Colaboração é a palavra-chave para inovação e competitividade, diz representante do governo de Israel

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Avi Hasson: “para nós, inovação não é um hobby; é nossa economia, é a base que temos”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O mundo trabalha por meio de colaboração entre os países e, por isso, nenhum produto pode ser desenvolvido por uma companhia sozinha em um único país. A ideia  foi defendida nesta quarta-feira (06/11), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), pelo cientista-chefe do Ministério de Economia de Israel, Avi Hasson.

Ele participou de uma reunião com Thomaz Zanotto, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, e com representantes de setores da indústria como eletroeletrônico e farmacêutico.

“Eu realmente acredito que colaboração é a palavra para inovação e competitividade . E, para nós, inovação não é um hobby; é nossa economia, é a base que temos”, afirmou Hasson. “Eu falo de uma inovação como questão central da prosperidade econômica”, acrescentou.

No encontro, o cientista-chefe chamou atenção para a necessidade de os países trabalharem juntos para garantir competitividade às empresas.

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Thomaz Zanotto, do Derex/Fiesp, sugeriu reuniões de trabalho para buscar ações práticas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Em 20 anos, o Brasil assinou apenas três acordos de livre comércio, com Egito, Palestina e Israel. O último é o único em vigor.

Entre 2007 e 2012, a corrente de comércio entre os dois países mostrou expansão de quase 50%, saindo de mais de US$ 1 bilhão para US$ 1,5 bilhão.

O Brasil, no entanto, é deficitário na balança comercial com Israel e encerrou o ano de 2012 com saldo negativo de US$767,5 milhões.

“Nós não temos escolha. Se não começarmos a trabalhar juntos, as companhias não vão colaborar e não serão competitivas o suficiente para suportar o crescimento”, afirmou Hasson. “Esta reunião é importante porque temos de trabalhar mais entre nossas economias e servir nossas empresas”, completou.

Em resposta ao pedido de Hasson, Thomaz Zanotto, do Derex/Fiesp, propôs a formação de um grupo de trabalho entre a Fiesp e representantes do governo israelense para buscar resultados efetivos. “Eu sugiro, então, reuniões de trabalho para tentar definir ações práticas”, disse.

Na véspera, a Fiesp organizara um encontro para apresentar o Brasil para delegação israelense. O diretor do Derex/Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca, apresentou números sobre a economia do Brasil e avaliou a relação do comercial do país com outras nações para mais de 20 diplomatas israelenses.

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Reunião contou com representantes de setores da indústria como eletroeletrônico e farmacêutico. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Tratado Mercosul-Israel: Na Fiesp, Shimon Peres elogia abertura do Bloco enconômico

Agência Indusnet Fiesp

O Tratado de Livre Comércio (TLC) negociado entre o Mercosul e Israel avançou no Congresso Nacional. O acordo, assinado em 2007, foi aprovado nesta quinta-feira (12) pelo plenário da Câmara dos Deputados, e agora segue para o Senado.

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Presidente de Israel, Shimon Peres: "Não existe economia única. As que quiserem enriquecer terão que se tornar globais"

Apesar de negociado com o bloco econômico, o tratado tem vigência bilateral, e o Brasil poderá desfrutar do livre comércio com Israel já no início de 2010.

“Estamos muito gratos pelo Mercosul abrir seu mercado. Não existe economia única. As que quiserem enriquecer terão que se tornar globais. Esse acordo é importante para mostrar ao mundo que a economia não tem fronteiras”, afirmou o presidente do Estado de Israel, Shimon Peres, no encerramento do Encontro Empresarial Brasil-Israel nesta quinta-feira (12), na Fiesp.

Para o mandatário israelense, a possível entrada da Venezuela no bloco econômico sul-americano não deverá atrapalhar as negociações. O governo venezuelano, comandado por Hugo Chávez, rompeu as relações com Israel após criticar a ofensiva militar na Faixa de Gaza, no início deste ano. Mais de 1.400 palestinos morreram no conflito.

“Não acredito que o Mercosul adotará a política de Chávez, mas ele é que terá de adotar a política do Mercosul, que é de cooperação, e não de ódio”, respondeu Shimon Peres, em entrevista coletiva. “Chávez tem que chegar a um acordo com o mundo, porque o mundo não vai seguir o seu exemplo”, seguiu.

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Shimon Peres recebe de Paulo Skaf (à dir.) a medalha Ordem do Mérito Industrial S


Sem barreiras

O acordo – já aprovado por Uruguai e Paraguai, pendente no Brasil e na Argentina – prevê a liberalização de mais de 90% do comércio entre as duas regiões, com desgravação progressiva das tarifas de importação em um período de 10 anos. Se aprovado, este será o primeiro entendimento do Mercosul fora da América Latina.

O Brasil tem acesso a um mercado de 7 milhões de habitantes em Israel, com um PIB de US$ 220 bilhões. O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, avaliou o tratado como uma oportunidade para alavancar o comércio bilateral, que ainda é pequeno se comparado ao fluxo dos países, em torno de US$ 400 bilhões.
Cada proposta do TLC abrange 9 mil itens. A oferta do Mercosul a Israel na negociação inclui 2.300 itens com desgravação imediata (26%). Uma fatia de 7% da pauta já se beneficia de isenção tarifária.“Israel tem uma população menor, mas é um mercado consumidor importante, que poderá consumir mais alimentos, têxteis e móveis. Existem muitos produtos que podemos passar a fornecer ao país com custos menores, sem barreiras ao comércio”, disse Skaf. “Daremos todo o apoio para que o Senado, nos próximos 30 ou 40 dias, aprove o acordo”, prosseguiu o dirigente, que condecorou Shimon Peres com a Ordem do Mérito Industrial São Paulo.

Do lado israelense, a desgravação imediata atinge 74%, e engloba 6.700 produtos da cesta. Cerca de 43% dos produtos brasileiros importados por Israel já têm tarifa zero. Do total negociado, aproximadamente 7% dos itens comercializados entre o bloco econômico e o país do Oriente Médio serão submetidos a cotas de importação.


Comércio bilateral

O Brasil é deficitário na balança comercial com Israel: fechou o ano de 2008 com saldo negativo de US$ 823 milhões. A corrente comercial mais que triplicou nos seis últimos anos, saindo de US$ 506 milhões em 2003 para mais de US$ 1,6 bilhão no ano passado. As exportações somaram, no período, US$ 399 milhões, e as importações alcançaram US$ 1,2 bilhão.

Do lado das vendas, o Brasil exporta para Israel principalmente carnes (34,8%), e nas importações a pauta é altamente concentrada em adubos e fertilizantes (61,9%) e produtos químicos orgânicos (10,2%).


Tecnologia de Israel pode alavancar competitividade das exportações brasileiras

As economias de Brasil e Israel não são competitivas, mas complementares. E a tecnologia israelense agregada a produtos brasileiros pode alavancar a capacidade competitiva do Brasil no campo das exportações. A avaliação é do presidente da Câmara Brasil-Israel, Jayme Blay.

“O grau de desenvolvimento que se consegue na agricultura em Israel, devido a fatores específicos da região, pode trazer um benefício extraordinário em termos de produtividade e competitividade aos produtos brasileiros”, ele afirmou, durante o Encontro Empresarial Brasil-Israel, realizado na Fiesp, nesta quinta-feira (12).

Blay explicou que a produção agrícola israelense passa por um tratamento altamente específico, devido às características de pouca irrigação e condições atmosféricas da região.

“Temos aprendido muito na área de irrigação, para aprimorar ainda mais nosso agronegócio que já é bastante relevante na economia brasileira e mundial”, destacou Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp.

Segundo Jayme Blay, está em marcha um acordo tecnológico entre o Instituto Volcani de Israel e o Instituto Agronômico de Campinas, visando aprimorar a condição da produção brasileira de frutas, que poderia transformar o País em grande exportador para a Europa.

“O Instituto israelense desenvolveu técnicas que permitem o transporte e armazenamento, sem refrigeração, de uma série de frutas. Então, o mercado europeu estaria facilmente ao alcance dos produtores brasileiros”, ressaltou o presidente da Câmara Brasil-Israel. “Queremos sair da categoria de exportadores de commodities, e passar a ter maior valor agregado aos nossos produtos”, acrescentou.


Oportunidades

De acordo com Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais da Fiesp, existem alguns setores-chave com competitividade dos dois países, e as tarifas recíprocas são altas. “São setores em que há oportunidade para criação de comércio”, destacou Marconini.

Da parte brasileira, couro, madeira, indústria química, plástico, borracha e móveis são segmentos nos quais o Brasil tem competitividade global e as alíquotas de importação de Israel são altas, acima de 10%.

Já o país do Oriente Médio poderia incrementar suas exportações de produtos químicos, farmacêuticos, adubos e fertilizantes, metais, vidros, máquinas e aparelhos elétricos com a desgravação das tarifas brasileiras, que chegam a 13% nesses setores. As negociações estão previstas no Tratado de Livre Comércio entre Mercosul e Israel.


Tecnologia de ponta

Elisha Yanay, chefe da comitiva empresarial israelense e representante da Motorola – companhia que tem em Israel seu maior centro de P&D do mundo –, lembrou que das exportações totais do País em 2008, cerca de US$ 60 bilhões, metade foi de produtos com alta tecnologia.

Somente os itens de software e hardware arrecadaram US$ 20 bilhões – valor que não ultrapassava US$ 6 bi há 12 anos e que deve continuar a crescer em um ritmo de 15%, segundo o empresário.

“Nossos produtos têm um valor agregado muito mais alto, se compararmos com a indústria de qualquer outro país”, afirmou Yanay. “O Brasil está localizado em uma área estratégica do mundo e tem muitas vocações. Podemos alavancar muito juntos”, acrescentou.

Israel tem hoje 8.000 profissionais formados em engenharia de software e lidera o ranking mundial de investimentos em P&D, entre 55 países, com o maior percentual do PIB destinado à pesquisa (4,5%), segundo o Anuário de Competitividade Mundial de 2008, elaborado pelo instituto suíço IMD.