Hungria tem oportunidades na indústria de alimentação, em TI e infraestrutura, segundo Kristóf Szatmáry

Flávia Dias e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A indústria de alimentos e os setores de infraestrutura e de tecnologia da informação podem proporcionar boas oportunidades de negócios para os empresários brasileiros na Hungria, recomenda o secretário de Estado do Ministério da Economia do país europeu, Kristóf Szatmáry.

Kristóf Szatmáry, secretário de Estado do Ministério da Economia da Hungria. Foto: Everton Amaro

Szatmáry participou nesta terça-feira (13/11) do seminário Encontro Empresarial Brasil-Hungria, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde assinou ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, um memorando de entendimento com o objetivo de ampliar oportunidades de intercâmbio entre os dois países.

Depois de uma apresentação para empresários brasileiros, o secretário de Estado –  e co-presidente da Comissão Econômica Mista Brasil-Hungria – conversou com a imprensa.

Veja um resumo:

Oportunidade de investimentos na Hungria

“Em primeiro lugar, gostaria de sugerir o setor de indústrias de alimentos, também muito forte no Brasil. Também há muitas oportunidades no desenvolvimento do setor de infraestrutura e também no setor de tecnologia de informação.”

Memorando de entendimentos com a Fiesp

“O ponto de partida foi a cooperação econômica, nosso objetivo maior. No entanto, surgiram tantos outros projetos que surgiram possibilidades de cooperação na cultura e no esporte. E outras ações serão estudadas.”

“Hoje teremos um encontro com mais de 50 empresários. Não queremos largar essas pessoas. Queremos mantê-los conosco. Nosso maior objetivo é apoiar esses empresários. São muitas empresas, no entanto os setores mais importantes são na indústria de alimentos, tecnologia de informações, engenharia.”

Educação e agricultura

“Gostaria de realçar que a Hungria fará parte do programa do governo brasileiro ‘Ciência Sem Fronteiras’. A partir do primeiro semestre de 2013, as universidades húngaras receberão estudantes brasileiros. É uma grande conquista para nós. Ontem, em Brasília, firmamos um acordo de cooperação na área da agricultura.”

Crise na Europa

“Muitos dizem que toda crise é uma oportunidade. Nós gostaríamos de aprender com essa crise. A Hungria tem uma situação um pouco mais fácil porque não faz parte da Zona do Euro. E, por isso, alguns países como a Hungria, Polônia e Eslováquia têm uma margem de manobra maior que outros países. Os dados econômicos provam o que acabei de dizer porque essa região é a que tem os melhores números de crescimento dentro da União Europeia. Essa crise propicia oportunidades para alguns países. E dentre esses países está a Hungria.”

Fiesp e governo da Hungria assinam memorando de entendimento para ampliar intercâmbio

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em ato durante o Encontro Empresarial Brasil-Hungria, na manhã desta terça-feira (13/11), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, e o secretário de estado do Ministério da Economia da Hungria, Kristóf Szatmáry, assinaram um memorando de entendimento com o objetivo de ampliar oportunidades de intercâmbio entre os dois países.

Acordo envolve parcerias no âmbito econômico, cultural e esportivo. Foto: Junior Ruiz.

 

“Temos 100 reuniões hoje entre empresários brasileiros e húngaros. E vai precisar de muito mais trabalho para que os negócios se incrementem. Nossa corrente de comércio é pequena. Nós temos muito mais a vender para a Hungria e a comprar na Hungria. E temos oportunidades de investimentos na Hungria e de receber investimentos húngaros. Eu diria que temos tudo a fazer na área econômica, mas também nas áreas cultural e esportiva”, disse Skaf.

O presidente anunciou iniciativas já firmadas para o próximo ano. Nos meses de março e abril, o grupo musical Budapest Bar fará apresentação em unidades do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

Outra ação será na área de esporte, com intercâmbio entre treinadores húngaros e brasileiros – os europeus contribuindo com experiência nas modalidades polo aquático e luta olímpica; os brasileiros, no vôlei.

Kristóf Szatmáry, que também é presidente da Comissão Econômica Mista Brasil-Hungria, esclareceu que seu país busca diversificação. A estratégia comercial, até então, vinha sendo destinada aos países da União Europeia e à integração Europa-Atlântico. “Temos uma nova estratégia econômica e, nessa estratégia, o Brasil e a América Latina têm grande importância, em especial o Brasil, com o qual temos também uma relação cultural.”

Kristóf Szatmáry. Paulo Skaf e Csaba Szíjjártó, embaixador da Hungria no Brasil. Foto: Everton Amaro.

Szatmáry ressaltou os laços culturais entre a Hungria e a cidade de São Paulo. “Temos aqui a maior comunidade húngara da América Latina. São 100 mil pessoas, entre descendentes de primeira, segunda e terceira geração”. Ele também citou o Colégio Santo Américo, de origem húngara, que vem, por meio da educação, contribuindo para a formação de pessoas de excelência no Brasil, como o próprio presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

No evento, em nome do governo húngaro, Szatmáry entregou, a Paulo Skaf, a ordem Cruz de Prata do Mérito Húngaro, em reconhecimento aos seus esforços de estreitamento das relações entre Brasil e Hungria.

Para o diretor-titular adjunto do Departamento de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Derex) da Fiesp, José Augusto Correia, há muito a se fazer. “Ao se analisar os números de comércio exterior entre Brasil e verificamos que há como se incrementar essa relação. Espero que esse encontro seja mais um passo de aproximação.”