Fiesp lança no Congresso MPI sala de apoio à exportação

Bernadete de Aquino, Agência Indusnet Fiesp

Além de recorde de público, com mais de 3.000 inscritos, o 11º Congresso da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp e do Ciesp, realizado nesta segunda-feira (23/5), no Hotel Renaissance, teve o anúncio da criação de uma sala de orientação para quem pretende exportar pela primeira vez ou ampliar o volume exportado. A novidade foi revelada por Milton Bogus, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi). “Mesmo sabendo que a exportação é um longo caminho a ser percorrido, o resultado final será empresas mais bem preparadas para um crescimento sustentável”, afirmou.

Bogus explicou que a iniciativa tem a participação do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) e de outras entidades e será uma ferramenta permanente de apoio à internacionalização das empresas.

Além disso, o 11º Congresso MPI contou com salas de crédito, para facilitar o relacionamento entre empresários e agentes financeiros, e de comunicação e experiências digitais, na qual os parceiros apresentam soluções tecnológicas para aperfeiçoar e ampliar os negócios.

Quanto ao interesse do público, Bogus lembrou que isso resulta do apoio da Fiesp ao empreendedorismo e às indústrias desse porte, enfatizando a firmeza das ações do presidente da entidade, Paulo Skaf, que discursou na abertura do congresso.

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Milton Bogus (dir.) com Paulo Skaf e Guilherme Afif na abertura do 11º Congresso MPI. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Fim das amarras

Também na abertura do evento, o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Guilherme Afif Domingos, defendeu a desburocratização e a luta do setor para se livrar das “amarras” do controle do Estado. “Não adianta só buscarmos o caminho de apoio à criatividade se não atuarmos no ambiente de negócios – e a burocracia do Brasil é hostil ao ambiente de negócios.”

Ao citar o projeto Crescer Sem Medo (PL 125/15), que institui novos limites de faturamento para micro e pequenas empresas do Simples Nacional, Afif pediu mobilização para aprovação da proposta, que será votada no Senado em 1º de junho. “O sistema atual vai condenar as empresas ao nanismo, porque para crescer vai precisar se multiplicar de lado, feito caranguejo, porque se mudar de faixa corre o risco de morrer na próxima.”

De acordo com Afif, foi criado um sistema de rampa “suave”, como no imposto de renda, em que ao mudar de faixa o tributo é cobrado apenas da diferença entre elas. A proposta criava um Simples de transição, em que ao a receita atingir R$ 3,6 milhões entraria numa “rampa suave” antes de chegar ao lucro presumido, de R$ 7,2 milhões que para a indústria. Segundo o presidente do Sebrae, o ideal para a indústria seria de R$ 14,4 milhões. “Apanhamos muito, ficamos contidos, mas vamos ganhar a rampa e o Simples de transição até R$ 4,8 milhões. É o que está proposto, melhor do que nada”.

O deputado estadual Itamar Borges, presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo na Assembleia Legislativa de São Paulo, além de destacar temas trabalhados pelos parlamentares, como implementação do programa de inovação e acesso à tecnologia, guerra fiscal e reforma tributária, pediu apoio de Paulo Skaf à proposta de criação do Plano Estadual de Internacionalização da micro e pequena indústria.

Novos rumos

Após a abertura do Congresso MPI, a futurista Rosa Alegria e o consultor em empreendedorismo Alessandro Saade ministraram palestras sobre o tema “Descobrindo Rumos para Seu Negócio”.

Rosa Alegria disse que estamos vivendo uma congruência de crises social, econômica, política, ambiental, ética, de governança. “Eu me sinto privilegiada de estar assistindo tudo o que está acontecendo de novo”, confessou. Para ela, a crise é boa, e é nela que reside a energia para inovar, para criar empatia. “A gente não se acomoda, a gente tenta se colocar no caminho do outro. As novas economias são todas movidas à empatia”, afirmou.

Com uma apresentação divertida, Alessandro Saade deu várias dicas sobre como driblar problemas e ir em frente com projetos criativos. Usou o curativo como símbolo do empreendedorismo. “Não conheço nenhum empreendedor que não tenha cicatriz, que não tenha errado pelo menos uma vez. Tenho certeza também que nenhum de vocês desistiu de andar de bicicleta depois do primeiro tombo”.

Segundo Saade, existe algo dentro de cada um que faz com que se dê o passo inicial, erre e queira acertar.

Artigo: Sua liderança na gestão traz resultados positivos

Meus caros colegas empresários:  Fico feliz e realizado de escrever este artigo em comemoração aos dez anos do nosso Congresso da Micro e Pequena Industria – MPI. Este evento é a concretização da vontade do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, quando criou o Departamento da Micro, Pequena e Média Industria (Dempi) da federação já antevendo a necessidade de termos uma dedicação exclusiva para empresas deste segmento.

Neste intervalo de tempo alcançamos juntos grandes conquistas, que reverteram em um ambiente mais favorecido para as MPES. Mas como todo empresário de pequena empresa, mata um leão por dia, agora buscamos melhorias focadas na desburocratização da abertura e fechamento de empresas, e, principalmente, no escalonamento do limite do SuperSimples, favorecendo o crescimento sem surpresas das pequenas empresas.

O Dempi sempre teve como foco a melhoria do ambiente empresarial das pequenas e médias empresas, por meio de sua atuação em instâncias legislativas e executivas, na melhoria da capacitação em gestão de negócios, por meio do nosso Programa de Relacionamento com as Instituições de Ensino e Pesquisa, visando aproximar o empresário do mundo acadêmico e vice-versa, da promoção empresarial levando empresários em missões e feiras, e no acesso às melhores alternativas de financiamentos em nosso Programa “Sala de Crédito” composto pelas  Instituições financeiras parceiras.

Após esses dez anos, estamos vivendo novamente um momento de crise, com aumento da inflação e de impostos, com juros altos e crédito em baixa, mas gostaria de lembrar que momentos de crise sempre existiram e sempre vão existir. Ou seja, não faça grandes movimentos neste ano, pois o importante será comandar com sabedoria sua empresa para permanecer viva durante esta tempestade.

Qualquer que seja a empresa e seu segmento, é preciso ter uma estratégia de gestão, com saneamento constante dos seus custos administrativos, insumos e matérias primas, analisando seus fornecedores atuais, e principalmente, renegociar estes custos, inclusive buscando novos fornecedores em outros mercados e regiões, ou mesmo desenvolvendo novos materiais, e para isto o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) tem uma Unidade específica voltada a este desenvolvimento.

Se sua empresa é daquelas que não vive sem clientes, faça uma revisão periódica dos relatórios de suas vendas e resultados, e então, mantenha um diálogo constante com cada um deles buscando identificar quaisquer oportunidades de aumento de vendas, ou renegociação de preços, com sólidos argumentos econômico-financeiros. E claro, o estoque deverá estar sempre com o mínimo necessário, pois estoque parado é custo financeiro, enfim, cuide dos seus indicadores de gestão.

Veja, será um ano difícil para investimentos em inovação ou crescimento produtivo para as pequenas empresas. Evidentemente que as empresas não podem e não devem deixar de inovar, como por exemplo com inovação incremental para redução de custos, e nisto o Senai poderá ser muito útil para identificar oportunidades desta redução de custos, melhoria no planejamento de produção e na capacitação de sua mão de obra, alcançando assim o aumento da produtividade.

Mesmo em cenários de crise a pequena empresa tem a agilidade necessária para buscar alternativas e oportunidades em seu nicho de mercado ou mesmo em outros.  Por isto deve avaliar bem a tendência de seu mercado de atuação, buscando dados e informações setoriais junto ao seu Sindicato patronal filiado à Fiesp, para identificar se deve ser agressiva ou conservadora em suas metas de crescimento com uma visão de longo prazo onde menos é mais.

O ambiente de recessão que a indústria se encontra dificulta os projetos de investimento, pois, para a empresa investir ela precisa de financiamentos com juros baixos ou subsidiados, que estão longe do atual cenário bancário, por isto, deve-se buscar recursos bancários apenas em último caso, e avaliando muito bem quais as linhas que melhor atendam suas necessidades.

Em tempos de vacas magras, cada centavo conta, busque fazer, refazer e acompanhar seu fluxo de caixa, dia a dia, identificando onde estão os gargalos financeiros, onde há perda de receitas, onde seus custos estão crescendo, ou mesmo, onde poderá reduzí-los, sem perdas de produtividade e qualidade, afinal o que conta não é o seu faturamento bruto, e sim o quanto fica no seu caixa de lucro!

Como todos nós sabemos, os temas controle e produtividade são fundamentais para a sobrevivência, mas a ideia de ter atividades controladas pode gerar desconforto, porque transmite-se equivocadamente a impressão de que o negócio ficará ‘engessado’ e, consequentemente, oportunidades poderão ser perdidas, mas é fundamental checar se todas as atividades, desde as administrativas até as operacionais e seus processos, e principalmente os custos envolvidos e os resultados de vendas e de margem de contribuição de cada produto e de cada cliente, estão sendo mensurados, com metas claras, objetivas e acompanhadas de forma rotineira. Com estes controles implementados o empresário poderá corrigir os rumos das atividades internas assim que identificar os desvios nestes indicadores.

Mas todas estas ações não terão resultados positivos se não houver investimento constante de tempo e recursos na motivação e qualificação de sua equipe, principalmente com a redução do quadro de colaboradores que está acontecendo em todas as empresas, pois como já são empresas enxutas, cada colaborador é um elo essencial em seu processo produtivo, desde as compras de matérias primas e insumos até o atendimento pós-venda. Por isto, eles devem ter acesso a tecnologias atualizadas para o crescimento de sua produtividade e principalmente sendo inovadores no seu dia a dia, sendo os “donos” das tarefas as quais são responsáveis. E, claro, mantenha sempre a comunicação aberta e fluida entre você e sua equipe, explicando os motivos de suas decisões sob a ótica do panorama da realidade brasileira.

Para finalizar, convido a todos a estarem conosco no X Congresso da Micro e Pequena Indústria, confira a programação e venha compartilhar este dia de trabalho, interagindo e trocando experiências com o nosso time de palestrantes e demais participantes.

Milton A. Bogus é diretor titular do Dempi na Fiesp