‘A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade’, diz coordenador adjunto do BioBrasil em simpósio na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A palavra de ordem é convergência. Isso em nome do desenvolvimento sustentável. Essas e outras ideias foram debatidas no Simpósio Internacional de Bioeconomia, realizado nesta sexta-feira (09/12), na sede da Fiesp, em São Paulo. E com direito à análise de como o país se encontra diante da discussão em painel sobre “O Brasil e o Panorama Global da Bioeconomia”.

O debate foi moderado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio da Silva. E teve a participação de personalidades como o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Eduardo Giacomazzi.

“A grande questão colocada pela União Europeia é como usar melhor os recursos disponíveis, descobrindo ainda usos para aqueles recursos que a gente não utiliza atualmente”, explicou Giacomazzi.

Isso num cenário de “convergências tecnológicas em nome do futuro”. “Convergência é a palavra de ordem”, disse. “Estamos falando de práticas como a substituição de combustíveis e a adoção do carbono neutro até 2050”.

Para Giacomazzi, alguns temas importantes dessa agenda do futuro, como o uso da nanotecnologia, ainda estão “soltos dentro da indústria”. “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”, afirmou. “Precisamos rever os subsídios aos combustíveis, por exemplo. A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade”.

Giacomazzi: “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Nesse contexto, entre os temas que vão ganhar espaço mais adiante estão os novos sistemas alimentares, as cidades com bio princípios, a cultura sustentável, a fotossíntese artificial, as biorefinarias e a maior participação dos cidadãos nessas discussões.

“O Brasil tem duas plantas de etanol de segunda geração, por exemplo, com 120 milhões de litros por ano de produção”, disse Giacomazzi. “O desafio não é ter a planta, mas estabelecer uma cadeia sustentável para dar vazão ao que é produzido”.

Manifesto de Utrecht

Consultor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado da Holanda em São Paulo, Ernst Jan Bakker apresentou as linhas gerais do Manifesto de Utrecht, elaborado num evento na cidade de mesmo nome em seu país em abril, o Bioeconomy Utrecht 2016.

“O manifesto foi elaborado em quatro capítulos que destacam a necessidade de agir já em nome da transição para a bioeconomia, enfrentando os desafios para tanto e estabelecendo formas de agir nesse sentido”, afirmou. “O foco está na educação, treinamento e comunicação, integração, diálogo e conscientização da população, com monitoramento dos impactos ao meio ambiente”.

De acordo com Bakker, é preciso explicar o que é bioeconomia às pessoas.

Inovação

Também debatedora do painel, a sócia-diretora da 14Bisness, Diana Jungmann, destacou que a bioeconomia “é a economia do século 21, baseada em inovação e voltada para a sustentabilidade”.

“Teremos cada vez mais gente no mundo, com a expectativa de 9,6 bilhões de habitantes em 2100”, explicou Diana.

Mais: em 2030, mais de 60% da população viverá nos centros urbanos, com menos suprimentos de água. “Já somos um planeta sedento por energia e diante do aumento da mobilidade urbana e da degradação dos recursos naturais”, afirmou.

Assim, a pressão é grande “para acharmos soluções baseadas na ciência e na tecnologia”. “Temos que produzir mais alimentos, mas de forma sustentável, usar formas renováveis de energia”.

Diana citou ainda pesquisa realizada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria que aponta que a imagem sobre a bioeconomia é positiva para 92,2% dos brasileiros entrevistados. “Por outro lado, 76,9% discordam que o Brasil aproveita o potencial da bioeconomia”, explicou.

Em videoconferência, relator da PEC 241 tira dúvidas e afirma que não há impacto negativo no setor da saúde

Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) promoveu nesta quinta-feira 13/10 uma conferência online com o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), relator da PEC 241, aprovada em primeiro turno nesta segunda-feira (10/10) pela Câmara dos Deputados. A PEC estabelece um teto para o crescimento das despesas do governo com base na inflação do ano anterior. O evento foi conduzido por Ruy Baumer, coordenador do BioBrasil.

Em conferência online organizada pelo BioBrasil, Darcício Perondi explica PEC 241. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor-presidente da Anvisa se reúne com Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa, esteve na Fiesp nesta quinta-feira (1º de setembro) para discutir temas relacionados à produção, importação e exportação de diversos tipos de produtos, incluindo os agropecuários e sanitários. A reunião teve a participação do presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

O coordenador titular do Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Ruy Baumer, disse que a Fiesp tem boa e longa relação com a Anvisa. Lembrou que o trabalho da Anvisa afeta vários setores, e os empresários tentam melhorar os procedimentos que os afetam. Há um alinhamento de pensamentos, disse, mas é preciso transformar em realidade essas ideias. Há questões de legislação, políticas e orçamentárias a superar.

Uma proposta é usar a força da casa para apoiar essas demandas em que há acordo, para ajudar sua tramitação no Congresso.

>> Ouça boletim sobre a reunião entre Anvisa e Fiesp

Uma questão é a descentralização de autorização de funcionamento, que a Anvisa não aceita, obrigando as empresas a, após a aprovação municipal ou estadual, passar também pelo seu crivo.

Nas importações sem registros, devido à judicialização, há dano à competitividade, lembrou Baumer.

Em relação a portos e aeroportos, os produtos regulados pela Anvisa são submetidos a uma inspeção adicional, estendendo o tempo necessário para a liberação. Alocação de técnicos é um dos entraves, porque não estão necessariamente nos aeroportos com maior movimentação de carga.

São questões burocráticas, que precisam ser enfrentadas, explicou Baumer. Produtos médicos são prioritários, e os atrasos representam custo adicional, e pode haver perda de produtos, pelo vencimento de sua validade.

O presidente da Anvisa tem a mesma visão. O corte de tempo nos procedimentos é importante, disse, porque insumos médicos, e até matérias-primas, são importados para virar produto final. Sem processo mais ágil, a produção pode ser prejudicada, afetando inclusive a exportação. É preciso agilizar os procedimentos em portos e aeroportos, que têm processos muito burocráticos.

Barbosa disse que o diálogo com a Fiesp é muito construtivo e produtivo. Reuniões como esta são excelente oportunidade para conversar com diferentes setores da indústria, com temas transversais, afirmou.

Ele defendeu a criação de uma agenda para fortalecer o ambiente regulatório brasileiro, de forma a que haja segurança para o consumidor em relação ao que é produzido. A adequação aos padrões internacionais, lembrou, ajuda também nas exportações.

Em relação à simplificação de processos, Barbosa destacou que a Anvisa foi o primeiro órgão a integrar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior. E a Anvisa permite o uso de petição eletrônica para a importação, evitando a intermediação de despachantes.

Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, participou de reunião na Fiesp com Paulo Skaf. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Fiesp e associações do setor de saúde firmam termo de cooperação tecnocientífica

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp, a Associação Brasileira da Industria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo), o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), a Fundação Faculdade de Medicina e a Fundação Zerbini, assinaram nesta quarta-feira (17/8) termo de cooperação tecnocientífica.

Em maio, durante a feira Hospitalar, as entidades já haviam assinado a carta de intenção,em que manifestam a concordância mútua em celebrar cooperação, com vistas à inovação e desenvolvimento de iniciativas de curto e médio prazo. Agora, o termo tem a responsabilidade de aproximar academia, escola e centro de pesquisa das indústrias para promover tecnologia nacional, com o compromisso de selecionar e colocar em prática projetos que possam gerar valor na cadeia produtiva da saúde.

Estavam presentes na assinatura do termo o coordenador titular do BioBrasl ComSaúde/Fiesp, Ruy Baumer; o superintendente da Abimo, Paulo Henrique Fraccaro; o diretor geral da FFM, Flavio Fava de Moraes; o superintendente administrativo financeiro da Fundação Zerbini, André Giordano Neto; o superintendente do HCFMUSP, Antonio José Rodrigues Pereira.

“Jamais as entidades de todo o nosso setor, de toda a cadeia produtiva, englobando empresas e profissionais, tiveram atuação tão forte em conjunto. Nosso setor não é grande e, até há pouco tempo, era muito dividido. O Brasil ainda está em tempo de concorrer em condições de igualdade com o resto do mundo no mercado de biotecnologia”, afirmou Baumer.

O maior desafio é fazer com que esta ponte que está sendo construída se torne realidade”, concluiu Fava de Moraes.

Assinatura, na Fiesp, de termo de cooperação tecnocientífica no setor de saúde. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp e associações firmam carta de cooperação tecnocientífica na Feira Hospitalar

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) participou nesta quinta-feira (19/5) de reunião com o ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), durante a Feira Hospitalar, em São Paulo. O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer, assinou depois carta de intenções junto com outras entidades que manifestam a concordância mútua em celebrar cooperação tecnocientífica, com vistas à inovação e desenvolvimento de iniciativas de curto e médio prazo, visando à seleção de projetos que possam gerar valor na cadeia produtiva.

Firmaram o documento também o presidente da Associação Brasileira da Industria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) e coordenador adjunto do Biobrasil, Franco Mana Giuseppe Pallamolla, o diretor geral da Fundação Faculdade de Medicina (FFM), Flávio Fava de Moraes, o vice-diretor geral da FFM, Yassuhiko Okay, e o superintendente do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Antonio José Rodrigues Pereira.

“A carta é a realização de uma das nossas propostas, que é aproximar academia, escola e centro de pesquisa das indústrias para promover tecnologia nacional. O Brasil ainda está em tempo de concorrer em condições de igualdade com o resto do mundo no mercado de biotecnologia, afirmou Baumer.

Setor unido

Segundo ele, a Hospitalar possibilita e incentiva a proximidade do setor. “Jamais as entidades de todo o nosso setor, de toda a cadeia produtiva, englobando empresas e profissionais, teve atuação tão forte em conjunto. Nosso setor não é grande e, até há pouco tempo, era muito dividido. Cada parte cuidando do seu quintal. Íamos a eventos de cada área isolada e encontrávamos os poucos personagens daquela área. Com a Hospitalar, todas as entidades se frequentam; temos que aproveitar essa nova união e preparar nossas propostas para novos e atuais governos. Propostas de Estado, e não de uma única gestão; propostas que visem melhorar a saúde da população. E a saúde do sistema. Nos melhoraremos juntos”, declarou.

A Feira Hospitalar, realizada de 17 a 20 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo, concentra mais de 1.250 expositores do setor médico-hospitalar. O evento ainda conta com mais de 50 congressos especializados, entre eles o CISS (Congresso Internacional de Serviços de Saúde), que falará sobre a economia na saúde e os modelos de gestão internacionais, bem como o Fórum Digital e-Health, que abordará os impactos da tecnologia nos centros de saúde.

O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer (dir.) na assinatura de acordo de cooperação durante a Hospitalar. Foto: Cleber de Paula/Abimo

Fiesp recebe workshop sobre saúde

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) recebeu nesta quinta-feira (31/3) workshop com stakeholders da área de Saúde no Estado de São Paulo e no Brasil. O objetivo do evento foi apresentar o estudo elaborado pelo consulado holandês a partir de entrevistas com lideranças brasileiras na área de saúde.

Participaram do evento o cônsul de Inovação, Tecnologia e Ciência do Reino dos Países Baixos (Holanda), Nico Schiettekatt, o diretor-executivo da Netherlands Foreign Investment Agency,

Robbert Meijering;  o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas Michiel Kortstee; o coordenador do BioBrasil, Eduardo Giacomazzi, e outros membros do Comitê.

Workshop realizado na Fiesp para apresentação de pesquisa com stakeholders da área de saúde. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Senai-SP e BioBrasil fazem parceria para apoio à indústria de biotecnologia

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) fecharam uma parceria para atender às necessidades da indústria de biotecnologia. Estão previstas ações como a oferta de cursos na área nas escolas da rede, o compartilhamento de laboratórios e até a criação de um centro de pesquisa em São Paulo.

“Vamos prestar serviços para a indústria: oferecer cursos de formação na área, consultorias e pesquisas”, explica o gerente de Inovação e de Tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia. “Estamos voltados para trabalhar com a chamada bioeconomia, com a economia sustentável: São Paulo concentra 40% da indústria de biotecnologia do Brasil”.

Nessa linha, está programada ainda uma parceria com o Instituto Butantan para a formação de profissionais e uso dos laboratórios pelos estudantes do Senai-SP.

Dentro do acordo com o BioBrasil, o Senai-SP vai criar um grupo de trabalho com membros da indústria, da sociedade e de universidades no sentido de definir “o perfil do profissional técnico em biotecnologia”.

Coordenador adjunto do BioBrasil, Eduardo Giacomazzi destaca que é preciso dar uma resposta à carência de recursos humanos, de formação especializada na área. “Precisamos investir numa indústria que está se formando rapidamente e que precisa de profissionais qualificados”, diz. “O apoio do Senai-SP é o melhor caminho para chegarmos a essa nova era”.

Segundo Giacomazzi, também há demanda por trabalhadores que entendam de processos regulatórios. “Alguns segmentos são mais regulados que os outros”.

Para o coordenador do BioBrasil, Ruy Baumer, é preciso levar a ciência aplicada até a indústria. “É o que vamos fazer a partir dessa parceria com o Senai-SP”.

Serviços especializados  

Já o centro de biotecnologia previsto será construído na capital paulista, no bairro do Bom Retiro, na região central, numa área de 8 mil metros quadrados. No local, serão oferecidos serviços especializados de pesquisa, além de formação profissional.

 

Foto: Paulo Skaf visita Feira Internacional de Odontologia

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, visitou nesta sexta-feira (29) a 19ª Feira Internacional de Odontologia e o 34° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, no Centro de Convenções e Exposições Expo Center Norte. A feira conta com 220 expositores nacionais e internacionais. Skaf foi acompanhado pelo coordenador titular do Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Ruy Baumer, e pelo coordenador adjunto do BioBrasil Paulo Henrique Fraccaro.

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, durante visita ao 34° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

BioBrasil e L+M reúnem lideranças e investidores para debater as oportunidades de negócios em saúde e biotecnologia

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê BioBrasil da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promoveu nesta quarta-feira (25/11), em parceria com a L+M – Gestão e Espaço em Tecnologias em Saúde, o debate “Saúde: o último espaço para bons negócios”, na sede da entidade.

O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer, abriu a reunião falando sobre a atuação do BioBrasil e sua importância para as entidades médicas. “Nós apoiamos e unimos as entidades das cadeias produtivas da saúde e biotecnologia. Uma das nossas prioridades é a internacionalização de produtos, processos e serviços de saúde e biotecnológicos produzidos no Brasil”, ressaltou.

“Existe um mercado muito além do eixo praia e pizza. O interior do Brasil também vai entrar no campo de visão dos grandes investidores”, disse Lauro Miquelin, sócio-fundador da L+M.

No encontro foi unânime o pensamento de que o modelo de gestão da saúde precisa se modificar, e a entrada de players importantes, inclusive estrangeiros, pode forçar o desenvolvimento do setor. Para Lauro, organizar a casa é essencial para alcançar o sucesso no jogo.

“Há muito a ser feito. Um hospital de 300 leitos que gasta R$ 60 milhões em medicamentos chega a ter 8% de desperdício. Isso pode ser reduzido apenas com a revisão dos processos e da gestão”, exemplificou.

O encontro, que apontou diversos caminhos para o crescimento desta cadeia, também contou com a participação do superintendente da Abimo, Paulo Fraccaro, e do Sócio-diretor da Magno Consultores Empresariais, Roberto Lima.

Debate “Saúde: o último espaço para bons negócios”, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Apoio técnico para juízes e varas especializadas podem ser armas contra judicialização da saúde

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunidos na Fiesp nesta terça-feira (10/11), profissionais de diversas formações ligados à saúde propuseram soluções para minimizar – porque consideram difícil eliminar – a chamada judicialização do setor. Uma das ideias defendidas no Fórum Judicialização da Saúde, organizado pelo Comitê da Bioindústria da Fieps (BioBrasil) e pelo Instituto Coalização Saúde, é aperfeiçoar e disseminar o apoio técnico ao trabalho dos juízes, para lhes dar embasamento ao avaliar pedidos de medicamentos e/ou procedimentos.

Os núcleos de apoio técnico (NATs) ou centros especializados podem ajudar, desde que sejam corretamente estruturados. “É ilusão achar que vão ajudar” se continuarem da forma como foram criados, disse Marcos Bosi, diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde. É preciso, afirmou, que seus componentes tenham capacidade para analisar criticamente as informações disponíveis.

>> Ouça boletim sobre o Fórum Judicialização da Saúde

O promotor Reynaldo Mapelli, do Ministério Público de São Paulo, sugere que os NATs sejam multiprofissionais e integrados por várias instituições, lembrando que há um custo elevado e “alguém tem que pagar por isso”. O juiz Leandro Galluzzi dos Santos, da Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública da Capital, concordou que é preciso ter claro quem paga e quem manda. “A sociedade tem que ver que é importante.”

Francisco Balestrin, do BioBrasil, lembrou que os núcleos podem servir ao Brasil como um todo, otimizando recursos.

José Luiz Bonamigo Filho, da Associação Médica Brasileira, afirmou que os NATs e câmaras técnicas podem também podem ajudar a antecipar a análise de situações clínicas, dando como exemplo a obesidade e novos medicamentos contra a hepatite C.

Já é determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que os juízes recorram aos NATs, mas isso nem sempre é feito, lembrou Giovanni Cerri, vice-presidente do Instituto Coalização Saúde.

O advogado Renato Guilherme Machado Nunes considera “salutar que o juiz ouça uma segunda opinião”. Talvez, disse, seja o caso de isso ser discutido no Legislativo, com a determinação legal da segunda opinião.

Mesa de abertura do Fórum Judicialização da Saúde, na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Varas especializadas

O juiz Leandro Galluzzi dos Santos propôs a criação de varas especializadas em saúde, em cidades grandes. Um efeito disso seria evitar a “aventura” de um mesmo médico e um mesmo advogado pedindo tratamentos para 20 ou 30 pacientes, em ações que serão julgadas por juízes diferentes.

Protocolos

O promotor Mapelli, que moderou o primeiro e debateu no segundo painel do fórum, afirmou que se deve procurar resolver administrativamente a maioria das questões, deixando para o Judiciário as exceções absolutas. “Estou convencido que a grande maioria pode ser resolvida com protocolos.”

O promotor ressaltou a importância do trabalho da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que foi representada no Fórum por sua presidente, Clarice Petramale. Tanto ela quanto Mapelli falaram sobre a importância de recorrer ao órgão para a mudança de protocolos do SUS. Ações civis públicas são um dos caminhos.

Ruy Baumer, presidente do BioBrasil, moderou o segundo painel e fez a abertura, ao lado de Giovanni Cerri e do presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Renato Nalini. Para Baumer, o fórum dará bons frutos ao longo deste ano e do próximo, com a formulação de propostas para atacar o problema da judicialização da saúde, cujo crescimento ameaça tanto o SUS quanto o sistema privado de saúde. Também propôs a criação de uma base de dados sobre a judicialização.

Sobre a judicialização

A lei brasileira garante o acesso do cidadão aos serviços de saúde, ofertados a partir de critérios clínicos e financeiros. Sentindo-se desassistido, por não receber o medicamento, tratamento ou prótese que pretende, o cidadão aciona a Justiça para obrigar o prestador – público ou privado – a entregá-lo, estabelecendo-se assim, a “judicialização da saúde”.

 

Foto: Cônsul da Bélgica debate acesso ao mercado europeu para produtos biotecnológicos

O Comitê BioBrasil, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), promoveu nesta terça-feira (13/10) uma mesa redonda sobre o acesso ao mercado europeu para produtos médicos, farmacêuticos e biotecnológicos.

O encontro contou com a participação do cônsul geral da Bélgica, Charles Delagone; do adido tecnológico da Bélgica, Jan Wauters; da  consultora de promoção e investimentos da Embaixada da Bélgica, Cláudia Rolim; do gerente de exportação da Orfit, Matthias Cuypers; do coordenador do BioBrasil, Eduardo Giacomazzi, e do diretor-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior, Antonio Fernando Guimarães Bessa.

Durante a reunião, foi possível entender melhor as oportunidades existentes na Bélgica e conhecer o case da Orfit, empresa belga da área médica que opera no Brasil.

Cerca de 30 empresários belgas e brasileiros participaram da mesa de discussões e conheceram as diferenças mercado belga. O encontro, realizado na sede da Fiesp, foi organizado pelo Consulado Geral da Bélgica no Brasil.

Mesa redonda na Fiesp sobre o acesso ao mercado europeu para produtos médicos, farmacêuticos e biotecnológicos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Vacina contra dengue pode ser produzida por empresas privadas, diz secretário da Saúde de São Paulo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Duas vacinas contra a dengue estão em fase de estudos, mas nenhuma deve ficar pronta no próximo ano, afirmou nesta segunda-feira (29/6) o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip. Uma, desenvolvida por um laboratório multinacional, já encerrou a fase três de testes e está sob estudo da Anvisa. A outra, desenvolvida pelo Instituto Butantan, passou da fase dois de testes e também aguarda liberação da Anvisa para a próxima etapa.

“Estamos prontos para fazer um estudo nacional com 17 mil voluntários, sendo dois terços sorteados e outro terço placebo”, disse Uip após se reunir com empresários do setor de saúde na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ele reiterou, no entanto, que vai levar tempo para que as vacinas possam ser oferecidas a população. “É um estudo de cinco anos, que é reavaliado a cada seis meses.”

Uip afirmou ainda que há possibilidade de o setor privado fabricar a vacina que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan.

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip, em reunião na Fiesp

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, David Uip, em reunião na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“Estamos discutindo com a iniciativa privada a parceria e escolhendo formas de viabilizar esse projeto. O Butantan tem a proposta também de fazer com sua fábrica, temos que interagir para ver qual a melhor proposta. Se o Butantan tem competência ou não, ou se há uma proposta da iniciativa privada melhor, a decisão final é do governador”, afirmou.

Para o coordenador titular do Comitê de Biotecnologia (BioBrasil) da Fiesp, Ruy Baummer, a fabricação da vacina deve ficar a cargo do setor privado.

“O custo da pesquisa é muito grande. Dificilmente, no Brasil, tem empresas com recurso para fazer pesquisa. Por outro lado, o que a indústria faz é dar eficiência à produção.”

Isonomia tributária

Baummer aproveitou a presença de Uip na Fiesp e pediu o apoio do secretário para incentivar, junto ao governo, a desoneração para a indústria de produtos hospitalares.

“Os hospitais, quando importam, não pagam imposto porque são imunes pela Constituição. Mas quando compram da indústria local, estão pagando quase 50% de imposto, o que é uma injustiça”, disse Baummer.

Segundo ele, a vantagem em importar tira a competitividade do setor. “O que nós queremos é igualdade de condições e não proteção.”

Clique aqui e veja apresentação do secretário David Uip

Biotecnologia impulsiona revolução na indústria têxtil

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) discutiu nesta terça-feira (23/2) a biotecnologia aplicada aos produtos do setor. 

Convidado do Comtêxtil, o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) da federação, Eduardo Giacomazzi, falou sobre suas experiências na feira holandesa “Material Xperience ” que este ano apresentou Materiais sob o tema “Cinco Sentidos” com apresentação de mais de 120 expositores.

“Havia tecidos inteligentes, como feltro que não pega fogo, roupas tecnológicas que mudam de cor ao toque da mão, carpete biológico que ‘come’ poeira”, disse Giacomazzi aos membros do Comtêxtil.

Eduardo Giacomazzi fala durante reunião do Comtextil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo ele, os novos materiais são vetores para a próxima geração de produtos e processos, além de serem a matéria prima dos cientistas, criativos e empreendedores dos mais diferentes setores da economia. Giacomazzi defendeu que este é o momento da indústria brasileira buscar novos caminhos e parcerias rumo à uma revolução de base-biológica.

“A maioria dos expositores disseram ter interesse em investir no Brasil, fazer parcerias. Não podemos nos fechar em nossas limitações e perder a oportunidade em buscar esse conhecimento e novas aplicações, o momento é de estabelecermos uma agenda positiva, na busca de parceiros  internacionais”, afirmou sobre a feira que aconteceu na cidade de Utrecht, na Holanda.

“Já perdemos a revolução dos chips e da tecnologia da informação, não podemos perder mais esta que está ocorrendo bem agora”, afirmou.

A reunião desta terça-feira foi conduzida pelo coordenador titular do Comtêxtil, Elias Hadadd.

Foto: Em visita à Fiesp, ministro do Togo fala de parceria em programas de saúde

Agência Indusnet Fiesp,

O ministro das Relações Exteriores do Togo, Robert Dussey, se reuniu na manhã desta quinta-feira (19/2) com representantes do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o BioBrasil. Na ocasião, os coordenadores adjuntos do comitê Paulo Fraccaro e Eduardo Perillo conversaram com o ministro sobre oportunidades de investimento e parceria nos segmentos de saúde, infraestrutura e agricultura.

Segundo Fraccaro, foi discutida a possibilidade de o Brasil transferir sua expertise com programas de saúde e criação de vacinas para o país africano.

Ministro de Relações Exteriores do Togo em reunião na Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Retrospectiva 2014 – Parcerias e cooperação internacional foram destaque para o setor

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Ao longo do ano, o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp teve participação em palestras em importantes congressos internacionais e também sediou, na Fiesp, eventos com grandes nomes da áreas de pesquisa e de instituições ligadas ao  mercado mundial de biotecnologia, como o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, e Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), dos Estados Unidos (EUA).

Pensando nos futuros profissionais nas áreas de ciência e tecnologia, a Fiesp apoiou esforços e ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), como a criação da unidade especializada em Nanotecnologia, na cidade de Osasco, e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), com os desafios de Nanociência e Nanotecnologia propostos para os alunos das entidades.

NOTÍCIAS DE DESTAQUE EM 2014:

 

NOVEMBRO/OUTUBRO

Combio em evento da Associação da Indústria Farmacêutica da Turquia. Foto: Divulgação

O BioBrasil/Combio foi convidado a palestrar em importantes eventos internacionais, apresentando o mercado brasileiro de biotecnologia. Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio, participou  da 10ª Conferência Ciências da Vida na Holanda. >> Leia mais

Em outubro, Giacomazzi representou o Bio Brasil/Combio em evento da Associação Turca das Industrias Farmacêuticas,  em Istambul.

 

JUNHO

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Karol Keesman, da Universidade de Wageningen, falou de tratamento de resíduos nas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Brasil foi o centro dos debates do evento global da biotecnologia, organizado pela promovido Biotecnology Industry Organization (BIO), em San Diego. >> Leia mais

A Fiesp sediou evento em que especialistas holandeses destacaram os desafios na implantação das cidades inteligentes. >> Leia mais

Empresas holandesas apresentam soluções sustentáveis para as indústrias. >> Leia mais 

 

MAIO

Semana de Meio Ambiente reuniu autoridades e especialistas no tema

Biotecnologia foi tema de palestras nacionais e internacionais na 16ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp.

O panorama da bioindústria no Brasil foi apresentado pelo BioBrasil/Combio. Entre os temas abordados nas palestras, o desenvolvimento da bioenergia no país, a valorização de resíduos industriais, transformação de resíduos de cana-de-açúcar em bioenergia. >> Leia mais

 

ABRIL

Mark Crowell, da Universidade da Virgínia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

A Fiesp realizou workshop de Inovação e Biotecnologia nos dias 29 e 30 de abril. Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), apresentou na Fiesp a experiência da instituição americana em parcerias para desenvolver biotecnológicos.  >> Leia mais

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirmou Meir Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. >> Leia mais

 

Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. Foto: Divulgação

Para Meir Pugatch, Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia. >> Leia mais

Meredith Fensom, diretora da BIO, diz que Brasil tem vantagens estratégicas para fazer parte da crescente economia global de biotecnologia. >> Leia mais

Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia. >> Leia mais

 

BioBrasil recebe organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na área de educação, o Senai-SP realizou workshop sobre meio ambiente e microbiologia em São Bernardo. >> Leia mais

BioBrasil/Combio recebeu os organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia em reunião na Fiesp. >> Leia mais

O Senai-SP de Osasco recebeu investimento de mais R$ 27 milhões para criação de centro de nanotecnologia. >> Leia mais

 

Ministra holandesa Wilma Mansveld. Foto: Everton Amaro/FIESP

Para instituto holandês, o debate sobre poluição do solo deve ganhar mais espaço na agenda das nações. >> Leia mais

Holanda busca ser líder internacional de reciclagem, afirma ministra dos Países Baixos em seminário na Fiesp. >> Leia mais

Seminário Brasil-Holanda apresenta novas ideias para a remedição do solo e gestão de águas subterrâneas. >> Leia mais

FEVEREIRO

Sesi-SP lança o desafio de Nanociência e Nanotecnologia para seus alunos pela internet. >> Leia mais

 

Representantes do Ministério da Saúde e da ANS falam sobre desafios do setor em 2015

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Ruy Baumer: Fiesp está à disposição para promover diálogo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Diante de um cenário não muito claro para o ano de 2015, o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou na quinta-feira (28/08) um debate sobre os desafios e perspectivas do setor de saúde no ano de 2015.

A reunião contou com a participação de Fausto dos Santos, da Secretaria de Atenção à Saúde (SAS) do Ministério da Saúde, e de José Carlos Abrahão, diretor da Agência Nacional da Saúde (ANS).

No encontro, o vice-presidente da Fiesp e coordenador do comitê, Ruy Baumer, destacou que a entidade está de portas abertas para promover uma maior integração e aumentar o diálogo no setor.

Ele explicou que o BioBrasil reúne todas as atividades da cadeia produtiva da saúde e que para no setor é muito importante ter uma visão de médio e longo prazo. “O BioBrasil trabalha independentemente de tendências políticas, com setores públicos e privados. Sempre buscamos conviver com pessoas que tenham o mesmo objetivo para apresentar as tendências e ações previstas em 2015”, explicou Baumer.

A reunião começou com uma apresentação de Fausto dos Santos. Ele disse que o conjunto de medidas em andamento no setor permite uma certa previsibilidade, apesar de o país estar em meio a um processo eleitoral nos âmbitos federal e estadual.

>> Secretário do Ministério diz que setor da saúde tem medidas ‘sustentáveis’ a médio e longo prazo

José Carlos Abrahão: principal desafio é a sustentabilidade do sistema. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

José Carlos de Souza Abrahão, da ANS, mostrou uma linha do tempo com uma trajetória de como a organização do setor foi evoluindo no Brasil – inclusive com a sanção da lei 9.656, de 1998, com a regulamentação dos planos de saúde. “Sempre temos que melhorar, mas se faz muito. Temos que criar uma agenda positiva do que se faz na saúde no nosso país”, ressalvou.

Em sua visão, o principal desafio é a sustentabilidade do sistema diante de fatores como envelhecimento e longevidade da população, com mudanças nas pirâmides etárias e aumento de sinistros.

Segundo ele, é preciso ter uma fonte de financiamento para idosos. Diante da mudança de perfil de doenças, cada vez mais de natureza degenerativa, o diretor ressaltou ser necessário estimular programas de prevenção e de promoção à saúde. “Temos como desafio o perfil socioeconomico da população. Essa transição demográfica tem velocidade maior que na Europa e nos EUA.”

Outros pontos importantes são o que Abrahão chamou de reconstrução do relacionamento entre operadores e prestadores, a melhoria dos sistemas de informação e a integração de saúde suplementar e do SUS. Sustentando que o órgão regulador não pode compactuar operadoras que oferecem produto e não entregam, ele apontou como um dos desafios trabalhar para diminuir as demandas judiciais. Segundo ele, a cada quatro conflitos, três são resolvidos pelo órgão regulador e quem não cumpre sua obrigação contratual tem que pagar. “Desde 2011 teve arrecadação recorde de 481,6 milhões.”

Com 57 milhões de usuários de planos de saúde, Abrahão assinalou que o setor não deixa de crescer e de empregar. No entanto, ele destacou que é preciso aumentar a integração entre sistema público e sistema privado para evitar desperdícios. “Nós precisamos construir, reconstruir essas pontes de relacionamento com um estabelecimento de um diálogo franco.”

Segundo o diretor, a ANS vai passar por um momento de dialogar mais com todos os atores. “Qual é saúde que nos queremos? Saúde suplementar para 51 milhões de brasileiros? Queremos número de quase 1.000 operadoras, sem garantia do que vai se entregar? Tudo isso tem um grau de instabilidade que nos permite uma discussão franca.”

Sucesso do SUS e novos desafios

Outro convidado da reunião, o, superintendente corporativo do hospital Sírio-Libanês, Gonzalo Vecina Neto, citou números que comprovam sucesso nas políticas de combate a doenças como malária, hanseníase e tuberculose. “Na hanseniase estamos com menos de um caso por 100.00 habitantes. As chagas praticamente desapareceram. É o SUS funcionando”, elogiou, ponderando que a leishmaniose ainda preocupa.

“A mortalidade infantil despencou. O SUS deu certo, deu tão certo que nós mudamos o jogo e nós não reaparelhamos o SUS. Nós paramos de morrer dessas doenças e estamos morrendo de outras doenças. Isso nos deixou perplexos. Nós não estamos preparados para tratar doenças cardiovasculares. Temos que mudar a constituição dos alimentos. Temos que discutir a questão dos carboidratos, das gorduras trans, nós temos que mudar nosso padrão de vida. Não conseguimos demonstrar para o cardiopata que atividade física faz bem”, destacou Vecina Neto, afirmando que o SUS precisa ser “rebobinado”.

Reunião teve finalidade de abrir debate sobre as perspectivas para o setor da saúde em 2015. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

‘Corremos o risco de ter um apagão sanitário hospitalar’, diz coordenador do BioBrasil

Agência Indusnet Fiesp

Reportagem do noticiário Bom Dia Brasil, da TV Globo, exibida segunda-feira (11/08), destacou a baixa quantidade de leitos hospitalares no país, menos que o mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Atualmente, o Brasil possui 2,4 leitos para cada grupo de 1 mil habitantes, quando o aconselhado são três leitos para esse mesmo número de pessoas. Além disso, nos últimos quatro anos, 13 mil leitos foram fechados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o país.

Em entrevista, Francisco Balestrin, coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e presidente conselheiro da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), lembrou que a população brasileira está envelhecendo e isso exige mais leitos.

“Nos próximos quatro anos nós vamos precisar implantar, na melhor das hipóteses, algo em torno de 13 mil leitos. O que conseguimos fazer foi algo em torno de 2 mil nos últimos anos. Se nós realmente não conseguirmos ter uma política de incentivos ao desenvolvimento de novos leitos corremos o risco de ter um apagão sanitário hospitalar no nosso país”, disse Balestrin.

Assista a reportagem completa aqui.

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

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Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância de Inovação em Biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dos dois dias do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), os coordenadores-adjuntos do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo Giacomazzi e Paulo Henrique Fraccaro, ressaltaram a importância desse encontro promovido pela entidade em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

Workshop de Inovação em Tecnologia da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Ambos ressaltaram que as discussões servirão de base para apresentar propostas que ajudem no desenvolvimento da competitividade da indústria brasileira.

Giacomazzi relembrou que nesta semana estão sendo realizados eventos importantes ligados ao tema, tanto em Brasília como em São Paulo, e que essas iniciativas são importantes para ampliar a visibilidade na mídia, da importância da biotecnologia para o futuro do país.

Fraccaro destacou a necessidade de redução do gap existente entre os Brasil e as nações mais avançadas na área de biotecnologia. “Um momento como esse é de extrema importância pois podemos trocar experiências e entender quais os fatos poderemos planejar para que esse gap seja diminuído”.

Meredith Fensom, interlocutora da BIO para o Brasil e América Latina. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da BIO, elogiou o fato de mais empresas e instituições brasileiras estarem ampliando sua atuação junto à BIO nos últimos anos.

“Sabemos que as políticas de inovação são críticas. Mas o Brasil tem uma economia robusta para se desenvolver nas áreas voltadas à inovação. E tem destacado a biotecnologia como fator para isso”, disse Meredith.

Para Meir Pugatch, Brasil terá benefícios econômicos e sociais com a biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Meir Pugatch é presidente da Administração de Sistemas de Saúde e Política de Divisão da Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, Israel. Foto: Divulgação

Como o Brasil está posicionado no crescente mercado de biotecnologia? Como os países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), além de Coreia, Singapura, Suíça e Estados Unidos, vêm desenvolvendo suas políticas de estímulo ao setor?

Respostas a essas e outras questões serão apresentadas pelo professor Meir Perez Pugatch, na terça-feira (29/04), durante o Workshop de Inovação em Biotecnologia,  realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a BIO, a Biotechnology Industry Organization, entidade que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Mestre em Direito da Propriedade Intelectual e Gestão do Conhecimento pela Universidade de Maastricht, na Holanda, Pugatch também é o presidente da Administração de Sistemas de Saúde e Política de Divisão da Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, em Israel.

À frente da Pugatch Consilium, uma das principais consultorias no segmento dedicadas a análises das políticas de inovação, Meir Pugatch fala ao portal da Fiesp sobre os caminhos e desafios para o Brasil se destacar no crescente mercado de biotecnologia.

Veja a seguir a entrevista completa:

Dr. Pugatch, esta é a primeira vez que seu instituto realiza essa análise comparativa do mercado de biotecnologia?

Meir Pugatch – Na verdade, essa análise faz parte da trajetória que iniciamos há alguns anos. A Pugatch Consilium é uma consultoria que promove pesquisas, análises e inteligência sobre os setores de mais rápido crescimento da economia do conhecimento. E nos concentramos em áreas como a inovação, criação de ativos, transferência de tecnologia, propriedade intelectual e acesso ao mercado. Também temos um profundo olhar para a política de saúde, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e biotecnologia.

Exemplos disso foi um relatório de 2012 sobre o papel dos direitos de propriedade intelectual em biotecnologia e P&D [acesse o estudo aqui], encomendado pela BIO, e o Índice de Competitividade Biofarmacêutica, um instrumento de pesquisa medir a atratividade relativa de investimento no setor biofarmacêutica nos países [essa análise pode ser acessada na página 85 dessa publicação].

Houve algum motivo especial para se incluir o Brasil nesta análise?

Meir Pugatch – Sim, é claro. O Brasil é uma das economias mais importantes do mundo, não só no momento atual, mas também para o futuro. E seria estranho deixá-lo de fora de qualquer análise.

Entre os países analisados (Brasil, Rússia, Índia, China, Coréia do Sul, Cingapura, Suíça e Estados Unidos), quais mais se destacam no mercado de biotecnologia, em termos de progresso científico e produção industrial?

Meir Pugatch – Os países têm diferentes pontos fortes, em diferentes áreas de biotecnologia. Por exemplo, os Estados Unidos têm uma base forte em ciência e educação, instalações de P&D e uma importante capacidade de produção de biotecnologia. Já Cingapura se desenvolveu por meio da iniciativa Biopolis (uma biofarmacêutica e biomédica muito competitiva em P&D) e se destaca por sua capacidade de produção.

O Brasil tem pontos fortes em outras áreas. Em biocombustíveis e agrobiotecnologia, por exemplo, tem sido um pioneiro. No setor de biotecnologia para a saúde, no entanto, ainda não está tão maduro.

Sobre a produção industrial, vale ressaltar que a P&D necessária para trazer produtos de alta tecnologia para o mercado é a parte mais complexa e exigente do ciclo de desenvolvimento. Mas a produção industrial, em alguns casos, pode ser comparativamente menos exigente.

Esse seria um paradigma, na visão dos empresários, capaz de inibir os investimentos em P&D?

Meir Pugatch – Muitas vezes, esse fato básico – a distinção entre as exigências do desenvolvimento de uma pesquisa nacional ou regional e a capacidade de desenvolver produtos de alta tecnologia versus o desenvolvimento de uma capacidade de produção industrial – é esquecido nas decisões e nas discussões políticas e o processo de fabricação pode ser confundido com o processo de P&D. O mais importante é notar que há distinção entre os dois.

Quando se pensa em biotecnologia se pensa também em investimento em infraestrutura de pesquisa, como laboratórios altamente tecnológicos, etc. As indústrias farmacêuticas têm conseguido equalizar isso. No caso dos produtos biotecnológicos isso seria mais desafiador?

Meir Pugatch – Sim. De fato, as tradicionais “micro moléculas ” das drogas farmacêuticas (que são produzidas através de um processo conhecido como síntese química) são difíceis e caras para se pesquisar e desenvolver e exigem altos níveis de infraestrutura técnica e capital humano qualificado. Mas essas micro moléculas dos fármacos podem ser desenvolvidas em um país, enquanto os outros componentes-chave do medicamento (como os princípios ativos ou APIs) podem ser produzidos em outro local ou até por uma entidade ou empresa diferente. A terceirização da indústria farmacêutica e na fabricação dos APIs já tem sido uma prática comum há anos.

Mas, no caso de produtos biotecnológicos, há um desafio maior para se manter a estabilidade e consistência e garantir um produto de alta qualidade. Por isso, a terceirização na fabricação de produtos biológicos é tecnicamente difícil de ser realizada.

Para se desenvolver um produto ou tecnologia biológica exige-se elevados níveis de experiência e infraestrutura avançada, dado o tamanho, a complexidade e a instabilidade inerente de um produto biológico. O processo exige um nível considerável de estabilidade e capacidade técnica, para não alterar as partes novas ou processos introduzidos. Caso contrário, há um risco de que sejam comprometidas a qualidade e a pureza do produto fabricado.

De acordo com sua análise, como o Brasil está posicionado em relação a outros países?

Meir Pugatch – Na verdade, o objetivo do relatório não foi “destacar” ou, diretamente, comparar os países. Com base no mapeamento de políticas que realizamos, o Brasil mostrou-se com áreas e setores mais maduros e bem desenvolvidos do que outros.

Como mencionado, nos programas do setor agrobiotecnologia e biocombustíveis o Brasil tem, em vigor, uma série de iniciativas importantes. Por exemplo, o plano PAISS (Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico), do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], uma iniciativa para desenvolver a segunda geração de bioetanol e novos usos da biomassa da cana.

Há também uma iniciativa política promissora relacionada à formação de capital humano, por meio de programas de intercâmbio internacional de estudantes, como o Ciência sem Fronteiras.

Entre os aspectos analisados ​em seu estudo​, qual é o principal desafio para Brasil?

Meir Pugatch – Os desafios específicos variam de acordo com os setores, mas, em geral, os principais desafios estão na esfera de proteção da propriedade intelectual (especialmente para biofármacos), transferência de tecnologia e a regulamentação dos ensaios clínicos.

Sobre a regulação dos ensaios clínicos, é importante notar que o Brasil é atualmente um dos maiores mercados biofarmacêuticos do mundo e está a caminho para um forte crescimento futuro. Os pacientes brasileiros estão cada vez mais exigentes e querem ter acesso às melhores tecnologias de saúde, produtos e serviços do mundo.

Por esse motivo, incentivar mais os ensaios clínicos e as atividades de pesquisa no Brasil poderia aumentar as capacidades de P&D nacionais no Brasil e disponibilidade de produtos com tecnologia de ponta e mais atrativos.

As exigências regulatórias atuais e o longo processo de aprovação significam que o Brasil e os pacientes brasileiros estão potencialmente perdendo. A aprovação para a pesquisa clínica precisa passar pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode esticar por mais de um ano, em comparação aos três meses dos EUA e União Europeia.

E quais aspectos o Brasil deve manter o foco para garantir o desenvolvimento rápido e sustentável em inovação e tecnologias de ponta?

Meir Pugatch – Encorajar o desenvolvimento econômico, a inovação e elevar a cadeia de valor não é fácil. A concepção de um ambiente propício à inovação, pesquisa, comercialização e mercado de produtos e tecnologias biológicas não é uma ciência exata, pois há uma infinidade de fatores que potencialmente podem afetar, encorajar ou até desencorajar taxas de inovação biotecnológica. Além disso, cada situação, país ou região são diferentes.

Mas, pondo de lado essas considerações, é possível juntar um quadro e identificar uma série de fatores que, juntos, permitem criar um ambiente propício à inovação biotecnológica. Os sete elementos necessários que identificamos no relatório são todas as áreas em que um país pode se concentrar para criar esse ambiente, segundo as melhores práticas internacionais, tendo uma forte estrutura no local para incentivar o crescimento econômico, para gerar emprego, inovação de alta tecnologia e desenvolvimento sustentável.

Na sua opinião, quais os principais obstáculos para o Brasil alcançar um crescimento e desenvolvimento em pesquisa e inovação, especialmente, na área de biotecnologia?

Meir Pugatch – Os principais desafios, como mencionado, incluem: regulamentos de transferência de tecnologia, um relativamente difícil ambiente para as patentes (Propriedade Intelectual) para as biofarmacêuticas inovadoras e também os longos atrasos e o pesado processo de regulamentação para ensaios clínicos.

Em quais os setores o Brasil pode se destacar em relação aos outros países?

Meir Pugatch – O Brasil já tem pontos fortes tradicionais em biocombustíveis e agrobiotecnologia. Em 2013, o Brasil tinha 40,3 milhões de hectares de culturas biotecnológicas para cultivo crescente de milho, soja e algodão. Está em segundo lugar no mundo, só perdendo para os EUA.

O setor da saúde e biofarmacêutica é menos maduro; reformas na regulação dos ensaios clínicos e na questão das patentes (Propriedade Intelectual) poderiam ajudar a incentivar o crescimento mais forte e desenvolvimento deste setor.

Há perspectivas de crescimento para as indústrias de biotecnologia no Brasil?

Meir Pugatch – Eu acredito que a importância do Brasil para a economia mundial só vai aumentar. O setor da biotecnologia apresenta uma enorme oportunidade para o Brasil desenvolver recursos de classe mundial e apoiar a atividade econômica, que não só cria empregos altamente qualificados, mas, do ponto de vista humanitário e social, ajuda na alimentação, nos combustíveis e também na cura de doenças, tanto dos consumidores brasileiros como, por meio da exportação, dos potenciais doentes e consumidores internacionais.