Brasil tem gargalos logísticos na distribuição de combustíveis, afirma presidente da BR

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Como superar o desafio abastecer lugares de difícil acesso em um país de dimensões geográficas como o Brasil? A questão foi tratada nesta segunda-feira (06/08) por José Lima de Andrade Neto, presidente da BR Distribuidora, durante o painel “Oferta, demanda e segurança do abastecimento de derivados” no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Jose Lima de Andrade Neto, presidente da BR Distribuidora

“O Brasil tem 37 mil postos de serviços para atendimento ao consumidor, uma cadeia expressiva que tem movimentado mais de R$ 100 bilhões”, explicou Andrade Neto, justificando que o consumo  brasileiro é representativo no volume: mais de 100 bilhões de metros cúbicos de combustíveis em 2011.

O executivo afirmou que o mercado cresceu abaixo do PIB e que é preciso aumentar a logística de distribuição. “Outro fato é que a região centro-oeste do Brasil passou a demandar mais estrutura e logística”, ponderou.

Com uma estimativa de mais de 39 milhões de veículos leves no país, sendo 80% de automóveis “flex fuel” (que podem funcionar com dois ou mais combustíveis), é difícil antecipar qual será o consumo com a oferta de álcool e gasolina. “Isso nos introduz alguns desafios, e há incertezas quanto à demanda de combustível substituto devido à relação de preços”.

Gargalos logísticos

Ernani Filgueiras do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis

De acordo com Ernani Filgueiras, gerente de abastecimento do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), a entidade desenvolveu um trabalho que identifica os entraves logísticos e que investimentos devem ser feitos para saná-los. “Contratamos uma consultoria que mapeou os gargalos na malha de distribuição de combustíveis, e identificamos alguns na região amazônica”, detalhou.

Naquela região, prosseguiu Filgueiras, boa parte dos combustíveis é distribuída por caminhões e dutos trabalhando na capacidade quase que máxima, mas as rodovias são um modal pouco utilizado.

Na opinião do gerente do IBP, é preciso repensar a política nacional de abastecimento para que seja mais regionalizada – incluindo o biodiesel – e substituir o óleo diesel pelo gás natural conforme a disponibilidade, visando a utilização em ônibus híbridos nas principais capitais.