Piloto da Força Aérea Real Britânica apresenta projeto do carro mais rápido do mundo em escola do Senai-SP no Ipiranga

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ele tem o comprimento de um ônibus londrino, daqueles vermelhos que fazem a festa dos turistas na capital britânica. Pesa 7,5 toneladas e é capaz de atingir uma velocidade de 1,6 mil quilômetros por hora com os seus 135 mil cavalos de potência. Ou seja, é mais rápido do que uma bala. Misto de carro e avião, o Bloodhound foi apresentado, na noite desta quinta-feira (21/11) na Escola Senai “Conde José Vicente de Azevedo”, no bairro do Ipiranga, na capital paulista. O evento, coordenado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e pela Rede Britânica de Ciência e Inovação, teve a participação do ministro-adjunto dos Transportes da Inglaterra, Robert Goodwill, e do comandante da Força Aérea Real Britânica (RAF), Andrew Green, o único piloto supersônico do mundo.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540028313

Andrew Green: Bloodhound não é apenas um recorde mundial, mas um programa de educação”. Foto: Isabela Barros/Fiesp


Diante de uma plateia formada principalmente por estudantes e professores do Senai-SP, Andrew Green explicou que o projeto Bloodhound, cujo nome é inspirado numa raça de cachorro, vai muito além de superar a velocidade do som. “O Bloodhound não é apenas um recorde mundial, mas um programa de educação”, disse. “A partir das pesquisas do supersônico, damos aulas para alunos de 5,5 mil escolas do Reino Unido”.

De acordo com o comandante, é muito mais fácil atrair a atenção dos pequenos para temas como a Lei do Movimento de Newton a partir das peripécias do Bloodhound. Como o fato de que é difícil “deixar no chão” o super carro. Isso por conta da necessidade de equilibrar variáveis como potência, força e pressão numa estrutura tão sofisticada e pesada. Para se ter ideia, o Bloodhound tem a potência de todos os carros da Fórmula 1 multiplicados por seis.

“A nossa estimativa é de realizar mais testes nos próximos dois anos, colocando em uso o carro”, explicou.

E por falar em testes, o piloto explicou que quaisquer experimentos com o veículo pedem cuidados especiais, já que, a partir de 1 mil quilômetros por hora, “as ondas de choque já movimentam poeira ao redor”. Assim, para evitar acidentes, é melhor não ter espectadores nas proximidades. “Acho que, durante os testes, vamos deixar todo mundo longe”, afirmou. “Perto, só os jornalistas”, brincou.

A cabine

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540028313

Andrew Green: “Não temos nada parecido com o Senai-SP na Inglaterra”. Foto: Isabela Barros/Fiesp

Para pilotar a carro mais rápido do mundo, Green fica instalado numa cabine feita de fibra de carbono, material do qual é feita também “toda a parte da frente” do veículo. Para ajudar a registrar todos os passos do Bloodhound, há 12 câmeras de alta definição instaladas. “A minha lição de casa é vista por todo mundo”, disse.

O comandante da Força Aérea Real Britânica aproveitou a visita para elogiar o trabalho do Senai-SP. “Não temos nada parecido com o Senai-SP na Inglaterra”, afirmou.

Além das autoridades britânicas, participaram da apresentação o diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) Thomaz Zanotto, e o diretor de relações externas do Senai-SP, Roberto Monteiro Spada.

“Para a Fiesp, a competitividade é um dos maiores desafios da indústria e da economia”, disse Zanotto. “Acreditamos que o que vocês estão fazendo é exatamente aquilo de que precisamos: investir em inovação”.

Para Spada, a visita dos britânicos foi “muito importante” e está de acordo com a missão de desenvolvimento educacional do Senai-SP. “Trabalhamos para manter a indústria competitiva”.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540028313

Bloodhound: pesando 7,5 toneladas, pode atingir velocidade de 1,6 mil quilômetros por hora com 135 mil cavalos de potência. Imagem: Divulgação