Programa Brasil Mais Produtivo em debate na reunião do Comitê da Indústria Têxtil da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

É tempo de investir em produtividade para não perder mercado com a crise. Com foco nesse debate, foi realizada, na tarde desta terça-feira (18/04), na Fiesp, a reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da federação. A discussão foi conduzida pelo diretor titular do Comtextil, Elias Miguel Haddad.

Pedro Sergio Monteiro, coordenador de Relacionamento com a Indústria da Escola Senai “Francisco Matarazzo”, na capital paulista, apresentou o programa Brasil Mais Produtivo durante o encontro.

Trata-se de uma iniciativa do Governo Federal executada pelo Senai que tem como objetivo aumentar a produtividade das empresas participantes em pelo menos 20%. E isso a partir de um trabalho de 120 horas de consultoria especializada. Para participar, basta ter entre 11 e 200 funcionários e fazer parte de arranjos produtivos locais.

“O Senai realiza essa consultoria usando a Metodologia de Manufatura Enxuta no processo produtivo, baseada na redução dos desperdícios mais comuns”, explicou Monteiro. “Aí entram pontos como tempo de espera, transporte, excesso de processamento, inventário, movimento e defeitos”.

O custo é de R$ 3 mil, pagos ao final do processo, com pagamento em até três vezes.

O programa inclui ainda um convênio com o Sebrae para palestras, workshops, assessorias e produtos tecnológicos.

Coordenador do Arranjo Produtivo Local (APL) Têxtil e de Confecção do ABC e à frente do Grupo Vestindo e Investindo Confeccionistas (VIC), o empresário Antonio Valter Trombeta foi outro participante da reunião. Ele apresentou as ações sociais e empreendedoras dos empresários do setor na região. O VIC reúne industriais de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

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A reunião do Comtextil: ações simples para aumentar a produtividade das empresas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


MDIC anuncia na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo para indústria da saúde

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta sexta-feira (11/11) o seminário de lançamento do Programa Brasil Mais Produtivo, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que é bom sinal o interesse das pessoas pelo programa, evidenciado pela plateia lotada. “Há expectativa de recuperação do Brasil”, disse. “O que precisamos agora é dar competitividade”, afirmou Skaf, por meio de juros mais baixos, crédito, agilidade, menos burocracia. Ele ressaltou também a importância de valorizar mais as micro, pequenas e médias indústrias.

Skaf lembrou que um dos maiores patrimônios do Brasil é a indústria, que cria os melhores empregos e paga um terço de todos os impostos no país. “”Não é possível mais aumento de impostos”, disse, destacando que o governo se sensibilizou quanto a isso.

Skaf citou os vários pontos abordados pelo programa, essenciais para o aumento da competitividade. Explicou que o Brasil Mais Produtivo já está em andamento, com 79 empresas tendo passado pela consultoria e já aplicando as ações recomendadas. ‘Vamos pegar esta corda e puxar o máximo possível”, afirmou, lembrando que essas empresas são o início.

Skaf destacou a importância de se preparar para o fim da crise. “Temos que administrar o dia a dia, mas temos que ter o olhar para o futuro também”, afirmou, “para não perder o bonde mais uma vez quando passar o atual período de dificuldade”. Exemplo desse olhar para a frente está nas “ferramentas tecnológicas, criativas da Fiesp”, o Hackathon (maratona de desenvolvimento de aplicativos) e o Concurso Acelera Startup.

Marcos Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, anunciou no evento – devido, explicou, à importância da Fiesp para o Estado e para o país – uma extensão do programa de manufatura enxuta para um quinto segmento, o de equipamentos médicos e odontológicos. Serão 300 empresas a mais, com R$ 4 milhões vindos do Ministério da Saúde. Haverá também um programa de aumento da eficiência energética, com piloto de 6 setores com 8 empresas cada, com R$ 1 milhão em recursos. Outro programa a ser lançado é o de manufatura avançada, com R$ 1,5 milhão do Senai para atender 8 a 10 empresas no projeto piloto.

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Pereira explicou que o Brasil Mais Produtivo foi lançado nacionalmente em abril, e agora há uma rodada de apresentação nos Estados. Abrange empresas de 11 a 200 funcionários e visa a atender 3.000 companhias nesta primeira fase, com R$ 50 milhões. São quatro cadeias produtivas, com empresas preferencialmente em Arranjos Produtivos Locais (APLs). Para São Paulo são 340 vagas, em áreas escolhidas em consenso com a indústria. A consultoria dura 120 horas.

A expectativa, segundo o ministro, era aumentar a produtividade em no mínimo 20%. Chegou em média a 56%, com casos de 80%, disse Pereira. Lean manufacturing (manufatura enxuta) é a base, com a busca de eliminação de desperdícios.

Estamos empenhados em avançar, disse, citando a fala de Skaf. Somos maiores que esta crise, afirmou, destacando o espírito lutador e empreendedor do brasileiro. “Precisamos rediscutir o Brasil. Onde estamos e onde queremos chegar.” Um dos pontos destacados por Pereira como precisando de mudança é a área tributária, que impõe pesadas obrigações para as empresas.

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Marcos Pereira anunciou na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O programa

O Brasil Mais Produtivo tem como objetivos aumentar a produtividade das empresas brasileiras e fortalecer o desenvolvimento regional do país. O programa prevê a utilização de técnicas de manufatura enxuta com a eliminação de desperdícios e melhoria contínua. As intervenções são rápidas, de baixo custo, com ganhos expressivos de produtividade.

“Para nós da Fiesp, que rotineiramente buscamos melhorar as condições do investimento industrial, é muito valioso saber que, apesar das adversidades, o interesse e o investimento em produtividade continuam prioritários. Isto reforça que estamos no caminho certo e aumenta a expectativa com relação ao sucesso do Programa Brasil Mais Produtivo, explica o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho”

As bases do sistema são: trabalho em equipe, rapidez, eliminação de desperdícios e melhoria contínua. Em linhas gerais, a consultoria pretende eliminar produtos defeituosos, excesso de produção, estoques, movimentos desnecessários, transportes, esperas e processos desnecessários.

O programa Brasil Mais Produtivo é uma realização do Senai, do MDIC, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No Estado de São Paulo, o programa é operado pelo Senai-SP.

“Nosso anseio por resultados positivos é elevado”, declarou Roriz, “pois acreditamos que a produtividade é fator determinante para a permanência das empresas no contexto da Quarta Revolução Industrial. E o fato de ser um programa de capacitação de empresas em escala, aumenta ainda mais as chances de o Brasil conseguir participar das oportunidades trazidas pela Indústria 4.0.”

Para mensurar a efetividade dos resultados, os indicadores de produtividade serão medidos no início e no final do programa e todo atendimento será executado em 120 horas, divididos nas seguintes etapas: fase de preparação (24 horas), fase de intervenção (60 horas), fase de monitoramento (20 horas) e fase de encerramento (16 horas) distribuídos em três meses de consultoria.

Casos de sucesso

Osvaldo Maia, gerente de inovação e de tecnologia do Senai-SP, fez apresentação antes de três empresas mostrarem os ganhos obtidos graças ao programa. Maia destacou que a ampliação do programa, anunciada pelo ministro Marcos Pereira, tem o apoio do Senai-SP, que tem todo o interesse nisso. A qualidade das ferramentas aplicadas pelos consultores é alta, e tiveram aprimoramento que permitiu grande aceitação pelas empresas, destacou. A ideia é tornar isso um produto de prateleira, incorporado ao portfólio do Senai-SP.

O primeiro caso de sucesso veio do setor de alimentos. É a empresa Twin Peaks, de alimentos congelados, de Valinhos, com apresentação da sócia Juliana Cunha. O programa, aplicado à produção de esfirras, permitiu ver a produção como um todo e eliminar gargalos. Foi possível redistribuir tarefas, diminuindo sobrecargas e subutilizações de mão de obra. Houve também mudança de lay-out na fábrica, diminuindo a movimentação (de 24 metros para 2,4 m) e permitindo grande ganho. De 164 peças por hora para 450, com os mesmos funcionários, aumento de 169% na produtividade. O índice de defeitos caiu para zero. O retorno do investimento veio em pouco mais de um mês. Um dos pontos que Juliana destacou foi o atendimento sob medida do Senai-SP.

O caso do setor de calçados (empresa D’Milton) foi apresentado por João Batista de Souza, que destacou a participação de funcionários e colaboradores. O valor investido pela empresa foi quase insignificante frente aos ganhos – e se pagou em 4 meses. A empresa conseguiu 39% a mais de produtividade, o que Souza considera surpreendente. A movimentação foi reduzida em 2.400 metros.

Do setor metalomecânico, o exemplo veio da Carhej, de São Bernardo. Segundo Daniel Carajiliascov, sócio da empresa, proprietário, o engajamento no programa foi a melhor coisa que fizeram. O estoque de matéria-prima caiu de R$ 350.000 para R$ 60.000, para a mesma produção. O ganho de produtividade foi de 177%. Movimentação caiu 85%, graças a novo lay-out. Na qualidade, ganho foi de 87%. E o retorno do investimento veio em menos de um mês – incluindo, além do custo do programa, reforços na infraestrutura.