Senai-SP e BioBrasil fazem parceria para apoio à indústria de biotecnologia

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) fecharam uma parceria para atender às necessidades da indústria de biotecnologia. Estão previstas ações como a oferta de cursos na área nas escolas da rede, o compartilhamento de laboratórios e até a criação de um centro de pesquisa em São Paulo.

“Vamos prestar serviços para a indústria: oferecer cursos de formação na área, consultorias e pesquisas”, explica o gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia. “Estamos voltados para trabalhar com a chamada bioeconomia, com a economia sustentável: São Paulo concentra 40% da indústria de biotecnologia do Brasil”.

Nessa linha, está programada ainda uma parceria com o Instituto Butantan para a formação de profissionais e uso dos laboratórios pelos estudantes do Senai-SP.

Dentro do acordo com o BioBrasil, o Senai-SP vai criar um grupo de trabalho com membros da indústria, da sociedade e de universidades no sentido de definir “o perfil do profissional técnico em biotecnologia”.

Coordenador adjunto do BioBrasil, Eduardo Giacomazzi destaca que é preciso dar uma resposta à carência de recursos humanos, de formação especializada na área. “Precisamos investir numa indústria que está se formando rapidamente e que precisa de profissionais qualificados”, diz. “O apoio do Senai-SP é o melhor caminho para chegarmos a essa nova era”.

Segundo Giacomazzi, também há demanda por trabalhadores que entendam de processos regulatórios. “Alguns segmentos são mais regulados que os outros”.

Para o coordenador do BioBrasil, Ruy Baumer, é preciso levar a ciência aplicada até a indústria. “É o que vamos fazer a partir dessa parceria com o Senai-SP”.

Serviços especializados  

Já o centro de biotecnologia previsto será construído na capital paulista, no bairro do Bom Retiro, na região central, numa área de 8 mil metros quadrados. No local, serão oferecidos serviços especializados de pesquisa, além de formação profissional.

 

BioBrasil e L+M reúnem lideranças e investidores para debater as oportunidades de negócios em saúde e biotecnologia

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê BioBrasil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promoveu nesta quarta-feira (25/11), em parceria com a L+M – Gestão e Espaço em Tecnologias em Saúde, o debate “Saúde: o último espaço para bons negócios”, na sede da entidade.

O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer, abriu a reunião falando sobre a atuação do BioBrasil e sua importância para as entidades médicas. “Nós apoiamos e unimos as entidades das cadeias produtivas da saúde e biotecnologia. Uma das nossas prioridades é a internacionalização de produtos, processos e serviços de saúde e biotecnológicos produzidos no Brasil”, ressaltou.

“Existe um mercado muito além do eixo praia e pizza. O interior do Brasil também vai entrar no campo de visão dos grandes investidores”, disse Lauro Miquelin, sócio-fundador da L+M.

No encontro foi unânime o pensamento de que o modelo de gestão da saúde precisa se modificar, e a entrada de players importantes, inclusive estrangeiros, pode forçar o desenvolvimento do setor. Para Lauro, organizar a casa é essencial para alcançar o sucesso no jogo.

“Há muito a ser feito. Um hospital de 300 leitos que gasta R$ 60 milhões em medicamentos chega a ter 8% de desperdício. Isso pode ser reduzido apenas com a revisão dos processos e da gestão”, exemplificou.

O encontro, que apontou diversos caminhos para o crescimento desta cadeia, também contou com a participação do superintendente da Abimo, Paulo Fraccaro, e do Sócio-diretor da Magno Consultores Empresariais, Roberto Lima.

Debate “Saúde: o último espaço para bons negócios”, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Falta investimento privado para o desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil”, afirma cientista

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil é destinado à pesquisa e desenvolvimento, sendo que mais da metade dessa parcela provém do setor público, informou nesta quarta-feira (10/6) o professor doutor Mauro Rebelo. Esse percentual, segundo ele, ainda é muito baixo, sobretudo comparado a países como Japão e Estados Unidos, onde destina-se ao menos 4% para essa área de pesquisa.

“O que falta no Brasil é investimento privado para o desenvolvimento de ciência e tecnologia. Para o desenvolvimento de tecnologia a partir da ciência que a gente já faz”, afirmou Rebelo, que também é sócio da Bio Bureau Biotecnologia. Ele participou do Festival Internacional de Biotecnologia (Biofest), organizado pela Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) durante a Semana de Meio Ambiente, também realizado na sede das entidades.

Professor Mauro Rebelo durante Biofest na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Segundo ele, o potencial de biodiversidade do Brasil tem aumentando exponencialmente nos últimos cinco anos, com a chegada de novas tecnologias e investimentos para essa transformação.  “Biodiversidade é a nossa vantagem competitiva. Biotecnologia é a chave para desbloquear esse potencial competitivo do Brasil. Para isso, a conservação dos ambientes é um pré-requisito”, alertou.

Conservação

É necessário que as discussões sobre o desenvolvimento sustentável considerem os aspectos da conservação dos ambientes naturais e da biodiversidade, tendo em vista minimizar potenciais impactos para os ecossistemas, como o comprometimento de cadeias produtivas, do agronegócio e da própria sociedade.

A análise foi feita pelo diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Nelson Pereira dos Reis, que também participou do Biofest. Nesta quinta-feira (11/6), deve ser apresentado durante o festival, um estudo em bioenergia conduzido pela Fapesp.

Nelson Pereira dos Reis destacou a vantagem competitiva que o Brasil possui no âmbito da biodiversidade, biotecnologia e bioeconomia.

“O Brasil tem ampla biodiversidade, o que nos permite desenvolver de forma bastante competitiva perante os mercados internacionais. Com essa visão, o Biofest busca promover discussões com especialistas, representantes dos órgãos governamentais, agências de fomento à pesquisa, academia e indústria, para fazermos um marco na discussão do assunto também na Fiesp”, disse Reis.

 

Nelson Pereira dos Reis (centro), diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp.Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

BioBrasil

Para acompanhar e estimular o setor, a Fiesp criou um Comitê de Biotecnologia (BioBrasil) em 2012. Eduardo Giacomazzi, coordenador da divisão, afirmou durante o evento desta quarta-feira que o objetivo do Comitê é unir indústria, governo e academia na discussão sobre o assunto, que, segundo ele, faz parte de uma mobilização multissetorial.

“Em relação à biodiversidade, mais do que esse tema ser importante para a indústria ou para a academia, ele é importante para a humanidade, acho que essa é uma contribuição da nossa geração, que agora assume a responsabilidade de como conduzir esse processo a partir dessa mobilização”, comentou Giacomazzi.

Retrospectiva 2014 – Parcerias e cooperação internacional foram destaque para o setor

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Ao longo do ano, o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp teve participação em palestras em importantes congressos internacionais e também sediou, na Fiesp, eventos com grandes nomes da áreas de pesquisa e de instituições ligadas ao  mercado mundial de biotecnologia, como o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, e Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), dos Estados Unidos (EUA).

Pensando nos futuros profissionais nas áreas de ciência e tecnologia, a Fiesp apoiou esforços e ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), como a criação da unidade especializada em Nanotecnologia, na cidade de Osasco, e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), com os desafios de Nanociência e Nanotecnologia propostos para os alunos das entidades.

NOTÍCIAS DE DESTAQUE EM 2014:

 

NOVEMBRO/OUTUBRO

Combio em evento da Associação da Indústria Farmacêutica da Turquia. Foto: Divulgação

O BioBrasil/Combio foi convidado a palestrar em importantes eventos internacionais, apresentando o mercado brasileiro de biotecnologia. Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio, participou  da 10ª Conferência Ciências da Vida na Holanda. >> Leia mais

Em outubro, Giacomazzi representou o Bio Brasil/Combio em evento da Associação Turca das Industrias Farmacêuticas,  em Istambul.

 

JUNHO

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Karol Keesman, da Universidade de Wageningen, falou de tratamento de resíduos nas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Brasil foi o centro dos debates do evento global da biotecnologia, organizado pela promovido Biotecnology Industry Organization (BIO), em San Diego. >> Leia mais

A Fiesp sediou evento em que especialistas holandeses destacaram os desafios na implantação das cidades inteligentes. >> Leia mais

Empresas holandesas apresentam soluções sustentáveis para as indústrias. >> Leia mais 

 

MAIO

Semana de Meio Ambiente reuniu autoridades e especialistas no tema

Biotecnologia foi tema de palestras nacionais e internacionais na 16ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp.

O panorama da bioindústria no Brasil foi apresentado pelo BioBrasil/Combio. Entre os temas abordados nas palestras, o desenvolvimento da bioenergia no país, a valorização de resíduos industriais, transformação de resíduos de cana-de-açúcar em bioenergia. >> Leia mais

 

ABRIL

Mark Crowell, da Universidade da Virgínia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

A Fiesp realizou workshop de Inovação e Biotecnologia nos dias 29 e 30 de abril. Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), apresentou na Fiesp a experiência da instituição americana em parcerias para desenvolver biotecnológicos.  >> Leia mais

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirmou Meir Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. >> Leia mais

 

Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. Foto: Divulgação

Para Meir Pugatch, Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia. >> Leia mais

Meredith Fensom, diretora da BIO, diz que Brasil tem vantagens estratégicas para fazer parte da crescente economia global de biotecnologia. >> Leia mais

Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia. >> Leia mais

 

BioBrasil recebe organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na área de educação, o Senai-SP realizou workshop sobre meio ambiente e microbiologia em São Bernardo. >> Leia mais

BioBrasil/Combio recebeu os organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia em reunião na Fiesp. >> Leia mais

O Senai-SP de Osasco recebeu investimento de mais R$ 27 milhões para criação de centro de nanotecnologia. >> Leia mais

 

Ministra holandesa Wilma Mansveld. Foto: Everton Amaro/FIESP

Para instituto holandês, o debate sobre poluição do solo deve ganhar mais espaço na agenda das nações. >> Leia mais

Holanda busca ser líder internacional de reciclagem, afirma ministra dos Países Baixos em seminário na Fiesp. >> Leia mais

Seminário Brasil-Holanda apresenta novas ideias para a remedição do solo e gestão de águas subterrâneas. >> Leia mais

FEVEREIRO

Sesi-SP lança o desafio de Nanociência e Nanotecnologia para seus alunos pela internet. >> Leia mais

 

Panorama da biotecnologia e soluções inovadoras são apresentados em seminário

Dulce Moraes, Agência Indusnet

O Seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” abriu a programação desta quinta-feira (05/06) dentro da 16º Semana de Meio Ambiente, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nelson Vieira Barreira, diretor doDepartamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, abre Seminário. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

O encontro contou com a presença do Cônsul Geral do Reino dos Países Baixos [Holanda] em São Paulo, Jan Gijs Schouten, participação elogiada pelo diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Vieira Barreira.

“Esse evento tem grande importância não só pelo momento tecnológico vivido pela biotecnologia mas também pela presença do Cônsul Geral da Holanda que tem dado uma grande colaboração a essa Casa”, destacou o diretor do DMA.

Consul-Geral da Holanda, Jan Shouten. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Shouten classificou a Fiesp como fiel parceira de seu país em São Paulo e agradeceu o convite. “Hoje estamos aqui para apresentar as melhores empresas da Holanda na área de biotecnologia e soluções inovadoras para cidades criativas. E o que eu posso dizer é que não é a última vez que o Consulado Geral e a Fiesp irão trabalhar em conjunto”, afirmou o Consul-Geral.

 

A Biotecnologia do Brasil

Em sua palestra “Panorama da Biotecnologia do Brasil”Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e Biotecnologia (Bio Brasil/Combio) da Fiesp, destacou que é uma honra realizar esse evento no Dia do Meio Ambiente e com parceiros holandeses.

Ele relembrou que, desde 2006, a Holanda vem estabelecendo constantemente parcerias e eventos com a Fiesp, entre eles, a vinda do Rei da Holanda, em 2012, momento que coincidiu com a própria criação do Bio Brasil/Combio da Fiesp.

Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

“O Comitê da Bioindústria representa as empresas de diversos setores, na área da Saúde Humana (como cosméticos e setor farmacêutico), da Saúde Animal, da Agricultura, da Energia, no Meio Ambiente (serviços e insumos) e na área de Defesa. E essa ação multissetorial tem sido fundamental para mostrar à indústria que biotecnologia e bioindústria não significam um setor, mas, uma ação coordenada entre setores. Por isso, ela precisa, necessariamente, ser multidisciplinar”.

Ele relembrou que o Brasil vem trabalhando sua base biotecnológica desde 1887, quando foi criado o Instituto Agronômico de Campinas, que trouxe a base de desenvolvimento de todas as novas espécies de cana-de-açúcar, algodão e café produzidas no país.

Giacomazzi fez questão de desmistificar a crença de alguns países estrangeiros de que a larga produção agrícola do Brasil provoca o desmatamento da Amazônia. No mapa do cultivo de cana-de-açúcar, ele sinalizou que as produções se concentram principalmente na região Sudeste do país, bem distante da região amazônica. “O Sudeste representa 90% dessa produção de cana, 10% está na região Nordeste. Portanto, o Brasil está muito consciente em relação a sua expansão da sua fronteira agrícola, sem desmatar a Floresta Amazônica.” Além disso, ele destacou 64% das nossas florestas estão preservadas, 30% é utilizado para produção agrícola, onde temos 1% da produção da cana-de açúcar e 0,4% dessa cana-de-açúcar vai virar etanol”.

Liderança paulista

Segundo Giacomazzi, o estado de São Paulo concentra 40% das empresas de biotecnologia. Essas, somadas as dos estados de Minas Gerais e Rio Grande Sul, representam 80% das empresas de biotecnologia do Brasil. “A liderança paulista é bem percebida, o que faz se ter uma responsabilidade ainda maior da Federação das Indústrias [Fiesp] em liderar esse processo”, afirmou.

Giacomazzi destacou uma preocupação das indústrias em torno da nova Lei da Biodiversidade que deve ser votada em agosto. “O resultado dessa Lei terá impacto direto no desenvolvimento da bioindústria no Brasil, pois a lei atual não incentiva, mas pune as empresas”.

O coordenador do Combio ressaltou as diversas parcerias internacionais que a entidade vem realizando, inclusive com a Holanda e enfatizou a necessidade de se pensar, tanto na economia como nas cidades, dentro de um conceito circular e sustentável.

Economia Circular

Refletindo sobre o futuro, Giacomazzi, acredita que a Economia Criativa, que vem da educação para essa nova economia, ainda está por vir. “Vamos precisar pensar como vamos fazer o gerenciamento das nossas águas e como vamos tratar da nossa saúde relacionado a isso. Significa também que vamos precisar pensar também em energia, agricultura e novas formas de economia”.

O coordenador do Combio expressou que o que se busca na interação com parceiros holandeses é a realização de programas conjuntos que sejam específicos para atender a realidade do país. “Aqui já começa essa primeira sinergia para descobrir como vamos transformar o que é linear circular, fechando o ciclo de água, energia, nutrientes. E quando estamos falando de economia circular estamos falando de novos materiais, de arquitetura e de novos modelos construtivos para as cidades”, afirmou.

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

Leia também:

>> Meir Pugatch: Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia

>> Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia

Fiesp realiza Workshop de Inovação e Biotecnologia nos próximos dias 29 e 30 de abril

Agência Indusnet Fiesp

Em 2030 as inovações na área de biociência poderão contribuir com até 35% da produção de produtos químicos e outros produtos industriais, 80% dos produtos farmacêuticos e produção de diagnóstico, e 50% da produção agrícola mundial. A estimativa é apontada por estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Acreditando no potencial de expansão desse setor, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Biotechnology Industry Organization (BIO), realizará  nos próximos dias 29 e 30 de abril, Workshop de Inovação em Biotecnologia.

De acordo com o diretor do Comitê de Biotecnologia (Combio), Eduardo Giacomazzi, o Brasil possui algumas vantagens estratégicas para fazer parte desta crescente economia global de biotecnologia. “A Fiesp acredita que teremos uma posição importante nos próximos anos. Este evento é um passo importante para iniciar uma conversa aberta sobre as melhores práticas globais na indústria de biotecnologia”, conclui.

Meir Perez Pugatch

O evento contará com a participação do professor Meir Pugatch, presidente da Administração de Sistemas de Saúde e Política de Divisão da Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, de Israel, que  apresentará, pela primeira vez no Brasil, uma empírica e comparativa bússola política de países exemplos em estratégias de desenvolvimento de indústria de biotecnologia. Nesta segunda-feira (28/4), ele apresenta o estudo no Ciclo de Debates em Biotecnologia, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília, e na terça-feira (29/4), ele apresenta no Workshop de Inovação em Biotecnologia, na sede da Fiesp, em São Paulo.

O estudo, realizado pela consultoria internacional  Pugatch Consilium, compara os estágios de desenvolvimento e fatores positivos e negativos para o desenvolvimento da indústria de biotecnologia entre os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), além de Coreia, Singapura, Suíça e Estados Unidos. O relatório do estudo foi disponibilizado para download e consulta no site da Pugatch Consilium. Para acessar a versão, em Português, clique aqui.

Meredith Fensom, da BIO

O evento também contará com a presença de Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da Biotechnology Industry Organization (BIO), organização não-governamental que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Recentemente, Meredith declarou que não há dúvidas de que o Brasil é um dos líderes globais na economia de biotecnologia alimentar e de agricultura, figurando como referência mundial nesta área. Para ler a entrevista completa, clique aqui.

Casos práticos de inovação no Brasil

Nos dias 29 e 30 de abril, o Workshop de Inovação em Biotecnologia, também abordará os melhores modelos de colaboração entre universidades e empresas start-ups ;  práticas de transferência de tecnologia e equipes de desenvolvimento de negócios na indústria.

Para ver a programação completa do Workshop, clique aqui.

Retrospectiva 2013 – O ano em que a biotecnologia entrou nas decisões estratégicas de desenvolvimento e competitividade industrial

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Um ano de avanços e, também, de retrocessos para indústria brasileira de biotecnologia. Essa foi a avaliação do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biotecnologia e da Bioindústria (Combio/BioBrasil), Eduardo Giacomazzi, sobre o ano de 2013. “O fato de a Fiesp ter começado a entender melhor esse assunto demonstra que a indústria acordou para um assunto que é estratégico”, afirma.

Ministros (da esq. para dir: Raupp, Padilha e Pimentel) apresentam Plano Inova Brasil na Fiesp. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi também destaca como pontos positivos o Plano Inova Brasil  (apresentado na Fiesp, no mês de abril, pelos Ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento e Indústria) e o início das discussões sobre a Lei de Acesso à Biodiversidade, com a entrada da Fiesp no debate.

“O Plano mostra que há um olhar diferente do governo para o setor, buscando trazer mais investimentos para área, puxados, especialmente, pelos biofármacos e energia, com o etanol”, afirmou.

Por outro lado, o coordenador do Combio acredita que o debate sobre a Lei da Biodiversidade, que já se iniciou, deverá ser dez vezes mais complexo do que foi o do Código Florestal, exigindo muito mais força da Fiesp sobre esse tema em 2014.

Educação em ciência

A triste notícia do ano para o setor, na visão de Giacomazzi, foi a invasão do Instituto Royal e a destruição de todas as pesquisas lá feitas. “Isso travou até dez anos de investimentos em pesquisa científica no Brasil. E sem esse centro de experimento pré-clínico vamos continuar dependentes do exterior e importando este tipo de estudo, fundamental para a aprovação de novos medicamentos”, explica.

O coordenador do Combio classificou o episódio como “um ataque decisivo ao futuro da indústria de biotecnologia, especialmente na área de saúde”, que já tinha um atraso de 20 anos em pesquisas. O incidente, segundo ele, demonstrou o quanto é crítica falta de conhecimento da população para o tema, fato que tem motivado o Comitê a considerar o item “educação” como um dos enfoques estratégicos.

Em abril, foi assinado protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia, durante reunião do Comsaúde e Combio da Fiesp

Os outros item que completam a matriz estratégica definida pelo Combio são: inovação, investimentos e internacionalização. “A gente precisa colocar a educação profissional e a pesquisa aplicada no centro da discussão e e o Senai-SP é um braço forte para isso”, diz. “O Brasil precisa ter investimentos em inovação e a Lei da Biodiversidade poderá garantir mais acessos aos recursos da biodiversidade brasileira e gerar mais produtos, novas moléculas, novos remédios, cosméticos e etc”, explica Giacomazzi.

A Lei da Biodiversidace, que tratará também do acesso aos recursos genéticos, foi alvo de debates em reunião na na Fiesp, no mês de novembro. Na avaliação do coordenador do Combio, a indústria de biotecnologia, por ora, está travada nesse quesito e, nos próximos anos continuar dependente da indústria farmacêutica mundial (pela falta de centro pré-clínico próprio).

“Como ainda falta uma visão de política pública que apoie a ciência tecnologia no Brasil, a internacionalização das plataformas de pesquisa e desenvolvimento pode ser um caminho”, diz. “As parcerias com instituições internacionais, como as da Holanda, com quem temos estreitado relacionamento, é um meio para nossa indústria dar um salto”, explica o coordenador do Combio.

Relembre os principais momentos do ano no setor:  

Durante encontro com o chefe do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi, no mês de março, foi inaugurada a área de Biotecnologia no portal Fiesp. Informações do Comitê e assuntos relevantes para a cadeia produtiva passaram a ser divulgados neste canal online.

Os principais desafios para o setor foram sinalizados pelo coordenador do Combio, Eduadro Giacomazzi, em entrevista ao portal da Fiesp.

Em abril, o Plano Inova Brasil foi apresentado na Fiesp, pelo Ministro da Saúde, contemplando um pacote de incentivos para estimular setores, como biofármacos e energias renováveis.

No mesmo mês, o Combio recebeu a comitiva do Dutch Polymer Institute, antecipando a missão empresarial aos Países Baixos realizada, em maio, onde empresários brasileiros puderam visitar os principais centros de inovação e empresas holandesas para avaliar perspectivas de futuros, além de acordo na área de bambu.

A legislação brasileira sobre acesso aos recursos genéticos e  repartição de benefícios foi alvo de análise em reunião promovida pelo Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, antecipando os debates sobre o Projeto de Lei da Biodiversidade.

No mesmo mês, o coordenador do Combio passou a integrar o Comitê de Mudança do Clima da Fiesp e participou de seminário durante a Bio Convention, maior feira internacional da bioindústria, em Chicago, Estados Unidos.

A importância dos avanços da biotecnologia para a área ambiental foi um dos focos do Seminário Biorremediação de Áreas Contaminadas Complexas, no mês de julho em parceria com empresas holandesas.

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

A assinatura do protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia foi o grande destaque do mês de julho, que deu início a uma programação de workshops setoriais (visando entender gargalos e lacunas do ponto de vista da formação profissional) e a realização de visitas técnicas aos principais centros de pesquisas de referência no País e industrias farmacêuticas.

Em outubro foi realizado encontro com um grupo de empresas incubadas do Cietec e Agencia USP de Inovação. Em setembro, foi realizado o primeiro Workshop para empresas do setor farmacêutico e de biofármacos. Em novembro, foi realizado o pré-workshop para o setor de Cosméticos, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec). Em 2014, serão realizados workshops para empresas do setor de energia, biomateriais e defesa.

Além das visitas técnicas aos centros de pesquisas internacionais, o Combio também conheceu as instalações e as inovações do Instituto Butantan, em São Paulo, do Laboratório Nacional de Biotecnologia, em Campinas, e também o indústria de biofármacos Cristália, em Itapira.

A Fiesp, por meio do Comitê de Mudanças Climáticas com colaboração do Combio, encaminhou proposta de emenda ao Projeto de Lei de Biodiversidade, com destaque a reformulação do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) e sugestão de inclusão de representantes da Fiesp neste fórum.

No início de outubro, o Combio promoveu, na Fiesp, um encontro com representantes da organização internacional BIO (Biotechnology Industry Organization) e mais de  20 representantes do setor de biotecnologia industrial (biocombustível e química).

Parceria estabelece compartilhamento de conhecimentos sobre responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, instrumentos regulatórios e econômicos bem como tecnologias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na mesma semana, durante a reunião do Comitê de Mudanças Climáticas, o Combio recebeu a ministra de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, Lilianne Ploumen, e assinou acordo para troca de informações e experiências, com enfoque nas tecnologias de descontaminação do solo, tratamento de água e transformação de resíduos sólidos em energia.

Em novembro, o coordenador do Combio realizou nova visita técnica na Holanda, sendo convidado a participar como conferencista no Festival de Tecnologias de Fronteira (Border Sessions Festival).

Desafios para 2014

Para o Brasil entrar no mapa da Bioindústria mundial é preciso conhecer o seu próprio mapa. Por isso, um dos desafios para o próximo ano é realizar um mapeamento da bioindústria brasileira. “O mapa é estratégico e posicionará a Fiesp no cenário nacional e internacional”, afirma o coordenador do Combio. O Mapa da Bioindústria será realizado pelo CEBRAP, em parceria com o Biobrasil-Comitê da Bioindustria e com o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp e tem o apoio do Senai-SP.

O Combio participará efetivamente da Semana do Meio Ambiente da Fiesp, pois, de acordo com Giacomazzi, está muito claro que a biotecnologia, como inovação, vai chegar à indústria a partir do tratamento de seus resíduos e processos industriais sustentáveis, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma economia de base biológica.

 

Coordenador do Combio/Fiesp participa de Festival Internacional de Tecnologia, na Holanda

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“Do Sol aos Sons”. Com esse tema o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp, Eduardo Giacomazzi, apresentou nesta quinta-feira (14/11) em Haia, na Holanda, uma palestra em que demonstrou como a energia do sol interage em várias dimensões nos sistemas produtivos naturais e gerar, por exemplo, um inusitado instrumento musical, como uma guitarra feita com fibras de bambu.

A palestra aconteceu durante o Border Sessions – festival internacional de tecnologias de fronteira que reúne cientistas e profissionais que trabalham nas áreas de tecnologia, ciência e arte.

Ao lado de outros 24 especialistas internacionais, Giacomazzi apresentou não apenas os acordes da guitarra de bambu, e todo potencial desta planta para fomentar a cadeia de inovação em biotecnologia, mas também o potencial de tecnologias sociais na geração de energia solar no Brasil.

Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“O sol é o responsável por toda energia para produção da biomassa e vida no planeta. O bambu, com toda sua versatilidade é uma biomassa do futuro na chamada bioeconomia”, afirmou Giacomazzi ao site da Fiesp dias antes da apresentação.

Segundo ele, a China, com US$ 1 bilhão em exportação de produtos de bambu, é líder na industrialização e uso de novas tecnologias. “Provenientes do sol, são gerados diversos produtos industriais. E aqui no Brasil fizemos a primeira guitarra de bambu do mundo.”

Para o coordenador do Combio/Fiesp, quando se trata de biotecnologia e novas formas de energia, o Brasil é uma das fronteiras e daí a importância da participação neste festival internacional. Em sua palestra ele também apresentou o ASBC (sistema de aquecimento solar de baixo custo, que desde 1992 vem sendo implantado no país, pela organização não-governamental Sociedade do Sol), além de projetos similares, e que estão relacionados à saúde, meio ambiente e tecnologias sustentáveis genuinamente nacionais.

Comitê da Bioindústria da Fiesp e Senai-SP assinam protocolo para construção de centro de biotecnologia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ainda está em tempo de concorrer em condições de igualdade com o resto do mundo no mercado de biotecnologia, afirmou o coordenador do BioBrasil e do  Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ruy Baumer.  Com o objetivo de estimular a competitividade do setor, Baumer, o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Walter Vicioni, e outros coordenadores da Fiesp assinaram, nesta quarta-feira (17/07), um protocolo de intenções para a construção do Centro Senai-SP de Biotecnologia.

“O foco principal é atender uma demanda pelo desenvolvimento da biotecnologia no Brasil”, disse Baumer. “No caso do Senai-SP, nosso objetivo é capacitar profissionais para isso. Estamos focando os nossos esforços nos biofármacos e em outros materiais”, explicou.

Reunião do Combio: articulação para o projeto do Centro Senai-SP de Biotecnologia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Reunião do Combio: articulação para o projeto do Centro Senai-SP de Biotecnologia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Da parte do Senai-SP, Vicioni garantiu que o projeto não vai “ficar no meio do caminho”, uma vez que a escola tem uma tradição em realizações. “A gente pretende unir o meio de produção com o meio de formação profissional e planejar uma escola juntos”, assinalou.

O protocolo foi assinado por Baumer, Vicioni e também por Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Combio e por Eduardo Perrilo, membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde) da Fiesp, do qual Baumer também é coordenador.

Vicioni: laboratório construído em parceria. Foto: Julia Moraes

Vicioni: formação profissional. Foto: Julia Moraes

“Esse é um momento histórico porque essa plataforma de educação a partir de hoje é uma realidade”, afirmou Giacomazzi.

Próximo passo

Segundo o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, professor Osvaldo Maia, os próximos passos para viabilizar a construção do centro de biotecnologia serão construir corpos técnicos sob a coordenação do Senai-SP e orientar os comitês da Fiesp relacionados ao assunto.

Os convites para a formação dos corpos técnicos devem ser feitos a partir da próxima semana.

Em uma apresentação para os membros do Comsaúde e do Combio sobre as próximas ações do Senai-SP para atender ao protocolo, Maia acrescentou que será feito também um levantamento da demanda profissional para o setor de biotecnologia, além da elaboração conjunta de um projeto de construção do centro.

“Estamos muitos felizes de nesse momento poder dar essa resposta à bioindústria brasileira. Pretendemos trabalhar na área da saúde, dos fármacos, das biossínteses e dos biopolímeros”, disse Maia.

Na prática, o Senai-SP vai desenvolver projetos  em engenharia de processo, química analítica e automação, desenvolvimento de bioativos e formação de bancos de células, bactérias e enzimas. “Temos hoje algumas escolas com capacidade instalada e existem outras  unidades muito bem equipadas para darem início ao atendimento. O que falta é uma articulação com vocês”, disse Maia aos membros do Comsaúde e do Combio.

Comitê de biotecnologia vai ajudar a coordenar ações em São Paulo, afirma coordenador do BioBrasil

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Ruy Baumer: 'Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Organizar a cadeia produtiva de biotecnologia no estado de São Paulo. Este é um dos objetivos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao criar um comitê para cuidar do tema, o Combio, de acordo com Ruy Baumer, coordenador titular do Comitê da Cadeias Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), ao qual o Combio está vinculado.

Segundo Baumer, que coordena ainda o Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde), o Combio tem questões específicas para tratar mas atua de modo integrado ao Comsaúde. “A maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa [de biotecnologia] é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde”, explica.

Leia os principais trechos da entrevista com o coordenador do BioBrasil.

Por que a Fiesp criou o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia?

Ruy Baumer – A Fiesp já contava com o Comsaúde, comitê em que temos a cadeia vertical de todo o setor. Mas a área de biotecnologia engloba outros setores, como o de energia, por exemplo. E o Estado de São Paulo, hoje, não tem nenhuma coordenação de todos os investimentos feitos em biotecnologia.  Então, nós resolvemos criar um comitê para apoiar esta organização.
Por que eles estão estruturados em paralelo e sob a coordenação do BioBrasil?

Ruy Baumer – Os comitês estão separados porque os focos são diferentes. E atuam juntos porque a maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde. Aquilo que é atuação distinta fica em separado; o que é comum fazemos conjuntamente. Para juntar os dois comitês, nós criamos o BioBrasil porque uma indústria pode ser de biotecnologia, mas também pode estar ligada à área de saúde. Nossa ideia é que ele se transforme num departamento, que dentro de seu escopo teria saúde e biotecnologia. Hoje, o BioBrasil é só o guarda-chuva do Comsaúde e do Combio.

De que forma o Combio está atuando com outros departamentos e comitês existentes na Fiesp?

Ruy Baumer – Primeiro, apresentando para os departamentos e comitês existentes o que é o Combio. Todo mundo entendeu que o assunto, que não é o principal tema deles, poderia ser interessante. Então, nós pedimos que eles indicassem pelo menos um participante para participar do comitê, onde nós vamos discutir os assuntos comuns. Todos participam do Combio e atuam naquilo que é demanda comum. O Comsaúde, por exemplo, participa do Combio, com suas demandas relacionadas à biotecnologia: farmacêuticos, produtos médicos, derivados de produtos, pesquisa em laboratórios e convênios que nós estamos fazendo com o exterior na área da saúde.

Baumer: biotecnologia é um assunto precisa ser desmistificado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O senhor disse que o setor estava sem coordenação em São Paulo? A participação do Estado nas políticas públicas, em nível nacional, reflete sua relevância?

Ruy Baumer – São Paulo estava sem coordenação nenhuma. As empresas e os centros de pesquisa que atuam no setor estavam tentando encontrar um meio de trabalhar juntos, para poder discutir suas questões. E São Paulo representa mais de 40% dos atores na biotecnologia. Então, nós resolvemos criar um comitê exatamente para ajudar essas entidades, áreas, empresas e setores nas demandas, para poder desenvolver melhor a biotecnologia. Nós precisamos do governo trabalhando junto conosco. Hoje, alguns outros estados estão mais avançados em comunicar seus interesses, embora São Paulo tenha uma atuação mais significativa por conta do dinamismo de suas empresas.

Quais são as metas do BioBrasil?

Ruy Baumer – No Combio, na área de biotecnologia, nossos passos são, primeiramente, organizar o setor no estado de São Paulo, que tem uma participação relevante no país, tanto no desenvolvimento como nas políticas de inovação. Porque ainda tem muita coisa para ser decidida. Ainda tem muita dúvida de como isso é vendido, é negociado. Sempre que se mexe com biotecnologia há algum conflito. Há dúvidas sobre como o assunto será regulado. Tudo tem contato com o ser humano, então, tudo tem regulação. Nós queremos participar para influenciar nessas questões, não só na parte regulatória, mas em temas como financiamento à inovação. Queremos definir o foco e conseguir mais recursos para a inovação.  Não adianta tentar fazer tudo sozinho – estamos trabalhando em convênios, acordos internacionais e parcerias entre empresas e centros de pesquisas brasileiros e estrangeiros. Então, essas são as áreas em que estamos atuando. Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil.

Quais são os principais gargalos no setor de biotecnologia?

Ruy Baumer – Em primeiro lugar, ainda há muita coisa para definir em termos de regulação nas áreas de saúde e de agronegócio. Em negócios como petróleo e gás, tem menos. O segundo ponto é a pouca disponibilidade de financiamento para pesquisa. Normalmente, quem trabalha com biotecnologia são centros de pesquisa ligados a pequenas empresas ou empresas inovadoras ou cientistas. Ainda há pouco acesso a esses recursos. Ele é muito complexo, isso tem que ser facilitado. Tudo é muito burocrático. E o terceiro ponto é a questão do conhecimento. É preciso divulgar mais a biotecnologia desde a escola, para não ser um bicho de sete cabeças. E é preciso investir em educação e criação de mão de obra e de centros especializados para trabalhar nesse setor. O Senai-SP vem trabalhando, mas não é suficiente para o Brasil ser um player importante. E estou falando de ações federais, estaduais e municipais. É preciso criar centros de excelência na área de desenvolvimento de biotecnologia. Queremos divulgar ao público o que é biotecnologia e o que pode ser feito. Há ainda pouca informação nas escolas e nos cursos superiores. E o assunto precisa ser desmistificado.

Qual é o papel do governo, tanto o federal como do estado de São Paulo, para desenvolver o setor?

Ruy Baumer – Nossa visão é sempre enxergar o governo como fomentador e facilitador. Ele tem que criar condições para que a inovação exista e para isso precisa colocar à disposição recursos. Ele precisa destravar a burocracia e dar diretrizes de quais são as metas importantes que o país busca na área de biotecnologia, muito mais do que fazer a execução. O que o governo tem que fazer? Aquilo que não é viável para uma empresa privada. É preciso de investimento em longo prazo? O governo entra. É preciso de grande desenvolvimento? O governo entra. Mas tem muita coisa nessa área que pode ser feita por pequenas, medias e grandes empresas, desde que tenham o direcionamento correto, aproveitando até mesmo os recursos existentes. O Brasil tem tecnologia que até Deus duvida, mas está tudo engavetado. Tem muita coisa no papel, muita publicação escrita, mas de prático mesmo, nada. Temos que mudar isso. E é algo em que trabalhamos tanto na área de biotecnologia como na área de saúde.

A indústria vê biotecnologia como despesa ou como investimento?

Ruy Baumer – Há uma mudança de visão. O que a indústria vê hoje é pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou inovação como investimento. Antes ela via isso como despesa; hoje é visto como investimento. O resultado dessa inovação em biotecnologia são produtos biotecnológicos. Pode-se ter biotecnologia num detalhe do seu produto ou num processo ou para fazer perfuração de petróleo sem queimar as perfuradoras. Tudo isso pode usar a biotecnologia. Os remédios, os medicamentos, a genética. Tudo pode ter menos ou mais resultado em biotecnologia. A indústria vê isso como futuro e algumas coisas como presente, mas ela não vê isso como despesa. Ela precisa estar nisso.

A biotecnologia pode ajudar na redução de custos?

Ruy Baumer – Sim. Usando recursos naturais de um lado e até sintéticos do outro é possível conseguir resultados que antes seriam inimagináveis redução de custos, melhoria de meio ambiente, qualidade do produto ou benefícios que o produto proporciona.

 

Brasil precisa definir política industrial que fortaleça empresas de biotecnologia, diz coordenador de comitê da Fiesp

Juan Saavedra e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Giacomazzi: coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp. Everton Amaro/Fiesp

A definição de uma política industrial de biotecnologia é uma das reivindicações do setor, afirma Eduardo Giacomazzi, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Criado em 2012, o Combio tem como missão disseminar uma agenda a favor da competitividade brasileira, segundo o coordenador – atual membro-observador e palestrante do Brasil no Grupo de Trabalho sobre Biotecnologia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Na visão de Giacomazzi,  faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação.

“A experiência europeia, americana e japonesa apontam no caminho das Parcerias Públicas Privadas”, sugere o coordenador, que já exerceu a direção-executiva da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec).

Nessa entrevista, Giacomazzi fala sobre o papel do Comitê e os desafios do setor.

Em que contexto o Combio foi criado e qual é a compreensão conceitual que a Fiesp tem sobre a biotecnologia e bioindústria?
Eduardo Giacomazzi – O Combio é uma iniciativa que nasceu da parceria de empresas, entidades e profissionais da bioindústria envolvidos com os avanços da biotecnologia no Brasil. A liderança de São Paulo na bioeconomia brasileira e o expressivo número de empresas de biotecnologia da região faz do Estado um ator importante das discussões setoriais relacionados ao tema. A Fiesp, por meio do Combio, contribui para a disseminação de uma agenda a favor da competitividade brasileira e compreende que a biotecnologia, por ser um tema portador de futuro, é fundamental para uma indústria preocupada com a sustentabilidade. Desta forma, sua atuação é transversal aos setores por ela representados.

Qual é o mapa da biotecnologia no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – O mapa da biotecnologia no Brasil, em estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Análise Planejamento (Cebrap), apontou em 2011 o crescimento do número de novas empresas nos últimos 10 anos e apresentou a perspectiva regional da distribuição geográfica de empresas e produção científica. A elaboração de estudos setoriais em biotecnologia no Brasil é recente e carece de regularidade e rigor metodológico. Esse esforço é fundamental para que novas políticas públicas estejam cada vez mais em sintonia com a realidade empresarial e científica.

O que o Estado de São Paulo tem a contribuir para o desenvolvimento da biotecnologia no país?
Eduardo Giacomazzi – O Estado de São Paulo representa 40% das empresas de biotecnologia do país. Grupos empresariais como empresas dos setores farmacêutico, agrícola e sucroalcoleiro têm sede no Estado. Além disso, São Paulo conta com as principais instituições de ensino e pesquisa do país numa rede de cooperação científica que se estende nacional e internacionalmente.

Quais as contribuições mais relevantes do país para o avanço da biotecnologia no contexto global?
Eduardo Giacomazzi – Cito três: biocombustíveis, agricultura e vacinas. Na área energética, desde que lançou o programa Proálcool na década de 70, o Brasil se posicionou na chamada primeira geração de etanol a partir da cana-de-açúcar. Hoje, somos líderes mundiais no desenvolvimento de novas espécies e em produção. Na agricultura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, é referência mundial em pesquisa no setor. O mesmo vale no setor de vacinas, com instituições centenárias como Fiocruz e Instituto Butatan. Embora seja reconhecido internacionalmente no uso da biotecnologia na agricultura (Embrapa) e energia (etanol), além de sua tradição no desenvolvimento de vacinas (Fiocruz e Instituto Butantan), o Brasil não possui um posicionamento claro como país no cenário mundial.

Quais são as boas práticas no cenário internacional, em termos de política para o setor, que poderiam ser aplicadas no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – No cenário internacional, podemos apontar a prática das políticas europeias: “FP7″ e “Horizon 2020″, além das Parcerias Público-Privada (PPPs) desenhadas como política pública para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Um dos diagnósticos para o baixo nível de crescimento do país em 2012 foi o pequeno volume de investimentos. Como atrair recursos para o setor de biotecnologia nos próximos anos?
Eduardo Giacomazzi – A definição de uma política industrial é uma das reivindicações antigas para o setor. Como parte da importante malha de investimentos públicos que deve ser direcionada às empresas e à pesquisa, ainda falta uma ação mais forte por parte do governo. A insegurança jurídica, como é o caso do acesso à biodiversidade, é um bom exemplo de como o Brasil vem afastando o investimento da indústria para o setor.

Em fevereiro deste ano, durante reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, a presidente da República Dilma Rousseff pediu um maior empenho do governo na pesquisa em biotecnologia e na abertura de novos laboratórios. O que falta para haver um salto? Quais os são os desafios?
Eduardo Giacomazzi – Faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação. As experiências europeia, americana e japonesa apontam para o caminho das PPPs. Desta forma, o Brasil terá condições de dar um salto “bioeconômico”, favorecendo, com isso, a preservação de nossa biodiversidade e a educação para a ciência para as próximas gerações.

O governo federal anunciou que destinará recursos para estimular a área de biotecnologia. E sabemos que pesquisas em biotecnologia não são feitas apenas nos laboratórios de universidades. Como o senhor acha que as empresas podem ter acesso a esses recursos e como elas poderão se habilitar?
Eduardo Giacomazzi – A coordenação destes programas é resultado de um governo disposto a ouvir, mas há muito a ser realizado. Para ter acesso aos recursos, as empresas precisam estar aptas para mergulhar no complexo processo da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além disso, investimento em educação associado ao programa é uma inovação em termos de política, mas ainda falta entendermos seu funcionamento, suas regras e, sobretudo, ampliar o acesso das empresas a estes recursos. A operação do programa é tão mais importante quanto o programa em si. Vamos acompanhar e colaborar para que isso ocorra.

O Brasil está formando mão de obra suficiente para atender às demandas da indústria de biotecnologia?
Eduardo Giacomazzi – Não, a exemplo de outros setores, existe um apagão de profissionais no setor. O processo iniciado pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo federal, é um passo importante. Nossos estudantes precisam participar da pesquisa de ponta realizada em outros países. Por outro lado, a indústria carece de programas que estimulem o intercâmbio de mestres, doutores e PHD’s entre institutos e empresas. Precisamos de um “Ciência sem Fronteiras” de mão dupla, voltado à indústria. O processo de internacionalização das empresas não está associado somente à promoção e exportação; faltam programas que valorizem a transferência tecnológica e realização de patentes em parceria com institutos fora do Brasil.

O Brasil é valorizado pela biodiversidade. Espécies da Amazônia e Cerrado atraem o interesse de pesquisadores e indústrias do mundo todo, principalmente nas áreas de cosméticos e fármacos. Aqui em São Paulo temos exemplos de espécies cuja pesquisa apresentam esse potencial?
Eduardo Giacomazzi – A lei de acesso à biodiversidade e o protocolo de Nagoia serão temas de nossas discussões em 2013. Além disso, materiais como bambu são exemplos de como o uso sustentável de novas espécies podem gerar riqueza e desenvolvimento sustentável a partir de seu uso nas diversas cadeias produtivas. Elementos chave: multidisciplinariedade, ações transversais e a colaboração intersetorial. Se conseguirmos avançar nestes pontos, os benefícios socioeconômicos serão imensos. Para a bioeconomia, ou melhor, uma economia baseada em bio-based products, os produtos de base biológica estão intimamente relacionados à sua cadeia e uso sustentável dos resursos. Um bom exemplo é a cana-de-açúcar transformada em plástico verde – bioplástico e energia renovável.

Biotecnologia: representante da União Europeia apresenta programa de inovação em reunião de comitê da Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quarta-feira (20/03), Piero Venturi, chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia (UE) no Brasil, apresentou detalhes do Programa Europeu de Apoio à Pesquisa  e Inovação – Horizon 2020 – aos membros do Comitê de Biotecnologia da Fiesp (Combio/Fiesp).

Programa Horizon 2020 da Comunidade Europeia é apresentado na reunião do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

O encontro foi aberto por Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biodindústria (BioBrasil) e pelo coordenador do Combio/Fiesp, Eduardo Giacomazzi, que destacaram a importância da disseminação desse tipo de conteúdo às indústrias.

Eduardo Giovenazzi, coordenador do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi ressaltou que o Combio/Fiesp tem agora uma página na internet – www.fiesp.com.br/biotecnologia – por meio da qual a entidade passa a divulgar informações relevantes sobre biotecnologia e bioeconomia.

Piero Venturi começou sua apresentação informando que, entre 2014 a 2020, serão destinados  80 bilhões de euros à pesquisa e inovação, por meio do programa Horizon 2020. A iniciativa é aberta à participação de países extra-bloco, por meio de ações específicas e também cooperação internacional.

O principal alvo do programa é gerar soluções que respondam às crises econômicas (proporcionando emprego e crescimento) e aos desafios da sociedade (como saúde, meio ambiente, energias limpas, segurança alimentar, entre outros). Outro objetivo é fortalecer a posição global da União Europeia em pesquisa, inovação e tecnologia.

Piero Venturi, representante da Comissão Europeia. Foto: Everton Amaro/FIESP

Segundo o executivo, o Horizon 2020 tem o acesso mais simplificado do que o atual programa de inovação europeu (o FP7, que se encerra este ano). A grande diferença é que, além de manter os investimentos em pesquisa de fronteira, ele focará nas mudanças e desafios da sociedade. “Essa é preocupação geral na sociedade europeia. O nosso objetivo é e sempre será a inovação,  mas é importante que isso não seja só na pesquisa. Deve-se passar por uma área entre pesquisa e mercado”, afirmou Venturi.

O conselheiro de Ciência e Tecnologia do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, Theo Groothuizen, comentou que as empresas brasileiras certamente vão querer participar do programa, mas pontuou que seria importante que fossem contemplados não só os setores em que o Brasil é forte em inovação. “Grupos de empresas, até de pequeno porte, de uma mesma área, poderiam se beneficiar dos institutos de pesquisas europeus”, sugeriu.

Theo Groothuizen, do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos. Foto: Everton Amaro/FIESP

Venturi concordou que essa pratica já é bem sucedida na Europa, com as spin-off (empresas criadas por um grupo de empresas e centros de pesquisas para explorar um novo produto). “Posso dizer que se a indústria demonstrar maior interesse é possível estabelecer mais programas em comum”. Ele destacou que, atualmente, 20 empresas brasileiras participam de projetos de inovação na Comunidade Europeia, mas elas estão concentradas em áreas específicas.

O Horizon 2020 tem mirado em grandes parceiros – entre os quais está o Brasil, China e Índia. “Até pouco tempo atrás o Brasil não tinha um programa de infraestrutura e usou o europeu. Agora temos que ter uma conversa aberta para ver em quais áreas temos interesse em comum para uma cooperação de longo prazo. Nós dividiremos os resultados”.

No próximo semestre, a Comissão Europeia apresentará o Horizon 2020 a vários países. “Com o Brasil temos um prazo. No mês de junho temos que ter definido as prioridades de interesse comum da Comunidade Europeia e do Brasil”. E há muitas oportunidades em relação a projetos na área de energia e nanotecnologia, por exemplo.

 

Palestra: Ciência, tecnologia e inovação no estado de São Paulo

Esta palestra foi ministrada por Marie-Anne van Sluys, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) , durante o Seminário “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

Clique abaixo para acessar a apresentação:

 

Palestra: Universidade e Centro de Pesquisa Wageningen

Esta palestra foi ministrada por Peter Zuurbier  da Universidade e Centro de Pesquisa Wageningen, durante o Workshop “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

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Palestra: Programa de pesquisa bilateral sobre Bioeconomia

Esta palestra foi ministrada por Maarten de Zwart da Organização Holandesa de Pesquisa Científica, durante o Workshop “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

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