Artigo: Precisamos falar sobre os idosos

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*Por Daniela Diniz

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Precisamos falar sobre os seniores. Sim, seniores, experientes, idosos, ou como algumas correntes vêm nomeando “talentos grisalhos”. No guarda-chuva da diversidade, esse é um tema ainda ignorado. Ignoramos que em 2020 triplicaremos o número de idosos que tínhamos em 2010. Ignoramos que daqui a 10 anos, as pessoas com mais de 50 anos serão quase 30% da população brasileira. Ignoramos que a expectativa de vida do brasileiro já passou dos 75 anos. Ignoramos que essa população tem ainda muita lenha para queimar.

Apesar de todas as estatísticas mostrarem o avanço da população grisalha e de estudos alertarem para um novo perfil da sociedade brasileira, as empresas seguem – em sua grande maioria – preocupadas apenas em desenhar benefícios, políticas e práticas de atração e carreira com base na força jovem (incluindo aqui as salas coloridas e as mesas de ping pong). A consequência? A fila da experiência só aumenta do lado de fora das companhias. Apenas 25,24% da população economicamente ativa tem mais de 50 anos. Entre as Melhores Empresas para Trabalhar – organizações que são referência em práticas de gestão de pessoas – somente 12% dos funcionários têm entre 45 a 54 anos. Os acima de 55 anos não passam de 3% do quadro total. É pouco. Muito pouco.

Se não incluirmos este tema na agenda corporativa e refletirmos sobre o impacto geracional na nossa força de trabalho, não vamos mudar nosso modelo mental e, consequentemente, não vamos avançar um dedo na nossa retrógrada forma de pensar a vida – dentro e fora da empresa. Vamos continuar dividindo a vida em fases, a carreira em degraus e os cargos em caixas. Vamos continuar separando a vida “profissional” da “vida pessoal” e cumprindo cartilhas gastas de gestão de pessoas. Acontece que no mundo volátil, complexo, ambíguo e incerto não existe mais linearidade. As coisas acontecem ao mesmo tempo e às vezes até de trás para frente.

Portanto, quando dizemos: “precisamos falar sobre os idosos” não se trata de elaborar aqueles programas de preparação para a aposentadoria. Pois não existe mais motivos para preparar alguém para a vida “após o trabalho” – ranço que carregamos ao sermos educados a dividir a vida em fases: nascer, estudar, formar-se, casar, ter filhos, trabalhar, “subir na carreira” e se aposentar (onde morava o imaginário da vida boa e tranquila). Esse modelo não cabe mais na nossa sociedade. Falar sobre os idosos significa preparar QUALQUER PROFISSIONAL para uma longa vida.  Trata-se de repensar o modelo mental para recriar as carreiras fechadas que foram desenhadas apenas para os mais jovens. Trata-se de colocar na pauta este tema, mesmo que seja apenas um primeiro pontapé, como os programas ainda embrionários de algumas empresas que visam contratar pessoas com mais de 55 anos.

“Ah, mas esses programas não passam de ofertas de subemprego para os velhinhos”, dizem alguns. Não importa. Abrir as portas – ainda que seja do atendimento no balcão – para os mais experientes é mudar o estereótipo do mercado de trabalho, acostumado apenas a ver jovens nas lojas, nas lanchonetes, no comércio de uma forma geral. Estou morando nos Estados Unidos por um período e aqui é muito mais comum do que no Brasil encontrar idosos trabalhando – seja nos restaurantes, seja nas clínicas ou nas lojas. Isso porque a busca por profissionais para os serviços há muito tempo deixou de ter o crivo da idade. Portanto, esses estabelecimentos não são considerados mais exceções ou locais especiais – a contratação dos cabelos brancos para essas funções já virou rotina.

Enquanto essa prática não entrar na rotina das empresas, porém, é preciso sim começar por políticas pontuais. A rede Starbucks, no México, por exemplo, anunciou recentemente a abertura de uma loja operada apenas por funcionários mais velhos: entre 60 e 65 anos. A iniciativa ocorreu no Distrito de Coyoacan, na Cidade do México. Os contratados receberão benefícios adicionais aos regulares – como aumento do seguro médico total, dias extras de folga e um dia de trabalho com turno de seis horas e meia – a jornada no México é de 48 horas semanais. No total, o quadro de funcionários soma 14 talentos grisalhos entre baristas, supervisores e especialistas em café, divididos em três turnos. O objetivo da rede é empregar 120 idosos até o final de 2019 no México.

É com iniciativas como essa que começamos a mudar nosso olhar e nosso modelo mental. Enquanto isso não acontecer, vamos continuar dividindo a vida em fases: início, meio e fim de carreira, e apresentar números cada vez mais descolados da nossa sociedade. Por fim, como diz Renato Bernhoeft, um dos pioneiros a trabalhar com transição de gerações e planejamento de sucessão em empresas familiares, “o grande desafio não está no envelhecimento, mas na capacidade de se reinventar” Que nós nos reinventemos — como empresas e como seres humanos.

*Daniela Diniz é diretora de Conteúdo e Eventos do Great Place to Work Brasil e autora do livro Grandes Líderes de Pessoas – a trajetória dos líderes de recursos humanos mais influentes do Brasil. Formada em Jornalismo pela Fundação Cásper Líbero, com MBA em Recursos Humanos pela FIA, atuou por mais de 15 anos como jornalista na Editora Abril.

Cores discute temas de saúde e segurança do trabalhador

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Por Equipe Cores

De acordo com dados do INSS, no ano de 2013 houve no Brasil mais de 710 mil acidentes de trabalho, sendo 14 a cada 15 minutos de uma jornada diária e segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é quarto colocado no ranking mundial de acidentes fatais de trabalho.

Preocupados com dados como esse, o Comitê de Responsabilidade Social (CORES), promoveu no último dia 26 um encontro com representantes da Cosan/Comgás, GE, GE/Latam, Roche, Telefônica-Vivo e On Telecomunicações para discutir a sustentabilidade das empresas e as dificuldades com relação à saúde e a segurança do trabalhador.

O diretor do CORES, Nilton Torres de Bastos, falou sobre a relevância do tema para a indústria, visto que as empresas brasileiras, apesar de estarem cada vez mais comprometidas com a promoção de ambientes de trabalho saudáveis e seguros, continuam encontrando dificuldades e barreiras em vários níveis, como: legislação, tributação, regulamentação, custos com assistência à saúde suplementar, saúde, segurança no trabalho, etc.

Durante a reunião, os participantes apresentaram suas dificuldades e suas expectativas em relação à criação de um grupo de discussões sobre o tema e o diretor Nilton Bastos concluiu que a interação foi muito positiva. “A conversa foi rica, interessante e conseguimos identificar situações e dificuldades comuns à várias empresas”, relata Bastos. O diretor se colocou ainda à disposição para atuar como interlocutor, pois segundo ele, a Fiesp tem condições de desenvolver estudos e projetos, e de influenciar tomadores de decisão, políticas públicas e legisladores.

Os especialistas do comitê, Alberto Ogata e Grácia Fragalá, destacaram também a importância de sensibilizar representantes da CNI e promover uma aproximação com o grupo. Isso poderá ser feito por meio do Conselho Superior Temático de Responsabilidade Social na CNI, do qual o diretor Bastos é integrante.

Para saber mais sobre o grupo de empresas que vão discutir temas de sustentabilidade, entre eles a saúde e segurança no trabalho, envie uma mensagem para ‘cores@fiesp.com’.