Na Fiesp, seminário discute negociações de serviços no Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Da esq. p/ dir.: Maurício do Val, Mario Marconini e Welber Barral, durante seminário na Fiesp

Da esq. p/ dir.: Maurício do Val, Mario Marconini e Welber Barral, durante seminário na Fiesp

A carência de informações detalhadas sobre o comércio exterior de serviços compromete em muito, tanto a visibilidade econômica do setor quanto a concepção de políticas públicas, inclusive as negociações internacionais.

Este diagnóstico do setor foi apresentado por Maurício do Val, diretor do Departamento de Políticas de Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) nesta quarta-feira (23/05) durante o seminário “O Brasil e as Negociações Internacionais de Serviços”, promovido peloDepartamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

“Alguns setores consideram muitas das posturas tradicionalmente defensivas do Brasil equivocadas porque elas não representam risco, nem comprometimento, aos interesses dos trabalhadores”, disse o diretor do MDIC. “Algumas posições de receptividade à competição internacional são em certos pontos equivocadas porque, a nosso ver, não seria errado manter uma atitude até um pouco mais protecionista em determinados segmentos”, detalhou.

De acordo com Maurício do Val, o Brasil tem crescido três vezes mais nas exportações de serviços do que a média mundial. Por outro lado, cresce cinco vezes mais nas importações. Esse desequilíbrio na conta de serviços posiciona o país entre os maiores déficits do mundo.

O diretor do MDIC apontou que, para mudar esse quadro, é preciso “fortalecer a ação governamental” nas políticas de estímulo à exportação brasileira de serviços e, ao mesmo tempo, “identificar e superar os gargalos”.

Para Mario Marconini, diretor de Negociações Internacionais do Derex/Fiesp, a questão está “intimamente ligada” ao processo de competitividade de cadeias produtivas. “Em serviços, até mais do que em bens, a questão do que é ofensivo ou defensivo é muito complicada. Queremos acolher o máximo de investimentos estrangeiros, de tecnologia, know how e inovação”, afirmou.

De acordo com Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior do Brasil e presidente da Brazilian Industries Coalition (BIC), a falta da participação privada do Brasil e dos outros países do Mercosul na exportação de serviços fazem com que os negociadores fiquem sem saber como conduzir a negociação. “Como o setor de serviços não gera pressão sobre o governo, os negociadores acabam se direcionando a outros temas menos complexos.”