nozes no Brasil está aquém de seu potencial, dizem especialistas

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil deve gerar uma receita de US$ 1 bilhão com a exportação de castanhas nativas (castanha-do-Pará, castanha de caju e castanha baru) e de castanhas exóticas (pecan e macadâmia) nos próximos dez anos, e o consumo interno deverá crescer até 8%, segundo José Eduardo Camargo, diretor da divisão de Nozes e Castanhas do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp. A produção de castanhas e nozes deve chegar a 35,850 milhões de toneladas na safra 2017/18, na previsão do International Nut and Dried Fruit Council Foundation (INC). O volume, no entanto, é considerado baixo diante do potencial que o País poderia estar desenvolvendo, na avaliação de Plínio Nastari, presidente da Datagro, consultoria agrícola independente.

“O Brasil, hoje, utiliza, para suas atividades agrícolas, 248 milhões de hectares, sendo perto de 76 milhões de hectares para plantio e 172 milhões de hectares para a pecuária. No mundo, a área utilizada para a exploração agrícola chega a 1,5 bilhão de hectares, o que faz com que o país represente perto de 16,5% com a exploração agrícola e de pecuária. Mas dentro desses 16,5% a produção de nozes e castanhas representa menos de 1%”, disse Nastari durante o VI Encontro Brasileiro e II Encontro Latino-Americano de Nozes e Castanhas, realizado nesta segunda-feira (16 de outubro) na sede da Fiesp.

O Brasil tem cinco tipos de castanha: a castanha de caju, principal tipo produzido aqui, com predominância extrativista; a castanha-do-pará, também essencialmente extrativista, a macadâmia, cultivada por plantio, a pecan e a baru, esta com plantio comercial em fase crescente. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) ratificam a preocupação de Nastri. Em 2012, o Brasil embarcou 10.400 toneladas de castanha-do-pará em casca. Em 2015, saltou para 18.400, mas nos primeiros nove meses deste ano está em 3.000 toneladas apenas, somando receita de US$ 6 milhões no período. Em relação á castanha-do-pará sem casca, o Brasil é importador, com 4.443 toneladas adquiridas.

O país também é importador da castanha de caju em casca. No produto sem casca, o Brasil chegou a exportar 25.000 toneladas em 2015, mas nos primeiros nove meses de 2017 já comprou do mercado externo 22.000 toneladas. Essa inversão se deveu a problemas com seca e doenças e fizeram com que a queda na produção de castanha puxasse o recuo na produção como um todo no Brasil, diz Nastri. Situações parecidas são vistas com a macadâmia e com as nozes. A produção de todas as nozes no mundo é estimada em 4,227 milhões de toneladas para 2017/18. O Brasil está produzindo 38.850 toneladas, ou seja, uma participação de 0,92%.

VI Encontro Brasileiro e II Encontro Latino-americano de Nozes e Castanhas reuniu na Fiesp representantes de países da América do Sul. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

Oportunidade

Para elevar a produção e vendas das castanhas e nozes é preciso inovar, na avaliação de João Francisco Adrien, diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Inovar significa olhar como oportunidade econômica áreas hoje disponíveis para o plantio de espécies exóticas, como as castanhas. “É preciso criar projetos para conciliar a produção de espécies exóticas com nativas para finalidade econômica, mas também como forma de proteção ao meio ambiente, em linha com o Código Florestal, que trouxe o desafio para a responsabilidade da produção aliada à preservação”, conclui.

A produção de castanhas, ressalta, contribui para o uso da terra com preservação e da água e mais do que tudo representa emprego e renda. “Por isso entendemos que é uma atividade que pode agregar valor às atividades tradicionais agrícolas”, completa.

Globalmente, as nozes representam, com relação à exportação, US$ 37 bilhões, e as frutas secas, US$ 7 bilhões. Nos últimos seis anos, o consumo mundial cresceu 34%, ou 6,3% ao ano. “Não há outra indústria alimentícia que siga essa tendência de crescimento, por isso estamos seguros nesse sentido”, disse Giuseppe Calcagni, fundador do INC, que traçou um panorama latino-americano e global . O executivo atribui essa expansão ao consumo da China e da Índia. Mas vê na América do Sul o terceiro grande player do mundo em termos de consumo do produto.

“Detectamos que a América do Sul representa 20% do consumo anual de nozes, ou 84 milhões de consumidores potenciais”, diz Calcagni. Por isso, falou, é importante elevar os esforços para investir no consumo da região. Hoje, diz, o consumo per capta no mundo é de 7 quilos por ano, enquanto na América do Sul está em menos de um quilo.  O fundador do INC lembra a qualidade das nozes do Chile, onde o preço chega a US$ 12, quando a média no mundo não passa dos US$ 8.

Dentro do panorama global, José Agústin Vargas Ribera, presidente da Câmara de Exportadores del Noroeste (Cadexnor) da Bolívia, citou a crise não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina em relação à produção e venda da castanha. Contou que o norte boliviano concentra 75% da produção, com mais de 100 mil quilômetros quadrados de área produtiva, mais de 10% do território nacional. “A safra estava prevista em 10% do Produto Interno Bruto (PIB) boliviano, mas a crise de 2016 e 2017 que atingiu o país, baixou para 1% do PIB”, disse. Citou os problemas sociais geados a partir da desordem climática que afetou a produção que reduziu em quase 65% a colheita do produto em 2016/17.

Jaime Dorronsoro Tenório, gerente geral e parceiro fundador da Del Alba S.A, comentou sobre a experiência da macadâmia na Colômbia, onde é cultivada há 25 anos e onde quase 90% do produto é produzido para o mercado interno, que tem nas fábricas, supermercados grandes compradores. Mas também estão presentes no México, Panamá, Peru, Chile, Canadá e Espanha. “Temos hoje um portfólio de mais de 50 produtos derivados da macadâmia voltado ao mercado interno, mas que também vão para outros países”, diz. Agora, conta, busca o mercado europeu.

Victor Manuel Esparza Portillo, presidente do Comité Mexicano do Sistema de Produtos Nut,A.C, do México, falou sobre o México, maior produtor de castanhas do mundo, com quase 140 mil toneladas ao ano, à frente dos Estados Unidos. “Produzimos mais de 200 mil toneladas e exportamos quase 100 mil toneladas em 2015. Principal destino: Estados Unidos, que compram quase 70% da produção mexicana.

Na Argentina, a castanha pecan é o forte, com 36 mil árvores plantadas nos últimos quatro anos. “Queremos ser os maiores produtores de castanha pecan do mundo”, diz Dominicus Rohde, produtor. “Temos hoje 500 milhões de consumidores que incluem nozes em sua dieta diária, número que deverá crescer, diz Rohde. Na Argentina, conta, apenas 5% da população consome diariamente nozes, número que, segundo ele, dobrará em dois anos.

Ciyrus Zand, diretor da Ciyrus Zand Sales & Marketing, do Irã, lembrou a condição do país como produtor, cultivador e exportador de pistache, vendido ao mercado externo há 30 anos. O Irã é responsável pela produção de pistache com qualidade entre as mais altas do mundo. 

23º PRÊMIO FIESP DE MÉRITO AMBIENTAL – MENÇÕES HONROSAS

 

A edição 2017 do prêmio promovido pelo Departamento de Meio Ambiente da Fiesp recebeu 52 cases. Os finalistas premiados com Menção Honrosa receberam o diploma de Mérito Ambiental.

Saiba mais sobre os cases vencedores das menções honrosas nos links abaixo:

Empresas de médio e grande porte:

Ambev

CP KELCO Brasil

Eaton – Unidade Mogi Mirim

Novelis do Brasil

 

Empresas de micro e pequeno porte:

Commerciale Equipamentos Elétricos

* Eccaplan  Desenvolvimento Sustentável

GEDi – Desenvolvimento e Inovação

SP Pesquisa e Tecnologia

 

‘A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade’, diz coordenador adjunto do BioBrasil em simpósio na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A palavra de ordem é convergência. Isso em nome do desenvolvimento sustentável. Essas e outras ideias foram debatidas no Simpósio Internacional de Bioeconomia, realizado nesta sexta-feira (09/12), na sede da Fiesp, em São Paulo. E com direito à análise de como o país se encontra diante da discussão em painel sobre “O Brasil e o Panorama Global da Bioeconomia”.

O debate foi moderado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio da Silva. E teve a participação de personalidades como o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Eduardo Giacomazzi.

“A grande questão colocada pela União Europeia é como usar melhor os recursos disponíveis, descobrindo ainda usos para aqueles recursos que a gente não utiliza atualmente”, explicou Giacomazzi.

Isso num cenário de “convergências tecnológicas em nome do futuro”. “Convergência é a palavra de ordem”, disse. “Estamos falando de práticas como a substituição de combustíveis e a adoção do carbono neutro até 2050”.

Para Giacomazzi, alguns temas importantes dessa agenda do futuro, como o uso da nanotecnologia, ainda estão “soltos dentro da indústria”. “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”, afirmou. “Precisamos rever os subsídios aos combustíveis, por exemplo. A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade”.

Giacomazzi: “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Nesse contexto, entre os temas que vão ganhar espaço mais adiante estão os novos sistemas alimentares, as cidades com bio princípios, a cultura sustentável, a fotossíntese artificial, as biorefinarias e a maior participação dos cidadãos nessas discussões.

“O Brasil tem duas plantas de etanol de segunda geração, por exemplo, com 120 milhões de litros por ano de produção”, disse Giacomazzi. “O desafio não é ter a planta, mas estabelecer uma cadeia sustentável para dar vazão ao que é produzido”.

Manifesto de Utrecht

Consultor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado da Holanda em São Paulo, Ernst Jan Bakker apresentou as linhas gerais do Manifesto de Utrecht, elaborado num evento na cidade de mesmo nome em seu país em abril, o Bioeconomy Utrecht 2016.

“O manifesto foi elaborado em quatro capítulos que destacam a necessidade de agir já em nome da transição para a bioeconomia, enfrentando os desafios para tanto e estabelecendo formas de agir nesse sentido”, afirmou. “O foco está na educação, treinamento e comunicação, integração, diálogo e conscientização da população, com monitoramento dos impactos ao meio ambiente”.

De acordo com Bakker, é preciso explicar o que é bioeconomia às pessoas.

Inovação

Também debatedora do painel, a sócia-diretora da 14Bisness, Diana Jungmann, destacou que a bioeconomia “é a economia do século 21, baseada em inovação e voltada para a sustentabilidade”.

“Teremos cada vez mais gente no mundo, com a expectativa de 9,6 bilhões de habitantes em 2100”, explicou Diana.

Mais: em 2030, mais de 60% da população viverá nos centros urbanos, com menos suprimentos de água. “Já somos um planeta sedento por energia e diante do aumento da mobilidade urbana e da degradação dos recursos naturais”, afirmou.

Assim, a pressão é grande “para acharmos soluções baseadas na ciência e na tecnologia”. “Temos que produzir mais alimentos, mas de forma sustentável, usar formas renováveis de energia”.

Diana citou ainda pesquisa realizada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria que aponta que a imagem sobre a bioeconomia é positiva para 92,2% dos brasileiros entrevistados. “Por outro lado, 76,9% discordam que o Brasil aproveita o potencial da bioeconomia”, explicou.

‘Os números do nosso comércio exterior são muito modestos’, diz Skaf em Seminário Brasil – Líbano na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Está aberta a temporada de boas oportunidades. Com o objetivo de discutir oportunidades de cooperação empresarial e cultural entre os dois países, foi realizado, na manhã desta terça-feira (29/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, o  Seminário Brasil – Líbano. Participaram do evento o presidente da federação, Paulo Skaf, o vice-presidente Elias Haddad, o embaixador do Brasil no Líbano, Jorge Kadri, o presidente da Autoridade de Desenvolvimento e Investimento do Líbano, Nabil Itani e o presidente do Conselho Empresarial Líbano Brasileiro, Rabieh Frem, entre outras personalidades.

“Recebemos muitas missões internacionais, mas ter aqui uma representação do Líbano é diferente”, disse Skaf. “Meu pai era libanês e a minha mãe era filha de libaneses, herdei deles os meus costumes, muito respeito e amor pela família”.

Para o presidente da Fiesp, as relações entre o Brasil e o Líbano são amplas e envolvem até oportunidades nos Emirados Árabes e em outros países da região. “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, afirmou. “Os números do nosso comércio exterior são muito modestos, há bastante espaço para crescimento”, disse. “Apoiamos essa representação do sangue libanês, dessa competência que eu admiro e respeito”.

Skaf lembrou ainda que há oportunidades de investimento em todas as áreas no país, como concessões de serviços públicos e de infraestrutura. “Há uma grande oportunidade, nesse momento, para investir no Brasil”, destacou. “A nação brasileira é muito maior do que qualquer crise”.

Frem (à esquerda) e Skaf: “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, disse Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Frem (à esquerda) e Skaf: “Estamos à inteira disposição, de portas abertas para vocês”, disse Skaf. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Já Haddad reforçou o seu desejo de que a reunião desta terça-feira (29/11) seja “a primeira de muitas outras para fortalecer ainda mais as nossas relações”. “Desde o século 19 o fluxo de imigrantes libaneses para cá é muito forte”, disse. “A comunidade libanesa levou para o interior a figura do mascate, mudou o comércio”.

A estimativa é de que vivam hoje, no Brasil, 8 milhões de imigrantes libaneses e seus descendentes, para 4,4 milhões de habitantes no Líbano.

Nessa linha, o embaixador Kadri lembrou que as relações entre o Brasil e o Líbano “são de família, de emoção, mas não se traduzem em comércio”. “O Conselho Empresarial Brasil – Líbano foi criado justamente com o objetivo de fomentar esse comércio”, explicou. “Esperamos que os empresários brasileiros possam visitar o Líbano em 2017”. Segundo ele, o fechamento de um acordo entre os países do Mercosul e o país árabe pode estimular ainda mais esse processo.

Ex-embaixador do Brasil no Líbano e conselheiro do Coscex, Affonso Massot destacou o fato de que Beirute pode ser uma base importante para a distribuição de produtos brasileiros no Oriente Médio. “Podemos  promover parcerias e propor recomendações que beneficiem os dois países”.

Grato pela “acolhida calorosa” que recebeu na Fiesp, o  presidente do Conselho Empresarial Líbano Brasileiro, Rabieh Frem, também reforçou a possibilidade de o seu país servir de base para as vendas de produtos brasileiros na região. “Somos comerciantes históricos”, disse. “Os libaneses contribuíram muito para o desenvolvimento do mundo árabe”.

Segundo Frem, os bancos libaneses estão abertos para investir no exterior e para apoiar os investimentos brasileiros por lá. “A nossa mão de obra é muito qualificada”.

Oportunidades

Para apresentar as oportunidades de investimento em seu país, o agente de investimentos da Autoridade de Desenvolvimento e Investimento do Líbano, Abbas Ramadan, destacou o bom momento pelo qual passa a economia local.

“Tivemos um PIB de US$ 51,2 bilhões em 2015, com crescimento de 1% do PIB real no período”, disse.

Em termos de investimentos, o país é considerado o 23º no mundo no que se refere à liquidez dos bancos. “No Líbano, são necessários nove dias e cinco procedimentos para iniciar um negócio”, afirmou Ramadan.

Quando o assunto envolve educação, foi destacada a qualidade da mão de obra local, sendo o Líbano o 19º do mundo em qualidade geral da educação e o sexto especificamente em Matemática e Ciência.

No quesito impostos, é aplicada uma tarifa de 15% de taxas para as empresas, com redução de 30% sobre a remuneração tributável de empregados estrangeiros em empresas offshore, quando estão trabalhando no Líbano.

“Temos agências de promoção dos investimentos e das exportações”, explicou.

Segundo Ramadan, há oito setores prioritários para os investimentos naquele país: tecnologia, agronegócio, telecomunicações, alimentos, bebidas, indústria, mídia e turismo.

Para investir no Brasil

Diretor adjunto da divisão de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Ruy Bottesi apresentou aos empresários libaneses e brasileiros algumas das oportunidades de investimento no Brasil. “Podemos promover parcerias de prestação de serviços”, disse. “E estimular uma articulação institucional com as agências reguladoras do governo brasileiro”.

Entre as possibilidades, Bottesi citou o Projeto Crescer, pacote de concessões que envolve, entre outras obras, duas rodovias, três ferrovias e 11 hidrelétricas.

O agronegócio nacional também tem muito a oferecer aos empreendedores do Líbano. Diretor titular do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Mario Sergio Cutait lembrou que nós somos os primeiros do mundo em exportação de suco de laranja, açúcar, café e carne de frango. “Temos 61% da produção mundial de laranja, 21% no caso do açúcar e 36% no que se refere ao café”, disse.

O Seminário Brasil-Líbano: oportunidades de investimentos nos dois países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

‘Empresas com práticas reais no âmbito da sustentabilidade têm um retorno maior do seu negócio’, afirma diretor da Febraban em seminário na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de rever conceitos e focar no longo prazo. Nesse sentido, o segundo painel do 2º Seminário de Conduta Empresarial Responsável (CER) – Melhores Práticas – Brasil e União Europeia, realizado nesta terça-feira (22/11), na sede da Fiesp, em São Paulo, trouxe o debate sobre a chamada competitividade sustentável. Isso destacando a conduta empresarial responsável e a governança como critério de investimento.

“Sem foco social e ambiental as empresas não duram, não ficam 50 anos no mercado”, disse a superintendente de fundos indexados da Itaú Asset Management, Tatiana Grecco. “Preciso dizer ao meu investidor que ele está investindo em companhias com esse perfil de longo prazo”.

“Nos últimos 15 anos, a rentabilidade acumulada do índice de sustentabilidade empresarial da Bovespa acumulou 538%, para 370% do índice geral da Bolsa”, afirmou o diretor da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Mário Sergio Vasconcelos. “Isso prova que   empresas com práticas reais no âmbito da sustentabilidade têm um retorno maior do seu negócio”.

Um retorno que pede um trabalho efetivo por parte das corporações. “A sustentabilidade não pode ser um projeto, precisa estar inserida na companhia como uma estratégia”, explicou o gerente de Relações com Investidores da Duratex, Guilherme Setubal Souza e Silva.

Um trabalho efetivo e todo um esforço para explicar ao mercado o retorno concreto desse esforço. “O mercado financeiro está olhando para investimentos em sustentabilidade”, disse a coordenadora do Programa Finanças Sustentáveis do GVces, Annelise Vendramini.  “A contrapartida das empresas é conseguir dialogar com esses mercados, explicar o valor que tem a sustentabilidade também dentro de uma lógica financeira”.

E empresa nenhuma “precisa esperar ficar grande” para pensar nesses temas. “É preciso refletir sobre isso desde a abertura do negócio, ter a convicção da sustentabilidade como um valor”, afirmou Silva.

Nessa linha, é preciso ter foco ainda na transparência das informações. “Tive um gestor que me dizia que, a cada divulgação de resultados, a gente devia antecipar as piores perguntas que poderiam ser feitas e já respondê-las nos relatórios”, disse Silva. “Os investidores estão mais qualificados, não existe mais informação sigilosa”.

O painel sobre sustentabilidade e retorno financeiro: questão de sobrevivência. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“O mercado gosta de ver uma linha do tempo, de acompanhar o desempenho da empresa na busca pelo desempenho da sua estratégia”, explicou Tatiana. “Tudo o que a empresa não informar o investidor vai concluir por conta própria”.

Conhecimento  

Encerrando o seminário, o chefe da Secção de Assuntos Comerciais da Delegação da União Europeia, Nicola Ardito, destacou que a discussão apresentada no evento será capaz de “gerar valor concreto” para as empresas. “Queremos apoiar as empresas por meio do conhecimento, ser sustentável é um bom negócio”, afirmou. “E a pressão a esse respeito virá dos consumidores, as companhias não terão outra escolha”.

Diretora do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da Fiesp, Gracia Fragalá aprovou o fato de as corporações terem falado das suas experiências no evento. “Vocês podem promover grandes transformações”, disse. “Estamos à disposição para ajudar as pequenas e médias indústrias a implantarem as suas políticas de sustentabilidade”.

Já o diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da federação, Paulo Roberto Dallari Soares, se disse satisfeito pelo fato de a Fiesp ter um setor ligado ao meio ambiente desde 1972. “Fomos a primeira entidade empresarial a ter um núcleo nesse sentido”.

Soares citou ainda ações como a distribuição, pela entidade, de 1 milhão de kits com redutores de vazão para torneiras em todo o estado de São Paulo no auge da crise hídrica, em 2015. “Ainda temos um guia de produção e consumo sustentável à disposição dos empresários, entre várias outras ações”, afirmou. “Caminhamos a passos largos em nome da sustentabilidade”.

O painel de encerramento do seminário: contribuição da Fiesp para a sustentabilidade. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Nota Oficial: Para a Fiesp, censura à bandeira brasileira é absurda

Agência Indusnet Fiesp 

A Fiesp considera absurda a censura imposta pela prefeitura ao maior símbolo do Brasil, que é a bandeira nacional, em decisão tomada no dia 9 de julho, que proíbe projetá-la na fachada do prédio em qualquer circunstância. A indústria, por meio do Sesi-SP, dá à população de São Paulo e de todo o Brasil a oportunidade de ter contato com exposições nacionais e internacionais gratuitamente.

A Galeria de Arte Digital Sesi-SP, a primeira a céu aberto da América Latina, desde 2012 democratiza a arte e a cultura, levando-as para a avenida Paulista, um dos endereços mais conhecidos do Brasil. Milhões de pessoas já viram as obras da galeria digital, que se tornou referência na cidade. Não faz sentido impedir um espaço público e democrático de exibir uma das imagens que mais trazem orgulho aos brasileiros, a nossa bandeira.

 

 

Raio X do Comércio Exterior Brasileiro

O Raio X  é um levantamento mensal do comércio exterior brasileiro por setor e parceiros comerciais. Estudo realizado pela área de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Raio X dos Investimentos

O Raio X dos Investimentos é um levantamento mensal dos fluxos de investimento por setor, origens e destinos. Estudo realizado pela área de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

 

Panorama Brasil – Argentina

O Panorama Brasil-Argentina é um boletim periódico contendo as principais novidades econômicas e políticas na Argentina e dados sobre o comércio bilateral do país com o Brasil.

Elaborado pela área de Defesa Comercial  e Facilitação do Comércio do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP, o documento também apresenta informações sobre:

i) As exigências aplicáveis às importações argentinas; ii) panorama da defesa comercial na Argentina, incluindo as medidas aplicadas e investigações em curso; iii) alterações tarifárias no âmbito do Mercosul; dentre outras.

Para visualizar ou baixar o Panorama Brasil-Argentina, acesse o menu ao lado.

Fórum Econômico Brasil-França tem como foco mudança do clima, com a proximidade da COP21, em Paris

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O 3º Fórum Econômico Brasil-França, realizado nesta segunda-feira (15/6), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), ocorreu em momento especialmente oportuno, em função da proximidade da COP21 (Conferência das Partes do Clima). Na reunião, programada para 30 de novembro a 11 de dezembro, em Paris, os países devem informar suas contribuições voluntárias para a redução da emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). A preocupação central para a COP21 é que haja um acordo entre todos os países-participantes a fim de garantir que a elevação da temperatura não ultrapasse 2 graus Celsius até o final do século.

Para Thomaz Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, “o assunto mudanças do clima está à frente das questões políticas e econômicas, atende aos reclamos da sociedade”, mas também abre oportunidades de negócios. A afirmativa tem base em números robustos: a corrente de comércio bilateral, em 2014, foi de US$ 8,6 bilhões. A França investe por ano quase US$ 3 bilhões no Brasil, e atuam aqui aproximadamente 500 empresas francesas, algumas delas centenárias.

A questão climática entrou na agenda internacional graças à atuação empresarial na condução de seus negócios, enfatizou o vice-presidente da Fiesp, diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) e integrante do Comitê do Clima da casa, Nelson Pereira dos Reis.

Ao tratar da recente manifestação dos Estados Unidos e da China quanto à emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), Reis avaliou como firme o papel exercido pela União Europeia (UE) ao não permitir que as discussões sobre o aumento da temperatura no planeta fiquem reduzidas a um mero tratado de boas intenções.

Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

“Espera-se grande esforço no sentido da adaptação e da mitigação de todos os países participantes da COP21, e esse processo necessitará contar com o desenvolvimento de pesquisas e novas tecnologias para a produção sustentável”, avaliou.

Para a COP21, em Paris, são esperadas mais de 40 mil pessoas. A expectativa é que os membros da ONU, com suas representações, alcancem uma proposta concreta. Estão em curso em Bonn, na Alemanha, as reuniões intermediárias relativas ao clima, que contam, inclusive, com representantes do Comitê do Clima da Fiesp, que acompanham a delegação brasileira.

Ainda na abertura do evento, Jean Burelle, presidente do Movimento Empresarial da França (Medef) à frente de uma delegação de 40 pessoas, enfatizou que o tema requer forte trabalho em três frentes: energia, infraestrutura e meio ambiente. Para ele, é preciso colocar o mundo no bom caminho e, com a expectativa de um encontro ambicioso, enfatizou o papel essencial das empresas na busca de soluções inovadoras.

A Fiesp já celebrou convênios com a França, lembrou o diretor secretário e diretor da cátedra Fiesp-Sorbonne Globalização e Mundo Emergente, Mario Frugiuele. O objetivo é a elaboração de projetos de interesses comuns, voltados ao ensino e pesquisa.

Há algumas premissas importantes para o Brasil e a França, como a facilitação do acesso aos mercados e o favorecimento de trocas acadêmicas – como o Ciência sem Fronteiras – que envolvem 10 mil universitários, além de convênios de estágios e a promoção de encontros business to business (B2B). A observação inicial para tratar do papel das empresas na luta contra as mudanças climáticas, de Claude Risac, diretor de relações externas do Grupo Casino e representante da missão especial para o Brasil do Ministério francês das Relações Exteriores, foi acompanhada de outras. Para ele, é preciso identificar setores promissores no cenário B2B, como turismo, infraestrutura, saúde, inteligência e processos alimentares de ponta. Em sua avaliação, França e Brasil têm vocação exemplar quando se trata de hidroeletricidade e energia nuclear e, por isso, há grande expectativa de participação de empresas de ambos os países na COP21.

Os debates sobre o clima, iniciados há 23 anos, na chamada COP zero, no Rio de Janeiro, em 1992, evoluíram de tal forma que agora se espera a participação de mais de 40 mil pessoas, em Paris, segundo observou Christian Stoffäes, presidente do Conselho de Análise Econômica Franco-Brasileira e representante em Paris da Fundação Getúlio Vargas. Em sua avaliação, adotou-se um princípio de cautela e se estabeleceu um paradoxo entre economistas e ecologistas, quando os primeiros não desempenharam o seu papel e os segundos politizaram as questões ambientais, apontando para uma retração da economia. O mesmo teria ocorrido com o Protocolo de Kyoto, em 1997, quando pela primeira vez foram quantificados os Gases de Efeito Estufa (GEE).

O especialista frisou que as energias renováveis têm um aspecto relevante em termos sociais: geram 8 milhões de empregos mundiais. Esse mercado pode se expandir rapidamente, na ordem de 15 a 20% ao ano, em função de dois fatores: a curva de experiência e a restrição que leva à inovação. Na conclusão de Stoffäes, o processo que se iniciou como um conflito hoje necessita ser colaborativo.

Na sequência, os especialistas do Fórum debateram a economia e o papel das empresas na luta contra as mudanças do clima.

Raio X das Relações Bilaterais Brasil – China

O Raio X é um levantamento mensal das trocas comerciais entre Brasil- China. Estudo realizado pela área de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Representantes de Miami-Dade discutem oportunidades de negócios com o Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Comissário do condado de Miami-Dade, Jose Pepe Diaz. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O comissário do condado de Miami-Dade e presidente da International Trade Consortium, José Pepe Diaz, chegou à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanhado de uma delegação de mais de 20 representantes da região no sul da Flórida para falar de oportunidade de negócios entre Brasil e Estados Unidos (EUA).

“Quando falamos com o Brasil é como falarmos com a nossa família porque muitos brasileiros estão fazendo de Miami sua segunda casa”, afirmou Diaz ao abrir o seminário “Oportunidade de Negócios no condado de Miami-Dade”.

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto, participou da abertura o encontro e acentuou que o estreitamento da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é “um dos principais objetivos dessa federação”.

“Essa visita acontece em um bom momento. Espero que façam da Fiesp a casa de vocês e descubram novos negócios”, afirmou Zanotto, acrescentando que pelo menos 27 mil estudantes brasileiros estão nos EUA por meio de diversos programas de incentivo a estudo, entre eles o Ciência sem Fronteira.

O vice-presidente de Desenvolvimento Econômico Internacional do Beacon Council, agência de fomento ao investimento de Miami, Mario Sacasa, acompanhou o comissário Diaz na missão.

Segundo Sacasa, o objetivo da agência é orientar investidores estrangeiros na região. “Somos as pessoas certas para isso”, completou.  O Beacon Council oferece serviços de identificação de local, pesquisa personalizada, acesso a contatos de negócios, incentivo dos negócios, assistência e programas de financiamento, licenciamento e assistência regulatória, formação e recrutamento de mão de obra.

O chefe da Unidade de Desenvolvimento Econômico do Comércio Exterior do Condado de Miami-Dade e do Departamento de Recursos Econômicos, Jimmy Nares, também acompanhou a missão e apresentou um vídeo sobre a infraestrutura e as facilidades de instalar uma empresa na região.

“Formamos uma pequena área no sul da Flórida, mas temos 80% de todo o fluxo de comércio internacional do estado”, afirmou Nares.

De acordo com Eric Olafson, diretor do Porto de Miami – conhecido como Portões das Américas –, mais de uma dúzia das principais companhias de carga marítima operam no local.

Em 2013, o Porto de Miami movimento de quase US$ 16 bilhões em exportações e importações do Brasil.

Olafson espera buscar parcerias com empresas brasileiras para cobrir a demanda por serviços de alimentação, por exemplo, de mais de 15 linhas de cruzeiro estabelecidas no porto. “Esperamos trabalhar com brasileiros para aumentar o nosso tráfego de cruzeiros.”

Diretor de Comércio Exterior da Fiesp, Thomaz Zanotto. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A diretora-executiva da Autoridade de Desenvolvimento do Centro de Miami, Alyce Robertson, chamou atenção durante o seminário para investimentos na indústria da arte na região central do condado.

“A arte é um aspecto muito importante do Centro de Miami. Atualmente movimenta pelo menos US$ 1 bilhão em todo o condado”, informou.

O diretor do Departamento de Aviação do Condado de Miami-Dade, Gregory Owens, e o presidente do Greater Miami Convention and Visitors Bureau, William Talbert, também fizeram apresentações sobre as instalações do Aeroporto Internacional de Miami e a indústria de turismo da região.

Conjur debate acordo tributário entre Brasil e Estados Unidos

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Nesta segunda-feira (27/10), o Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos (Conjur) debateu o tema “Novo acordo internacional Brasil e Estados Unidos: Implicações para a Receita Federal, Sigilo Bancário e Contribuintes”, com especialistas na área tributária.

O coordenador-geral de Relações Internacionais da Secretaria da Receita Federal do Brasil, Flávio Antônio Gonçalves Martins Araújo (representando o Secretário Carlos Alberto Freitas Barreto), e o responsável pela implementação do acordo intergovernamental do FATCA [Foreign Account Tax Compliance], Paulo Cirilo Santos Mendes, falaram sobre assuntos como transparência e intercâmbio automático das informações para os fins tributários.

Ministro Sidney Sanches coordenou os trabalhos durante a reunião do Conjur. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

De acordo com o padrão internacional de transparência, eles apresentaram os termos de referência para os seguintes acordos: intercâmbio de informações “presumivelmente relevantes”, não imposição de restrições ao intercâmbio por sigilo bancário ou por exigência de interesse tributário doméstico, disponibilidade de informações confiáveis e poderes administrativos de obtê-las, respeito aos direitos do contribuinte e confidencialidade estrita.

Com base em conceitos atribuídos aos países conforme sua transparência, o Brasil foi classificado como “altamente em conformidade” – o segundo entre os quatro conceitos possíveis. Isso significa que existem pequenas deficiências na implementação dos termos.

“Pelo peso de todos os quesitos, a nota do Brasil – “altamente em conformidade” – significa que ele está aprovado, ou seja, está comprometido com a transparência, tem os elementos, mas tem espaço para melhorar, na avaliação do cenário internacional”, explicou Araújo, que apresentou uma lista de países já avaliados.

Flávio Antônio Gonçalves Martins Araújo: “Pelo peso de todos os quesitos, a nota do Brasil – “altamente em conformidade” – significa que ele está aprovado, ou seja, está comprometido com a transparência”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ele, os países que não cumprem o padrão de transparência sofrem as consequências. “Pode ser colocado em uma lista cinza, ser submetido a pagar imposto de renda na fonte mais alto, ser banido das redes de acordo de dupla tributação, entre outras questões”, diz o coordenador-geral.

“O G-20 tem demandado medidas ainda mais duras, porque há países refratários à transparência.”

Os especialistas também trataram do FATCA, novo acordo assinado recentemente pelo Brasil, conhecido como lei de conformidade tributária de contas no exterior. A partir de 2008, os Estados Unidos criaram uma legislação para aumentar a conformidade em combater evasão internacional e tomar conhecimento de ativos no exterior.

“Já há uma lista de cerca de 40 países que assinaram com os Estados Unidos em um modelo recíproco, em que vão mandar informações e também vão receber correspondentes dos Estados Unidos”, conta Araújo, que explicou que o Brasil deve entrar em 2018.

 TIEA

Antonio Carlos Rodrigues do Amaral disse esperar que seja negociado o tratado com os EUA. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O presidente da Comissão de Direito e Negócios Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB-SP) e conselheiro do Conjur, Antonio Carlos Rodrigues do Amaral, falou sobre o TIEA [Tax Information Exchange Agreements]. Segundo ele, o Brasil já firmou sete tratados, sendo o único ratificado com os Estados Unidos.

“O TIEA é um acordo controverso, com vários pontos preocupantes. Em síntese, trata do intercâmbio de informações “a pedido”, que possam ser pertinentes para a determinação, lançamento, execução ou cobrança de tributos, para investigação ou instauração de processo relativo a questões tributárias, envolvendo nacionais do Brasil ou dos EUA”, explicou Amaral. Destacou que há muitas questões referentes à inconstitucionalidade de suas disposições, por potencial violação à estrutura do sistema jurídico pátrio e também à jurisprudência do STF.

Ademais, o Brasil firmou com os EUA o Intergovermental Agreement (IGA), decorrente do FATCA, no último mês de setembro. O especialista analisou os artigos dos acordosde intercâmbio de informações, comparando questões do TIEA, do IGA e do FATCA. Ele destacou a importância da reciprocidade, que é limitada no IGA e não atende, assim, a um dos princípios fundamentais do direito internacional.

O IGA, também alertou, é apenas um “acordo executivo” nos EUA. Isto significa que não será objeto de revisão e posterior ratificação pelo Congresso em Washington, D.C. Assim, “não é considerado lei nos Estados Unidos”. Por consequência, não é lei e, naquilo que contradiga ao TIEA, “como a exigência de intercâmbio automático de informações”, é sujeito a várias restrições legais. Apontou, ainda, várias inconsistências entre o TIEA e o IGA, sustentando que, no Brasil, o IGA precisará ser ratificado pelo Congresso Nacional. Com isso “deverá sofrer um forte escrutínio no parlamento pátrio”, ou que deveria levar a um processo legislativo conflituoso e demorado.

“O interesse público, que não se confunde necessariamente com o interesse da arrecadação, e os princípios constitucionais à luz da jurisprudência do STF, devem ser plenamente observados. Não é o que ocorre quando se estuda o TIEA, que é um acordo normalmente firmado com jurisdições de menor expressão e sem relevância no plano do comércio e da política mundial, e nem com o IGA, que não é um acordo com reciprocidade equivalente entre os dois países.”

O especialista destacou a importância da transparência nas relações entre os países para fins de fiscalização e luta contra a evasão fiscal, mas com observância e respeito à Constituição e às leis brasileiras. Concluiu com uma recomendação para que sejam estudadas com profundidade as divergências para ser firmado um tratado para evitar a dupla tributação com os Estados Unidos e outros países onde o Brasil ainda não tem esse acordo.

“Espero que seja negociado o tratado para evitar de dupla tributação, que, uma vez equacionados os pontos de divergência, seria positivo para o país, não só para que a troca de informações nasça dentro desse contexto dos tratados tributários  mas também para a maior equilíbrio dos investimentos internacionais.”

A reunião teve os trabalhos coordenados pelo presidente do Conjur, ministro Sydney Sanches, e teve a participação do vice-presidente da Fiesp Elias Miguel Haddad e do diretor titular do Departamento Jurídico (Dejur) da entidade, Helcio Honda.

Em seminário, chefe de missão econômica mostra tecnologias de uso de água do mar

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Israel não tem 45% da água de que precisa para consumo residencial e industrial. Um problema “dramático” segundo o chefe da Missão Econômica do país em São Paulo, Boaz Albaranes. A nação do oriente médio tem buscado, no entanto, implementar tecnologias de dessalinização para suprir essa escassez, informou o representante na manhã desta sexta-feira (29/08), durante o seminário Cooperação em Energias Renováveis, organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Para cobrir essa lacuna, estamos desenvolvendo tecnologias de dessalinização da água e pretendemos, em 2020, abastecer todos os domicílios com água tratada do mar”, disse Albaranes.

Segundo o diretor da Missão, uma das três usinas de dessalinização de Israel é responsável por 20% da água consumida no país.

Albaranes: em 2020, todos os domicílios de Israel serão abastecidos com água tratada do mar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Albaranes: em 2020, todos os domicílios de Israel devem ser abastecidos com água tratada do mar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Um entrave para a implementação desse tipo de tecnologia é o elevado custo do tratamento. Mas Albaranes garantiu que Israel tem buscado inovações para baratear essas despesas.

Cooperação entre Brasil e Israel

Organizado pela Fiesp, o seminário é mais um esforço da Missão Econômica de Israel em fortalecer a troca de experiências e tecnologias entre empresas brasileiras e companhias e instituições israelenses.

“Somos bom em inovação, mas não conseguimos muitos vezes desenvolver instalações de grandes fábricas. Não conseguimos fazer isto sozinhos. Brasil tem força, Israel tem força, podemos combiná-las para encarar os desafios que vivenciamos hoje”, afirmou Albaranes.

Em julho deste ano, as nações parceiras abriram o 3º edital para apresentação de propostas de Cooperação e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) Industrial.  O edital ficará aberta para instituições interessadas até 16 de outubro de 2015.

O Programa de Cooperação é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) do Brasil e pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Indústria Israelense (Matimop).

Do lado brasileiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) oferecerão apoio financeiro. Do lado israelense, os recursos devem vir por meio do Escritório do Cientista-Chefe (OCS).