Delegação da Suécia debate relações com o Brasil em visita à Fiesp; Skaf propõe intercâmbio na área educacional

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) recebeu nesta segunda-feira (11/11) a visita da Academia Real Sueca de Ciências e Engenharia. O patrono da academia, o rei da Suécia Carl XVI Gustaf, esteve presente no encontro. Além de participar de debates sobre inovação e competitividade nas relações entre o Brasil e a Suécia, a delegação se reuniu com a diretoria e com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

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Ao lado do rei da Suécia Carl XVI Gustaf (à direita na foto), Paulo Skaf disse que o Brasil precisa de muitos parceiros. “Tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.” Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Skaf agradeceu a presença da delegação, em nome de todos os setores produtivos brasileiros, e reforçou a importância de aumentar os negócios entre os dois países.

“A corrente de comércio da Suécia em 2012 foi de US$ 340 bilhões. A brasileira ficou em torno de US$ 500 bilhões. Isso nos estimula a procurar as razões pelas quais a nossa troca de comércio é tão modesta. Deveríamos estar comprando muito mais da Suécia e também vendendo mais para eles, assim como deveria ser maior o investimento de um país para o outro”, afirmou o presidente da Fiesp.“O Brasil tem um grande potencial e precisa de muitos parceiros. E tenho certeza que a Suécia pode ser um grande parceiro brasileiro.”

Ao falar dos investimentos da indústria paulista em educação, o presidente da Fiesp aproveitou a oportunidade para propor um intercâmbio entre as universidades da Suécia com as entidades da indústria como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

O presidente do Conselho da Academia e líder da delegação, Leif Johansson, disse que a Suécia tem muito interesse no Brasil. “Nossa meta é fazer a imersão profunda em coisas brasileiras, comparar o Brasil e a Suécia e avaliar como os países podem se desenvolver de forma independente e também em conjunto”, declarou. “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil, promovendo a ciência em áreas como estrutura energética, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. Sem dúvida, a Fiesp é uma organização importante para chegar a esse objetivo.”

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Leif Johansson (2º da esquerda para a direita): “Temos muito interesse em participar na economia crescente do Brasil”. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Perguntas

Os principais temas questionados pelos membros da delegação sueca foram competitividade, infraestrutura, pré-sal e investimentos do país em educação.

Sobre a competitividade, o diretor-titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho, citou alguns dos entraves que o Brasil precisa enfrentar nessa questão. “Um dos problemas é o câmbio, porque durante um tempo tivemos o real sobrevalorizado, o que desorganizou os preços relativos no Brasil e perdemos a competitividade para exportar e no mercado interno. Também temos o custo de produzir no Brasil, que é muito caro”, explicou Roriz, que incluiu nesse custo as questões da infraestrutura e da baixa qualidade dos serviços públicos.

Roriz falou ainda que o Brasil precisa fazer um grande trabalho na área de inovação e tecnologia, para melhorar sua competitividade, além de fazer as reformas – tributária, jurídica e política.

O impacto dos investimentos do pré-sal para o Estado de São Paulo também foi tema de uma pergunta da delegação sueca. “De 2012 a 2016, o investimento do estado na área de petróleo e gás vai ficar na casa de R$ 175 bilhões. Em termos de serviços e produtos, São Paulo é responsável por 50% de tudo que se faz nessa área, mas, hoje, representa só 2% da produção. Esse número vai crescer para cerca de 20%, depois de desenvolvidos os campos do pré-sal”, disse Roriz, que avalia o pré-sal como uma grande oportunidade para São Paulo.

O diretor do Decomtec falou ainda sobre a questão da infraestrutura. “Embora o Brasil tenha imensos desafios pela frente, também é um país de grandes oportunidades. E pode trabalhar em conjunto com a Suécia para desenvolver esse potencial.”