Paulo Skaf recebe empresários japoneses na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf recebe representantes de empresas japonesas no Brasil. Foto: Junior Ruiz

Ao menos 80 empresários japoneses visitaram a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na manhã desta quarta-feira (30/01) para um encontro com Paulo Skaf, presidente da entidade. Em pauta, o incremento das relações comerciais entre o Japão e o Brasil.

“O objetivo dessa reunião é discutirmos de forma objetiva alguns pontos e daí ser uma provocação para, daqui para frente, essa integração ser cada vez maior”, afirmou Skaf ao receber a delegação japonesa.

“Que todos vocês sintam que essa é a casa daqueles que produzem, geram emprego e que lutam pelo desenvolvimento do nosso país”, completou Skaf.

Empresários dos segmentos de tecnologia, química, farmacêutica, logística, imobiliário, automotivo e serviços participaram da reunião. O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil e da Mitsubishi Corporation do Brasil S.A, Masaki Kondo, compôs a mesa do encontro.

“Que a Fiesp e a Câmara possam estreitar a sua cooperação e que os empresários participantes continuem mantendo contato posteriormente”, pediu Kondo.

A reunião contou com a presença dos diretores da Fiesp Roberto Giannetti da Fonseca (Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Derex), Nelson Pereira dos Reis (Departamento do Meio Ambiente, DMA), Helcio Honda (Departamento Jurídico, Dejur), Paulo Francini ( Departamento de Pesquisas e Estudos Econômico, Depecon), Carlos Cavalcanti (Departamento de Infraestrutura, Deinfra) e, ainda, de Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

Também participaram da reunião três diretores-titulares adjuntos do Derex: Thomaz Zanotto, José Augusto Corrêa e Antonio Fernando Guimaraes Bessa.

A câmara japonesa contabiliza 340 empresas associadas, “o maior número de sua história”, afirmou o cônsul-geral do Japão em São Paulo, Noriteru Fukushima.

Brasil vive ciclo virtuoso, ambiente promissor para negócios

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp 

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Toshiro Mutoh destacou a importância do Brasil no cenário internacional

O fato de Toshiro Mutoh, ex-vice presidente do Banco Central do Japão, afirmar ser o Brasil o  componente do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que mais se destaca hoje tem peso específico.

Como chairman da Daiwa Institute Research  – umas das principais representantes da livre iniciativa no Japão –, ele enfatizou nesta segunda-feira (14), na Fiesp, o importante papel desempenhado pelo País no cenário internacional, em função de sua rápida reação frente à crise global de 2008.

Mutoh participou do encontro empresarial que discutiu “As Perspectivas da Economia Japonesa e da Relação Brasil-Japão”. Também presente ao evento, o diretor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas-FGV e ex-secretário da Fazenda do Estado no governo Mário Covas, Yoshiaki Nakano, salientou que essa recuperação e a expansão da economia “foram capitaneadas pela indústria, em especial pela paulista”.

Para Nakano, o cenário é de permanência de fluxo de capitais e elevação dos preços das commodities. “Com estrutura moderna e competitiva em termos de tecnologia, houve avanços especiais em termos políticos e sociais no País”, reconheceu. E argumentou: “Esse processo se sustenta devido a uma profunda transformação demográfica e estrutural que deve acelerar o crescimento da economia brasileira e elevá-lo à classificação de país desenvolvido”.

Mecanismo dinâmico

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Yoshiaki Nakano: "Essa recuperação e a expansão da economia foram capitaneadas pela indústria, em especial pela paulista"

Segundo o ex-secretário, a queda da taxa de natalidade reduziu o excesso de mão de obra, a má distribuição de renda e elevou salários. A somatória desses fatores possibilita o controle inflacionário, mantém a margem de lucro das empresas, incentiva investimentos e expande o mercado.

“É um mecanismo endogenamente dinâmico que deve se prolongar por um bom tempo”, analisou Nakano. Porém, apontou dois problemas centrais a serem enfrentados: a forte expansão do consumo e o excesso de liquidez global, devido à política monetária expansionista da Europa e dos Estados Unidos, que inunda os emergentes com dólares.

Na opinião do diretor da Escola de Economia da FGV, o País tomou medidas acertadas, quando o Banco Central aumentou a taxa de juros e realizou corte cirúrgico de R$ 50 bilhões nos gastos públicos.

Cenário favorável

“O Brasil é reconhecido como provedor de recursos naturais, à frente em termos de prospecção petrolífera e biotecnologia, além de ser referência quanto a oportunidades energéticas, cenário favorável para negócios”, acrescentou Toshiro Mutoh, ao lembrar que a economia japonesa vive um período de deflação.

Diante desse retrato otimista, o diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior-Derex, José Augusto Corrêa, sinalizou com uma possível terceira missão empresarial ao Japão, ainda em 2011.

O cônsul geral do Japão em São Paulo, Kazuaki Obe, concordou, confiante nessa grande aproximação entre os dois países que se encontram muito distantes apenas em termos geográficos.