Na Fiesp, presidente da Confederação das Santas Casas critica defasagem da tabela do SUS

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil) promoveu debate nesta quarta-feira (6/4) sobre a situação das Santas Casas no Brasil e no Estado de São Paulo, além da melhoria do seu sistema de operações.

O coordenador titular do BioBrasil, Ruy Baumer, abriu a reunião falando sobre a atuação do BioBrasil e sobre a importância das entidades médicas. “São responsáveis pela maioria dos atendimentos de saúde no país e são um importante elo na nossa cadeia produtiva. Sem dúvida, merecem nosso apoio”, ressaltou.

“País que caminha para o desenvolvimento investe na saúde”, afirmou o presidente da Confederação das Santas Casas de Misericórdia, Hospitais e Entidades Filantrópicas (CMB) e da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp), Edson Rogatti.

Segundo ele a tabela do SUS está defasada há mais de 10 anos, e de cada 100 reais gastos, o hospital recebe somente 60 reais. “Definitivamente isso é uma vergonha pública. No mínimo a remuneração para a saúde deveria acompanhar a inflação”, sustentou.

Rogatti citou algumas dificuldades enfrentadas pelas Santas Casas – entre elas, a falta de dinheiro no orçamento da saúde, o pagamento lançado após a realização de procedimentos e a necessidade de redefinir o teto de repasses de algumas instituições. O perdão das dívidas tributárias não faz diferença, explicou, porque a maior dívida é com os bancos “Tenho certeza que juntos podemos mudar a situação das Santas Casas, e a Fiesp é um excelente parceiro nesta luta”, disse.

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Reunião do BioBrasil de 6 de abril, que teve como tema a situação das Santas Casas. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Orçamento não fecha

O provedor das Santas Casas de Misericórdia de São Paulo, José Luiz Egydio Setúbal, explicou como conseguiu minimizar os impactos quando assumiu a gestão do hospital. “Assim que ocupei o cargo foquei no controle absoluto do caixa”, disse.

Setúbal fez ajustes rápidos das linhas de despesas, como a redução da folha e gestão de suplementos. Substituiu o time gerencial, focou em ganhos de produtividade/ocupação, investiu em tecnologia da informação, renegociou dívidas com o BNDES e CEF e fontes de receita.

No encontro foi unânime o pensamento de que o modelo de gestão da saúde está sucateado e precisa ser modificado o mais urgentemente possível. “Não temos dúvida que o orçamento não está batendo e temos que mudar a má gestão já instalada”, concluiu.

Também participaram da reunião o vice-presidente do Instituto Coalizão Saúde e diretor da Faculdade de Medicina da USP, Giovanni Guido Cerri; o farmacêutico-bioquímico e presidente da Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Santa Catarina, Tércio Karsten; o diretor executivo do Grupo Lund de Nefrologia, Yussif Ali Mere Junior, e o membro titular da Academia Nacional de Medicina Raul Cutait.