Senai-SP Superação: ‘Me mandavam parar e eu não parava’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Professor da Escola Senai João Martins Coube, em Bauru, Ezequiel Martins Vieira nunca conheceu aluno mais determinado. Humilde, cheio de vontade e muito ligado ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Thiago Augusto Blanco da Costa tinha uma meta e dela não desistiu. Disposto a superar todos os resultados já obtidos pela instituição na modalidade de Aplicação e Revestimento Cerâmico na WorldSkills, maior competição da educação profissional no mundo, ele não parou até chegar lá, levando a medalha de ouro na prova em 2015, quando a disputa foi realizada na capital paulista, com estudantes de mais de 50 países.

“O Thiago é muito focado, largou tudo para se preparar para a WorldSkills”, lembra Vieira.

Tendo ingressado no curso técnico de Edificações da unidade de Bauru em 2012, ele queria realizar o sonho do avô, Manoel, que sempre quis ser engenheiro. “Estudar Edificações seria o primeiro passo para isso”, diz. “Meu avô chegou a entrar na universidade e estudar por três anos, mas não conseguiu se formar. Queria ser um reflexo dele, atingir esse objetivo”, conta ele, hoje estudante de Engenharia.

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Thiago: estudante de Engenharia para realizar um sonho que era do avô e hoje também é dele. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em seu segundo mês como aluno do Senai-SP, Thiago foi estimulado pelos professores a se preparar para as competições na área em âmbito estadual (São Paulo Skills), nacional (Olimpíada do Conhecimento) e internacional (WorldSkills). Não parou mais. “Treinei um ano direto para a Olimpíada do Conhecimento, mesmo pegando dengue duas vezes e sentindo dores fortes no nervo ciático nesse período”, lembra. “Além disso, tinha que lidar com a cobrança da minha mãe para trabalhar e ajudar nas contas da casa”, diz. “Me mandavam parar e eu não parava”.

No topo entre os alunos brasileiros na sua modalidade, com a medalha de ouro, só restava encarar a disputa internacional. Com o apoio do Senai, ele ficou um ano em Brasília (DF) se preparando para o torneio. “Tinha passagens para voltar para casa a cada 15 dias, mas voltava uma vez por mês ou a cada dois meses, para não me desligar muito do treinamento”, diz. Uma jornada que ia das 7h às 22h de segunda a sexta e das 7h às 17h aos sábados.

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Thiago no pódio da WorldSkills 2015: poucas pausas no treinamento e foco na vitória. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Vitória alcançada, foi contratado como trainee pelo Senai-SP. Além de pagar a faculdade de Engenharia, já conseguiu comprar um carro e uma moto. “O Senai me deu base para tudo: minha maturidade hoje é outra, penso antes de fazer as coisas”, diz. “Gosto muito do lema da instituição, que procuro seguir: “sei fazendo, faço sabendo”.

Testemunha dessa história de superação, o avô Manoel Anastácio Blanco, funcionário público aposentado e corredor de maratona aos 84 anos, conta que nunca precisou dizer “faça isso ou faça aquilo” aos seus herdeiros. “Ele sempre se espelhou na gente”, diz. “A minha filha, mãe dele, não teve a oportunidade de estudar, mas lutamos para proporcionar isso a ele”.

Um conselho para o neto? “A vida é curta, a gente precisa aproveitar cada momento”. O futuro engenheiro tem consciência disso: “Quando quero alguma coisa, não desisto até conseguir”.