Fiesp é palco de debate sobre contribuição da bioeconomia para a evolução das cidades

Agência Indusnet Fiesp

O Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia (ComSaude) e o Conselho Superior de Inovação (Conic) da Fiesp realizaram em 26 de maio o Simpósio de Bioeconomia – Clean Cities “Co-criando ecossistemas urbanos para Biocidades 4.0”.

Foi o primeiro dos três eventos temáticos preparatórios para a cúpula, uma Chamada para Ação em Bioeconomia (Summit Call for Action in Bioeconomy), que será realizada em novembro de 2017 e é parte de uma estratégia de longo prazo visando a fomentar e alavancar ecossistemas de inovação de classe mundial em bioeconomia.

Em seu primeiro painel, Gilberto Tanos Natalini, secretário do Verde e do Meio Ambiente do município de São Paulo, e Marianna Sampaio, secretária adjunta de Inovação e Tecnologia da cidade, falaram sobre os desafios mais relevantes para suas pastas em relação ao tema Bio Cidades 4.0. Depois dos painéis da manhã houve uma sessão colaborativa, a Oficina: cocriação de visões de oportunidades emergentes para as Bio Cidades 4.0.

Na abertura do simpósio, Roberto Paranhos Castelo Branco, vice-presidente do Conic, destacou que o conselho considera a bioeconomia prioritária para o desenvolvimento de ecossistemas de classe mundial. “Fazemos parceria com a Fapesp, a Escola Politécnica e, agora, com o Hospital das Clínicas para fomentar o empreendedorismo de classe mundial. Uma decisão unânime do Conic é que a Bioeconomia deve ser prioridade no desenvolvimento destas oportunidades.”

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539958252

Simpósio de Bioeconomia Clean Cities, promovido em 26 de maio na FIesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Eduardo Jorge, membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema) e ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente de São Paulo, disse que “precisamos compatibilizar as 3 inteligências: da natureza, da evolução/artificial e da autoconsciência ao invés de ficarmos escravos apenas de uma delas. Tem coisas muito importantes a serem feitas, mas também coisas prosaicas nas quais podemos avançar, como a compostagem com minhocários, uma inteligência da natureza com impacto imediato.”

Eduardo Aprígio Azevedo de Moura, diretor executivo de Projetos da Fiesp, lembrou que o momento no Brasil traz desafios, sendo necessário “dar continuidade às nossas agendas que são positivas, nós precisamos seguir em frente, continuar tocando nossa vida olhando pra gente e por uma razão, porque já estão aqui os nossos filhos e os netos olhando pra gente a dizer qual é o mundo ou qual é o Brasil que vamos entregar para eles”.

Mário Hirose, diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, fez um alerta: “Não adianta nós termos grandes programas macros, se nós não resolvermos as questões, primeiramente, da nossas rua, do nosso bairro…” Usou como exemplo a rua Costa Carvalho, em São Paulo, uma smart street. “Toda monitorada por wi-fi, tem casas e apartamentos com captação de água de chuva, energia solar, calçadas feitas de uma forma ambientalmente correta e a discussão das ciclofaixas/ciclovias em toda a região de Pinheiros, árvores monitoradas com key code. Tudo começa numa rua.”

Walter Lazzarini, presidente do Cosema, listou características da cidade de São Paulo que tornam fundamental o tema do simpósio. “Gostaria de abordar 3 temas da cidade de São Paulo: 6ª cidade em poluição do mundo…dado que afeta a economia mundial…Estamos alcançando os 12 metros quadrados de área verde por habitante, embora ainda com discrepâncias preocupantes entre os diversos bairros, e o 3º aspecto é a mobilidade urbana, com o tempo médio de casa-trabalho de cerca de 42 minutos.”

Em sua apresentação, o secretário Gilberto Natalini explicou que “a bioeconomia está dentro de um contexto, um ramo maior, que é a ecoeconomia, que é uma forma diferente de pensar o desenvolvimento econômico no mundo de hoje”. É, afirmou, “uma maneira de pensar a renda, o emprego, o trabalho e o lucro, de uma forma moderna”, utilizando inclusive a bioeconomia. Natalini listou uma série de oportunidades em sua apresentação:

Oportunidade 1: Licenciamento ambiental industrial online, como em Campinas, até setembro/2017, com apoio da SMIT. Possível papel da Fiesp e do Ciesp: educação das indústrias para licenciamento online.

Oportunidade 2: Licenciamento de áreas contaminadas. Projeto piloto de biorremediação. Parcerias internacionais e com atores locais para descontaminar de áreas em São Paulo com interesse econômico e social.

Oportunidade 3: Viveiro municipal. Trabalho conjunto com indústrias para aumentar a oferta de vegetação arbórea para o reflorescimento da cidade. Inclui o Plano Municipal de Arborização Urbana (em estudo), que criou o Comitê de Arborização bipartite, com 16 especialistas. Na nossa linguagem, seria construir a Cadeia de Valor da Árvore na cidade. Inclui todos os atores: viveiros de mudas nativas e de interesse comercial, plantio, financiamento, monitoramento, manutenção e substituição das árvores velhas, aplicação comercial da madeira e da lenha na cidade, indicadores de impacto no clima e na saúde da população beneficiada. Hoje o viveiro municipal produz 150.000 mudas/anos. Dá para aumentar a produção e usar as doações da compensação ambiental.

Oportunidade 4: Agricultura urbana orgânica e sustentável: utilização de terrenos públicos sem aproveitamento atual e emprego de moradores de rua para a atividade agrícola.

Oportunidade 5: Ampliar a participação do Cosema e DMA nos conselhos de meio ambiente da cidade. Incluir o BioBrasil e ComSaúde.

Oportunidade 6: Incentivo, por meio de aumento do potencial construtivo, para edificações inovadoramente sustentáveis: incluir desde o projeto original ou de reforma das edificações a energia fotovoltaica e aquecimento de água, sistemas de captura de água da chuva e redução de uso de água, tratamento local de esgotos,  separação e tratamento de resíduos sólidos domésticos, triturador de pia em todas as unidades e biodigestor central no prédio, horta residencial, vegetação vertical e jardim voltado ao público etc.

Oportunidade 7: usar o Fundo municipal de Meio Ambiente para financiar projetos de premiação e incentivo para oferta de soluções inovadoras aos velhos problemas da cidade.

Oportunidade 8: Criar sistema inovador de divulgação e engajamento da população com o que ocorre na cidade em termos de meio ambiente e qualidade de vida e de relacionamento. Utilizar a experiência e parceria do Projeto Verdejando.

Dados abertos

Segundo Marianna Sampaio, as ações da Secretaria de Inovação e Tecnologia certamente vão contribuir para uma cidade mais sustentável e fomentar a bioeconomia. “Na secretaria, nós fazemos o exercício diário de lembrar que o nosso foco é no cidadão e na qualidade de vida dele. Estamos trabalhando muito para que, até o final da gestão, 100% dos dados disponíveis da prefeitura estejam em formato aberto. Queremos fazer isso não só porque transparência combate corrupção, combate irregularidade, mas acreditamos muito que a abertura de dados é fundamental para o ecossistema de startups da cidade … Acreditamos que abrindo todos os dados da prefeitura, muitos outros negócios vão surgir. Acreditamos muito na colaboração governo-sociedade, no governo como plataforma, um governo aberto, trabalhando junto com a sociedade, não só metodologicamente, como com espaços de interação, através dos Laboratórios Municipais para que a academia, sociedade civil, setor privado, todo mundo possa interagir com a administração.”  Oportunidades apresentadas pela secretária adjunta:

Oportunidade 1: Parceria com a Fapesp. Sincronizar os desafios de bioeconomia com demandas da prefeitura e fomento Pipe-Fapesp; organizar treinamento na metodologia i-CORPS para 100% das startups que atenderem a esse desafio.

Oportunidade 2: City Câmeras. Chamada para vigilância inteligente em toda a cidade segundo uma visão sistêmica, juntando diversas disciplinas como iluminação inteligente, orientação à população, enterramento de fiação, solução de perda de água na distribuição etc. Modelo de cobrança pelo uso do sistema de distribuição de facilidades.

Oportunidade 3: Colaboração Governo-Sociedade: Implantar novas tecnologias sociais para harmonizar e potencializar a interação entre setor público, iniciativa privada, academia e sociedade civil.

Oportunidade 4: Fomento ao Ecossistema de Inovação (SP 4.0). Integrar Fiesp, Fapesp, incubadoras e empresas com a prefeitura, para fomento ao ecossistema de inovação, conforme iniciativa do Conic desde 2013 e projetos piloto em Curitiba e Campinas.

Marcos Silveira Buckeridge, presidente da Academia Paulista de Ciências e professor da USP, também participou do painel Oportunidades para Bio Cidades 4.0. Sua apresentação revelou como oportunidade a arborização para adaptação às mudanças climáticas. O projeto envolve o desenvolvimento de tecnologias para monitoramento de árvores e estudos sobre árvores e saúde da população. Há oportunidade ainda para a ampliação de espécies úteis para o reflorestamento da cidade, considerando a cadeia de valor da árvore.

Alexandre Mutran, da Rede Globo, explicou o Projeto Verdejando, iniciativa de comunicação, engajamento e difusão da prática de plantio de árvores na cidade de São Paulo. Poderia ser utilizado como modelo de comunicação com engajamento, patrocinado por empresas ligadas à Fiesp em parceria com a prefeitura: verdejando, aquejando, solejando, arejando e urbanejando.

O simpósio teve apresentações sobre casos práticos de cidades que tiveram sucesso na implementação de soluções em bioeconomia aplicadas às necessidades urbanas. Também foram explicadas tecnologias exponenciais da quarta revolução industrial, em especial as biotecnologias com potencial para trazer as cidades para o século 21, atendendo aos anseios e modos de vida das populações deste século.

  • Carlos Roma, da BYD do Brasil: Veículos elétricos para passageiros e carga (lixo).
  • Ivo Pons, da Scipopulis: App de mobilidade urbana (transporte público) e monitoramento de trânsito urbano.
  • Ricardo Magnani, da Anpei: Projeto iTec. Plataforma de estímulo ao desenvolvimento de soluções tecnológicas, por meio da inovação aberta baseada em desafios.
  • Rafael Ferreira , da Itatijuca Biotech: processos biológicos de redução de resíduos (pneus, mineração etc.); biocimento para rachaduras etc.
  • Fernando Beltrame, da Eccaplan: Projeto “Sou Resíduo Zero”, com potencial para multiplicação da ação em parceria com SVMA e Verdejando.
  • Rodrigo Perez, BR3 Agroecologia: Projeto DengueTech. Possível campanha de distribuição e aplicação do denguetech na RMSP. Tem patrocínio líder da Fiesp.