Aproximação entre empresas e universidades é tema do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da USP, explicou nesta sexta-feira (7 de abril) em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) o Mapa da Ciência de São Paulo, que idealizou durante seu período na presidência da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

O Mapa da Ciência de São Paulo se baseia nas 15 mesorregiões do Estado e se propõe a mostrar onde está o conhecimento e sua evolução, com indicadores como número de citações de artigos. É uma foto, comparou Krieger, que mostra instantes, e a ideia é transformá-lo num filme, tornando-o dinâmico.

A melhor maneira de agregar valor é ter os centros de P&D das empresas se aproximando das universidades, disse Krieger. O estoque de conhecimento das universidades, afirmou, precisa ser colocado à disposição das empresas, o que ainda é dificultado por problemas regulatórios.

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), segundo seu diretor, Gonçalo Pereira, não enfrenta os problemas regulatórios das universidades públicas e consegue fazer acordos rapidamente com a iniciativa privada, recebendo um prêmio, depois reinvestido em pesquisa, caso o produto seja bem-sucedido no mercado.

Comparando os rankings de produção acadêmica e de inovação, a conclusão, disse Pereira, é que o setor privado não conversa com as universidades. A Fiesp, disse, é a instituição que pode ajudar a mudar essas coisas. “Tem que haver a força econômica para fazer essa pressão.”

Pereira fez apresentação sobre a ponte entre a ciência e o setor produtivo. Começou destacando o potencial do Brasil, graças à biomassa, de capturar e transformar CO2. Explicou que a cana-de-açúcar tem alta eficiência na conversão de fótons em açúcar. E a seleção de variedades levou à criação de cana-energia, altamente produtiva. Com sua cultura e sistemas de segunda geração de produção de etanol, é possível aproveitar áreas degradadas e aumentar enormemente a produção.

Defendeu que as termelétricas atualmente queimando combustível fóssil usem biomassa. Outra tecnologia para a qual é preciso prestar atenção, segundo Pereira, é a de células a combustível, para geração de eletricidade.

Para fazer projetos como o da usina de segunda geração da Granbio, que ajudou a fundar, é preciso que o setor privado atue junto com a academia, disse Pereira.

Rodrigo Loures, presidente do Conic, destacou que os temas da reunião se alinham com a bioeconomia, principal interesse do Conic, em sua preparação para os grandes eventos programados para este ano, entre eles o que vai discutir a sustentabilidade do agronegócio na Amazônia.

Loures explicou também o conceito São Paulo 4.0. Ele surgiu a partir da constatação de que três áreas podem mover a retomada da economia: o agronegócio, a área de saúde e as cidades inteligentes. Pensou-se especificamente na região metropolitana de São Paulo. Se o ecossistema de inovação e empreendedorismo da região se tornar de classe mundial, disse, seu crescimento teria o poder de fazer avançar a economia brasileira como um todo.

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Reunião de 7 de abril do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Matriz de energia renovável com potencial de forte crescimento coloca Brasil em boa posição no ranking mundial

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ocupava a 15ª posição no ranking mundial de energia eólica, em 2012, com 2,5 GW de capacidade instalada, e saltou para a 10ª colocação, com 5,9 GW, mais do que o dobro. A China ainda é líder, com 115 GW, e cresce um Brasil por ano. No país, a capacidade instalada em 2015 já chega a 7,2 GW – é a nação que mais investe em eólica, tornando-se mais do que atrativa – e ainda há previsão de expansão crescente nas projeções até 2020.

“No Nordeste contamos com 5,6 GW, com potencial imenso, e, no Sul, com 1,6 GW”, esclareceu Elbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), ao participar do workshop de energia – fontes renováveis, realizado nesta quarta-feira (16/9), na Fiesp.

O objetivo foi discutir o papel deste recurso na expansão da oferta de energia elétrica e as perspectivas para os próximos anos. Gannoum explicou que no Nordeste os ventos são mais aproveitáveis, porque constantes e unidirecionais, enquanto no Sul há rajadas. São Paulo também está no mapa, especialmente a área de Botucatu, com potencial de 4,5 GW.

Outros dados mostram o bom desempenho do setor: os preços médios caíram de R$ 385, antes de 2009, para R$ 181, em 2015, e a tecnologia possibilitou uma mudança de cenário e a formatação dos leilões tornam o setor competitivo. “Na Europa, o modelo de leilão contrata a potência e não a energia e não há concorrência acirrada”, afirmou a presidente da Abeeólica.

No sistema interligado nacional, a eólica atende de 3 a 4% da carga. Entre os benefícios, 6 milhões de residências atendidas, uma média mensal, evitando-se a emissão de 7 milhões de toneladas de CO2, entre julho de 2014 a junho deste ano, e encargos de R$ 5 bilhões ao sistema.

Entre os desafios, Gannoum frisou que as linhas de transmissão ainda são ponto de atenção, bem como a logística, pois os equipamentos, transportados geralmente por rodovias, são cargas grandes, pesadas e sensíveis. E, ainda, questões como tributação, mercado livre e a capacitação. Em sua avaliação, é preciso garantir sustentabilidade a essa cadeia produtiva e, para o futuro, torna-se fundamental aproveitar realmente a complementaridade da matriz. Ela citou o fator socioeconômico também: há a geração de 15 empregos por megawatt instalado.

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Expositores em workshop sobre fontes renováveis de energia realizado pela Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Já a cogeração de energia visa a promover a eficiência da produção e oferta com a geração distribuída à base de biomassa da cana (bioeletricidade), gás natural, solar e biogás, explicou Leonardo Caio, diretor de tecnologia e regulação da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen).

Com mais de 14 mil MW de capacidade instalada, há grande potencial a explorar no Centro-Oeste, em função da cana-de-açúcar e do gás natural, e no Nordeste, com a solar, que também tem aproveitamento no interior do Estado de São Paulo. Para se ter uma ideia, o potencial da energia solar, na Alemanha, é de 3,4 kWh/m²; no Brasil, varia de 4,1 a 6 kWh/m².

Segundo Caio, “o governo vem enxergando o potencial solar, mas há gargalo quanto ao financiamento, e é preciso aperfeiçoar a regulamentação. A geração distribuída permite diminuir a dependência da energia tradicional”, afirmou.

“Muito se fala sobre a complementaridade entre estas fontes”, afirmou Márcio Severi, diretor da CPFL Renováveis. A bioeletricidade representou 4% do consumo nacional de energia, em 2014, chegando a 7% nos períodos de seca e, de acordo com estudos da Cogen, foram preservados 14% dos reservatórios da região Sudeste. Já no Nordeste, a contribuição da eólica é mais nítida, e percebe-se que seus efeitos se estendem às empresas e às suas estratégias, na construção de seu portfólio. Ao frisar que as fontes alternativas são complementares, afirmou que há 81 projetos em operação em 8 Estados com a diversificação de suas fontes.

Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), frisou a complementaridade do sistema, pois os ciclos da água e do vento são negativamente correlacionados: em geral, há mais vento no período seco, e vice-versa, o que faz com que os reservatórios funcionem como bateria dos parques eólicos. Portanto, é possível acumular energia. O país já conta com os reservatórios naturais das hidrelétricas, mas a maior parte do mundo não os tem”, o que é uma vantagem para o país. Tolmasquim ainda pontuou que o período de safra da cana-de-açúcar ocorre, por exemplo, quando os reservatórios estão mais baixos – outra complementaridade apontada.

Outra estratégia é o aproveitamento da energia fotovoltaica em telhados de residências, shoppings, supermercados e universidades, por exemplo, mas o problema é o financiamento dos equipamentos. “Estados com menor irradiação podem ter seu potencial compensado pelo maior número de domicílios”, caso do Sudeste, avaliou, além da instalação dos equipamentos em grandes parques e fazendas.

Meta brasileira e mudança climática

Quanto ao anúncio de ações voltadas às mudanças climáticas da presidente Dilma Rousseff, nos Estados Unidos, ao lado do seu colega Barack Obama, em junho deste ano, Elbia Gannoum, presidente da Abeeólica, considerou-as factíveis em função da evolução do cenário. Os dois países pretendem atingir, individualmente, 20% de participação de fontes renováveis (sem contar com a geração hidrelétrica) em suas respectivas matrizes elétricas até 2030.

Segundo Tolmasquim, em 2014 o Brasil contava com 78,2% de fontes renováveis em sua matriz, mas poderia ter chegado a 90% não fosse a crise hídrica. No mundo, o índice está em torno de 20% apenas.

Ele disse que “41% da energia elétrica no mundo é a carvão, que emite duas vezes mais CO², e a renovável é praticamente zero. No Brasil, o carvão tem representação de 1,5 a 3%, mas a mensagem é que precisamos nos orgulhar da nossa matriz”. Em termos de emissão de gases de efeito estufa (GEE), a China é o maior emissor, com 31%; os Estados Unidos com 16% e a Índia com 8%, enquanto o Brasil emite menos de 1%, cerca de 54 tCO²-eq. A meta anunciada pela presidente Dilma Rousseff é arrojada e será possível alcançá-la, apesar disto significar dobrar a participação das fontes renováveis na matriz, concluiu.

Coordenador do Combio/Fiesp participa de Festival Internacional de Tecnologia, na Holanda

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“Do Sol aos Sons”. Com esse tema o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp, Eduardo Giacomazzi, apresentou nesta quinta-feira (14/11) em Haia, na Holanda, uma palestra em que demonstrou como a energia do sol interage em várias dimensões nos sistemas produtivos naturais e gerar, por exemplo, um inusitado instrumento musical, como uma guitarra feita com fibras de bambu.

A palestra aconteceu durante o Border Sessions – festival internacional de tecnologias de fronteira que reúne cientistas e profissionais que trabalham nas áreas de tecnologia, ciência e arte.

Ao lado de outros 24 especialistas internacionais, Giacomazzi apresentou não apenas os acordes da guitarra de bambu, e todo potencial desta planta para fomentar a cadeia de inovação em biotecnologia, mas também o potencial de tecnologias sociais na geração de energia solar no Brasil.

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Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“O sol é o responsável por toda energia para produção da biomassa e vida no planeta. O bambu, com toda sua versatilidade é uma biomassa do futuro na chamada bioeconomia”, afirmou Giacomazzi ao site da Fiesp dias antes da apresentação.

Segundo ele, a China, com US$ 1 bilhão em exportação de produtos de bambu, é líder na industrialização e uso de novas tecnologias. “Provenientes do sol, são gerados diversos produtos industriais. E aqui no Brasil fizemos a primeira guitarra de bambu do mundo.”

Para o coordenador do Combio/Fiesp, quando se trata de biotecnologia e novas formas de energia, o Brasil é uma das fronteiras e daí a importância da participação neste festival internacional. Em sua palestra ele também apresentou o ASBC (sistema de aquecimento solar de baixo custo, que desde 1992 vem sendo implantado no país, pela organização não-governamental Sociedade do Sol), além de projetos similares, e que estão relacionados à saúde, meio ambiente e tecnologias sustentáveis genuinamente nacionais.

País precisa de mais opções de matrizes energéticas, diz secretário de Minas e Energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos, afirmou o secretário Altino Ventura Filho, do Ministério de Minas e Energia.  No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas futuros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A abertura oficial do seminário da FGV na Fiesp foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

Ventura Filho: hidrelétricas esgotadas em 15 anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ventura Filho: soluções para o setor de energia já estão atrasadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura durante o seminário O Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quarta-feira (13/07), na sede da entidade.

Segundo Ventura, a solução para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo. “A política nuclear no Brasil neste momento consta da decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) de construir Angra 3,  dos nossos estudos de planejamento de longo prazo que preveem essas necessidades nucleares e no plano de 2030. Essa é a politica atual, mas nós precisamos avançar em relação a ela”, afirmou.

Enquanto as soluções e o substituto das hidrelétricas não chegam, a capacidade instalada para geração de energia elétrica precisa duplicar nos próximos 15 anos, afirmou o secretário.  Segundo Ventura, o setor precisa crescer pelo menos 4% ao ano para suprir a demanda.

Segundo levantamento da FGV divulgado durante o seminário, o crescimento estimado da demanda de energia elétrica entre 2012-2021 deve ser de 4,9% ao ano, o equivalente a um aumento total de 55% durante o período.

Novo modelo de negócio

Moussalem: apoio da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussalem: iniciativa privada pode dar a sua contribuição. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar as características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, defendeu a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Especialistas destacam aumento da oferta/demanda das fontes incentivadas no mercado livre de energia

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Especialistas discutem fontes incentivadas durante 13o Encontro Internacional de Energia da Fiesp

Nos últimos anos, o Brasil registrou o crescimento da oferta e demanda das fontes de energia incentivadas – eólica, biomassa, biogás e solar – no mercado livre de energia. Os investimentos para expansão deste setor e suas regras contratuais foram os temas discutidos no painel “Competitividade das ‘Fontes incentivadas’”, durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, realizado nesta terça-feira (07/08),  no Hotel Unique, em São Paulo.

O evento, coordenado pelo diretor-titular-adjunto da Divisão de Energia do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da entidade, Lucien Belmonte, contou com a participação do presidente do conselho gestor dos Mananciais (Comer), Cristopher Vlavianos; do Trader de Comercialização  Ecom Energia, Celso Concato Junior; do diretor-executivo do Greenpeace Brasil, Marcelo Furtado; e do assessor especial de Meio Ambiente da vice-presidência Corporativa de Distribuição Rede Energia, Decio Michellis Junior.

Confira o resumo das palestras:

Cristopher Vlavianos (Comerc): Na avaliação do presidente da Comerc, o desenvolvimento do mercado de fontes renováveis é frutos dos investimentos realizados pelo Programa de Incentivo as Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), que estimulou o aumento da oferta e da demanda de fontes renováveis no mercado livre de energia elétrica. “O Brasil dispõem de recursos naturais, tecnologia e crescimento da demanda. Itens fundamentais para que o país cresça de uma forma sustentável. A tendência é que estes novos consumidores migrem para o mercado livre e contratem energia limpa”, pontuou.

Celso Concato (Ecom): De acordo com o Trader de Comercialização da Ecom, nos próximos anos o mercado livre de energia elétrica registrará um crescimento significativo da demanda dos consumidores especiais – potência em torno de 500 KW e 3.000 KW. “O foco do mercado está nos consumidores menores, que só podem comprar energia de uma fonte incentivada”, afirmou.

Decio Michellis (Rede Energia): O vice-presidente da Rede Energia defendeu a interligação das redes de energia para ampliar a eficiência e segurança energética brasileira. Segundo Michellis, o mercado brasileiro é muito oneroso e repleto de cargas tributárias que inibem novos investimentos e, consequentemente, levam ao enfraquecimento do setor produtivo: “Não basta ter uma energia a preço justo. O que nós precisamos é de mercado”. E acrescentou: “Os custos ambientais são resultado do déficit de investimentos públicos. Dos custos ambientais para construção de uma nova hidrelétrica, entre 15% a 20% destes ônus são resultado da falta de políticas públicas, que foram transformados em compensação ambiental”.
Durante sua explanação, Michellis defendeu o desenvolvimento de uma nova geração de reatores nucleares – intrinsecamente seguros – como alternativa para diversificar as fontes de energia: “A continuidade das políticas públicas e o financiamento dos programas e ações são um grande desafio para que o Brasil possa manter uma matriz energética limpa e competitiva”, ressaltou.

Marcelo Furtado (Greenpeace): O diretor-executivo do Greenpeace defendeu a realização de um amplo debate com representantes da sociedade civil para avaliar os tipos de tributos, encargos e impostos que devem ser dedutivos da conta de luz dos brasileiros. “É muito importante que a gente eduque a sociedade sobre quais são os desafios e o preço que nós teremos que pagar”, afirmou. No entendimento de Furtado, o governo precisa investir na criação de políticas de estado que assegurem o desenvolvimento das fontes de energias renováveis: “A instabilidade do mercado livre faz com que investidores e comprador fechem contrato de curto prazo. Temos que adotar uma política de longo prazo. Não podemos adotar políticas de governo, que se encerram de quatro em quatro anos, mas políticas de estado, onde a população tenha o entendimento do que precisa ser feito”.

Sustentabilidade vem de fontes eólica, hidrelétrica e da biomassa, diz secretário do MME

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME

O Brasil tem muito a dizer no contexto da energia sustentável, pois tem uma matriz que resulta de política adotada nas ultimas décadas. “O país tem presença respeitada e é um exemplo em todo o mundo”, afirmou Altino Ventura Filho, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), em sua participação no 13º Encontro Internacional de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Durante o painel “Energia no Contexto da Economia Sustentável”, Ventura Filho recordou que, no final da década de 70, era alta a dependência energética brasileira. “Importávamos quase 30% da energia produzida e o Brasil foi se tornando dependente de energia de outros países”, afirmou.

No final da década, período em que o Brasil consumia 50% de sua matriz energética a partir do petróleo, quase não havia gás natural naquele contexto. “O petróleo era barato e figurava um quadro chocante em relação ao desenvolvimento sustentável”, lembrou.

De acordo com o representante do MME, decisões estratégicas como a construção de grandes e médias usinas hidroelétricas pela Eletrobras, aliada à prospecção de petróleo no mar pela Petrobras e o Programa Pró-Álcool diminuíram a participação de combustíveis fósseis na matriz energética.

“Três fontes que contribuem para preservarmos e ampliarmos a sustentabilidade do setor energético brasileiro são hidro, eólica e biomassa. As demais têm um aspecto complementar”, afirmou o secretário, ao explicar que estas fontes mostram o resultado das politicas energéticas. “O país é um exemplo mundial reconhecido pela sua matriz energética competitiva e segura, em termos ambientais com baixa emissões”, atestou.

Altino Ventura Filho garante que todo o quadro energético essencial para o país tem sido feito com grande responsabilidade social. “Programas do governo levaram energia a quem não tinha. Quase 100% dos brasileiros têm acesso a ela atualmente”, sublinhou.

Inclusão social e agroenergia

Marcelo Alves Souza, representante da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial, a Onudi (agência da ONU para fomento de utilização de energias renováveis no mundo), concorda que a inclusão social não acontece sem a oferta de energia para todos.

Ele apresentou um programa de agricultura de baixo carbono, que consiste em três objetivos com meta de redução de 1 bilhão de toneladas equivalentes de CO2. Deu ainda o exemplo de um condomínio de agroenergia no estado do Paraná, no qual um produtor de suínos consumia cerca de R$ 3 mil mensais em energia elétrica.

Com a geração de agroenergia para a agricultura familiar e ausência de passivos ambientais nas propriedades, houve a criação de pequenas indústrias de energia locais que vendem o excedente de energia – produzida sem passivos ambientais – para a concessionária. “É a bioenergia movimentando a indústria em locais isolados”, resumiu.

Brasil é principal investidor da América Latina, com US$ 7 bi em 2010

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Durante o ano de 2010, o Brasil investiu U$ 7 bilhões em projetos de energia renovável. Embora o valor tenha sido 5% inferior ao número de 2009, o País continuou sendo o maior investidor da América Latina no setor. Em 2010, produziu 36 bilhões de litros de etanol e possui boa capacidade de geração elétrica com biomassa, material constituído por substâncias de origem orgânica, no caso do etanol, o bagaço da cana.

Estes números mostram parte do universo de oportunidades de negócios a partir do combate às mudanças climáticas gerando energia limpa, tema que irá compor uma das mesas de debate da 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental – Desenvolvimento Social e Resultado Econômico.

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovitch, fará a palestra “Mudanças do clima: Custos e Oportunidades”, no segundo dia da Mostra.

Marcovich é autor dos livros Para Mudar o Futuro – Mudanças climáticas, políticas públicas e estratégias empresariaisA Universidade (Im)PossívelUniversidade Viva e da trilogia Pioneiros e Empreendedores – A Saga do Desenvolvimento no Brasil, entre outros.

Serviço
5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambienta
l
Tema: Desenvolvimento Social e Resultado Econômico
Data: 21, 22 e 23/11
Local: sede da Fiesp, Av.Paulista, 1313, capital

“Brasil está redescobrindo o valor da cana”, afirma o vice-presidente da Cogen

Agência Indusnet Fiesp

O crescimento de 200% da biomassa na geração de energia no Estado de São Paulo está ampliando o valor da cana.

A constatação foi apresentada nesta quarta-feira (12), durante o seminário Redução do Consumo Energético e Utilização de Energias Renováveis: Situação Atual e Perspectivas.

O evento foi realizado pelo Sindicato da Indústria de Refrigeração, Aquecimento e Tratamento de Ar do Estado de São Paulo (Sindratar-SP), com apoio do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp.

De acordo com Carlos Silvestrin, o Brasil está “sujando” sua matriz energética por falta de planejamento. Atualmente, ela é composta por 3.485 MWe hídrica, 10.228 MWe térmica e 1.250 MWe bioeletricidade.

Segundo Silvestrin, o leilão das novas usinas termelétricas baixou de 79% para 71% o uso de energia hidrelétrica. “Por outro lado, tivemos um aumento de 340% de uso do óleo combustível. Precisamos de fontes complementares de energia, e não de fontes alternativas. E estas virão da agroenergia”, enfatizou.

Ele informou que no ano passado a produção de cana registrou 562 milhões de toneladas, e para 2020, é possível projetar 1.038 milhões de toneladas. “Com este valor poderemos produzir a mesma que quantidade da energia gerada hoje em Itaipu”, comparou.

Entretanto, para isso seriam necessários investimentos da ordem de 40 bilhões de dólares. “A indústria nacional tem condições de atender a esta demanda e o Brasil tem uma área de 25 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas”, complementou o executivo.


Reflexão

Na abertura do seminário, o presidente do Sindratar-SP e diretor do DMA, José Medela, lembrou que o evento é destinado a pensar o meio ambiente e o futuro. “Temos nos pautado com a preocupação em todos os setores da economia e estamos comprometidos com o futuro do País e da humanidade”, refletiu.

O diretor do DMA, Marco Antonio Barbieri, acrescentou que a Fiesp tem provocado questionamentos em busca de soluções de sustentabilidade. “As questões ambientais são sempre complexas, pois envolvem a sociedade de maneira sensível”, pontuou.

O seminário contou também com a participação dos seguintes profissionais: Ennio Peres da Silva, do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp; Marcelo de Andrade Romero, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP; Lauro Fiúza Júnior, presidente do grupo Servtec; Alessandro da Silva, coordenador da Bitzer do Brasil; Ricardo Suppion, da Tour & Andersson; e Celso Simões Alexandre, da Trox do Brasil.