Meredith Fensom: Brasil tem vantagens para fazer parte da economia de biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da BIO. Foto: Divulgação

Meredith Fensom é a diretora de assuntos internacionais da Biotechnology Industry Organization (BIO), organização não-governamental que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Especialista em Direito Internacional com mestrado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Florida e especialização em Ciências Políticas, Meredith atuou como consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Centro de Comércio Internacional das Nações Unidas.

Como interlocutora da BIO no Brasil e América Latina, ela promove debates em torno dos temas principais que afetam as indústrias do setor de biotecnologia em nível internacional. Entre eles, os marcos regulatórios e as regras de comércio.

A diretora da BIO estará no Brasil no final deste mês, nos dias 29 e 30 de abril, para participar do Workshop de Inovação em Biotecnologia, realizado pela BIO em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Veja a seguir a entrevista concedida por Meredith ao Portal da Fiesp:

Como a senhora avalia o estreitamento das relações entre BIO e o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp? E quais suas expectativas para o I Workshop de Inovação em Biotecnologia?

Meredith Fensom – A BIO celebra parcerias no mundo todo com instituições que estejam abertas para dialogar sobre questões importantes e que afetem a indústria de biotecnologia. Eu acredito que o evento na Fiesp é um passo importante para iniciar uma conversa aberta sobre as melhores práticas globais na indústria de biotecnologia.

A BIO acompanha a evolução do mercado de indústria biotecnológica do mundo. Em termos globais, esse é um mercado em expansão? Qual o volume de negócios gerado por esse setor?

Meredith Fensom – A indústria de biotecnologia é, definitivamente, uma indústria em expansão. Um estudo sobre biotecnologia, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), estima que em 2030 as inovações na área de biociência poderão contribuir com até 35% da produção de produtos químicos e outros produtos industriais, 80% dos produtos farmacêuticos e produção de diagnóstico, e 50% da produção agrícola mundial.

E como é a posição do Brasil nesse cenário global?

Meredith Fensom – O Brasil possui algumas vantagens estratégicas para fazer parte dessa crescente economia global de biotecnologia e eu acredito que assumirá posição importante nos próximos anos.

Quais setores apresentam-se mais atraentes para as empresas internacionais desse ramo?  E há alguma área que está demostrando maior excelência? 

Meredith Fensom – Não há dúvidas de que o Brasil é um dos líderes globais na economia de biotecnologia alimentar e de agricultura, figurando como referência mundial nesta área. Um ponto positivo que eu destacaria é que o Brasil está tomando medidas para melhorar o seu setor de biotecnologia industrial e ambiental, bem como sua produção em pesquisa e desenvolvimento.

No Workshop de Inovação em Biotecnologia na Fiesp será apresentado um estudo inédito do professor Meir Pugatch. Em resumo, o que será apresentado nesse estudo?

Meredith Fensom – O professor Meir Pugatch apresentará uma análise comparativa,  não apenas das indústrias de biotecnologia de oito países pesquisados, mas das estratégias de desenvolvimento que os países adotaram, a fim de reforçar e manter a sua indústria de biotecnologia local.

Na verdade, o relatório tem como objetivo apresentar uma visão geral das políticas que auxiliam no crescimento do setor de biotecnologia. E, além disso, esse estudo tem como foco iniciar um diálogo aberto sobre algumas das melhores práticas adotadas em todo o mundo, para promover o crescimento da indústria de biotecnologia.

O estudo apresentará possíveis caminhos para incrementar a biotecnologia no Brasil?

Meredith Fensom – Sim. O estudo apontará algumas recomendações e observações gerais acerca de algumas das políticas-chave necessárias ao cultivo de uma indústria de biotecnologia inovadora e sustentável. O estudo não fornece uma lista exaustiva das referidas políticas, mas serve como primeiro passo importante para se ter uma conversa com o governo, a academia (universidades) e a indústria sobre quais tipos de políticas estão em vigor no mundo e como elas podem auxiliar no fortalecimento da economia de biotecnologia.


Saiba mais:

WORKSHOP DE INOVAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA

O evento é promovido pelo comitê Bio Brasil/Combio da Fiesp emparceria com a BIO (Biotechnology Industry Organization).

Data/Local: 29 e 30 de maio, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Para ver a programação do evento e inscrições, clique aqui.