Iniciativas Sustentáveis: BRF – segunda maior indústria alimentícia do país, criou programa para monitorar e qualificar sua cadeia de fornecedores

Por Karen Pegorari Silveira

Em uma sociedade na qual os consumidores estão cada vez mais exigentes em relação à qualidade dos produtos e nos serviços, e com os mercados globalizados, dinâmicos e altamente competitivos, há uma crescente preocupação das empresas não só em manter, mas também em incrementar seu desempenho dentro da cadeia de suprimentos na qual se inserem. Isto é especialmente importante para a indústria de alimentos dada à grande diversidade de produtos para atender os distintos segmentos de mercado.

Diante da necessidade de inovação tecnológica e organizacional, as agroindústrias nacionais estão promovendo toda uma reestruturação na rede de suprimentos, evidenciando crescente integração dos fornecedores e de distribuidores à cadeia de suprimento de alimentos processados. Este é o caso da BRF, formada a partir da fusão da Sadia e Perdigão. A BRF nasceu, em 2009, como a maior produtora e exportadora mundial de carnes processadas e a segunda maior indústria alimentícia do país. A união de duas grandes empresas contribuiu para unir esforços e experiências, sobretudo no que se refere à sustentabilidade.

Para a BFR, o compromisso com o desenvolvimento sustentável pode ser demonstrado por meio de um conjunto de diretrizes e ações focadas na obtenção de resultados positivos nos três pilares da sustentabilidade: econômico-financeiro, ambiental e social. Sua gestão estratégica tem como base o fortalecimento de práticas sustentáveis em toda a cadeia de valor e no relacionamento com os principais públicos de interesse.

A estratégia está sendo viabilizada por meio das ações do Programa de Monitoramento da Cadeia de Fornecedores. A iniciativa tem como principal objetivo identificar e minimizar os principais riscos sociais e ambientais para reduzir os impactos negativos das operações relacionadas à empresa. São realizadas capacitação e conscientização de negociadores e fornecedores sobre os padrões de sustentabilidade. A partir desse treinamento, esse público passa a entender detalhadamente o Programa de Monitoramento de Fornecedores e as metas para atendimento do mesmo, que abrangem a assinatura do Código de Conduta para Fornecedores, realização de avaliações socioambientais e auditorias. Essas auditorias são realizadas nos fornecedores mais críticos, priorizadas de acordo com o volume de compras e a sua localização em áreas com maior impacto ambiental, como os próximos do bioma amazônico, terras indígenas, unidades de conservação e focos de desmatamento.

Desde o início, o Código de Conduta para Fornecedores, que tem o objetivo de reafirmar o compromisso com a gestão responsável e sustentável, já foi enviado para mais de 21.500 fornecedores até o final do ano passado.

“O Programa de Monitoramento de Fornecedores permite identificar e minimizar riscos socioambientais que não estão sob a gestão direta da BRF, além de estimular boas práticas em toda a cadeia produtiva da companhia”, diz Luciana Ueda, Gerente de Sustentabilidade da BRF.

A Companhia exige padrões mínimos ambientais e de direitos humanos de seus fornecedores. Há verificação constante de algumas informações públicas, como a Lista do Trabalho Escravo e a Lista de Áreas Embargadas do Ibama. Além desses padrões, há a obrigatoriedade de atendimento a outros critérios, dependendo da particularidade do setor. No caso de compra de grãos, a empresa não adquire insumos de fornecedores que promovam o desmatamento ilegal da Amazônia. Já as propriedades de produtores integrados passam por avaliação constante e, caso ocorra descumprimento de compromissos ambientais e sociais estabelecidos, é elaborado um plano de ação para reverter o quadro.

A BRF tem por prática não se relacionar com fornecedores que descumpram padrões mínimos de direitos humanos (trabalho infantil ou escravo), trabalhistas (liberdade sindical) e de respeito ao meio ambiente e, em 2012, não foram identificados esses riscos nas operações.

Cada diretoria encontra-se em uma fase de implantação e ampliação do Programa de Monitoramento, porém 100% dos novos contratados já seguem os critérios do Código de Conduta para Fornecedores. Como forma de monitoramento, existem o Código de Ética, Código de Conduta para Fornecedores e Políticas específicas para contratação.

Em 2013, não houve ocorrências de trabalho infantil ou trabalho forçado ou análogo ao escravo em fornecedores. Para os casos nos quais são identificados desacordos com algum requisito do código de conduta, dependendo da gravidade, ou são executados planos de melhoria ou o contrato de fornecimento é cancelado. As principais irregularidades causadoras de rompimento contratual são a presença na Lista do IBAMA de Autuações Ambientais e Embargos e na Lista Suja do Ministério do Trabalho e Emprego.

A compra com fornecedores locais também é uma prioridade da empresa, que não vê somente a oportunidade de redução de custos com transporte e em emissões e gases de efeito estufa, mas também uma melhor integração com a comunidade.