Questionamento do Japão sobre vaca louca no Brasil deve obedecer à lógica comercialmente correta, diz sócio da MB Agro

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A postura do Japão após confirmação da presença do agente causador da doença da vaca louca em uma fêmea que morreu em dezembro de 2010 no Paraná é legítima, mas deve estar dentro de uma logica comercialmente correta. A afirmação é do sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros.

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Alexandre Mendonça de Barros, sócio-diretor da MB Agro, durante reunião do Cosag/Fiesp

“É natural que surja um questionamento, mas também é muito fácil ser usado comercialmente esse tipo de problema”, alertou Barros, nesta segunda-feira (10/12), ao participar da reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp.

Após receber a notícia da confirmação de proteína contaminada com encefalopatia espongiforme bovina (EEB) – conhecida como mal da vaca louca –, o Japão proibiu no sábado (08/12) as importações de carne bovina brasileira. Segundo Ministério da Saúde japonês, essa é a primeira proibição de importações de carne bovina devido à doença desde dezembro de 2003.

Barros acredita, no entanto, que o incidente não deve afetar as exportações brasileiras. “Do ponto de vista do quadro de oferta mundial, a baixa oferta de carne vermelha dos Estados Unidos tem gerado preços muito altos e isso é uma pressão em todos os países do mundo”, explicou. “Não me parece que têm muitos outros países que possam fornecer carne de qualidade abaixo dos preços norte-americanos. Então, num momento de forte matéria-prima, cedo ou tarde [o mercado] acaba cedendo um pouco mais”, concluiu.

Segundo o especialista, o rebanho de bovinos norte-americano é o menor desde 1950 e, no próximo ano, os EUA devem contar com a menor oferta de bezerros desde 1942. “No caso da carne vermelha, há um desequilíbrio sem precedentes da pecuária norte-americana, sem nenhum exagero midiático”, afirmou. “Na medida em que a arroba nos EUA vai para US$ 80, ela sustenta preços altos no mundo todo.”

O executivo da MB Agro projeta para 2013 um cenário de preço elevado para proteína animal e para a ração, mas acredita que o Brasil deve enfrentar momentos melhores. “Tivemos esse fim de ano uma recessão muito grande da oferta de soja, chegando a preços absurdos, mas alguma acomodação de preços vai vir para o próximo ano, e isso tende a melhorar um pouco as margens do setor”, completou.

Governo mais agressivo

Na avaliação de Barros, o governo foi mais agressivo ao esclarecer para o mundo que a presença do agente causador de EEB foi um problema localizado e não um caso clássico. “A postura do Brasil normalmente é mais passiva”, salientou o sócio-diretor da MB Agro. “É alguma mutação e está longe de ser um fato generalizado”, concluiu.