Encontro empresarial entre Brasil e Dinamarca debate mudanças climáticas


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Troels Lund Poulsen, ministro do Meio Ambiente da Dinamarca

Nesta quinta-feira (10), o ministro do Meio Ambiente da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, participou de encontro empresarial entre o Brasil e a Dinamarca, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Entre os objetivos, debater a posição da iniciativa privada para a 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15) a ser realizada entre os dias 7 e 18 de dezembro, em Copenhague.

Poulsen enfatizou a importância “do esforço mútuo dos países para alcançar o que não se pode fazer sozinho” e frisou a redução dos níveis de poluição da água e do ar nos últimos anos, mesmo diante do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País.


Tecnologia para enchentes

As enchentes não podem ser evitadas, mas é preciso saber lidar com elas. A afirmação feita por Jacob Hoest Madsen, diretor de soluções da DHI (Instituto de Pesquisa e Consultoria em Soluções para Água, Meio Ambiente e Saúde), traduz o investimento em tecnologia. A empresa desenvolveu um modelo matemático que indica aonde a água fluirá. A solução, na Dinamarca, é conduzir o excesso para os estádios de futebol.

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Henrik Wedjling, da Dakofa

Henrik Wejdling, da Dakofa (Centro dinamarquês de competências em tecnologias para resíduos sólidos), deu a receita para reduzir o número dos aterros sanitários e o aproveitamento quase total dos resíduos (94%): o tripé universidade, pelo conhecimento, o governo, por apontar rumos, e a indústria, que enxerga o negócio.

Com tradição em reciclagem e incineração, a Dinamarca já trabalha na segunda geração do biodiesel a partir de resíduos orgânicos. Na Europa, usa-se o milho para se obter o etanol, que não é tão sustentável como a cana-de-açúcar, no Brasil, segundo avaliação feita por Jens Ejbye Schmidt, da Riso Laboratório Nacional de Energia Sustentável. Ele informou que se aposta também em uma terceira geração: na biorefinaria será possível produzir etanol, biogás e combustíveis químicos.


A bioeletricidade é a próxima fronteira

A frase de Geraldine Kustas, assessora da presidência da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), indica um dos rumos do setor. Reforçando que “as nossas emissões hoje devem promover as mudanças climáticas amanhã”, disse que a mecanização total substituirá a manual na colheita da cana até 2014, acabando assim com as queimadas de palha. Em compensação, será colocado em curso um programa de requalificação de sete mil trabalhadores rurais/ano que operarão máquinas e atuarão em usinas.

“A gravidade do fenômeno das mudanças climáticas implica imensa responsabilidade aos setores produtivos. O grande desafio é conciliar o crescimento econômico ininterrupto com a recuperação e preservação do ambiente e uso racional dos recursos naturais”, alertou João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp. E completou: “Estamos nos aproximando de 2012, quando se extinguirá o protocolo de Kyoto, e não há avanços expressivos”.