Especialista francês defende o BIM como forma de dar produtividade ao setor de construção

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Durante o Seminário Internacional sobre o BIM (Building Information Modeling), realizado na Fiesp nesta quinta-feira (10/3), Jean Michel Pereira, professor da École Nationale des Ponts et Chaussées (ENPC), defendeu o método como meio de dar ganho importante de produtividade ao setor da construção. Para ilustrar essa necessidade de evolução, exibiu gráfico mostrando o que chamou de impactantes ganhos de produtividade em outros setores, comparados à estagnação na construção civil.

Há redução de custos, melhora na qualidade final do projeto e da própria obra graças ao BIM. Pereira explicou que o BIM não é um software ou uma simples ferramenta, mas um método, que aborda todas as fases da construção. Na França, disse, a sigla aparece cada vez mais, com o termo modelagem tendo como núcleo a maquete numérica.

O conceito remonta há 30 anos, com o surgimento de software para criação de edifícios virtuais. Em sua evolução, manteve o foco central na maquete digital. Os dados que alimentam a maquete depois são analisados de diversas formas. Diferentemente de um projeto clássico, no BIM, por a maquete virtual ser o centro, toda as instâncias têm sempre os dados atualizados. Há um protocolo padronizado –e aberto- para permitir a interoperabilidade. Explicou que licitações e concorrências por vezes determinam o uso desses protocolos.

A concepção via BIM é mais cara, mas as fases posteriores geram economia importante. Citou ganhos no projeto para arquitetos, engenheiros e responsáveis pela área financeira. Ele citou ganho de 7% na gestão de patrimônio graças ao BIM. Lembrou que o BIM não se aplica somente a imóveis novos, tendo uso também, por exemplo, em restaurações. A economia de energia pode ser de 10% a 30% graças ao projeto via BIM, afirmou.

Disse que para o canteiro de obras há ferramentas relativamente simples, que podem ser usadas por exemplo em tablets. Além do funcionário poder acompanhar o projeto, pode realimentar o sistema, mantendo-o sempre atualizado.

Mencionou alguns pontos que merecem atenção, como aspectos jurídicos – por exemplo, relacionados ao fato de várias pessoas alterarem o projeto, que pode portanto deixar de pertencer exclusivamente ao escritório de arquitetura. Disse que a formação dos diferentes autores, que é uma especialização na escola, é essencial para o BIM.

A capacitação da equipe foi um dos pontos abordados também por Sergio Roberto Leusin de Amorim, arquiteto e professor da Universidade Federal Fluminense. Para o sucesso do BIM, é preciso, ressaltou, qualificar toda a equipe de projeto na concepção construtiva, mas considera inviável capacitar de uma vez todos os profissionais. E, devido ao tempo de uma obra, a adoção total do BIM tende a demorar anos. Recomendou a implantação paulatina, respeitando as fases de diagnóstico inicial, definição da estratégia, criação de um plano e por fim a ação.

Alertou que a adoção do BIM exige alterações na forma de trabalhar e ajustes nos escritórios – por exemplo, devido ao volume de tráfego de dados e ao número de usuários.

Amorim descreveu o BIM como uma inovação tecnológica radical. Esse novo processo, explicou, altera profundamente os processos existentes e exige novos procedimentos, como documentos de gestão da qualidade. Disse que conhece isso por experiência, não só como teoria. Frisou que não é conversão de 2D para 3D.

Tudo é feito inicialmente em cima de um modelo, para depois ser executada a documentação, enquanto no processo tradicional se faz primeiro a documentação, que depois será revisada.

Só agora serão entregues, dia 22 de março, os dois primeiros projetos integralmente feitos no BIM. “Não teve papel nenhum, exceto o que se precisou enviar para a prefeitura.” É uma diferença enorme. Empresas imobiliárias, afirmou, levam de 12 a 15 meses. Nesse caso, foram 6 meses para ter o projeto executivo pronto.

Disse que o BIM reduz a quase zero as perdas de materiais de instalação, que custam de 12% a 18% do total da obra. Numa obra de R$ 30 milhões, mesmo considerando perda com BIM de 5%, a economia é de R$ 600.000.

É fator de competitividade, pela redução das margens de riscos e de perdas. E apesar de ter custo de projeto um pouco maior, a distância vem sendo reduzida. Há benefícios ao longo de todo o ciclo de vida da edificação. Todos os cálculos são automatizados, gerando plantas completas.

Gestão

Washington Lüke explicou que a tecnologia usada pelo Exército Brasileiro está sendo levada à Secretaria de Patrimônio da União do Ministério do Planejamento, onde ele atua como diretor do Departamento de Caracterização e Incorporação do Patrimônio. Lüke disse que neste ano será feito com uso do BIM o retrofit do Bloco O da Esplanada dos Ministérios – para isso, foi alterada a forma de contratação da obra. Também o projeto de cinco anexos da Esplanada dos Ministérios. Outra obra é o retrofit do Edifício Siderbrás. O Sistema Unificado de (geoPatrius), em construção, é baseado no sistema OPUS, do Exército.

Todos os projetos da SPU serão elaborados ou contratados dentro da tecnologia BIM, com foco na manutenção predial. A metodologia usada será Construction Operations Building Information Exchange (COBie). Na nova Esplanada, o custo de manutenção deverá ser reduzido em 26%.

Ao final do processo, o Manual de Obras Públicas, que foi atualizado pela última vez em 1997, ganhará nova versão, incorporando o uso do BIM, ficando alinhado com a lei, em discussão – e que precisará de regulamentação, destacou – que obriga ao uso do BIM em obras públicas.

Fizeram também palestras, no segundo painel do seminário, Armel de Bourdonnaye, diretor geral da ENPC, e Osvaldo Lahoz Maia, gerente de Inovação do Senai-SP.

Bourdonnaye usou como exemplos parceiras com a Saint Gobain no desenvolvimento de tecnologia e know-how de moradias sustentáveis, e com a Veolia, do setor de energia.

Maia, do Senai-SP, começou sua apresentação explicando que o Senai-SP tem grande preocupação com a indústria 4.0 e suas necessidades de tecnologia da informação (que está no núcleo do BIM). Em relação ao BIM, disse que a formação no Senai-SP em construção civil já o contempla em seus conteúdos.

Maia explicou o funcionamento do Senai-SP e mostrou seus números. Apresentou em seguida o Modelo de Inovação do Senai-SP.

Usou como exemplos de parcerias com a indústria instalações de microfabricação e laboratório de construção civil. Como exemplo de projeto desenvolvido, mostrou equipamento para ensaios de próteses de quadril.

O modelo de inovação do Senai-SP se baseia na pesquisa aplicada. O papel do Senai, explicou, funciona como uma tripla hélice, com interação com governo, academia e indústria.

O seminário foi organizado pelo Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic) e pelo Senai-SP, que durante o evento assinou memorando de entendimento para parceria nos campos da educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação (MBA) em Building Information Modeling (BIM), da pesquisa e da inovação, além da promoção de experiências, do aumento da competitividade de empresas francesas e brasileiras e do fortalecimento do setor industrial dos dois países.

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Mesa de abertura do Seminário Internacional sobre o BIM, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Senai-SP celebra acordo com instituição francesa especializada em construção civil

Rosângela Gallardo e Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e a École Nationale des Ponts et Chaussées assinaram nesta quinta-feira (10/3), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, memorando de entendimento para parceria nos campos da educação profissional tecnológica de graduação e pós-graduação (MBA) em Building Information Modeling (BIM), da pesquisa e da inovação, além da promoção de experiências, do aumento da competitividade de empresas francesas e brasileiras e do fortalecimento do setor industrial dos dois países. A cerimônia fez parte do Seminário Internacional sobre o BIM.

O diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, e o diretor da École Nationale des Ponts et Chaussées, Armel de La Bourdonnaye, que assinaram o documento, reforçaram a importância da parceria para as duas instituições. “O relacionamento entre França e Brasil, por meio do Senai-SP, iniciou-se no final dos anos 30 e deste então é muito produtivo”, afirmou Vicioni. “Fico muito grato em selar mais esta parceria porque ela aumenta a conexão entre duas culturas latinas e propicia o acesso à tecnologia de ponta”, completou. Bourdonnaye afirmou que é missão de sua entidade acompanhar o desenvolvimento da indústria, fomentar a inovação do setor da construção civil e passar essa experiência a seus parceiros. “Somos líder no modelo de informação da construção”, declarou

Estabelecimento público de caráter científico, cultural e profissional, a École des Ponts é uma instituição de ensino superior e de pesquisa fundada em 1747, subordinada ao Ministério da Ecologia, do Desenvolvimento Sustentável e da Energia da França. A entidade é reconhecida internacionalmente por sua atuação nas áreas de planejamento urbano, meio ambiente e engenharia e já diplomou mais de 18 mil pessoas ao redor do mundo.

O vice-presidente do departamento de engenharia civil da École Nationale des Ponts et Chausséss, Jean Michel Pereira, afirmou que a formação profissional oferecida será adaptada ao Brasil e que será montada uma plataforma de inovação para apoiar as empresas francesas com interesses comerciais no país. “Buscamos o Senai-SP por sua forte relação com a indústria e capilaridade com outras instituições de ensino.”

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Seminário sobre o BIM, durante o qual foi assinada parceria entre Senai-SP e École Nationale des Ponts et Chaussées. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Conselho Superior da Indústria da Construção reforça compromisso com eficiência e sustentabilidade

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O deputado federal Julio Lopes (PP-RJ), participante da reunião desta terça-feira (8/3) do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp  (Consic), defendeu a criação de uma nova cultura para o setor brasileiro da indústria da construção. “Precisamos dar tangência na competitividade e produtividade no setor, que é produtivo e pode reconstruir um novo Brasil em médio prazo. Se não idealizarmos um país melhor, jamais o faremos”, disse.

O deputado enfatizou a importância da qualidade e previsibilidade dos projetos no Brasil. “Para termos isso, é imprescindível a adoção de ferramentas e serviços certificados, como o Building Information Modeling (BIM). A plataforma envolve toda a cadeia produtiva e tem benefícios evidentes em todas as fases das obras, dos primeiros estudos até a operação, passando pelo detalhamento do projeto e sua construção”, afirmou.

Durante a reunião, José de Oliveira Lima, presidente do Consic, alertou sobre a importância do encontro. “A ideia aqui é discutir projetos em prol do setor e melhorar a construção sustentável, em busca de um custo menor com um desenvolvimento maior, tanto na área de habitação quanto na área de infraestrutura”, disse.

Na ocasião, foram feitas apresentações institucionais da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci – Brasil) e da Gerdau Aços Brasil. Rodrigo Uchôa Luna, presidente da Fiabci, reforçou a relevância do encontro. “Este é o momento de descruzar os braços e fazer o nosso papel para melhorar o ambiente de negócios”, disse. Já Antonio Cesar Testa Sander, diretor de vendas da Gerdau, falou das principais contribuições que a companhia pode dar ao setor. “Podemos ajudar na evolução da construção sustentável, no aumento de produtividade e na inovação”, afirmou.

FPIC

O deputado Itamar Borges, coordenador da Frente Parlamentar da Indústria da Construção (FPIC), fez um balanço e falou sobre as motivações para a criação da frente. “A ideia é fortalecer a construção paulista criando medidas para sustentação dos investimentos em planejamento e gestão, previsibilidade e segurança jurídica e controle de prazos curtos para a redução do ciclo e obras”, afirmou.

Desde o seu lançamento, em novembro de 2015, a FPIC vem cumprindo uma agenda de reuniões com secretarias estaduais para discutir as pautas prioritárias do setor. “Nós, como parlamentares, temos o dever de cobrar e encaminhar soluções e sugestões e buscar melhoria do ambiente para caminhar com tranquilidade e gerar desenvolvimento econômico”, disse.

Carlos Eduardo Auricchio, diretor titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp, ressaltou que, nos encontros com as secretarias, não houve um ponto que não estivesse contemplado no programa Compete Brasil. Ele acredita na melhora do setor. “É o momento de transformar gargalos em soluções. Vamos atingir os objetivos que o setor já identificou, por meio do Compete Brasil. Os resultados estão próximos de acontecer”, disse.

Novos conselheiros

Assumiram como conselheiros do Consic Rodrigo Uchôa Luna, presidente da Federação Internacional Imobiliária (Fiabci – Brasil); Antonio Cezar Testa Sander, diretor de vendas da Gerdau Aços Brasil; Jeronimo Romanello, advogado especializado em direito empresarial e imobiliário.

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Reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp em 8 de março. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Estudo apoiado pela Fiesp compara adoção do BIM no Brasil e na União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Com apoio do Departamento da Indústria da Construção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Deconcic – Fiesp), o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) elaborou estudo comparativo do estágio de adoção do BIM (sigla em inglês de modelagem de informação da construção – Building Information Modeling) no Brasil e em países da União Europeia (Reino Unido, França, Holanda, Finlândia e Noruega). O Deconcic tem papel atuante na disseminação no Brasil do conceito BIM, tema estratégico no Programa Compete Brasil, da Fiesp.

O levantamento mostra os entraves ao uso da ferramenta no país e faz recomendações para incentivar sua disseminação. Um dos problemas é que no Brasil há uma profunda separação entre concepção e execução da obra, na contramão da visão integrada proposta pelo BIM.

A tabela abaixo, publicada no relatório, compara oito componentes em comum das políticas do BIM nos cinco países europeus e no Brasil. Ela mostra que cada um dos componentes da política BIM foi encontrado em pelo menos três países diferentes. Todos os países estudados iniciaram o desenvolvimento de suas estratégias e visão do BIM, e alguns já a concluíram. Os objetivos do BIM são parte de uma estratégia de construção governamental, como no Reino Unido e França, ou objetivos autônomos impostos pelas principais organizações estatais, como na Finlândia, Noruega e Holanda. As normas e protocolos do BIM estão quase completos em todos os países, exceto na França e no Brasil, onde foram anunciados ou começaram recentemente.

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O Brasil se destaca na infraestrutura de tecnologia para o setor público, graças ao Sistema OPUS, usado para aquisição e gerenciamento de projetos BIM para o exército brasileiro no país todo.

Recomendações

O relatório lista ações estratégicas para a difusão do BIM no Brasil. Tiveram peso nas recomendações as discussões com as partes interessadas durante reunião no Deconcic da Fiesp em agosto de 2014.

Entre as ações propostas está tornar objetivos do BIM parte de uma “estratégia de construção” ou “visão” nacional e oficial. A divisão das responsabilidades pela indústria de construção entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Ministério das Cidades (MCidades) e o Ministério do Planejamento, Orçamento, e Gestão (MPOG) representa um desafio para a formulação de uma estratégia de construção, mas uma determinação em conjunto sobre os objetivos do BIM, assinada pelos três ministérios, pode ser uma abordagem significativa e efetiva.

Também se recomenda tornar o BIM obrigatório, de forma gradual (em estágios), em projetos adquiridos pelo Governo Federal. A abordagem em estágios considera prazo de exigência, valor do projeto, fase do projeto e tipo do projeto.

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Clique aqui para ter acesso ao relatório completo.

Compete Brasil: Fiesp deve propor ao governo desoneração para softwares BIM

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A equipe do Programa Compete Brasil, criado pelo Departamento da Indústria da Construção Civil (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), fez mais uma reunião na manhã desta sexta-feira (31/09). Em debate, os principais entraves à competitividade do setor.

Na ocasião, os membros do grupo concluíram que é necessário enviar uma proposta ao Ministério do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior (MDIC) e ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) para desoneração na compra e manutenção de softwares para implementação da tecnologia BIM [Building Information Model ou Building Information Modeling],  tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que sejam erguidos de fato.

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Desoneração das licenças e dos serviços de suporte do BIM foi um dos temas da pauta da reunião. Foto: Beto Moussalli/Fiesp


O economista Fernando Garcia explicou que o valor maior de imposto para a utilização dos softwares está no serviço de suporte técnico, uma vez que estes não produzidos no Brasil. Há também a tributação de todas as medidas de faturamento na compra da licença do software.

“A desoneração é um dos itens que vai nessa questão de estender a desoneração de PIS e Cofins para serviços de suporte do BIM e criar uma lei federal que preveja a compensação de municípios que tenham perda de receita por conta desse imposto”, afirmou Garcia.

O economista acredita que seja possível propor a inclusão de softwares de BIM na lei 11.196/05, a Lei do Bem, que concede incentivos fiscais às empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica.

“Pedir a desoneração dos impostos e a criação de uma caixa de compensação em que o governo federal repasse ao município os recursos”, sugeriu Garcia.

Na avaliação do diretor titular adjunto do Deconcic e coordenador do Compete Brasil, Mario William Esper, a prioridade para avançar na desoneração de softwares para implantação de BIM é reunir informações e argumentos para defender a medida em Brasília.

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Mario William Esper, coordenador do Compete Brasil: reunir informações e argumentos para defender a medida junto ao MDIC e ao MCT. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

“Proponho fazermos uma reunião com o MDIC, procurar também o MCT. Antes será necessário reunir todas as informações e de posse disso nos reunimos em Brasília”, disse Esper.

Ele pediu aos membros do Compete Brasil a compilação das informações até o final da próxima semana.

Presente na reunião, o representante do MDIC, Marcos Otavio Bezerra Prates, orientou o grupo a procurar a Secretaria de Comércio e Serviços do ministério.

“O problema não é barreira, mas há uma regra geral para importação de softwares e tem de abrir a exceção para esse software, propor um caminho específico”, disse Prates.

Membro do programa e coordenador do Grupo de Trabalho de Segurança em Edificações do Deconcic, Valdemir Romero, apoiou a iniciativa. “Há várias oportunidades para desonerar. Não adianta reclamar e não tentar contribuir”.


Licenciamento de obras

Os representantes da construção civil e membros do programa também discutiram a implantação de um sistema integrado de licenciamento de obras, o SILO.

O consultor Sergio Leusin apresentou uma versão piloto do projeto de licenciamento de obras para o Compete Brasil.

“Até final de novembro, sistema deve estar em planejamento operacional, mas não em uso. A partir do ano que vem ele será implantado”, afirmou Leusin.

Ele explicou que todo o processo de licenciamento é integrado e pode ser acompanhado simultaneamente por todos os atores envolvidos. “A estratégia é mostrar que a ferramenta funciona e, a partir daí, obter a adesão de todos os órgãos que participam do licenciamento”.

Importados

Os membros do Compete Brasil também discutiram a proposta de criar uma cartilha que oriente empresários contra a importação de produtos de construção civil que não atendem a conformidades técnicas estabelecidas.

“Já temos a estrutura de uma cartilha. Agora, é só complementar, finalizar. Eu proponho que o Deconcic faça uma pesquisa rápida aos setores que têm interesse em participar [da elaboração da cartilha] ou em fazer um controle de produtos importados no seu segmento”, afirmou Esper.

No final da reunião, a diretora do Deconcic e da Associação Brasileira da Indústria dos Materiais de Construção (Abramat), Laura Marcellini, apresentou os avanços do Grupo de Trabalho da Construção Industrializada, um dos organismos do departamento da Fiesp, em desafios que devem ser apresentados e debatidos durante o Congresso Brasileiro de Construção, o ConstruBusiness, em dezembro deste ano.

Segundo Laura, o principal desafio a ser discutido é a isonomia tributária do setor, seguido pela inadequação dos modelos atuais de contratação no segmento.

“Os modelos existentes de contratação precisam ser revistos”, reiterou Laura.

Outro entrave que deve levado ao debate do Construbusiness, segundo a diretora, é a resistência cultural dos agentes do segmento à novas tecnologias e materiais.

Grandes construtoras brasileiras já começam a implantar o BIM

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Membros do Grupo de Trabalho sobre BIM [Building Information Model ou Building Information Modeling], iniciativa do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniram-se na tarde desta quinta-feira (16/10).

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Reunião teve apresentação de estudo que compara as políticas para o BIM entre o Brasil e cinco integrantes da União Europeia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O grupo busca tratar especificamente desse tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que sejam erguidos de fato.

Segundo o consultor Sérgio Leusin, um dos convidados para o encontro, grandes construtoras brasileiras já começam a implantar a tecnologia. “O que ocorre no Brasil é parecido com o que ocorre com a França, onde empresas pressionam o governo pela implementação do BIM.”

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Sérgio Leusin: grandes construtoras brasileiras já começam a implantar a tecnologia BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Leusin apontou algumas recomendações, as quais julga necessárias para uma boa implantação da tecnologia. “No Brasil temos guias Pré-BIM que podem ser atualizados para considerar o BIM.”

Sobre a normalização de produtos digitais da tecnologia, Leusin afirma que “precisamos definir tipos de dados e procedimentos de qualidade de dados”.

Além disso, Leusin disse que é urgente uma regulamentação entre as partes vinculadas ao contrato referente a propriedade intelectual, direitos e deveres entre as partes, além de definir a função do gerente de informação BIM.

Outro ponto destacado é a necessidade de formação de professores com conhecimento técnico em BIM.

Para Mohamed Kasem, que comparou as políticas para o BIM entre o Brasil e cinco integrantes da União Europeia (Finlândia, Noruega, Holanda, Reino Unido e França), a indústria de construção passa por mudança de paradigmas em vários países.

Segundo o consultor, o Reino Unido está em estágio mais avançado na implantação do BIM, com bibliotecas digitais bem desenvolvidas. O único ponto no qual o Brasil apresenta bom desempenho é em infraestrutura em tecnologia da informação.

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Leonardo Manzione: são necessárias melhorias na gestão do BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Reino Unido é, entre essas nações, a mais evoluída, e está à frente de Brasil e França em relação à implantação do BIM”, afirmou.

Para o consultor Leonardo Manzione são necessárias melhorias na gestão do BIM. “Ausência de manuais de implantação de BIM no Brasil leva a implementações caseiras e improvisadas, com cópias de métodos estrangeiros”, disse Manzione.

Além desse ponto, o consultor afirma que, no Brasil, os contratantes não sabem contratar e receber BIM.

Grupo de Trabalho da Fiesp avalia avanços do BIM na indústria de construção brasileira

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira de construção civil precisa se reeducar para usar a tecnologia BIM [Building Information Modeling, equivalente a Modelagem da Informação da Construção], ou seja, a construção virtual de uma edificação. A opinião é do consultor Sergio Leusin.

O consultor foi um dos convidados da primeira reunião do  mais novo Grupo de Trabalho criado pelo Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Esse grupo vai tratar especificamente desse tipo de tecnologia que permite a construção virtual de edifícios em terceira dimensão, antes que eles sejam erguidos no plano real.

“Trata-se de um novo paradigma de processo de projeto. BIM é otimizar o projeto. Não vai mais existir a coisa de resolver na obra. A gente já vai ter resolvido na obra virtual. Uma das grandes vantagens do BIM é a previsibilidade que você dá para a execução da obra”, afirmou Leusin manhã desta sexta-feira (01/08).

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Deconcic criou grupo para tratar especificamente de BIM. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


No encontro, os integrantes do grupo e convidados ouviram uma análise comparativa de políticas públicas para implementação do BIM na União Europeia, apresentada pelo consultor Mohamad Kassen, da Comunidade Europeia. Já Leusin foi chamado para apresentar os avanços do Brasil no uso dessa tecnologia.

Para o consultor brasileiro, a falta de indicadores mais abrangentes sobre o setor da construção dificulta a difusão do BIM. Atualmente, o sistema é usado pela Petrobras e por construtoras JHFS e Odebrecht.

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Leusin: setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Temos um problema que os dados relativos a construção são muito frágeis no Brasil, só existem pesquisas e levantamentos locais”, alertou.

Para o BIM ganhar corpo no Brasil, segundo ele, o setor da construção precisa cobrar políticas públicas, amparo na legislação e incentivar a formação de professores. Outra medida importante inserção da tecnologia na grade curricular dos cursos de engenharia e áreas relativas.

“Também precisamos definir indicadores de desempenho [do setor] e acompanhar esses resultados, fomentar pesquisa e da implantação de desenvolvimento de bibliotecas de produtos [recurso do BIM amplamente usado em países como a França, Reino Unido e Holanda].


União Europeia

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Kassem: BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Mohamed Kassen, consultor da Comunidade Europeia, apresentou os avanços da tecnologia BIM em alguns países-membros da UE.

No Reino Unido, por exemplo, todas as obras em edifícios públicos devem adotar a plataforma BIM até 2016. Na França, o governo decidiu em março deste ano que obras públicas também devem estar sob a metodologia BIM até 2017. Já a Holanda também reconhece o BIM como um serviço regular de informação sobre edificações.

Aos representantes do setor no Brasil, Kassen reconheceu que ainda falta infraestrutura tecnológica para a implementação da metodologia em alguns países, embora acredite na tecnologia como vetor de crescimento não só da construção mas da economia do país.

“A nossa mensagem é que o BIM cria valor e crescimento para todos os elos da cadeia da construção ao melhorar a qualidade das informações. E pode também contribuir para o desenvolvimento do seu mercado local e externo”, afirmou.


Colaboração França e Brasil

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Mário William Ésper: informações a Missão Estratégica sobre BIM na França. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

No início da primeira da reunião do grupo, o diretor e coordenador do Programa Compete Brasil, do Deconcic, Mário William Ésper, trouxe informações a Missão Estratégica sobre BIM na França, organizada  pela Fiesp que contou com representantes do setor da construção civil e do governo.

Segundo Ésper, os delegados visitaram indústrias e tiveram encontros com autoridades locais. Os brasileiros ainda se reuniram com representantes do Ministério de Ecologia, Desenvolvimento Sustentável, da Habitação e da Igualdade de Territórios da França.

“A França tem as mesmas dificuldades que o Brasil e o arranjo institucional que eles adotaram é muito interessante e compatível com a nossa cultura. Foi interessante para adiantarmos nossos passos na implementação do BIM no Brasil”, contou Ésper.

A reunião do GT contou com a presença do Chefe da Seção de Estudos e Projetos da Diretoria de Obras Militares do Exército, Ten. Cel. Washington Gultenberg Lüke, e do Chefe da Seção de Informática e Sistema Opus da Diretoria de Obras Militares do Exército, Cel. Alexandre Fitzner do Nascimento, que apresentaram o estágio do Desenvolvimento das Bibliotecas BIM.

Na ocasião também foi apresentado o “Guia de Materiais”, elaborado pela AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, em parceria com o SindusCon-SP – Sindicato da Industria da Construção Civil do Estado de São Paulo, o Secovi-SP – Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Adm. de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo, e a ABRAMAT – Associação Brasileira da Industria de Materiais de Construção, a Apresentação foi feita pela Diretora e Coordenadora do GT de Sustentabilidade da AsBEA – Milene Abla Scala.

Clique aqui para ler as apresentações do Grupo de Trabalho sobre BIM.

Ações do Deconcic são apresentadas em reunião plenária

Agência Indusnet Fiesp 

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou mais uma reunião plenária nesta terça-feira (24/06), na sede da entidade, em que apresentou suas ações mais recentes em diversos setores.

Um dos destaques foi a reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic) da Fiesp, que contou com a presença do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges. Na ocasião, o ministro concedeu total e irrestrito apoio ao Programa Compete Brasil do Deconcic, que está alinhado ao Plano Brasil Maior do Governo Federal.

Um dos itens da pauta foi uma prestação de contas sobre os objetivos e atribuições do Conselho Técnico Consultivo da Escola “Orlando Laviero Ferraiuolo”, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), especializada em construção civil. O Conselho tem a participação do Deconcic e foi criado em maio deste ano.

“Os conselhos consultivos foram criados para que as escolas do Senai estejam alinhadas com o setor produtivo. Não adianta a escola querer formar algo que a indústria não irá absorver”, afirmou Abílio Weber, diretor da escola “Orlando Laviero Ferraiuolo”. O Conselho vai trazer informações importantes do mercado e opinar sobre o funcionamento da escola e dos cursos.

Para falar sobre o Programa Compete Brasil, o diretor adjunto do Deconcic, Mario William Esper apresentou as ações da missão estratégica sobre Building Information Modeling (BIM), realizada na França, de 2 a 6 de junho.

A reunião do Deconcic: temas do interesse da indústria em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A reunião do Deconcic: temas do interesse da indústria em debate. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


“O objetivo foi conhecer as estratégias e os mecanismos adotados por agências francesas para implementação do BIM e os incentivos e contrapartidas para o setor empresarial que levaram o país a elevados índices de sustentabilidade”, afirmou. “Na França, o BIM é considerado mais uma ferramenta de gestão do que técnica.”

Habitação e saneamento 

O presidente da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do Estado de São Paulo, José Milton Dallari, mostrou algumas interferências e obstáculos na execução de obras de habitação e saneamento, principalmente na região metropolitana e no litoral.

“Os principais obstáculos que a CDHU encontra para suprir a demanda são a viabilidade de terrenos na região metropolitana, cada vez mais escassos e de alto custo; a localização dos terrenos, na franja urbana, de difícil ocupação e com custo mais alto; projetos novos; licenças ambientais; licitação das obras e a indústria da construção, em que é preciso discutir certas questões como a redução de custos de elevadores”, listou Dallari. 

Dallari: dificuldade de encontrar terrenos na região metropolitana de São Paulo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Dallari: dificuldade de encontrar terrenos na região metropolitana de São Paulo. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Durante a reunião, os coordenadores dos grupos de trabalho de construção industrializada, segurança em edificações e responsabilidade com o investimento apresentaram as atividades realizadas em suas reuniões mais recentes. O destaque foi o lançamento de um concurso , voltado para a comunidade universitária, que pretende premiar ideias inovadoras para a construção.

“A ideia é instituir um prêmio anual, com um tema específico a cada ano”, explicou o coordenador do GT de Responsabilidade com o Investimento, Manuel Rossitto.

O subsecretário de Mineração do Estado de São Paulo, José Fernando Bruno, destacou os esforços do Comitê de Mineração (Comin) da Fiesp juntamente com a bancada de mineração da Assembleia Legislativa para a criação da Subsecretaria de Mineração da Secretaria de Energia. Ele relatou ainda objetivos e ações de sua pasta, bem como comentou que 97% dos municípios no estado de São Paulo não possuem legislação sobre o assunto, e que o setor da mineração, de acordo com entidades do setor, deve produzir 10 milhões de toneladas de agregado a mais por ano, nos próximos cinco anos, devido à expectativa de demanda da construção.

O encontro foi coordenado pelo diretor titular do Deconcic, Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio.





Somos uma indústria atrasada em tecnologia, diz vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Consic: necessidade de qualificação da mão de obra para o setor. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A indústria da construção civil é a mais atrasada em tecnologia e vai perder mercado doméstico para engenheiros estrangeiros se não adotar novas tecnologias em seus processos, afirmou nesta terça-feira (13/08) o vice-presidente da Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura, Luiz Augusto Contier. “Somos uma indústria atrasada em cadeia. Qualquer indústria tem pelo menos um robô, nós não”, disse ele.

Ele participou da reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). No encontro, empresários do setor debateram o uso do método BIM (Modelagem de Informação da Construção), conceito que envolve a modelagem das informações do edifício, criando um modelo digital integrado que abrange todo o ciclo de vida da edificação.

Contier avaliou que o conceito ainda é pouco usado no Brasil por falta de normas, “mas não é um impeditivo para fazer projetos”. Para isso, disse ele, é preciso que todos se envolvam. “Precisamos do BIM”, explicou. “Mas uma andorinha só não faz verão. Todos precisam aderir senão vamos importar não só médicos, mas também engenheiros estrangeiros”, alertou.

Carlos Oliveira Lima, presidente do Consic, endossou o apelo de Contier e ainda alertou para a necessidade de criar normas para a aplicação do BIM tendo em vista o uso de conteúdo nacional. “Precisamos nacionalizar o BIM. Como vamos trabalhar tudo isso com material nacional? Precisamos avançar rapidamente nisso”, disse Oliveira Lima.

Falta de capacitação

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José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Conselho Superior da Indústria da Construção (Consic)

Os membros do Consic ainda discutiram sobre a falta de capacitação de profissionais da construção para o uso do sistema BIM. Os empresários devem enviar ao presidente da Fiesp, Paulo Skaf, uma proposta para formação de pessoal para a criação de projetos com base no BIM.

Também participaram do encontro o Coronel Alexandre Fitzner do Nascimento e o Tenente-Coronel Washington Gultenberg Luke, ambos do quadro de engenheiros militares do Exército Brasileiro e o professor da Universidade Federal Fluminense Sergio Roberto Leusin de Amorim e o diretor das Indústrias Intensivas em mão-de-obra e Recursos Naturais do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Marcos Otavio Bezerra Prates.