Brasil estará no centro dos debates do evento global da biotecnologia, em San Diego

Dulce Moraes, Agência Indusnet

De 23 a 26 de junho, acontece na cidade de San Diego, na Califórnia (EUA), o evento global da Biotecnologia “BIO International Convention”, que reúne as principais indústrias e entidades representativas do setor no mundo. O evento é promovido pela organismo internacional Biotecnology Industry Organization (BIO).

No dia 25, o Fórum “Oportunidades Emergentes no Mercado Global”, conta com uma programação inteiramente dedicada ao Brasil. Farão parte das apresentações dos painéis instituições governamentais brasileiras, como o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic), o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a agência de fomento à pesquisa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entre outras.

A indústria paulista estará representada no evento pelo coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e de Biotecnologia (BioBrasil/Combio), Eduardo Giacomazzi.

As palestras do fórum dedicado ao Brasil terão como temas:

  • Programa brasileiro “Ciência sem Fronteiras”: O que está sendo feito para educar os líderes de amanhã?
  • Como os Regulamentos Eficientes e Transparentes em Ensaios Clínicos podem melhorar resultados em Ciência, Inovação e Saúde nos Mercados Emergentes
  • Copa do Mundo! – Elite da Industrial Biotecnológica olha para o Brasil para grandes vitórias
  • Evolução e Tendências em Políticas Públicas para a Biotecnologia no Brasil

Para acompanhar toda a programação do evento, clique aqui.



Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

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Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP


Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

Leia também:

>> Meir Pugatch: Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia

>> Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia

Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância de Inovação em Biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dos dois dias do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), os coordenadores-adjuntos do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo Giacomazzi e Paulo Henrique Fraccaro, ressaltaram a importância desse encontro promovido pela entidade em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

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Workshop de Inovação em Tecnologia da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Ambos ressaltaram que as discussões servirão de base para apresentar propostas que ajudem no desenvolvimento da competitividade da indústria brasileira.

Giacomazzi relembrou que nesta semana estão sendo realizados eventos importantes ligados ao tema, tanto em Brasília como em São Paulo, e que essas iniciativas são importantes para ampliar a visibilidade na mídia, da importância da biotecnologia para o futuro do país.

Fraccaro destacou a necessidade de redução do gap existente entre os Brasil e as nações mais avançadas na área de biotecnologia. “Um momento como esse é de extrema importância pois podemos trocar experiências e entender quais os fatos poderemos planejar para que esse gap seja diminuído”.

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Meredith Fensom, interlocutora da BIO para o Brasil e América Latina. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da BIO, elogiou o fato de mais empresas e instituições brasileiras estarem ampliando sua atuação junto à BIO nos últimos anos.

“Sabemos que as políticas de inovação são críticas. Mas o Brasil tem uma economia robusta para se desenvolver nas áreas voltadas à inovação. E tem destacado a biotecnologia como fator para isso”, disse Meredith.

Meredith Fensom: Brasil tem vantagens para fazer parte da economia de biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da BIO. Foto: Divulgação

Meredith Fensom é a diretora de assuntos internacionais da Biotechnology Industry Organization (BIO), organização não-governamental que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Especialista em Direito Internacional com mestrado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Florida e especialização em Ciências Políticas, Meredith atuou como consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Centro de Comércio Internacional das Nações Unidas.

Como interlocutora da BIO no Brasil e América Latina, ela promove debates em torno dos temas principais que afetam as indústrias do setor de biotecnologia em nível internacional. Entre eles, os marcos regulatórios e as regras de comércio.

A diretora da BIO estará no Brasil no final deste mês, nos dias 29 e 30 de abril, para participar do Workshop de Inovação em Biotecnologia, realizado pela BIO em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Veja a seguir a entrevista concedida por Meredith ao Portal da Fiesp:

Como a senhora avalia o estreitamento das relações entre BIO e o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp? E quais suas expectativas para o I Workshop de Inovação em Biotecnologia?

Meredith Fensom – A BIO celebra parcerias no mundo todo com instituições que estejam abertas para dialogar sobre questões importantes e que afetem a indústria de biotecnologia. Eu acredito que o evento na Fiesp é um passo importante para iniciar uma conversa aberta sobre as melhores práticas globais na indústria de biotecnologia.

A BIO acompanha a evolução do mercado de indústria biotecnológica do mundo. Em termos globais, esse é um mercado em expansão? Qual o volume de negócios gerado por esse setor?

Meredith Fensom – A indústria de biotecnologia é, definitivamente, uma indústria em expansão. Um estudo sobre biotecnologia, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), estima que em 2030 as inovações na área de biociência poderão contribuir com até 35% da produção de produtos químicos e outros produtos industriais, 80% dos produtos farmacêuticos e produção de diagnóstico, e 50% da produção agrícola mundial.

E como é a posição do Brasil nesse cenário global?

Meredith Fensom – O Brasil possui algumas vantagens estratégicas para fazer parte dessa crescente economia global de biotecnologia e eu acredito que assumirá posição importante nos próximos anos.

Quais setores apresentam-se mais atraentes para as empresas internacionais desse ramo?  E há alguma área que está demostrando maior excelência? 

Meredith Fensom – Não há dúvidas de que o Brasil é um dos líderes globais na economia de biotecnologia alimentar e de agricultura, figurando como referência mundial nesta área. Um ponto positivo que eu destacaria é que o Brasil está tomando medidas para melhorar o seu setor de biotecnologia industrial e ambiental, bem como sua produção em pesquisa e desenvolvimento.

No Workshop de Inovação em Biotecnologia na Fiesp será apresentado um estudo inédito do professor Meir Pugatch. Em resumo, o que será apresentado nesse estudo?

Meredith Fensom – O professor Meir Pugatch apresentará uma análise comparativa,  não apenas das indústrias de biotecnologia de oito países pesquisados, mas das estratégias de desenvolvimento que os países adotaram, a fim de reforçar e manter a sua indústria de biotecnologia local.

Na verdade, o relatório tem como objetivo apresentar uma visão geral das políticas que auxiliam no crescimento do setor de biotecnologia. E, além disso, esse estudo tem como foco iniciar um diálogo aberto sobre algumas das melhores práticas adotadas em todo o mundo, para promover o crescimento da indústria de biotecnologia.

O estudo apresentará possíveis caminhos para incrementar a biotecnologia no Brasil?

Meredith Fensom – Sim. O estudo apontará algumas recomendações e observações gerais acerca de algumas das políticas-chave necessárias ao cultivo de uma indústria de biotecnologia inovadora e sustentável. O estudo não fornece uma lista exaustiva das referidas políticas, mas serve como primeiro passo importante para se ter uma conversa com o governo, a academia (universidades) e a indústria sobre quais tipos de políticas estão em vigor no mundo e como elas podem auxiliar no fortalecimento da economia de biotecnologia.


Saiba mais:

WORKSHOP DE INOVAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA

O evento é promovido pelo comitê Bio Brasil/Combio da Fiesp emparceria com a BIO (Biotechnology Industry Organization).

Data/Local: 29 e 30 de maio, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Para ver a programação do evento e inscrições, clique aqui.


Organização da bioindústria e Fiesp discutem desenvolvimento do setor no Brasil

Agência Indusnet Fiesp,

O organismo internacional Bio [Biotechnology Industry Organization, Organização das Indústrias de Biotecnologia] e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizaram na terça-feira (08/10) uma mesa redonda com representantes da bioindústria.

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Mesa redonda sobre desenvolvimento da bioindústria. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Participaram dos debates o coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio), Eduardo Giacomazzi, o vice-presidente sênior da Bio, Joseph Damond e o consultor da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Alfred Szwarc, entre mais de 20 representantes do setor de biotecnologia  de biocombustível a biofármacos.

O principal item da pauta de discussões foi a criação de políticas de incentivo ao setor e potenciais parcerias para a promoção da bioindústria no Brasil.