Amazônia dá exemplos e oferece recursos, mostram especialistas na Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Amazônia e Agricultura Sustentáveis foi o tema do Simpósio de Bioeconomia da Fapesp, Fiesp e Ciesp realizado nesta sexta-feira (29 de setembro). Rodrigo Rocha Loures, presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), abriu o evento ressaltando a enorme importância do tema para o Brasil, a América do Sul e o mundo. O trabalho realizado nos últimos dois anos, afirmou, mostra que há o envolvimento até simbiótico entre o desenvolvimento sustentável da Amazônia e o agronegócio brasileiro.

O grande desafio para o Brasil é como responder ao desafio de fornecer alimentos para o mundo sem sacrificar a floresta amazônica e outras. O agronegócio brasileiro, afirmou, precisa de aumentos dramáticos de produtividade.

A preservação da floresta é imperativa para manter o regime de chuvas em toda a América do Sul.

Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior do Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), ressaltou o momento oportuno de discutir bioeconomia e Amazônia. “A região é para nós um pouco mística”, disse, distante fisicamente do Sudeste, mas presente no coração. Tudo que acontece na Amazonia é alardeado, para o bem ou para o mal. “Está no momento de quebrar um tabu, o da preservação da Amazônia”, que, afirmou, não é uma realidade. Cabe, disse, aos empresários industriais paulistas e de todo o país esta grande tarefa de procurar, e conseguir, fazer o desenvolvimento sustentável da Amazônia, para mudar essa imagem muito ruim que o Brasil tem no mundo todo.

Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, lembrou a ocupação sem planejamento da Amazônia, destacando o desafio representado por sua preservação. O Brasil ainda tem o ônus, mas não tem o bônus de saber usar a Amazônia. “Nossos indígenas sempre praticaram uma agricultura sustentável, melhor do que ninguém poderiam ter áreas de agricultura sustentável na Amazônia que seriam referência para o mundo.”

Abertura do Simpósio de Bioeconomia – Amazônia e Agricultura Sustentáveis. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

No primeiro painel do simpósio, “Tecnologias para produtividade agrícola disruptiva”, Roberto Rodrigues, presidente do Centro de Agronegócio da FGV/EESP e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), destacou que agronegócio é um pedaço significativo da bioeconomia. A amplitude do tema exige coordenação, inclusive com um marco regulatório, com pouca burocracia e corporativismo, que permita a atividade.

Rodrigues listou diretrizes de um estudo recém-publicado sobre a exploração sustentável da Amazônia, mas disse que falta ali a questão da estrutura fundiária. “Sem saber de quem é a terra, como dar crédito?” Rodrigues disse ter convicção de que o casamento da moderna agricultura com a bioeconomia é essencial para manter a competitividade brasileira.

Rodrigo Lima, diretor geral da Agroícone, disse que a discussão do desmatamento é essencial para entender como fazer a expansão sustentável na Amazônia. Destacou que 69 milhões de hectares do território amazônico, 22% de seu total, pertencem à União sem ter destinação nenhuma, não integrando parques, áreas de preservação etc.

É preciso, defendeu, mostrar o que é legal e ilegal no desmatamento, e para isso é importante o papel do cadastro rural.

E o Estado brasileiro precisa fazer a regularização fundiária.

A área de vegetação secundária, de 17 milhões de hectares, deveria ser urgentemente ter destinação. E há a questão das pastagens, de produtividade baixíssima, ocupando 49 milhões de hectares. “Isso tem que acabar ou tem que melhorar, porque não faz sentido do ponto de vista ambiental nem econômico, mas é uma questão social.” Há, em sua avaliação, uma oportunidade enorme de aumentar a produtividade, com integração pecuária-floresta.

Os recursos da biodiversidade têm enorme potencial e podem ajudar na preservação. “Temos que sair do potencial e ir para a prática.”

“Uma nova Biocivilização é possível?” foi o tema da apresentação de João José Passini, consultor do diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional.

Ricardo Rodrigues Mastroti, mestre em biomimética e sócio da Bemtevi, Investimento social, fez a apresentação “Produtividade agrícola inspirada em ecossistemas biológicos”.

Wilson Nobre, conselheiro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) e professor da FGV-EAESP, moderador do primeiro painel do simpósio, destacou a esperança no mundo de que o Brasil forneça alimentos saudáveis. Foi para mostrar a importância de olhar para o que a natureza oferece que foi inserido em cada painel um exemplo de biomimética, explicou.

O painel 2 teve como tema Amazônia: florescendo seu maior potencial para a humanidade. Foi moderado por Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Índia. O painel apresentou quatro casos de desenvolvimento da região a partir dos ativos amazônicos, em termos de insumos naturais, inteligência embarcada nos processos da natureza e serviços ecossistêmicos de importância para o Brasil e o mundo.

Ana Luiza Vergueiro, sócia-proprietária da empresa Econut, explicou o processo de domesticação da castanha do Brasil na Agropecuária Aruanã, iniciada em 1981. Hoje há uma minifloresta de 1,3 milhão de castanheiras, das quais 300.000 para colheita de frutos. É um cultivo orgânico. Seu produto, afirmou, atende às demandas atuais do mercado mundial, mas ele ainda não é exportado.

Guilherme Moraes, diretor financeiro da Sambazon, explicou que mais de 90% do fruto do açaí é o caroço, que precisa ser descartado. Para evitar a geração de resíduos, parte dos caroços alimenta as caldeiras da Sambazon e parte vai para olarias, evitando o corte de árvores que seriam usadas como lenha. Ele fez a apresentação “Caso do Açaí: Criação e captura de valor com impacto positivo”.

“Projeto Amazônia: Formação de cadeia de valor com Inovação na floresta” foi o tema da palestra de Ronaldo Freitas, gerente de Sustentabilidade de Desenvolvimento Local da Amazônia da Natura. Disse que o processo ensinou várias lições à empresa, entre as quais a necessidade de contato direto com as comunidades. Entre os desafios da SBD destacou a alta carga tributária sobre produtos florestais não madeireiros e a precária infraestrutura de produção e logística.

Alessandra Araújo, mestre em biomimética, diretora sócia na GCP Arquitetura & Urbanismo, fez a apresentação “A biodiversidade amazônica inspirando o design”. Mostrou diversos exemplos de soluções naturais, encontradas em animais e plantas, que podem inspirar estruturas e produtos.

Mesa do painel “Casos exemplares: Empreendedorismo tecnológico para o agronegócio”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Empreendorismo

Eduardo Giacomazzi, diretor titular adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude), moderou o terceiro painel do simpósio. Com o tema “Casos exemplares: Empreendedorismo tecnológico para o agronegócio”, o painel reuniu startups e profissionais que têm foco no impacto positivo e no aumento radical da produtividade, mostrando exemplos de tecnologias voltados a alavancar a produtividade agrícola e a sistematização de processos em rede para ecossistemas empreendedores.

Giacomazzi explicou a tentativa de construir um chamado para a ação com a série de simpósios de bioeconomia, que começou com um sobre Cidades e prosseguiu com o de agricultura, havendo um terceiro ainda a ser realizado.

As palestras do painel foram:

“Redes vivas na autogestão de pessoas e processos”, a cargo de Ana Carolina Freitas, cofundadora do Biomimicry Brasil Network e CEO do Napkintalk.

“Solos saudáveis inspirados em sistemas vivos”, por Giane Brocco, fundadora do Biomimicry Brasil e diretora executiva da Mercobor.

“Nowcasting, tempo e clima para a agricultura”, apresentação de Takao Miyata, CEO da Oráculo Meteorologia.

“Produtividade com foco no meio ambiente aquático”, de  Daniel Ruffato, diretor Executivo da Salt Ambiental.

“Fertilizantes nitrogenados formulados com biocarvão”, apresentação de Aline Peregrina Puga, pós-doutoranda da Embrapa Meio Ambiente e parceira da Carbosolo.

“Biotecnologia aplicada ao agro”, feita por Rafael Vicente de Pádua Ferreira, diretor executivo da Itatijuca Biotech.

Fiesp é palco de debate sobre contribuição da bioeconomia para a evolução das cidades

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaude) e o Conselho Superior de Inovação (Conic) da Fiesp realizaram em 26 de maio o Simpósio de Bioeconomia – Clean Cities “Co-criando ecossistemas urbanos para Biocidades 4.0”.

Foi o primeiro dos três eventos temáticos preparatórios para a cúpula, uma Chamada para Ação em Bioeconomia (Summit Call for Action in Bioeconomy), que será realizada em novembro de 2017 e é parte de uma estratégia de longo prazo visando a fomentar e alavancar ecossistemas de inovação de classe mundial em bioeconomia.

Em seu primeiro painel, Gilberto Tanos Natalini, secretário do Verde e do Meio Ambiente do município de São Paulo, e Marianna Sampaio, secretária adjunta de Inovação e Tecnologia da cidade, falaram sobre os desafios mais relevantes para suas pastas em relação ao tema Bio Cidades 4.0. Depois dos painéis da manhã houve uma sessão colaborativa, a Oficina: cocriação de visões de oportunidades emergentes para as Bio Cidades 4.0.

Na abertura do simpósio, Roberto Paranhos Castelo Branco, vice-presidente do Conic, destacou que o conselho considera a bioeconomia prioritária para o desenvolvimento de ecossistemas de classe mundial. “Fazemos parceria com a Fapesp, a Escola Politécnica e, agora, com o Hospital das Clínicas para fomentar o empreendedorismo de classe mundial. Uma decisão unânime do Conic é que a Bioeconomia deve ser prioridade no desenvolvimento destas oportunidades.”

Simpósio de Bioeconomia Clean Cities, promovido em 26 de maio na FIesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Eduardo Jorge, membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema) e ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, disse que “precisamos compatibilizar as 3 inteligências: da natureza, da evolução/artificial e da autoconsciência ao invés de ficarmos escravos apenas de uma delas. Tem coisas muito importantes a serem feitas, mas também coisas prosaicas nas quais podemos avançar, como a compostagem com minhocários, uma inteligência da natureza com impacto imediato.”

Eduardo Aprígio Azevedo de Moura, diretor executivo de Projetos da Fiesp, lembrou que o momento no Brasil traz desafios, sendo necessário “dar continuidade às nossas agendas que são positivas, nós precisamos seguir em frente, continuar tocando nossa vida olhando pra gente e por uma razão, porque já estão aqui os nossos filhos e os netos olhando pra gente a dizer qual é o mundo ou qual é o Brasil que vamos entregar para eles”.

Mário Hirose, diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, fez um alerta: “Não adianta nós termos grandes programas macros, se nós não resolvermos as questões, primeiramente, da nossas rua, do nosso bairro…” Usou como exemplo a rua Costa Carvalho, em São Paulo, uma smart street. “Toda monitorada por wi-fi, tem casas e apartamentos com captação de água de chuva, energia solar, calçadas feitas de uma forma ambientalmente correta e a discussão das ciclofaixas/ciclovias em toda a região de Pinheiros, árvores monitoradas com key code. Tudo começa numa rua.”

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, listou características da cidade de São Paulo que tornam fundamental o tema do simpósio. “Gostaria de abordar 3 temas da cidade de São Paulo: 6ª cidade em poluição do mundo…dado que afeta a economia mundial…Estamos alcançando os 12 metros quadrados de área verde por habitante, embora ainda com discrepâncias preocupantes entre os diversos bairros, e o 3º aspecto é a mobilidade urbana, com o tempo médio de casa-trabalho de cerca de 42 minutos.”

Em sua apresentação, o secretário Gilberto Natalini explicou que “a bioeconomia está dentro de um contexto, um ramo maior, que é a ecoeconomia, que é uma forma diferente de pensar o desenvolvimento econômico no mundo de hoje”. É, afirmou, “uma maneira de pensar a renda, o emprego, o trabalho e o lucro, de uma forma moderna”, utilizando inclusive a bioeconomia. Natalini listou uma série de oportunidades em sua apresentação:

Oportunidade 1: Licenciamento ambiental industrial online, como em Campinas, até setembro/2017, com apoio da SMIT. Possível papel da Fiesp e do Ciesp: educação das indústrias para licenciamento online.

Oportunidade 2: Licenciamento de áreas contaminadas. Projeto piloto de biorremediação. Parcerias internacionais e com atores locais para descontaminar de áreas em São Paulo com interesse econômico e social.

Oportunidade 3: Viveiro municipal. Trabalho conjunto com indústrias para aumentar a oferta de vegetação arbórea para o reflorescimento da cidade. Inclui o Plano Municipal de Arborização Urbana (em estudo), que criou o Comitê de Arborização bipartite, com 16 especialistas. Na nossa linguagem, seria construir a Cadeia de Valor da Árvore na cidade. Inclui todos os atores: viveiros de mudas nativas e de interesse comercial, plantio, financiamento, monitoramento, manutenção e substituição das árvores velhas, aplicação comercial da madeira e da lenha na cidade, indicadores de impacto no clima e na saúde da população beneficiada. Hoje o viveiro municipal produz 150.000 mudas/anos. Dá para aumentar a produção e usar as doações da compensação ambiental.

Oportunidade 4: Agricultura urbana orgânica e sustentável: utilização de terrenos públicos sem aproveitamento atual e emprego de moradores de rua para a atividade agrícola.

Oportunidade 5: Ampliar a participação do Cosema e DMA nos conselhos de meio ambiente da cidade. Incluir o BioBrasil e ComSaúde.

Oportunidade 6: Incentivo, por meio de aumento do potencial construtivo, para edificações inovadoramente sustentáveis: incluir desde o projeto original ou de reforma das edificações a energia fotovoltaica e aquecimento de água, sistemas de captura de água da chuva e redução de uso de água, tratamento local de esgotos,  separação e tratamento de resíduos sólidos domésticos, triturador de pia em todas as unidades e biodigestor central no prédio, horta residencial, vegetação vertical e jardim voltado ao público etc.

Oportunidade 7: usar o Fundo municipal de Meio Ambiente para financiar projetos de premiação e incentivo para oferta de soluções inovadoras aos velhos problemas da cidade.

Oportunidade 8: Criar sistema inovador de divulgação e engajamento da população com o que ocorre na cidade em termos de meio ambiente e qualidade de vida e de relacionamento. Utilizar a experiência e parceria do Projeto Verdejando.

Dados abertos

Segundo Marianna Sampaio, as ações da Secretaria de Inovação e Tecnologia certamente vão contribuir para uma cidade mais sustentável e fomentar a bioeconomia. “Na secretaria, nós fazemos o exercício diário de lembrar que o nosso foco é no cidadão e na qualidade de vida dele. Estamos trabalhando muito para que, até o final da gestão, 100% dos dados disponíveis da prefeitura estejam em formato aberto. Queremos fazer isso não só porque transparência combate corrupção, combate irregularidade, mas acreditamos muito que a abertura de dados é fundamental para o ecossistema de startups da cidade … Acreditamos que abrindo todos os dados da prefeitura, muitos outros negócios vão surgir. Acreditamos muito na colaboração governo-sociedade, no governo como plataforma, um governo aberto, trabalhando junto com a sociedade, não só metodologicamente, como com espaços de interação, através dos Laboratórios Municipais para que a academia, sociedade civil, setor privado, todo mundo possa interagir com a administração.”  Oportunidades apresentadas pela secretária adjunta:

Oportunidade 1: Parceria com a Fapesp. Sincronizar os desafios de bioeconomia com demandas da prefeitura e fomento Pipe-Fapesp; organizar treinamento na metodologia i-CORPS para 100% das startups que atenderem a esse desafio.

Oportunidade 2: City Câmeras. Chamada para vigilância inteligente em toda a cidade segundo uma visão sistêmica, juntando diversas disciplinas como iluminação inteligente, orientação à população, enterramento de fiação, solução de perda de água na distribuição etc. Modelo de cobrança pelo uso do sistema de distribuição de facilidades.

Oportunidade 3: Colaboração Governo-Sociedade: Implantar novas tecnologias sociais para harmonizar e potencializar a interação entre setor público, iniciativa privada, academia e sociedade civil.

Oportunidade 4: Fomento ao Ecossistema de Inovação (SP 4.0). Integrar Fiesp, Fapesp, incubadoras e empresas com a prefeitura, para fomento ao ecossistema de inovação, conforme iniciativa do Conic desde 2013 e projetos piloto em Curitiba e Campinas.

Marcos Silveira Buckeridge, presidente da Academia Paulista de Ciências e professor da USP, também participou do painel Oportunidades para Bio Cidades 4.0. Sua apresentação revelou como oportunidade a arborização para adaptação às mudanças climáticas. O projeto envolve o desenvolvimento de tecnologias para monitoramento de árvores e estudos sobre árvores e saúde da população. Há oportunidade ainda para a ampliação de espécies úteis para o reflorestamento da cidade, considerando a cadeia de valor da árvore.

Alexandre Mutran, da Rede Globo, explicou o Projeto Verdejando, iniciativa de comunicação, engajamento e difusão da prática de plantio de árvores na cidade de São Paulo. Poderia ser utilizado como modelo de comunicação com engajamento, patrocinado por empresas ligadas à Fiesp em parceria com a prefeitura: verdejando, aquejando, solejando, arejando e urbanejando.

O simpósio teve apresentações sobre casos práticos de cidades que tiveram sucesso na implementação de soluções em bioeconomia aplicadas às necessidades urbanas. Também foram explicadas tecnologias exponenciais da quarta revolução industrial, em especial as biotecnologias com potencial para trazer as cidades para o século 21, atendendo aos anseios e modos de vida das populações deste século.

  • Carlos Roma, da BYD do Brasil: Veículos elétricos para passageiros e carga (lixo).
  • Ivo Pons, da Scipopulis: App de mobilidade urbana (transporte público) e monitoramento de trânsito urbano.
  • Ricardo Magnani, da Anpei: Projeto iTec. Plataforma de estímulo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, por meio da inovação aberta baseada em desafios.
  • Rafael Ferreira , da Itatijuca Biotech: processos biológicos de redução de resíduos (pneus, mineração etc.); biocimento para rachaduras etc.
  • Fernando Beltrame, da Eccaplan: Projeto “Sou Resíduo Zero”, com potencial para multiplicação da ação em parceria com SVMA e Verdejando.
  • Rodrigo Perez, BR3 Agroecologia: Projeto DengueTech. Possível campanha de distribuição e aplicação do denguetech na RMSP. Tem patrocínio líder da Fiesp.

 

Indústria 4.0 é tema de debate em reunião do Conic

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Todas as oportunidades são abundantes. Todos estão cientes de que temos de aprender, porque a velocidade é a regra do jogo. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (24 de março), na sede da Fiesp, reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação. O debate foi focado nas oportunidades de alavancagem do ecossistema de inovação de São Paulo com o projeto SP 4.0 e a relação com a Prefeitura de São Paulo.

Segundo o conselheiro Paulo Roberto Barreto Borbhausen, temos uma nova perspectiva em executar as coisas. “Para a indústria 4.0 ser uma realidade, temos que trabalhar em tecnologias em conjunto. Neste processo todos têm de ver as qualidades e defeitos um dos outros”, disse.

Ainda durante a reunião foi discutida pelos conselheiros a agenda da Bioeconomia para 2017. Também foi apresentada a agenda do Simpósio Clean Cities, que será realizado em abril deste ano, em São Paulo.

Integraram também a mesa principal da reunião Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic; o conselheiro do Conic e do Conjur, Paulo Roberto Barreto Bornhausen; o coordenador do Comsaúde, Eduardo Giacomazzi; o conselheiro do Conic e professor da FGV Wilson Nobre e o empreendedor Celso Barbosa.

Reunião em 24 de março do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na Fiesp, ex-ministro da Agricultura fala sobre desafios da Lei da Biodiversidade

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Na reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), desta sexta-feira (19/2), Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e membro do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp, falou sobre os processos na tecnologia de gestão. “Ou a gente tem competitividade ou a gente morre”, afirmou.

Rodrigues lembrou da fase que o Brasil era importador de comida. O atual ótimo momento em que o agronegócio se encontra se deve, explicou, ao bom uso da tecnologia. “Agora é preciso definitivamente a inserção da sustentabilidade e da bioeconomia. Nesse sentido, é preciso mudar claramente a forma de concepção dos produtos. Vem chegando uma revolução por aí com a Lei da Biodiversidade, e precisamos ter acesso a tudo isso”, enfatizou.

A lei (13.323, de maio de 2015) estabelece a forma de acesso a recursos da biodiversidade por pesquisadores e pela indústria e regulamenta o direito dos povos tradicionais à repartição dos benefícios pelo uso de seus conhecimentos da natureza, inclusive com a criação de um fundo específico para assegurar o pagamento.

Outro convidado, Renato Corona, gerente do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec) dividiu algumas reflexões sobre a Avaliação Propositiva da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2016-2019. “No documento faltam informações de política pública. Apesar de termos boas propostas de inovação tecnológica, medir impactos vai ser fácil. Difícil vai ser encontrar uma saída”, sintetizou.

Peter Eisner, coordenador do Projeto IVV Fraunhofer – Alemanha, falou durante a reunião sobre sua experiência no Centro de Projetos Fraunhofer para Inovação em Alimentos e Recursos Renováveis.

Ele explicou que o projeto é um modelo de sucesso implantado em inúmeros países que possibilitam – por meio da complementaridade de competências em torno temas de comum interesse – que institutos da Sociedade Fraunhofer possam cooperar com universidades e institutos de pesquisa de ponta de outros países. Neste caso, as ações de trabalho são realizadas no Instituto de Tecnologia dos Alimentos (Ital) em Campinas. “Lá, é possível que a pesquisa seja implementada com foco na exploração de novos mercados”.

Reunião do Conic, da Fiesp, com a participação do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Pré-Summit: Call For Action in Bioeconomia

Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic, relatou os resultados do Pré-Summit: Call For Action in Bioeconomia, evento, que segundo ele, recebeu especialistas de diversas áreas e discutiram temas variados todos com o foco na bioeconomia.

“Nossa visão é que a inovação virá das startups e, para isso, precisamos criar ecossistemas. Temos consciência que os investidores que agregam capital são fundamentais nesse processo. O Brasil tem um potencial muito grande neste universo, principalmente na área de agronegócios”, explicou.

Organizado pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade), o pre-summit foi realizado pela Fiesp e pela Fapesp em 19 de novembro de 2015 como forma de reunir pessoas capazes de dar contribuição importante para preparar o Call for Action in Bioeconomy Global Summit Brasil 2016.

Também participaram Paulo Roberto Barreto Bornhausen, ex-Deputado Federal e conselheiro do Conic; Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, e o brigadeiro Aprigio Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp.

Formato inovador acelera resultados em reunião preparatória para evento sobre bioeconomia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Visto de fora, o evento Pre-summit: Call for action em Bioeconomia parecia um organismo em metamorfose, com os especialistas de diversas áreas se reunindo em grupos, trocando de grupos, de tamanho de grupo, discutindo temas, mudando de assunto e criando material aos borbotões – inicialmente de maneira que muitos viram como caótica, mas que no final ganhou corpo.

Organizado pela Anpei (Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras) e pelo IBQP (Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade), o pre-summit foi realizado pela Fiesp e pela Fapesp nesta quinta-feira (19/11) como forma de reunir pessoas capazes de dar contribuição importante para preparar o Call for Action in Bioeconomy Global Summit Brasil 2016. A dinâmica exaustiva do trabalho, coordenado por Rodrigo Costa da Rocha Loures, diretor titular do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), deu bons resultados. Em 25 de fevereiro vai haver novo encontro, de um grupo agora coeso, com propostas para trabalhar em planejamento, conteúdo e comunicação.

Pedro Wongtschowski,  presidente do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) elogiou “a solidez das conclusões, o que mostra a eficiência do processo escolhido. É mesmo um call for action, há muita coisa pela frente”.

No encerramento, Loures lembrou a importância de ficar claro que o evento se refere a negócios, “é for profit”. A articulação de empreendedores, investidores e outros stakeholders é uma agenda de mercado, protagonizada pelo universo empresarial. “É uma premissa.”

Rodrigo Loures durante o Pre-summit: Call for action em Bioeconomia , na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O pre-summit

Na abertura do evento, Loures falou sobre as mudanças necessárias para preparar o mundo para a agenda do desenvolvimento sustentável, com a bioeconomia. “O grande desafio é a construção de uma nova cultura”, disse. Loures explicou que o “potencial das pessoas não é aproveitado porque nossos modelos são inadequados. Precisamos nessa nova sociedade criar capacidades técnicas, organizacionais e políticas”, o que inclui a criação de políticas públicas.

O primeiro passo, segundo Loures, é descobrir o que as pessoas desejam fazer, juntas, nessa área. “Ao longo de 2016 vamos descobrir como implementar nossos sonhos.”

O pontapé inicial foi dado no pré-summit, que teve formato fora do normal, possível graças a uma equipe multidisciplinar especializada em fazer as pessoas interagirem e trabalharem de forma colaborativa, além de representar graficamente os resultados das conversas conforme se desdobravam.

A chuva de ideias vira representação no papel, durante o pre-summit. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A chuva de ideias vira representação no papel, durante o pre-summit. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Entre as apresentações para estimular os participantes houve a de Wilson Nobre, da FGV (Fundação Getúlio Vargas), que falou sobre a intensa aceleração do poder de processamento dos computadores. Um equipamento de US$ 1.000 terá capacidade de processamento semelhante à do cérebro humano em 2023. Em 2050, ultrapassará a capacidade de todos os cérebros humanos juntos…

E mais – Nobre citou o visionário Ray Kurzweil, que previu que daqui a 15 anos, nanorrobôs inseridos no cérebro permitirão imersão virtual na nuvem, permitindo, como ocorre com os celulares hoje, a multiplicação por 10.000 da capacidade de processamento.

Para exemplificar o potencial do trabalho colaborativo, foi exibido o curta (pouco mais de 4 minutos) O Poder da Colaboração (Macrowikonomics Murmuration), do guru da inovação Don Dapscott, sobre o voo em bando dos estorninhos e o que o uso da mesma capacidade, de forma inteligente, conseguiria gerar.

Dali em diante foram perto de seis horas de trabalho intenso e colaborativo.

Foto: Ministra da Holanda debate bioeconomia com empresários na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp,

O Comitê BioBrasil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promoveu na semana passada uma mesa redonda sobre o desenvolvimento de capital humano na área de bioeconomia. O encontro contou com a participação da ministra de Educação, Cultura e Ciências da Holanda, Jet Bussemaker.

Na ocasião, o Brasil e Holanda acordaram expandir um programa de duplo diploma para alunos de doutorado para 100 estudantes até o final deste ano.

Ministra holandesa Jet Bussemaker em reunião sobre bioeconomia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ministra holandesa Jet Bussemaker em reunião sobre bioeconomia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Mais de 30 empresários brasileiros e holandesas participaram da mesa de discussões, cuja conclusão foi a importância do desenvolvimento conjunto da produção sustentável de bioenergia, biocombustíveis e bioquímicos. O encontro na Fiesp, foi organizado pela Fundação BE-Basica, Universidade Tecnológica de Delft e pelo Consulado Geral da Holanda no Brasil.

Desenvolvimento de parcerias entre Brasil e Holanda em bioeconomia em debate

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Especialistas em bioeconomia participaram do seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes”, nesta quinta-feira (05/06), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro faz parte da 16º Semana de Meio Ambiente.

O diretor geral de Empresas e Inovação do Ministério de Assuntos Econômicos da Holanda, Bertholt Leeftink, destacou o atual panorama na Holanda em inovação e projetos sustentáveis.

Para Leeftink, as oportunidades entre os dois países são inúmeras, já que 75% da população global residirá em centros urbanos até 2050. Para atender à demanda futura, Leeftink acredita que será necessária uma reprogramação dos principais centros urbanos do mundo.

“Para a qualidade de vida dos habitantes desses centros cada vez mais complexos, precisaremos de soluções holísticas, com envolvimento de muitas áreas do conhecimentos e de  nações e centros de pesquisas internacionais”, afirmou.

Leeftink falou também sobre os atuais projetos holandeses em energia. O panorama energético atual do planeta passa por uma série de mudanças importantes, segundo ele, com o consumo energético aumentando “drasticamente’.

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Leeftink: soluções para a qualidade de vida nos grandes centros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Uma das opções encontradas pela Holanda na área é a ligação entre redes baseadas em energia solar com as redes inteligentes “smart grids”.

Segundo o diretor, a Holanda possui know-how na questão, através da atuação de empresas especializadas e institutos de conhecimento, e pode ajudar a criação de soluções semelhantes no Brasil.

Outro tema abordado por ele foi a chamada bioeconomia, uma economia sustentável, que reúne todos os setores da economia que utilizam recursos biológicos. Na visão de Leeftink, o Brasil possui muita ambição no setor, pretendendo se tornar um país, até 2030, de matriz energética baseada em recursos biológicos.“A Holanda quer ser parceira para o desenvolvimento da atividade no Brasil”, afirmou.

A Holanda possui três indústrias líderes em qualidade no mundo que operam em setores ligados à bioeconomia, segundo o diretor.

“O Brasil já possui ótimos resultados na área de bioeconomia, mas, para atingir o objetivo estipulado pelo governo, muito ainda precisa ser feito, e a Holanda pode ser parceria para que isso aconteça”, disse.

Inovação

Markus Leuenberger, diretor de Desenvolvimento de Negócios do Instituto Holandês de Energia, destacou as qualidades das cidades inteligentes. Para ele, uma saída para os atuais problemas urbanos está na construção delas.

Para ele, inovação é a “palavra base” para a mudança do paradigma urbano, principalmente em cidades como São Paulo. “A inovação opera através da colaboração entre indústrias, governos e institutos de pesquisa”.

Leuenberger explicou como os holandeses trabalham os projetos de cidades inteligentes. “Desenvolvemos políticas públicas para o governo holandês, com visão a longo prazo, implantando programas nacionais e operando com unidades técnicas com energia solar, eólica e de biomassa.”.

Processos holandeses

Na visão de Tatjana Komissarova do Instituto Holandês de Energia, apesar de o Brasil ser o maior e melhor produtor de bioetanol do mundo, desafios surgem à frente.

Um dos problemas a serem trabalhados pelo Brasil, na visão de Tatjana, é o melhor aproveitamento da cana de açúcar. “A cana não é inteiramente utilizada aqui, com desperdícios de partes importantes da biomassa”, alertou.

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Tatjana: desafio do melhor aproveitamento da cana de açúcar. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Em seguida, a especialista apresentou alguns projetos do Instituto Holandês de Energia. Entre eles, a torrefação, processo através do qual há transferência de biomassa para propriedades próximas àquelas encontradas no carvão vegetal. A tecnologia produzida na Holanda já está sendo comercializada, e, para Tatjana, deveria ser objeto de atenção dos brasileiros.

Além da torrefação, ela citou outras tecnologias, como a torwasch (um tratamento especial para a biomassa contaminada) e a gaseificação termal (um método de conversão de biomassa e resíduos de carvão em gás de alto valor energético).

 Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kwant: mais ações em bioeconomia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kees Kwant, da Netherlands Enterprising Agency, fechou o encontro, e ressaltou a necessidade de ações em bioeconomia. “Temos que utilizar biorecursos que resultem em ganhos econômicos, com proteção ambiental e crescimento do bem estar social”.

Semana do Meio Ambiente

A Semana do Meio Ambiente é uma realização da Fiesp e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) com apoio do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

>> Confira a programação completa da 16ª Semana de Meio Ambiente da Fiesp

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

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Brasil precisa definir política industrial que fortaleça empresas de biotecnologia, diz coordenador de comitê da Fiesp

Juan Saavedra e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Giacomazzi: coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp. Everton Amaro/Fiesp

A definição de uma política industrial de biotecnologia é uma das reivindicações do setor, afirma Eduardo Giacomazzi, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Criado em 2012, o Combio tem como missão disseminar uma agenda a favor da competitividade brasileira, segundo o coordenador – atual membro-observador e palestrante do Brasil no Grupo de Trabalho sobre Biotecnologia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Na visão de Giacomazzi,  faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação.

“A experiência europeia, americana e japonesa apontam no caminho das Parcerias Públicas Privadas”, sugere o coordenador, que já exerceu a direção-executiva da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec).

Nessa entrevista, Giacomazzi fala sobre o papel do Comitê e os desafios do setor.

Em que contexto o Combio foi criado e qual é a compreensão conceitual que a Fiesp tem sobre a biotecnologia e bioindústria?
Eduardo Giacomazzi – O Combio é uma iniciativa que nasceu da parceria de empresas, entidades e profissionais da bioindústria envolvidos com os avanços da biotecnologia no Brasil. A liderança de São Paulo na bioeconomia brasileira e o expressivo número de empresas de biotecnologia da região faz do Estado um ator importante das discussões setoriais relacionados ao tema. A Fiesp, por meio do Combio, contribui para a disseminação de uma agenda a favor da competitividade brasileira e compreende que a biotecnologia, por ser um tema portador de futuro, é fundamental para uma indústria preocupada com a sustentabilidade. Desta forma, sua atuação é transversal aos setores por ela representados.

Qual é o mapa da biotecnologia no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – O mapa da biotecnologia no Brasil, em estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Análise Planejamento (Cebrap), apontou em 2011 o crescimento do número de novas empresas nos últimos 10 anos e apresentou a perspectiva regional da distribuição geográfica de empresas e produção científica. A elaboração de estudos setoriais em biotecnologia no Brasil é recente e carece de regularidade e rigor metodológico. Esse esforço é fundamental para que novas políticas públicas estejam cada vez mais em sintonia com a realidade empresarial e científica.

O que o Estado de São Paulo tem a contribuir para o desenvolvimento da biotecnologia no país?
Eduardo Giacomazzi – O Estado de São Paulo representa 40% das empresas de biotecnologia do país. Grupos empresariais como empresas dos setores farmacêutico, agrícola e sucroalcoleiro têm sede no Estado. Além disso, São Paulo conta com as principais instituições de ensino e pesquisa do país numa rede de cooperação científica que se estende nacional e internacionalmente.

Quais as contribuições mais relevantes do país para o avanço da biotecnologia no contexto global?
Eduardo Giacomazzi – Cito três: biocombustíveis, agricultura e vacinas. Na área energética, desde que lançou o programa Proálcool na década de 70, o Brasil se posicionou na chamada primeira geração de etanol a partir da cana-de-açúcar. Hoje, somos líderes mundiais no desenvolvimento de novas espécies e em produção. Na agricultura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, é referência mundial em pesquisa no setor. O mesmo vale no setor de vacinas, com instituições centenárias como Fiocruz e Instituto Butatan. Embora seja reconhecido internacionalmente no uso da biotecnologia na agricultura (Embrapa) e energia (etanol), além de sua tradição no desenvolvimento de vacinas (Fiocruz e Instituto Butantan), o Brasil não possui um posicionamento claro como país no cenário mundial.

Quais são as boas práticas no cenário internacional, em termos de política para o setor, que poderiam ser aplicadas no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – No cenário internacional, podemos apontar a prática das políticas europeias: “FP7″ e “Horizon 2020″, além das Parcerias Público-Privada (PPPs) desenhadas como política pública para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Um dos diagnósticos para o baixo nível de crescimento do país em 2012 foi o pequeno volume de investimentos. Como atrair recursos para o setor de biotecnologia nos próximos anos?
Eduardo Giacomazzi – A definição de uma política industrial é uma das reivindicações antigas para o setor. Como parte da importante malha de investimentos públicos que deve ser direcionada às empresas e à pesquisa, ainda falta uma ação mais forte por parte do governo. A insegurança jurídica, como é o caso do acesso à biodiversidade, é um bom exemplo de como o Brasil vem afastando o investimento da indústria para o setor.

Em fevereiro deste ano, durante reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, a presidente da República Dilma Rousseff pediu um maior empenho do governo na pesquisa em biotecnologia e na abertura de novos laboratórios. O que falta para haver um salto? Quais os são os desafios?
Eduardo Giacomazzi – Faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação. As experiências europeia, americana e japonesa apontam para o caminho das PPPs. Desta forma, o Brasil terá condições de dar um salto “bioeconômico”, favorecendo, com isso, a preservação de nossa biodiversidade e a educação para a ciência para as próximas gerações.

O governo federal anunciou que destinará recursos para estimular a área de biotecnologia. E sabemos que pesquisas em biotecnologia não são feitas apenas nos laboratórios de universidades. Como o senhor acha que as empresas podem ter acesso a esses recursos e como elas poderão se habilitar?
Eduardo Giacomazzi – A coordenação destes programas é resultado de um governo disposto a ouvir, mas há muito a ser realizado. Para ter acesso aos recursos, as empresas precisam estar aptas para mergulhar no complexo processo da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além disso, investimento em educação associado ao programa é uma inovação em termos de política, mas ainda falta entendermos seu funcionamento, suas regras e, sobretudo, ampliar o acesso das empresas a estes recursos. A operação do programa é tão mais importante quanto o programa em si. Vamos acompanhar e colaborar para que isso ocorra.

O Brasil está formando mão de obra suficiente para atender às demandas da indústria de biotecnologia?
Eduardo Giacomazzi – Não, a exemplo de outros setores, existe um apagão de profissionais no setor. O processo iniciado pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo federal, é um passo importante. Nossos estudantes precisam participar da pesquisa de ponta realizada em outros países. Por outro lado, a indústria carece de programas que estimulem o intercâmbio de mestres, doutores e PHD’s entre institutos e empresas. Precisamos de um “Ciência sem Fronteiras” de mão dupla, voltado à indústria. O processo de internacionalização das empresas não está associado somente à promoção e exportação; faltam programas que valorizem a transferência tecnológica e realização de patentes em parceria com institutos fora do Brasil.

O Brasil é valorizado pela biodiversidade. Espécies da Amazônia e Cerrado atraem o interesse de pesquisadores e indústrias do mundo todo, principalmente nas áreas de cosméticos e fármacos. Aqui em São Paulo temos exemplos de espécies cuja pesquisa apresentam esse potencial?
Eduardo Giacomazzi – A lei de acesso à biodiversidade e o protocolo de Nagoia serão temas de nossas discussões em 2013. Além disso, materiais como bambu são exemplos de como o uso sustentável de novas espécies podem gerar riqueza e desenvolvimento sustentável a partir de seu uso nas diversas cadeias produtivas. Elementos chave: multidisciplinariedade, ações transversais e a colaboração intersetorial. Se conseguirmos avançar nestes pontos, os benefícios socioeconômicos serão imensos. Para a bioeconomia, ou melhor, uma economia baseada em bio-based products, os produtos de base biológica estão intimamente relacionados à sua cadeia e uso sustentável dos resursos. Um bom exemplo é a cana-de-açúcar transformada em plástico verde – bioplástico e energia renovável.

Biotecnologia: representante da União Europeia apresenta programa de inovação em reunião de comitê da Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quarta-feira (20/03), Piero Venturi, chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia (UE) no Brasil, apresentou detalhes do Programa Europeu de Apoio à Pesquisa  e Inovação – Horizon 2020 – aos membros do Comitê de Biotecnologia da Fiesp (Combio/Fiesp).

Programa Horizon 2020 da Comunidade Europeia é apresentado na reunião do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

O encontro foi aberto por Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biodindústria (BioBrasil) e pelo coordenador do Combio/Fiesp, Eduardo Giacomazzi, que destacaram a importância da disseminação desse tipo de conteúdo às indústrias.

Eduardo Giovenazzi, coordenador do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi ressaltou que o Combio/Fiesp tem agora uma página na internet – www.fiesp.com.br/biotecnologia – por meio da qual a entidade passa a divulgar informações relevantes sobre biotecnologia e bioeconomia.

Piero Venturi começou sua apresentação informando que, entre 2014 a 2020, serão destinados  80 bilhões de euros à pesquisa e inovação, por meio do programa Horizon 2020. A iniciativa é aberta à participação de países extra-bloco, por meio de ações específicas e também cooperação internacional.

O principal alvo do programa é gerar soluções que respondam às crises econômicas (proporcionando emprego e crescimento) e aos desafios da sociedade (como saúde, meio ambiente, energias limpas, segurança alimentar, entre outros). Outro objetivo é fortalecer a posição global da União Europeia em pesquisa, inovação e tecnologia.

Piero Venturi, representante da Comissão Europeia. Foto: Everton Amaro/FIESP

Segundo o executivo, o Horizon 2020 tem o acesso mais simplificado do que o atual programa de inovação europeu (o FP7, que se encerra este ano). A grande diferença é que, além de manter os investimentos em pesquisa de fronteira, ele focará nas mudanças e desafios da sociedade. “Essa é preocupação geral na sociedade europeia. O nosso objetivo é e sempre será a inovação,  mas é importante que isso não seja só na pesquisa. Deve-se passar por uma área entre pesquisa e mercado”, afirmou Venturi.

O conselheiro de Ciência e Tecnologia do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, Theo Groothuizen, comentou que as empresas brasileiras certamente vão querer participar do programa, mas pontuou que seria importante que fossem contemplados não só os setores em que o Brasil é forte em inovação. “Grupos de empresas, até de pequeno porte, de uma mesma área, poderiam se beneficiar dos institutos de pesquisas europeus”, sugeriu.

Theo Groothuizen, do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos. Foto: Everton Amaro/FIESP

Venturi concordou que essa pratica já é bem sucedida na Europa, com as spin-off (empresas criadas por um grupo de empresas e centros de pesquisas para explorar um novo produto). “Posso dizer que se a indústria demonstrar maior interesse é possível estabelecer mais programas em comum”. Ele destacou que, atualmente, 20 empresas brasileiras participam de projetos de inovação na Comunidade Europeia, mas elas estão concentradas em áreas específicas.

O Horizon 2020 tem mirado em grandes parceiros – entre os quais está o Brasil, China e Índia. “Até pouco tempo atrás o Brasil não tinha um programa de infraestrutura e usou o europeu. Agora temos que ter uma conversa aberta para ver em quais áreas temos interesse em comum para uma cooperação de longo prazo. Nós dividiremos os resultados”.

No próximo semestre, a Comissão Europeia apresentará o Horizon 2020 a vários países. “Com o Brasil temos um prazo. No mês de junho temos que ter definido as prioridades de interesse comum da Comunidade Europeia e do Brasil”. E há muitas oportunidades em relação a projetos na área de energia e nanotecnologia, por exemplo.

 

Palestra: Programa de pesquisa bilateral sobre Bioeconomia

Esta palestra foi ministrada por Maarten de Zwart da Organização Holandesa de Pesquisa Científica, durante o Workshop “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

Clique abaixo para acessar a apresentação:

Palestra: Universidade de Eindhonven – Onde a Inovação Começa

Esta palestra foi ministrada por Michael Boot  da Eindhoven University, durante o Workshop “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

Clique abaixo para acessar a apresentação: