Chile é ponte de negócios para produtos brasileiros atingirem o mundo, diz especialista

As empresas brasileiras podem se beneficiar dos 20 acordos comerciais que o Chile mantém com 56 países da Ásia, América Latina, União Europeia e os Estados Unidos.

Foi o que informou o gerente de Comércio Exterior da Sociedade de Fomento Industrial (Sofofa), Hugo Baierlein, em reunião nesta quarta-feira (9), na sede da Fiesp.

“A rede de acordos configura uma plataforma comercial eficiente para atingir mercados diversos com cerca de 4 bilhões de consumidores”, explicou Baierlein.

O seminário chamado “Chile: sua plataforma de investimentos na América Latina” reuniu empresários interessados em fazer negócios com o país vizinho, além de convidar brasileiros a utilizarem o Chile como ponte para exportarem seus produtos a terceiros países.

Em julho passado, a presidente chilena Michele Bachelet encontrou-se com o presidente Lula, na Fiesp, e aproveitou para afirmar sua vontade de estreitar relações com o mercado brasileiro, lembrando que ambos países têm enfrentado bem a crise.

“Áreas do nosso intercâmbio comercial vão recuperar o ritmo expansivo dos últimos anos. As economias do Brasil e do Chile vão sair fortalecidas da crise, mais fortes do que a de muitos países”, afirmou Bachelet na ocasião.


Balança comercial

Em 2008, a corrente de comércio entre Brasil e Chile foi de US$ 8,9 bilhões. Sendo a exportação brasileira de US$ 8,9 bilhões e a importação de US$ 4,1 bilhões, tornando o Brasil superavitário em US$ 629 milhões.

No primeiro semestre deste ano, o Brasil se manteve superavitário em US$ 43 milhões. Nesse período exportou US$ 231 milhões e importou US$ 187 milhões do Chile.

Brasil quer incentivar uso de etanol no Chile

Brasil e Chile podem estabelecer, juntos, um mercado mundial de combustíveis renováveis, mais limpos e baratos que os derivados do petróleo, e que gere mais emprego e renda para o trabalhador do campo. A proposta foi feita pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chefe de estado chilena, Michelle Bachelet, que se encontraram nesta quinta (30) na Fiesp.

“Precisamos definir uma data para levar ao Chile uma missão brasileira na área de biocombustíveis. É de extrema importância alcançar uma matriz tecnológica comum, e nós precisamos trabalhar isso”, disse Lula.

O governo brasileiro cobra uma decisão sobre o aumento da adição de etanol à gasolina vendida no Chile, proposta no acordo de cooperação energética assinado pelos países em 2007 – para pesquisa, desenvolvimento e produção de biocombustíveis –, que não avançou.

A presidente chilena não respondeu diretamente à cobrança, mas sinalizou que o governo está “pronto para colaborar com os investimentos de petróleo”. Acredita-se que a presença da Petrobras em território chileno – com a aquisição da rede de distribuidores da petrolífera americana ExxonMobil no país vizinho, anunciada em agosto do ano passado – vá facilitar as negociações para adição de maior percentual de etanol à gasolina, que hoje está aprovado em 5%, mas ainda não foi implementado.


Integração energética

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também cobrou a efetiva incorporação do etanol brasileiro no combustível chileno, e que o país vizinho começasse a pensar na utilização de veículos “flex fuel”, os bicombustíveis.

“Adicionando apenas 5%, sem que seja necessária qualquer alteração nos motores dos veículos, já seria considerável ajuda no esforço governamental de diminuir a poluição do ar nas grandes cidades chilenas, em especial Santiago”, disse. “Mas esse percentual pode crescer até os 25% praticados no Brasil, de forma progressiva, desde que se façam pequenos investimentos na adaptação dos motores”, sugeriu Skaf.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de comércio exterior da Fiesp, insistiu na integração energética dos dois países no quesito combustíveis e alegou que o Chile não pode ficar preso ao risco da volatilidade de preços do petróleo. Segundo ele, a experiência brasileira com o etanol pode ser conhecida e repetida com sucesso no país vizinho, basta o tema entrar na agenda dos empresários e políticos chilenos.

“O Brasil tem o know-how tecnológico para ajudar o país a desenvolver etanol de segunda geração, extraído de celulose, madeira e algas marinhas. Nesse momento, o Chile poderá se tornar um exportador do produto”, indicou.

Segundo o dirigente, já existem discussões no governo do país andino para aumentar a parcela de etanol na gasolina para 10%. A rede de aproximadamente 230 postos de combustível que a Petrobras adquiriu no país no ano passado pode ajudar o Brasil a “estabelecer uma política a respeito do combustível”, avaliou Giannetti.