‘Vamos oferecer mais alternativas’, diz presidente do BNDES em evento na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”. A boa notícia foi dada pelo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, na abertura do seminário Desafios e Oportunidades do BNDES para o crédito, realizado na manhã desta sexta-feira (18/05), no Teatro do Sesi, no prédio da Fiesp, em São Paulo. O debate teve a participação do segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho e do diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da federação, Sylvio Gomide.

“Nossa economia está em estado grave, mas nós estamos pensando nas ações certas e numa postura de transparência e diálogo”, disse Oliveira. “Vamos entrar numa nova era: a era dos juros baixos”.

Para o presidente do BNDES, as empresas vivem hoje “um processo de desalavancagem”. “Sabemos da necessidade de melhoria das condições de financiamento”, disse. “Estamos fazendo a digitalização do banco, que vai ser mais ágil e mais flexível”, explicou. “Vamos oferecer mais alternativas”.

Oliveira citou como exemplo uma linha com taxa fixa de 10% ao ano, segundo ele algo sem “semelhante no mercado”. “Temos o BNDES Garagem, para investir em jovens promessas, empreendedores com boas ideias”.

Segundo ele, é importante lembrar que as linhas tradicionais do banco “continuam disponíveis”. “Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”, disse. “Não se assustem se o BNDES ligar para vocês para oferecer alguma oportunidade”, afirmou. “Estamos montando uma ação pró-ativa nesse sentido”.

Outro alvo da atenção do banco, conforme Oliveira, envolve os prazos de financiamento. ”O nosso prazo de financiamento à inovação foi ampliado de 12 para 20 anos”, disse. “Estamos sempre pensando na ampliação dos prazos para não comprometer o fluxo de caixa das empresas”.

Na sequência, Roriz Coelho apresentou a “Pesquisa sobre acesso ao BNDES”, realizada pela Fiesp e feita com 500 indústrias no estado.

“A indústria é um setor crucial para a economia”, disse. “A estimativa é a de que 1% de crescimento na manufatura responda por 1,1% de crescimento na economia”.

Além disso, o setor é o que mais produz e difunde inovações, respondendo por 70% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento no setor privado.

Mesmo diante de tanto potencial, o ambiente de negócios é desfavorável para as indústrias. “O Brasil está em primeiro lugar no ranking das maiores taxas de juros reais, spread bancário, volatilidade cambial e burocracia tributária, entre outras variáveis”, disse.

Já o chamado “custo Brasil” responde por 26,5% do total do preço dos produtos.

“Entre 1995 e 2016 a indústria chegou a representar apenas 11,9% do PIB brasileiro”, disse Roriz Coelho. “A maior queda entre os  20 países com  mais de 40 milhões de habitantes que juntos representam 76% do PIB mundial”.

E as perspectivas não são mais otimistas a curto prazo. “O PIB brasileiro deve crescer menos de 3% em 2018”, afirmou. “Temos um cenário de Incerteza política, um lento aumento de crédito acompanhado de uma pequena redução da taxa de juros, o desemprego elevado”.

Assim, de acordo com a pesquisa, 49% das médias empresas industriais nem tentaram operar com o BNDES.

“Alguns países têm políticas ambiciosas para o desenvolvimento da indústria 4.0, como França, Alemanha, Estados Unidos”, explicou Roriz Coelho. “No Brasil, investir não dá retorno”.

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Workshop na Fiesp mostra desafios para a retomada de investimentos em rodovias

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Responsáveis por 65% da carga transportada no Brasil, as rodovias tiveram seu processo de concessão pego no contrapé com a recessão dos últimos anos. Para discutir a Retomada dos investimentos em rodovias, Fiesp, por meio de seu Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), e Ciesp realizaram workshop nesta quarta-feira (11 de abril), com participação de ABCR, BNDES e EPL. A moderação ficou a cargo de Luiz Felipe Valerim Pinheiro, diretor adjunto do Deinfra.

Na abertura do evento, Pinheiro destacou que apesar de o setor de rodovias talvez ser um dos mais maduros da infraestrutura brasileira em relação à percepção da participação privada, há novos desafios para o setor, como capacidade de investimento e de entrega. “O Brasil está diferente do que era no período anterior de concessões”, afirmou. Houve, lembrou, outorgas concedidas com êxito, mas que não se viabilizaram.

Os riscos já são mais bem compreendidos e tratados contratualmente, explicou. Só que esse conhecimento acumulado não gera processos mais fáceis de concessão, especialmente nos trechos mais longos de rodovias federais.

Adailton Cardoso Dias, diretor de Planejamento da EPL,  vinculada à Secretaria de PPI, explicou a forma de fazer diagnósticos e os resultados do trabalho da empresa.

Dias explicou a matriz de origem e destino, que aponta volume de 2,3 trilhões de toneladas de carga transportada em 2025. Sudeste tem a maior concentração do transporte intrarregional e para o exterior. Conhecendo os gargalos se deve chegar à necessidade de investimento, disse.

Se nada for feito haverá 31.000 km de gargalos de rodovias e ferrovias. O chamado Cenário PNL ocorrerá se for feito o investimento previsto, com redução dos gargalos graças à antecipação de investimento prevista com a renovação antecipada de concessões e a redução da fatia do transporte rodoviário no total.

Para resolver os gargalos é preciso levar em conta a importância estratégica dos corredores considerados, entre outros fatores. A licitação da Ferrovia Norte-Sul é muito importante, explicou, por sua característica de interligar diversas malhas. A 242 e a 080 em Goiás, Mato Grosso e Tocantins também são importantes, por sua ligação com a Norte-Sul.

A ideia é ter atualizações semestrais considerando itens como situação da economia, capacidade de investimento etc. O planejamento considera grupos de carga e identifica a capacidade de cada malha, rodoviária e ferroviária.

O modo rodoviário corresponde a 65% de tudo que é transportado no Brasil, revelou Dias. Há sobrecarga no modal e está em estudo a razão de não haver maior uso por exemplo de cabotagem e hidrovias.

Pinheiro, do Deinfra, destacou da fala de Dias que a EPL tem cumprido a missão para a qual foi constituída. Normalmente relegado a segundo plano, o planejamento é muito necessário, disse Pinheiro. É preciso haver um banco de projetos públicos na prateleira, para evitar os projetos feitos às pressas. A EPL deve ter essa função de criar projetos de forma planejada, defendeu.

Também ressaltou dos estudos da EPL o custo de não fazer o que é necessário. Há uma cultura de considerar somente o quanto custa um projeto, segundo Pinheiro. A ineficiência brasileira pelo predomínio das rodovias na matriz de transporte deve ser ajustada pela integração com outros modais. Os investimentos rodoviários e ferroviários devem ser inteligentes, para que cada um possa representar bem seu papel.

Edson Dalto, gerente do Departamento de Transportes do BNDES, explicou novo modelo para concessões no setor rodoviário, em fase de finalização. Há previsão de concessionamento adicional de 30.000 km. Inclui trechos que não seriam viáveis sem contrapartida pública. Para criar o modelo o BNDES contratou um estudo, chamado FEP Rodovias, que abrangeu cerca de 50.000 km de rodovias, com projeção de demanda em 2045.

Dalto listou problemas em projetos, o que se tem tentado corrigir, como lances agressivos em leilões, projetos com detalhamento insuficiente, frustração de demanda, concentração de funding e riscos concentrados em poucos financiadores. Houve também questões de compliance, evidenciadas pela Lava Jato, deterioração de rating e elevada alavancagem. Dalto falou também sobre o aprimoramento regulatório e destacou o maior detalhamento dos projetos e a obrigatoriedade de contratar gerenciadora/certificadora. Também já é realidade o prazo maior, de 100 dias, entre a publicação do edital e a data do leilão.

Pinheiro destacou o papel do BNDES, ao lado de outros órgãos, para que haja projetos de boa qualidade. Certificação independente é ponto chave, já trivial em projetos de infraestrutura fora do Brasil, lembrou.

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Valerim Pinheiro fala na abertura do workshop Retomada dos Investimentos em Rodovias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Alexandre Barra Vieira, diretor regional da ABCR, apresentou o que chamou de visão das concessionárias. Destacou que a infraestrutura é base para que o Brasil possa crescer, sendo as concessões necessárias porque o governo não tem dinheiro suficiente para os investimentos necessários.

Há 20.000 km aproximadamente de rodovias sob concessão nos níveis federal, estadual e municipal. Vieira defendeu que se separe o joio do trigo, lembrando que há muitos bons exemplos de obras em rodovias sob concessão por construtoras de diferentes portes. Destacou também a robustez da governança de concessionárias.

Segundo Vieira, a terceira etapa de concessões de rodovias federais pode passar por diversos cenários: continuidade, caducidade, relicitação, reprogramação dos investimentos. Havia abundância de recursos financeiros na época da licitação dos contratos da terceira etapa, entre 2012 e 2014, cenário que mudou bruscamente após a assinatura dos contratos. “A reprogramação de investimentos é a melhor solução para os usuários”, disse Vieira. A relicitação pode atrasar por anos e inviabilizar a duplicação de rodovias, prevista na terceira etapa.

A 163, em Mato Grosso, é prioritária, disse Vieira, por sua importância para o escoamento da safra. Ressaltou que representam 50% das concessões federais os trechos da terceira etapa. Só 500 km dos mais de 3.000 km de duplicações previstas foram efetivados. Há o risco de deixarem de ser investidos R$ 12 bilhões.

Segundo Vieira, como desafios do setor estão bons projetos, o fundo garantidor para riscos não gerenciáveis, financiamento de longo prazo com regras claras, marco regulatório claro e permanente, licenciamento ambiental adequado aos contratos, base de pagantes ampliada. Também o aprimoramento das relações entre os órgãos de controle e as concessionárias, além de manter o Congresso Nacional informado sobre o setor e atuando pela sustentabilidade das concessões.

Pinheiro destacou o cenário em que órgãos de controle contestam escolhas do concedente estabelecidas em lei. O controle serve para corrigir erros técnicos, não para fazer escolhas, disse.

4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos

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Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do 4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos.

O evento organizado pela Rede Brasil do Pacto Global com apoio da Fiesp teve como objetivo facilitar o acesso de empresas e organizações aos recursos financeiros e linhas de créditos voltado às mudanças climáticas.




Consic discute investimentos e conflitos no setor da construção

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

A reunião nesta terça-feira (10 de outubro) do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic) teve pauta extensa, que incluiu a discussão de alternativas para a retomada de investimentos no setor, a análise da necessidade de recursos para adequação da infraestrutura brasileira, formas de proteger investidores e o uso de mediação e arbitragem para resolver conflitos.

José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic, relatou reunião em 12 de setembro com o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) de que participou junto como o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, em que foi discutida a necessidade de investimentos na construção. Houve encontro posterior, na Fiesp, em 29 de setembro, para avançar na discussão. Newton Cavalieri, diretor titular adjunto do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), encarregado do relato da nova reunião, disse que já foi formado grupo de trabalho para tratar do assunto.

Entre os temas tratados na reunião na Fiesp estava o distrato, que Oliveira Lima classificou de questão de sobrevivência. Outro tópico foram as obras paralisadas, das quais é difícil até fazer o mapeamento. O ministro determinou o levantamento das prioritárias, para que sejam retomadas, explicou Cavalieri.

Também foi discutido o problema da morosidade na formulação de projetos de licitação de rodovias e ferrovias, para o que foi montado grupo de trabalho integrado por Deconcic e Sinduscon.

O funding foi o quarto assunto, com a busca de alternativas para que a Caixa volte a financiar. Outro problema debatido, a classificação de risco do Estado de São Paulo, C-, que o impede de tomar empréstimos, será resolvido com a mudança da metodologia de cálculo, a ser feito a partir da capacidade de pagamento, no lugar do endividamento.

Oliveira Lima ressaltou que a retomada do emprego começa pelo setor da construção, comentando a liberação de R$ 9,8 bilhões para obras anunciada pelo governo federal.

Manuel Rossitto, vice-presidente do Consic, lançou a ideia de criar o Código de Defesa do Investidor (CDI). Propôs uma discussão madura sobre o tema, que beneficia o consumidor. Não há planejamento que permita haver previsibilidade nos projetos, principalmente quando passa pelo setor público, lembrou ao fazer a proposta. As regras mudam, destacou. “E o que protege o investidor?”

Rossitto relatou também as atividades do grupo de trabalho Competitividade na Indústria da Construção, do qual é coordenador. Listou os temas propostos para seu ciclo de palestras e sugeriu a discussão das mudanças trazidas pela reforma trabalhista a partir de 11 de novembro. Rossitto destacou que uma preocupação demonstrada pelos participantes é a judicialização do setor.

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Reunião de 10 de outubro do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine


Mediação e arbitragem

Luis Alberto Salton Peretti fez apresentação sobre a Câmara de Conciliação, Mediação e Arbitragem Ciesp/Fiesp, da qual é secretário-geral, destacando que ela é um instrumento de resolução de litígios que auxilia os negócios.

Explicou que as partes não são obrigadas a aceitar a arbitragem, mas que uma vez tendo aceitado, são obrigadas a acatar a decisão, que é vinculante, da Câmara.

As vantagens da mediação para a indústria da construção, afirmou Peretti, são que ela custa menos que o processo judicial e a arbitragem, além de permitir soluções criativas. No caso da arbitragem há a possibilidade de escolher um julgador no qual as partes confiem. Também no caso da arbitragem o custo é mais baixo que no Judiciário. Fica em torno de 5% do valor da disputa, enquanto o valor de sucumbência varia de 10% a 20%. E a solução sai em 3 anos, contra mais de 5 na Justiça.

A arbitragem, disse, funciona bem para casos complexos e também para os menores. A Câmara, segundo Peretti, trabalha hoje em 120 casos. Ao longo de seu tempo de atuação, tratou de disputas de R$ 35.000 a R$ 900 milhões.

Crédito para pequenas e médias

Ricardo Albano Dias Rodrigues, chefe de Departamento da Área de Operações Indiretas do BNDES, falou sobre “Investimentos para as atividades da indústria da construção, em especial para as MPE – pequenas e médias empresas”. Explicou que o banco sempre quis e continua a querer apoiar o segmento e falou sobre a necessidade de diversificar os canais de distribuição de seus recursos. O BNDES, afirmou, quer se aproximar dos empresários.

Comentando a apresentação de Rodrigues, Manuel Rossitto destacou a velocidade dos programas do BNDES e disse que há espaço grande para seu crescimento. Ressaltou que a alteração da legislação trabalhista vai criar um gargalo muito rapidamente pela impossibilidade de financiamento de mão de obra. As mudanças tendem a levar a sua formalização.

Serviço é uma trilha a ser percorrida pelo BNDES, disse Rodrigues, concordando com a necessidade citada por Rossitto. “Está muito claro que é a fronteira a ser desbravada.”

Infraestrutura

“Investimento em Infraestrutura – Panorama Atual e Perspectivas” foi o tema da apresentação de Newton Cavalieri, representando o Sinicesp – Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo. Cavalieri disse que o Estado precisa chamar a iniciativa privada para investir. Deu como exemplo o investimento de R$ 52 bilhões a partir do programa de desestatização de ferrovias, de 1996/98.

Lembrou o encolhimento do PIB brasileiro nos últimos anos e comparou o investimento em infraestrutura no Brasil e no mundo, muito desfavorável. Também é baixo o estoque em infraestrutura, que vai ter efeito negativo quando houver o crescimento do país, explicou.

Para se recuperar nessa questão, o Brasil precisa investir durante duas décadas 5% de seu PIB por ano para chegar ao nível ideal em infraestrutura. O governo, defendeu, precisa atrair investimentos, já que não tem capacidade de fazê-los. Há, ressaltou, sobra de dinheiro no mundo. Cavalieri mostrou exemplos em estradas, aeroportos e hidrelétricas da entrada de recursos estrangeiros.

Mas isso não é suficiente, afirmou. É preciso haver planejamento dos investimentos, feito como programa de Estado, para não ficar à mercê de mudanças de governo. Os projetos precisam ter qualidade. O financiamento para a infraestrutura é outro ponto. A troca de indexador dos financiamentos de longo prazo foi dura para o setor, disse. E as agências reguladoras devem ser independentes, com recursos próprios e profissionais capacitados. Os projetos precisam ter tramitação célere. E nas outorgas a sugestão é vincular o recebimento do valor a investimento no mesmo setor.

Quanto ao ambiente favorável aos negócios, precisa, para ser criado, de transparência do Estado em relação a suas ações. “Acreditamos estar no caminho correto”, afirmou.

Cavalieri ressaltou a situação crítica do saneamento básico no Brasil, com 50% da população sem coleta de esgoto e 34% sem acesso a água tratada. Também resumiu o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), com 54 projetos criados e compromisso de R$ 33 bilhões de investimentos e R$ 21,9 bilhões em outorgas obtidas. O projeto Crescer, em andamento, lista 92 empreendimentos e R$ 102 bilhões em investimentos previstos. Tudo isso ainda fica aquém das necessidades para adequação da infraestrutura do país.

Rossitto destacou da apresentação de Cavalieri o diagnóstico de problemas na energia no caso de retomada. Também ressaltou a importância da segurança jurídica e defendeu comprometimento do setor público, com o estabelecimento de prazos.

Renato Giusti, vice-presidente do Consic, conduziu parte da reunião.

Skaf participa de fórum da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, participou nesta quarta-feira (13 de setembro) do XIII Fórum Nacional do Setor de Locação de Veículos, promovido pela Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla). Depois do evento, Skaf disse em entrevista que a Fiesp é contra a volta da contribuição sindical, comumente chamada de imposto sindical. “Somos radicalmente contra qualquer aumento de impostos”, voltou a afirmar.

Skaf defendeu o esclarecimento da sociedade sobre a modernização trabalhista. “Agora é necessário explicar para a população o que aconteceu, as empresas precisam saber quais são as mudanças. É uma coisa muito nova.”

Também disse que será bem-vinda, se implantada, a linha direta de crédito entre empresas e o BNDES, com a eliminação de agentes financeiros como intermediários.

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Paulo Skaf fala no XIII Fórum Nacional do Setor de Locação de Veículos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

BNDES promete menos burocracia e procedimentos mais rápidos

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O IV Seminário Finanças e Financiamento, realizado pela Fiesp nesta quarta-feira (2 de agosto) teve entre seus painéis o de tema Acessando Financiamento e Novos Canais de Comunicação. Nele, Ricardo Luis de Souza Ramos, diretor da Área de Administração e Recursos Humanos, Área de Comércio Exterior e Fundos Garantidores e da Área de Operações Indiretas do BNDES, frisou o compromisso do banco em desburocratizar processos, conhecer melhor o segmento de pequenas e médias empresas e lhes oferecer crédito. Apoio a PME é 40% do BNDES hoje, disse, mas “é complexo o problema do crédito à PME, e o BNDES sozinho não conseguirá resolvê-lo”.

Disse que já se materializaram algumas das novidades do BNDES. O banco, afirmou, melhorou seus processos “tremendamente”, em especial no segmento agrícola, que responde por 25% do total de crédito. A aprovação é automática –antes demorava de 15 a 60 dias. No agrícola agora leva 7 segundos. Em 8 ou 9 meses será assim para todo o sistema, afirmou.

As linhas do Progeren vão aumentar, disse. “Vamos estender para aprovação automática e vamos pré-autorizar a aprovação.” Com a automatização, explicou, há vantagens como, no pedido, já saber o fluxo e o quanto vai ser pago. O sistema é inteligente a aponto de oferecer somente o que está pré-pactuado.

Souza Ramos destacou que empresas de até R$ 3,6 milhões de faturamento anual não precisam de certidão negativa – “não estar no Cadin já ajuda”. O BNDES tem acesso ao Cadin e já faz a liberação, garantindo a operação. Então, ao fazer o pedido, o pretendente já sabe que pode pegar o crédito. Caso haja restrição, o empreendedor é avisado pelo BNDES.

No novo sistema, ainda não amplamente divulgado, somente 15% dos pedidos não foram aprovados – contra a estimativa feita por bancos comerciais de 50% de negativas, afirmou.

Segundo Souza Ramos, o BNDES vai colocar financiamento para exportação no canal. Como há grande número de pedidos para valor muito baixo, o direcionamento para microcrédito será a primeira opção. Também vai melhorar a interface com os agentes financeiros. “Queremos tirar dos bancos a desculpa de que o empresário não é do seu perfil.” Há mais transparência nas operações, que podem ser acompanhadas pelo aplicativo de celular para PMEs, explicou.

Há várias outras medidas de desburocratização já tomadas, em trabalho feito junto com a Febraban. Segundo Souza Ramos, até junho o BNDES não conhecia o universo de PME – basicamente porque ele não chegava diretamente ao banco. Para mudar esse panorama, o BNDES lançou o Canal do Desenvolvedor, para relacionamento direto desse segmento com o banco. “Queremos melhor entendimento sobre ele.” Souza Ramos enfatizou a importância do contato dos empreendedores com o BNDES. “Precisamos de informações”, para poder tratá-las e resolver problemas, disse.

O BNDES de alguma forma tem que atingir o pequeno e médio empresário. A diversificação, com crédito pulverizado, reduz o risco.

Por meio dos canais digitais, com big data e algoritmos de análise, o BNDES pode começar a correr o risco direto. “Olhando os spreads bancários enormes”, disse, “a pergunta é: por que o BNDES não cobra menos e chega a esse mercado?”

“A sociedade cada vez mais cobra mudanças estruturais. Não aceita mais taxas altas”, disse o diretor do BNDES. E uma taxa estruturalmente baixa vai puxar para baixo as taxas do crédito no médio prazo, explicou, afirmando também que os bancos terão que conceder crédito, para ter a rentabilidade esperada por seus acionistas.

“Sempre tivemos problemas com repasses”, disse o diretor do  banco. “O BNDES repassa recursos para potenciais concorrentes”, lembrou. Há um problema adicional atualmente, em razão da atual crise, devido ao risco de crédito –que, afirmou, “aumentou de fato”. Segundo Souza Ramos, o banco está se preparando para lidar com isso. “No momento em que a economia bombar, sei que isso vai funcionar muito bem. E se houver outra crise, o BNDES vai estar mais preparado.”

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IV Seminário Finanças e Financiamento, na Fiesp, teve como destaque o Canal do Desenvolvedor MPME, do BNDES. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Rumo ao futuro

Claudio Miquelin, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, ressaltou que na sala de crédito montada paralelamente ao seminário estavam os bancos realmente comprometidos com o crédito à indústria. “É muito importante que todos olhem para o espelho”, disse Miquelin, para entender eventuais negações ao crédito. “O não pode ser muito bom, para você poder mudar.”

Ricardo José de Almeida, professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), falou sobre ações gerenciais, dividindo sua apresentação entre as que não dependem e as que dependem da conjuntura econômica.

A otimização de capital de giro e do estoque e a alteração do prazo de pagamento aos fornecedores são ações gerenciais que não dependem da conjuntura econômica.

Outras ações dependem da conjuntura econômica, atreladas a uma não tão fácil antecipação do comportamento da demanda. As empresas não conseguem, no Brasil, se antecipar, disse. É preciso ter argumentos para mostrar para o banco que a falta de caixa será compensada com a concretização do aumento de vendas. Para isso é importante ter o orçamento bem feito, frisou.

Quando as vendas forem cair, é preciso ter a coragem de alterar a reposição de estoques.

A terceira ação dependente de conjuntura é comunicar as expectativas aos bancos. Quanto os custos forem aumentar também é preciso ter bons argumentos.

Almeida recomenda, quando houver sobras de caixa, não torrar o dinheiro. E tomar ações para que os bancos considerem o orçamento como base para o crédito.

A professora Dariane Fraga Castanheira, também da Fundação Instituto de Administração (FIA), fez apresentação concentrada na demonstração da capacidade da empresa de gerar valor. É preciso saber se a empresa vai gerar caixa nos próximos anos. Haverá dinheiro para os pagamentos? E os lucros? Defendeu o planejamento financeiro de longo prazo.

Nas planilhas de controle, destacou a necessidade de descontar do lucro líquido o investimento feito e as amortizações. “Proponho que os senhores vejam os números de suas empresas para os próximos três anos. É isso que os bancos querem ver.” Até os funcionários querem saber isso, iniciativa que ajuda a mostrar que a empresa vai gerar valor e vai ter futuro.

“Quanto mais a gente põe os números no papel, ou no excel, mais fácil é enxergar o caminho, seja a receita ou o lucro”, explicou. É importante fazer esse exercício, para os próximos três anos: qual vai ser a receita, o que fazer, quais serão os custos, e as despesas necessárias para vender?

É muito importante saber quanto a empresa vai gerar de caixa nos próximos anos, disse Castanheira. É daí que sairá o lucro do empreendedor, e é isso que será considerado por um potencial investidor. O passado é muito importante, por dar uma linha de tendência, mas é preciso mostrar a geração futura, sabendo quais serão as estratégias e ações para isso.

Também é importante levar para o futuro o balanço patrimonial, a partir de ações de caixa e outras. Há muito que se fazer em cada linha do planejamento financeiro. Mostrar para o banco o valor da empresa é importante na hora de discutir condições de crédito.

Além de planejar, é preciso controlar o funcionamento ao longo do tempo. “Tome as rédeas da sua empresa”, recomendou.

A professora explicou que fez em 249 empresas levantamento que mostra que a formalização integral – societária, gerencial e fiscal – dá às empresas maior expectativa de vida e melhor desempenho financeiro. “Precisa de um mínimo de planejamento”, não importa o tipo e tamanho do negócio, afirmou.

Em resumo, listou sete pontos a considerar:

Defina a missão da empresa;

Estabeleça os objetivos;

Mapeie a situação financeira;

Defina ações para ganhar o jogo;

Elabore o plano financeiro de longo prazo;

Estabeleça metas mensais;

Mantenha o controle: apure o resultado mensal e tome as rédeas.

“Precisamos fazer a lição de casa, que é muito difícil no dia a dia”, disse o moderador do painel, Vicente Manzione, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp, “Precisamos voltar a crescer.”

Troca da TJLP por TLP nos financiamentos do BNDES inibe investimento, mostra pesquisa da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O jornal Valor Econômico publicou nesta sexta-feira (14 de julho) reportagem sobre pesquisa feita pela Fiesp que mostra o efeito nocivo que seria provocado pela troca da TJLP pela TLP nos financiamentos do BNDES.

No levantamento, 66% dos entrevistados disseram que deixariam de investir usando crédito do banco nos próximos 2 anos. “Não é o momento apropriado para discutir a mudança da taxa de juros do BNDES”, disse ao jornal o vice-presidente da Fiesp José Ricardo Roriz Coelho.

A pesquisa também revela que a reação de reduzir os investimentos previstos com a alteração da taxa de juros do BNDES não se concentra em apenas um porte: 65% das pequenas e médias empresas e 70% das grandes reagiriam reduzindo o investimento. Mais de um terço das empresas de todos os portes reduziriam os investimentos em mais de 40% se a TJLP fosse alterada.

Clique aqui para ter acesso à pesquisa.

“BNDES precisa fazer em seis meses o que faria em seis anos”, afirma Skaf

Agência Indusnet Fiesp

Para viabilizar a retomada da economia, “o BNDES precisa fazer em seis meses o que faria em seis anos”, afirmou nesta terça-feira (20 de junho) o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, durante evento no Rio em comemoração ao 65º aniversário do banco. É preciso, disse, que sejam retomadas as liberações de crédito, para investimento e também para capital de giro.

“Alguns setores da indústria caíram 30%”, lembrou Skaf. “Temos que ser realistas. Essas empresas passam por dificuldade e não é por culpa delas. Para retomar crescimento, o que é possível fazer de mais imediato? Crédito”. Segundo o presidente das entidades da indústria paulista, o crédito do BNDES caiu 35% em 2016. “O BNDES estava fazendo caixa. Voltar com essas empresas que estão no sufoco não é uma prioridade? O BNDES precisa fazer em seis meses o que faria em seis anos”, afirmou Skaf.

Para o longo prazo, disse o presidente da Fiesp e do Ciesp, o BNDES precisa dar atenção à nova revolução industrial, com seus novos processos produtivos e tecnologias, estimulando a inovação.

Workshop sobre concessões traça oportunidades de financiamento para novas empresas

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) realizou nesta segunda-feira (5 de junho) o workshop “Concessões para destravar o Brasil”. Mediado pelo diretor adjunto da Divisão de Logística e Transportes da Fiesp, Luís Felipe Valerim Pinheiro, o encontro trouxe para debate pontos críticos dos contratos e do modelo de financiamento de infraestrutura brasileiro, assim como oportunidades de financiamento para novas empresas.

Para a subsecretária de Parcerias e Inovação na Secretaria de Governo do Estado de São Paulo, Karla Bertocco, desde o fim de 2014 ficou claro que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não teria mais o papel que havia tido nos últimos anos. “Não dá para depender só do BNDES, é preciso buscar novos investidores para os projetos do setor”, afirmou. Segunda ela, o Brasil tem que entender que compete com outros países da América Latina por financiamento. “Não é fácil, não é trivial, mas podemos trazer novas fontes de financiamento”, defendeu.

Da Praxys Consultoria Financeira e Negócios, Raphael Vilardi, falou sobre o papel dos fundos de investimentos e dos participantes do mercado mais experientes na realização direta dos projetos no país. Vilardi explicou que, na ausência de agentes que pudessem transformar as demandas existentes em oportunidades, players antigos dos segmentos em questão capitanearam muitos projetos. “Financiamento exige marco regulatório, previsibilidade da economia, aspectos nos quais nós (Brasil) voltamos aos anos 90”, lamentou. Além disso, na visão de Vilardi, os projetos precisam de planejamento intenso, com dados confiáveis, para que as propostas sejam consistentes e competitivas.

Na análise do diretor executivo de project finance em Infraestrutura do Banco Santander, Thiago Figueira, o Brasil deve deixar de ter um setor dependente de transações corporativas, muito alavancadas e com ênfase em financiamento subsidiado para “alguma situação em que as taxas de mercado e do BNDES estejam mais alinhadas” e os segmentos envolvidos comecem a ver um cenário parecido com o que acontece no exterior. Atualmente, o banco espanhol possui uma equipe de 20 pessoas no país para tratar apenas de estudos e projetos em logística e transportes.

Sócio de Arap, Nishi & Uyeda Advogados, Massami Uyeda, afirmou que o mercado de infraestrutura é bastante complexo, mas que tem solução e atratividade. “Precisamos endereçar as tarefas e os desafios a serem realizados”, completou.

Também participaram do evento o Secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelisioni, o sócio da Campos Inovação, Engenharia & Construção (CIEC), José Ayres de Campos, e o superintendente de Garantia da Marsh Brasil, Luís Guilherme Menezes.

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Workshop do Deinfra teve como tema Concessões para Destravar o Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

BNDES explica na Fiesp mudanças no financiamento para o setor de petróleo e gás

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O setor de petróleo de gás tem capacidade muito grande de geração de empregos de boa qualidade, com salários em média superiores em 40% ao da indústria em geral, destacou José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) ao abrir nesta quinta-feira (13 de abril) o seminário Novas Linhas de Financiamento do BNDES para o Setor de Petróleo e Gás.

A informação sobre as mudanças no banco vai ser difundida pela Fiesp e pelo Ciesp, com o envio da apresentação do BNDES às diretorias regionais do Ciesp, disse Roriz Coelho. E Decomtec e Ciesp estão à disposição para esclarecimentos, afirmou.

Luiz André Sá D’Oliveira, chefe do Departamento de Gás e Petróleo do BNDES (Degap), explicou as novas políticas operacionais do banco. Um dos focos da revisão feita na atual gestão do BNDES foi a alocação prioritária de recursos em TJLP para investimentos com maior retorno social que privado. Micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), investimentos em saúde, educação, meio ambiente e exportação são beneficiados.

O foco no projeto substitui o foco no setor. Projetos de petróleo e gás, incluindo infraestrutura para transporte dos produtos, podem se encaixar nas linhas incentivadas com até 80% de financiamento pelo BNDES com TJLP.

A classificação dos projetos começa com o enquadramento, depois da apresentação da proposta pela empresa. O valor gasto a partir do recebimento da carta pelo banco, em caso de aprovação do financiamento, é reembolsável.

A linha Progeren, de capital de giro, isolada, não vinculada a projetos, é oferecida conforme o porte da empresa. Para MPMEs de até R$ 90 milhões de receita bruta, essa linha tem 100% de TJLP. A proporção é de 50% TJLP/50% mercado para as empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões, e juros de mercado acima disso.

Para empresas com relação dívida líquida/ebtida acima de 4 se exige fiança bancária. Abaixo disso, garantia real de 130% e fiança pessoal do tomador.

O custo das operações diretas do BNDES inclui o custo financeiro (TJLP ou Selic), a remuneração básica do banco, de 1,7%, único para todos os setores, mais a taxa de risco de crédito, calculada para cada operação (de 0,5% a 4,86%).

Nas operações indiretas o spread do agente financeiro e a taxa de intermediação substituem a taxa de risco de crédito do BNDES.

Requisitos para o beneficiário são capacidade de pagamento, cadastro comercial satisfatório, obrigações fiscais e previdenciárias em dia, ausência de pendências com o BNDES, dispor de garantias (que podem ser fiança bancária) para cobrir o risco da operação, cumprimento das disposições ambientais.

Durante a carência, ou seja, o período de investimentos no projeto, a distribuição de dividendos fica limitada a 25% do lucro líquido.

O Degap, setor de petróleo e gás do BNDES, de 2010 a 2014 teve período de boom, mas a partir de 2014, com a queda dos preços internacionais do petróleo e a crise, houve redução dos desembolsos. Há um início, muito leve, de recuperação no financiamento, disse D’Oliveira.

Para a cadeia de fornecedores, houve bastante investimento em subsea em 2013 e 2014, natural devido ao avanço do pré-sal.

D’Oliveira explicou que mudou a classificação do porte das empresas. São consideradas MPMEs as que faturam até R$ 300 milhões por ano (micros até R$ 360 mil, e pequenas, R$ 3,6 milhões).

Os desembolsos cresceram muito entre 2007 e 2008 e 2015, de forma anticíclica, caindo a partir de 2015 por efeito da crise.

Os financiamentos podem ser diretos –a partir de R$ 20 milhões- ou feitos via bancos comerciais (que assumem o risco da empresa, ficando para o BNDES o risco do banco).

Seu departamento também cuida da navegação de cabotagem, disse. Vinculado ao Ministério do Planejamento, o BNDES é 100% estatal. Seu departamento fica vinculado à Diretoria de Produtos e Serviços, que inclui as indústrias de base (petróleo e gás, mineração e metalurgia, papel e celulose e outros).

Reunião em que o BNDES explicou mudanças operacionais a empresários do setor de petróleo e gás. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Reunião em que o BNDES explicou mudanças operacionais a empresários do setor de petróleo e gás. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Recuo do PIB mostra urgência em reduzir juros e estimular o crédito, afirma Skaf

Agência Indusnet Fiesp

Os números divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (7/3) mostram recuo de 0,9% do PIB brasileiro no 4º trimestre de 2016 em relação ao trimestre anterior. E os dados fechados do ano confirmam que o país passa pela pior crise desde a década de 1930, com um encolhimento acumulado da economia de 7,2% em 2015 e 2016.

Para 2017, a Fiesp projeta crescimento de 0,8% do PIB, desde que haja condições para uma recuperação com força da atividade. Não dá para perder o momento, com sinais positivos, como a geração de empregos em janeiro, a queda acentuada da inflação e a recuperação da confiança pelos empresários.

“Para aproveitar esse vento favorável, é urgente incentivar o investimento na produção, o que só vai acontecer com a redução mais acelerada das taxas de juros e com o aumento da oferta de crédito”, afirma Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp.

A diferença entre a taxa básica de juros e a inflação está absurdamente alta, e a principal fonte de financiamento do investimento produtivo – o BNDES – está paralisada, não dando às empresas o crédito necessário para a retomada da atividade. Outros bancos também restringem novos empréstimos. Sem crédito em condições viáveis, não há como investir na produção.

“É hora de soltar as velas e deixar o barco navegar de novo. Vencidas as ondas próximas da praia, a viagem deverá ser tranquila, graças às reformas estruturais em curso, como o limite de crescimento dos gastos do Governo, já aprovado, a mudança da lei do petróleo, a reforma tributária e a modernização da legislação trabalhista”, conclui Skaf.

BNDES apresenta nova estrutura e programas para a área da saúde

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O chefe do Departamento do Complexo Industrial e Serviço de Saúde (Deciss) do BNDES, João Paulo Pieroni, apresentou os novos programas de inovação do banco, durante evento promovido pelo Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaúde) no dia 7 de fevereiro, na sede da entidade.

Pieroni também mostrou as novas condições de financiamento e recursos, condições e garantias que impactarão os processos na área da saúde. O objetivo do encontro foi proporcionar aos participantes oportunidades de começar o ano entendendo as novidades na área da saúde dentro do BNDES. “Agora a indústria e prestadores de serviço fazem parte da mesma estrutura”, afirmou.

Também participaram da reunião o coordenador titular do ComSaúde, Ruy Baumer; o coordenador titular adjunto do ComSaúde e presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados – Anahp, Francisco Balestrin, do coordenador titular adjunto do ComSaúde e superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos – Abimo; e do Coordenador Titular Adjunto do ComSaúde e Superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos e Odontológicos (Abimo), Paulo Henrique Fraccaro.

Clique aqui para ter acesso à apresentação do BNDES.

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Reunião do ComSaúde, da Fiesp, com o BNDES. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

BNDES anuncia medidas de apoio às micro, pequenas e médias empresas

Agência Indusnet Fiesp

Diante do trabalho da Fiesp em apresentar ao Governo Federal e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) uma agenda de propostas para ajudar a empresas a enfrentarem a crise econômica, o BNDES anunciou, no dia 13 de dezembro, medidas de apoio para micro, pequenas e médias empresas (MPME’s). São ações que o banco colocará em prática a partir de 2017.

As medidas mais importantes anunciadas são as seguintes:

Unificação das condições financeiras. Todo o apoio financeiro a projetos de investimento e aquisição de máquinas e equipamentos para este público, contratados por meio dos produtos BNDES FINEM, BNDES Automático e BNDES Finame, terão participação máxima de 80% de TJLP, condição de crédito mais favorável do Banco. Anteriormente, esse percentual variava entre 50% e 80%, dependendo do programa.

Classificação de porte. O BNDES ampliará de R$ 90 milhões para R$ 300 milhões, com base nos valores de Receita Operacional Bruta (ROB), o limite para enquadramento das MPME’s. Segundo o BNDES, já em 2017, aproximadamente 1.500 empresas poderão obter financiamento do BNDES em melhores condições.

Maior prazo do BNDES Finame. Para as MPME’s, os financiamentos contratados através do BNDES Finame terão prazo máximo de pagamento ampliado de cinco para até dez anos.

Capital de giro – O BNDES oferecerá o Programa BNDES de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren), já disponível na modalidade indireta automática, também na modalidade direta, sem a intermediação de agentes financeiros.

BNDES Moderfrota – Os Ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Fazenda (MF) deverão autorizar um reforço de R$ 2 bilhões no orçamento do BNDES no Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (BNDES Moderfrota). A linha do programa é voltada para produtores rurais com renda anual de atividades agropecuárias de até R$ 90 milhões.

Garantia com o FGI – Em operações contratadas com pequenas e médias empresas em linhas de crédito dos próprios agentes financeiros habilitados, a cobertura máxima do valor financiado foi elevada de 50% para 70% e foi permitida a possibilidade de garantia em financiamentos voltados exclusivamente a capital de giro. Também estão sendo revisados, com previsão de implantação até janeiro de 2017, os limites do FGI para dispensa de exigência de garantias, facilitando o acesso das MPMEs ao crédito.

Refinanciamento – Serão ampliadas, em fevereiro de 2017, as opções de refinanciamento de saldos vencidos e a vencer de operações contratadas com o BNDES, incluídas as do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI), encerrado em dezembro de 2015. Esse refinanciamento será feito em TJLP e não às taxas fixas originais do PSI.

Novo limite do Cartão BNDES – Já em janeiro de 2017, as MPME’s contarão com a elevação do limite máximo do Cartão BNDES de R$ 1 milhão para R$ 2 milhões por agente financeiro emissor. O produto — uma linha de crédito rotativa e pré-aprovada com pagamento em até 48 prestações mensais fixas — poderá ser obtido por MPMEs com ROB de até R$ 300 milhões.

Outras ações também foram anunciadas para 2017, como o lançamento de um portal exclusivo para MPME’s. O objetivo é facilitar a comunicação e consulta aos produtos do banco e ampliar a automatização dos processos concessão de crédito das operações indiretas automáticas. Está previsto ainda o lançamento do Cartão BNDES Agro.

Para saber mais sobre as medidas, é só acessar o site do BNDES:  www.bndes.gov.br.

Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES

Caros,

No dia 25 de outubro, o Departamento de Competitividade e Tecnologia – DECOMTEC – realizou o Seminário “Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES”, que também contou com a participação do Diretor Titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria, Sr. Milton Antonio Bogus, e com especialistas do BNDES, que tiraram dúvidas sobre o funcionamento do BNDES-Progeren, Refin-PSI, Programa de Revitalização de Ativos Produtivos e outras linhas de financiamento do BNDES.

No primeiro bloco do seminário, os especialistas, Carlos Alberto Vianna Costa e Tiago Luiz Cabral Peroba, discorreram sobre as formas de Apoio do BNDES ao Setor Industrial:

  • Apoio ao Capital de Giro
  • Apoio à Renegociação de dívidas
  • Apoio ao Setor Industrial
  • Credenciamento de Fabricantes e Produtos

No segundo bloco do seminário, os especialistas, Roberto Julio da Trindade Junior e Tatiana de Oliveira Lemos, explicaram o funcionamento do Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos.

Por fim, foi efetuado um último bloco com perguntas da plateia aos palestrantes do BNDES. Oportunidade para sanarem eventuais dúvidas, como para apresentarem as dificuldades enfrentadas pelas empresas na busca pelo crédito.

O evento é mais uma realização da FIESP para apoiar as empresas da indústria a buscarem soluções para o enfrentamento da mais grave crise econômica de nossa história.

Para acessar as apresentações do BNDES efetuadas no seminário, basta clicar nos links ao lado.

Atenciosamente,

José Ricardo Roriz Coelho

Vice-Presidente da FIESP

Diretor Titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP

Propostas prioritárias para o BNDES

As empresas de todos os setores estão enfrentando graves problemas financeiros. Nos cinco primeiros meses de 2016 ante mesmo período de 2015, os pedidos de falência e de recuperação judicial cresceram 5,5% e 95,1%, respectivamente. Além disso, metade das empresas não têm gerado caixa suficiente para as despesas financeiras.

Afim de resolver esse problema, foi apresentada um conjunto de propostas ao BNDES sobre essa questão.

Os recursos do BNDES devem ser aplicados em:

  1. Plano de Recuperação Econômico-Financeiro das Empresas (capital de giro, debêntures, restruturação de empresas)
  2. Refinanciamento de Dívidas Vencidas com o BNDES
  3. Financiamento às MPMEs (Cartão BNDES, desburocratização, desconcentração dos repasses dos bancos)

Em seminário na Fiesp, BNDES explica novas diretrizes e tira dúvidas sobre financiamento

Agência Indusnet Fiesp

Técnicos do BNDES participaram nesta terça-feira de seminário na Fiesp para explicar as novas diretrizes do banco, que tem como meta priorizar micro, pequenas e médias empresas, e explicar suas linhas de financiamento. Avalia-se também a ampliação do uso do Cartão BNDES para outras finalidades, como o financiamento à exportação, à agropecuária e ao microcrédito. José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia, abriu o seminário relembrando discussão promovida pela Fiesp sobre formas de baixar a taxa de juros no Brasil. As explicações usuais para as razões para o elevado nível dos juros não se sustentam, disse.

“Hoje é claro para todo mundo que o principal problema para as empresas é capital de giro”, afirmou Roriz. “As empresas estão sem dinheiro para pagar impostos e até para demitir.” O acesso ao crédito é a maior dificuldade. Fora o risco, há outros problemas que devem ser discutidos, lembrou.

É preciso, afirmou, voltar a investir e a crescer – e que esse crescimento resulte na criação de empregos. “Para fazer voltar o investimento precisamos fazer alguma coisa muito forte, contundente, talvez até diferente. Fazer o feijão com arroz não adianta mais.”

A participação do BNDES no PIB é similar à da China e da Alemanha, perto de 12%, explicou Roriz, mas o banco brasileiro concentra maior share do crédito privado. Acesso da pequena e média empresa aos financiamentos do BNDES é difícil, disse. A intenção do seminário, afirmou Roriz, era mostrar o que fazer para a frente. A ideia é saber a agenda do possível, disse, mas isso tem que ser rápido. “É hora, no seminário, de fazer críticas construtivas.” No encerramento, Roriz sugeriu novo seminário, talvez três meses depois, para acompanhar a evolução dos pontos discutidos, proposta aceita pelo BNDES.

Milton Antonio Bogus, diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi), lembrou da dificuldade, devido ao Cadin (Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal), de obtenção de crédito. Há um pedido, explicou, feito junto ao BNDES, para suspender por dois anos a exigência, algo que já foi feito no passado.

Carlos Alberto Vianna, Chefe do Departamento de Relacionamento Institucional e Gestão do Crédito Rural do BNDES, disse que está em construção no banco uma agenda positiva. Há disse, uma série de medidas em análise para melhorar as condições de renegociação de dívidas, especialmente para as micro, pequenas e médias empresas. Estuda-se inclusive a renegociação de parcelas vencidas do Refin-PSI. Tenta-se com o governo uma solução para a dispensa de CND (Certidão Negativa de Débitos) para dívidas de INSS. Há um engajamento do BNDES nesse sentido, disse.

Tiago Peroba, Gerente no Departamento de Relacionamento Institucional e Gestão do Crédito Rural do BNDES, apresentou as linhas disponíveis para o setor industrial. BNDES Automático, Cartão e BNDES Finame. Explicou a diferença entre os produtos de prateleira, que são perenes e não têm dotação pré-definida, e os programas, com duração e dotação pré-definidas, em condições que podem ser melhores.

Roberto Trindade, gerente no Departamento Jurídico da Área de Crédito do BNDES, explicou o Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos. Com R$ 5 bilhões, é emergencial e tem vigência até 31 de agosto de 2017. Demonstra de forma bastante clara o esforço feito pelo banco para auxiliar os empresários neste momento de crise, disse.

Depois da apresentação houve uma série de perguntas e sugestões feitas pelo público. Uma delas foi a respeito do programa MPE Aprendiz, que gerou dúvidas a respeito de ser necessário ter aprendizes contratados no momento do pedido da linha. O esclarecimento do BNDES foi que não – a contratação pode ser posterior.

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Seminário na Fiesp apresentou novas diretrizes do BNDES e tirou dúvidas sobre suas linhas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Em reunião com presidente do BNDES, Skaf defende ações para devolver competitividade à indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Durante reunião nesta terça-feira (18/10) com a presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que há necessidade de criar condições mínimas para o funcionamento das indústrias, com crédito, com juros mais baixos, com câmbio num nível que permita a competitividade. O BNDES, disse Skaf, tem papel fundamental, como banco de fomento, de desenvolvimento econômico e social.

O presidente da Fiesp e do Ciesp lamentou a situação do país. “O Brasil não merece a situação atual, com 12 milhões de desempregados”, disse. “Como já está nela, não adianta olhar para trás. Temos que olhar para a frente.” Lembrou, no entanto, que já houve melhoras importantes. “A confiança foi recuperada, e vai se recuperar mais depois da PEC [241, de teto de crescimento das despesas do governo], depois da reforma da Previdência”, disse.

Skaf destacou o apoio dado pela indústria à PEC 241, por entender que o equilíbrio é essencial. “Não se pode permitir que o país morra na praia”, disse, antes de agradecer a visita de Maria Silvia.

Na reunião, o vice-presidente da Fiesp e diretor titular de seu Departamento de Competitividade e Tecnologia, José Ricardo Roriz Coelho, ressaltou que todos querem o crescimento econômico, mas a situação atual é difícil, com altas taxas de juros e consumidores sem propensão a gastar. O problema maior, disse, é a alavancagem das empresas. Segundo Roriz, a grande tarefa é fazer que elas voltem a ter saúde econômica. Defendeu, como proposta urgente para a atuação do BNDES, que o banco forneça crédito para o capital de giro, para evitar o colapso das empresas. Outras propostas são:

Não devolução antecipada de recursos ao Tesouro Nacional;

Participação do BNDES no lançamento de debêntures de empresas com excessiva alavancagem;

Financiamento para reestruturação de empresas;

Refinanciamento de dívidas vencidas com o BNDES e financiamento às micro, pequenas e médias empresas;

Atuação do BNDES junto aos bancos para recuperar a concessão de credito;

Voltar aos índices de conteúdo local, de 60%, para operação de financiamento do BNDES.

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Maria Silvia Bastos Marques, presidente do BNDES, durante reunião com empresários na sede da Fiesp e do Ciesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


O BNDES

Maria Silvia Bastos Marques disse na reunião que o papel do BNDES tem sido muito discutido neste momento de ajuste fiscal. O objetivo, afirmou, é que o país viva a estabilidade macroeconômica. E há uma escassez de recursos públicos, lembrou, defendendo a importância do retorno social dos investimentos.

Em sua visão, o banco deve ter no futuro papel mais de garantidor que de financiador, permitindo que haja um verdadeiro mercado de debêntures. Estão em discussão instrumentos que vão permitir isso, afirmou.

Inovação e produtividade, em que o Brasil fica atrás de países semelhantes a nós, são pontos importantes. “Qual é a forma mais efetiva de fazer o apoio à inovação? Não sabemos a resposta”, disse Maria Silvia, ressaltando que é um tema sobre o qual a nova diretoria tem se debruçado.

Segundo a presidente do BNDES, a infraestrutura logística e urbana é essencial para a competitividade. Acabar com esse gargalo é urgente, disse. Saneamento é prioridade, por ser viável, ter impacto social e gerar empregos, explicou. A atuação, ao lado da Caixa Econômica Federal, será conjunta com Estados que se interessarem, com a meta de universalização.

O banco, explicou Maria Silvia, voltou a ter papel central nas concessões. Vai atuar no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) desde a contratação de estudos até a assinatura do contrato. Para isso o banco vai se valer de consultores.

Ela destacou a importância de micro, pequenas e médias empresas. Em relação a elas, o BNDES poderia fazer muito mais, disse. O banco procura alternativas para aumentar sua capilaridade e atender melhor o segmento. Uma das medidas para isso será retomar os postos avançados nos Estados, anunciou. “Se pudermos ter presença física, mesmo que pequena, ajuda.”

Em workshop na Fiesp, palestrantes criticam timing político na elaboração de projetos de infraestrutura

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Os problemas em relação à qualidade dos projetos de infraestrutura desenvolvidos eminentemente pelo poder público foram um dos motes discutidos durante o “Workshop Logística e Transporte – Qualidade de projetos e financiamento: como alavancar o investimento em infraestrutura”, nesta terça-feira (15/3), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Luís Felipe Valerim Pinheiro, diretor da Divisão de Logística e Transporte do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), afirmou que os projetos públicos não valorizam a técnica, sendo entregues de forma ruim e inadequada. “Com isso, temos todos os problemas de execução em relação à quebra de cronograma, sobrepreço, aditivos etc”, comentou.

Pinheiro criticou também o timing político, que leva a prazos extremamente apertados para a entrega de projetos, para cumprir intenções políticas. “Os projetos são priorizados e colocados no mercado segundo um timing político, que é muito curto para projetos de infraestrutura, então aí temos o caos instaurado”, afirmou. Segundo ele, são dois lados: o de um projeto de baixa qualidade, não executado em preço e prazo, devido ao poder público, e o outro lado da insanidade na elaboração dos projetos em timing muito apertados. “Não dá tempo, não há sofisticação suficiente, não há boa elaboração e gerenciamento de projetos”.

Marcelo Bruto, diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), comentou sobre projetos em processo de concessão, que, segundo ele, têm tido grandes avanços, como o uso de Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI), e apresentou um balanço do que já tem sido feito e os próximos passos no que diz respeito aos projetos aprovados ou em processo de aprovação. Para ele, o uso de PMI é controverso e tem prós e contras. “A PMI antecipa e muito a interação do poder público com o setor privado em se encontrar soluções e projetos viáveis. O outro lado disso é que leva tempo, existe uma demora. Há um processo de aprendizagem e custo, pode ser que isso melhore, mas a experiência tem mostrado que há ganhos, apesar da demora”, disse.

Em relação à estruturação de projetos, Bruto acredita que há um avanço significativo com o uso de PMI, mas que de forma geral é preciso melhorar essa estruturação. “Já passou do tempo de revermos a forma de contratação de estudos e projetos.” O palestrante apontou ainda a necessidade de financiamento privado para projetos de infraestrutura, mais segurança jurídica para a atração de novos investidores e previsão de prazos e procedimentos.

Para Bruno Martinello Lima, secretário de Fiscalização de Infraestrutura do Tribunal de Contas da União (TCU), mais do que nunca o contexto atual faz necessária essa reflexão de como alavancar investimentos em infraestrutura, e apresentou projetos no âmbito do TCU. “A nossa missão estabelecida é aprimorar a administração pública em benefício da sociedade por meio do controle externo, então todas as ações do Tribunal são voltadas para alcançar essa missão, com o objetivo final de beneficiar a sociedade”, afirmou.

Lima apresentou tipos de irregularidades, diferenças entre obras públicas e privadas, prazos de análise e estatísticas das fiscalizações do TCU e comentou sobre a qualidade dos projetos. Para ele, projetos com falta de planejamento acontecem mais por urgência do que por erros cometidos e é preciso um detalhamento completo. “A falta de planejamento para contratação e prazos muito curtos para a elaboração de projetos acabam levando a um projeto deficiente, sem estudos”, disse.

O gerente do Departamento de Transportes e Logística do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Edson Dalto, explicou como o banco financia a infraestrutura logística, apresentou perspectivas de desenvolvimento, estrutura do financiamento a concessões e condições para financiar infraestrutura e política organizacional. “O BNDES busca tornar projetos viáveis financeiramente. O setor de infraestrutura sempre teve uma participação significativa na economia do país, e tem uma tendência de crescimento de acordo com os últimos anos. Logística, energia, energias alternativas, telecomunicações, saneamento, mobilidade urbana, tudo isso é infraestrutura em sua forma mais ampla”, afirmou Dalto.

Sérgio Guedelha, sócio da Guedelha e Associados, falou sobre a qualidade na gestão de projetos e também criticou os prazos muito apertados. “Pedem um prazo muito curto, com um custo muito baixo e um escopo gigantesco. Isso acaba não dando certo, e o resultado é um número enorme de obras e projetos paralisados, além do desperdício de recursos”, disse Guedelha. O palestrante mostrou exemplos de projetos bem-sucedidos, mas apresentou também algumas constatações que mostravam os motivos das falhas de projetos, como engenharia insuficiente, licitações sem projeto executivo, prazos políticos ou irreais, extrema dificuldade de obtenção de consenso e falta de adoção de metodologia na gestão de projetos.

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Workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp que discutiu qualidade de projetos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Luciano Coutinho se compromete a estudar proposta para usinas apresentada por empresária de Sertãzinho

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Reunião de empresários da Fiesp e do Ciesp com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, mostrou-se o lugar certo para uma proposta da empresária Maria Conceição Ferreira Turini, de Sertãozinho (SP) que pode atenuar a perda de empregos em sua região. Ela fez um apelo ao presidente do BNDES para que considerasse conceder uma linha de crédito ao seu projeto de retrofit para usinas de cana-de-açúcar.

Segundo ela, o projeto consiste na modernização de usinas para a produção e venda de energia a partir do bagaço da cana. O investimento varia conforme o porte e nível técnico de cada usina.

Maria Conceição Ferreira Turini, presidente da Fertron Automação, entrega projeto de retrofit ao presidente BNDES, Luciano Coutinho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Maria Conceição Ferreira Turini, presidente da Fertron Automação, entrega projeto de retrofit ao presidente BNDES, Luciano Coutinho. Foto: Everton Amaro/Fiesp


“Tem projeto que pode custar R$7 milhões e outros de até R$ 100 milhões”, disse Maria Conceição, presidente da Fertron Automação e Elétrica Industrial.

De acordo com cálculos da empresária, a indústria da região já registrou uma perda de aproximadamente dois mil empregos de janeiro até agosto deste ano.

“Se esse ano saíssem 15 projetos, a cidade de Sertãozinho iria minimizar a questão do desemprego”, completou.

Encontro marcado

Ao dar o seu depoimento durante a reunião da Fiesp e do Ciesp, Maria Conceição conseguiu entregar em mãos o projeto de retrofit de sua empresa para Coutinho. O presidente do BNDES se comprometeu a se reunir com a empresária.

Em contato com a assessoria de Coutinho, o encontro ficou marcado para a próxima semana. “Senti muita firmeza da parte dele. Acho que gente conseguiu sensibilizá-lo”, declarou Maria Conceição.