‘É preciso entregar conteúdo bom’, diz executivo do Estadão no 1º Fórum Digital Mídias Sociais da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Bem-vindos ao mundo digital. Ao lugar onde qualquer empreendedor ou empresa precisa estar para atrair clientes. Oportunidades não faltam. Para apresentar algumas delas, foi aberto, na manhã desta segunda-feira (16/04), o 1º Fórum Digital Mídias Sociais e suas Ferramentas, na sede da Fiesp, em São Paulo. O evento, que vai até o final do dia e inclui palestras e workshops, foi organizado pelo Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da federação.

“As novas tecnologias podem impulsionar negócios”, afirmou o segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, na abertura do fórum.

“A estimativa é de que 92% das empresas estejam hoje nas redes sociais para engajar suas marcas e alavancar as vendas”, destacou Luiz Hoffmann, diretor titular do CJE.

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Roriz Coelho no fórum: “As novas tecnologias podem impulsionar negócios”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A primeira apresentação do evento ficou a cargo do diretor de Projetos Especiais do jornal O Estado de S. Paulo, Luis Fernando Bovo, responsável pelas estratégias digitais do periódico. Isso envolve ainda o chamado MediaLab, serviço de atendimento a empresas na área, com projetos customizados.

“O mundo digital impactou a vida de todo mundo, até o modo como nos relacionamos uns com os outros”, disse Bovo. “Tiramos fotos de qualquer lugar, há um excesso de conteúdo sendo produzido”.

O executivo lembrou que, há dez anos, o consumo de informação se dava em ambientes controlados como TV, rádio, jornal ou revista. “Não tinha muito como fugir disso”, afirmou. “Hoje é comum dizer que lemos alguma coisa, mas não sabemos mais onde foi”.

De acordo com Bovo, para atender os clientes é preciso estar “em todo lugar”. ‘Tem que ter site, Instagram, Twitter, Facebook, Google”, explicou. “E estar disponível o tempo todo”.

Para isso, é importante “Identificar como as pessoas estão consumindo o seu conteúdo”. “O cliente sabe reconhecer a relevância e gosta disso”.

Nessa linha, um ponto fundamental é a adaptação do que é comunicado em cada canal de distribuição. “Não basta replicar o mesmo conteúdo em todos os canais: copiar e colar do Facebook no Instagram, por exemplo”.

Segundo Bovo, “o Facebook ajuda muito no tráfego, consegue atrair público e é útil para fazer vídeos e transmissões ao vivo”. “O Twitter é focado no tempo real, no que está acontecendo no momento”, disse. “Já o Instagram é útil para mostrar bastidores, curiosidades, como fotos da festa junina do Estadão ou da visita do Fabio Porchat à redação”, explicou. “É preciso destacar ainda o YouTube para vídeos e lembrar que, no  WhatsApp, dá para se soltar um pouco mais, usar uma linguagem mais informal”.

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Bovo: importância de estar em todos os canais. com conteúdos diferenciados. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


E por falar em informalidade, o executivo lembrou que é importante entrar no mundo dos clientes, falar como eles falam nas redes sociais. E citou alguns exemplos adotados no Estadão, como usar a expressão “Migo, seu loko” num post de uma reportagem com o pré-candidato à presidência  Jair Bolsonaro. Ou ainda introduzir uma postagem sobre a possível criação de um terno com estampa de Romero Britto com a frase “Apenas Parem”. “É preciso saber usar esses recursos”, disse. “A linha entre a brincadeira e a ofensa pode ser tênue, mas vale a pena usar esse recurso”.

Mais dicas de recursos usados pelo Estadão para alavancar a sua presença nas redes sociais:  “produzimos vídeos, reportagens multimídia, infográficos animados, podcasts, áudios sobre demanda, curadoria de redes sociais, quiz, listas e galerias”. “Temos novas ferramentas o tempo todo”, disse. “Alguém do seu lado tem a solução para o seu problema, basta procurar”, explicou. “Vídeo era caro de fazer E agora sobram ferramentas para a produção de imagens”.

Lado A, Lado B

Bovo lembrou aos empreendedores que é preciso “estar atento aos conteúdos importantes”. E citou algumas ações adotadas pelo jornal nesse campo. “Oferecemos o nosso carro-chefe, que é conteúdo de qualidade”.

Assim, para atrair o público jovem e que não lê a versão impressa do periódico, foram adotadas estratégias como a criação do “Blog dos Colégios”, com conteúdo produzido por um grupo de escolas,  dentro do site de O Estado de S. Paulo.

Já o site Fera oferece informações sobre esportes com foco no público entre 13 e 18 anos.

Há ainda a página “Lado A, Lado B”, na qual dois garotos comentam notícias no canal do Estadão no YouTube. E o E+, site de cultura que não tem base na versão impressa do veículo. “São produtos pensados para atrair jovens, que vêm para ler sobre assuntos de interesse deles”.

“Analisem tudo, é possível obter a informação que vocês quiserem nas redes sociais”, disse Bovo. “Isso ajuda a tomar decisões, dá para ver até ver a hora do dia em que as pessoas se manifestam mais, saber sobre o que elas estão falando”, afirmou. “É preciso entregar conteúdo bom”.

Transformação acelerada

Empreendedorismo para todos foi o tema da palestra de Marcos de Moraes, CEO da Lua.Net. Moraes tem histórico de sucesso no mundo dos negócios, tendo como principais empreendimentos o portal de internet Zip Net, nos anos 90, e, mais recentemente, a cachaça Sagatiba.

Moraes se disse um brontossauro da internet, tendo investido na rede desde a década de 1990. “Vim dividir com vocês a visão do impacto que me causa a percepção de que as mudanças causadas pela internet continuam. E-commerce já está velho. O impacto das coisas que virão será avassalador.” A mudança está ocorrendo cada vez mais rápido, disse. “Precisamos aprender a pensar exponencialmente.”

Comércio é feito da mesma maneira desde a Babilônia, disse. Vários funis dificultam o processo. Depois de superados os obstáculos, há um novo problema. “E aí vem a burocracia. É um milagre que haja empreendedorismo no Brasil”, afirmou. “Isso é incompatível com o que está acontecendo por aí.” Exemplo é de aviões que podem ter peças fabricadas na hora.

Como uma empresa média consegue comercializar seu produto? Moraes falou sobre a plataforma que criou, a Lua.net, pensando no empreendedor vendedor. “Apostamos nas pessoas que fazem das tripas coração e não conseguem fechar as contas no fim do mês.” A ideia é simplificar ferramentas não disponíveis “para essas pessoas incrivelmente empreendedoras”.

A Lua faz uma curadoria das participantes e permite à pessoa se tornar uma revendedora. A partir de junho será possível cadastrar online produtos, calculando impostos, comissões e margens. Depois haverá área para serviços também.

Com mediação da especialista em mídias sociais Carla Falcão, a palestra Os 3 pilares que estão guiando o sucesso dos negócios digitais foi feita por Guilherme Valgas, gerente de Marketing na Samba Tech, reconhecida como uma das empresas mais inovadoras do mundo. Especialista em marketing digital, branding e lançamento de produtos, Valgas destacou que estamos na era do vídeo. Até 2020 82% do tráfego na internet será de vídeos. Como usá-los para criar produtos inovadores?

A resposta está em oferecer conteúdo de qualidade, não massificado, relevante, no sentido de transformar a vida de quem está consumindo. “Entenda sua audiência”, recomendou. Em relação ao uso de redes sociais para alavancar negócios, recomendou aos empreendedores ter foco em uma delas, para ter atuação ótima.

Valgas explicou o funcionamento da plataforma Samba Play, criada para a venda de conteúdo na Internet. Faz o gerenciamento dos pagamentos e a segurança para que só tenha acesso quem compra o produto.