Investimento no setor ferroviário deve continuar no patamar de R$ 5 bilhões

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da ANTF em evento de infraestrutura da Fiesp.Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Nos últimos dois anos, a malha ferroviária brasileira recebeu investimentos de R$ 4,67 bilhões para a modernização do sistema e os concessionários devem manter um patamar de investimentos de R$ 5 bilhões, afirmou nesta quarta-feira (21/05) o presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportes Ferroviários (ANTF), Rodrigo Vilaça.

“O poder de entendimento dos nossos concessionários é de que o investimento vai continuar entre R$ 5 e R$ 5,5 bilhões. É uma declaração notória de que o setor continua acreditando no que vem pela frente”, ressaltou.

Vilaça participou da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S.), encontro organizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para discutir a integração da infraestrutura.

Segundo o presidente-executivo da ANTF, o setor ferroviário gastou pelo menos R$ 3,5 bilhões por ano em concessões, arrendamento, investimentos e tributos ao longo dos últimos 16 anos.

De acordo com Vilaça, a movimentação de cargas pelas concessionárias de ferrovias foi 1,8% maior em 2013 em comparação com o ano anterior. O volume transportado também aumentou de 481 milhões de toneladas úteis para 490 milhões no mesmo período.

Os principais produtos transportados foram minério de ferro e carvão, com 75,71% da movimentação, seguidos pelo agronegócio, responsáveis por 14,86% do volume movimentado.

A produção ferroviária também aumentou, em 1,1% em 2013 contra 2012, de 297,8 bilhões de TKU (tonelada por Km útil) para 301 bilhões de TKU, respectivamente.

Cortina de fumaça

O economista Bernardo Figueiredo afirmou que não há mais dúvida entre os diversos setores econômicos e autoridades de que o país precisa de ferrovias. O que falta definir é para que o país precisa recuperar e ampliar sua malha ferroviária.

“Agora tem que discutir como fazer. Estou fazendo ferrovia para quê? Às vezes a gente começa a discutir modelos e esquece por que está fazendo”, disse.  “A gente precisa de ferrovia integrada.”

Economista Bernardo Figueiredo: "não adianta construir cortina de fumaça". Foto: Alberto Rocha/Fiesp

Para Figueiredo, que foi presidente da Empresa de Planejamento Logístico (EPL) por pouco mais de um ano, “não adianta a gente construir uma cortina de fumaça cheia de estatística e valor de investimento ou ficar tentando defender. Temos que admitir o seguinte: não temos ferrovia nesse país”.

“O que a gente tem não serve. Se tirar o minério dessa estatística, não sobra nada”, completou.

Na avaliação de Figueiredo, uma licitação de ferrovia depende muito mais de um bom projeto do que a efetivação do marco regulatório.

“O que faz uma licitação andar é o marco regulatório? É também. Mas é principalmente ter um bom projeto. Esse é o gargalo que temos de superar primeiro: nossa capacidade de produzir bons projetos”, defendeu.

Expansão só em 2020


Para o presidente-executivo da Associação Nacional dos Usuários de Transporte (Anut),  Luiz Henrique Baldez, o problema do plano de investimento do Plano de Investimentos e Logística (PIL) é que a capacidade de oferta física só se dará a partir de 2020.

“Ou seja, os usuários estão entendendo que, antes de 2020, não terão a capacidade que se imagina para o novo plano de investimentos. Agora, o que fazer até lá? Ficar esperando que essa capacidade apareça?”, cobrou.

O economista Bernardo Figueiredo respondeu à provocação de Baldez citando a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Oeste-Leste que, segundo ele, devem ser entregues antes de 2020.

“Eu queria lembrar que não é banal o que a Ferrovia Norte-Sul tem de capacidade de tirar do mercado, e já vai ter efeito, e a Ferrovia Oeste-Leste também deve ficar pronta nos próximos anos”, afirmou Figueiredo.

Baldez sugeriu a adoção mais efetiva de revisão dos tetos tarifários para os usuários do setor por meio dos marcos regulatórios.

“A revisão tarifária tem de ser um processo com o qual a gente se acostume”, afirmou. “Também estou propondo que nós usuários participemos do processo de fiscalização da ANTT porque são os usuários que sabem onde o calo está doendo”, completou.

Também participou do debate sobre ferrovias o gerente de operações da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias SA, Alex Trevizan.

L.E.T.S.

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico.

O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Presidente da EPL apresenta projetos do governo para infraestrutura brasileira

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, apresentou nesta segunda (13/05), no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em São Paulo, as ações do governo federal para amenizar o déficit de infraestrutura brasileiro.

Bernardo Figueiredo, presidente da EPL. Foto: Everton Amaro/FIESP

Figueiredo falou das concessões que serão realizadas nos próximos 30 anos nos sistemas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, com investimento de U$ 121 bilhões.

“É um passo ousado para atacar os gargalos que inibem o crescimento e a competitividade,principalmente na nossa infraestrutura logística”, disse o presidente da EPL.

No sistema rodoviárioestão sendo preparadas as concessões de trechos estruturantes que, segundo ele, vão reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do país em curto prazo.

Os trechos serão ligados a outras concessões já existentes no país. O investimento será de 21 bilhões de dólares, com um aporte de 12 bilhões somente nos cinco anos iniciais. A expectativa, disse Figueiredo, é iniciar o processo de licitação de todas as rodovias a partir de julho.

Um dos projetos inéditos está na área de ferrovias com a criação de uma malha de 10 mil quilômetros, cortando o Brasil de norte a sul, articulada com outras obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O objetivo é ligar todos os centros produtores e consumidores do Brasil em condições de interoperabilidade. Até o fim de maio, os projetos estarão disponíveis para discussão pública.

Portos e aeroportos

Assunto em destaque por causa da Medida Provisória 595, o plano para os portos é possibilitar a ampla utilização de costas e rios brasileiros de forma integrada a outros investimentos.

“Consideramos importante criar opções portuárias também nas regiões norte, nordeste e leste do Brasil”, diz Figueiredo. O investimento será de 10 bilhões de dólares em portos públicos, com licitações começando em outubro, e US$ 15 bilhões em terminais privados, nos quais já há projetos em análise.

Com relação ao sistema aeroviário, além das concessões já realizadas dos aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos, o governo está promovendo a concessão para a iniciativa privada do Galeão e de Confins, com leilões programados para setembro. Também vai promover o reaparelhamento de 270 aeroportos regionais.

Também faz parte do programa o Trem de alta velocidade (TAV) que, na primeira etapa,vai ligar as cidades do Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo, atendendo os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Galeão.

“O governo tem absoluta convicção da viabilidade, da oportunidade e da necessidade da implantação desse sistema de transporte nesse eixo”, declarou o presidente da EPL. “Não existe uma alternativa sustentável para atender à demanda de cerca de 35 milhões de pessoas que gere o grau de qualidade de serviço aos usuários. É a solução mais indicada de acordo com todos os estudos técnicos.”

Para o TAV, o governo vai oferecer financiamento de 2,5 bilhões de dólares, o que corresponde a 70% do investimento total. O leilão da concessão do serviço está marcado para setembro.

Jornal Nacional mostra estudo da Fiesp que revela atraso do Brasil em indicadores logísticos

Agência Indusnet Fiesp

Noticiário de maior audiência do país, o Jornal Nacional, da Rede Globo, apresentou na edição de segunda-feira (06/05) uma reportagem sobre uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que compara indicadores de transporte do Brasil com o equivalente ao de países que são referência para o mundo todo.

“A conclusão do estudo é que em 10 anos a eficiência da nossa infraestrutura não avançou”, afirma o editor-chefe William Bonner ao apresentar a matéria.

>> Veja a reportagem no site do Jornal Nacional

Depois de ouvir o empresário José Kovacs, que fala das dificuldades de transportar peças de São Paulo (SP) para Manaus (AM), o repórter Fabio Turci traz alguns dos principais dados do estudo.

“No total foram analisados 18 itens referentes a 2010. Alguns países não demoram nem seis horas para liberar cargas. No Brasil, a espera passa de 60 horas, três dias e meio. [arte mostra que os números são 5h24 e 62h, respectivamente]. Ter 100% da malha rodoviária pavimentada é o básico em alguns países. O Brasil só tem 19%, segundo o levantamento”, diz a narração em off de Fabio Turci.

“No transporte via trens, o frete por tonelada custa lá fora menos de cinco dólares, nem 10 reais. Aqui, 74 dólares, cerca de 150 reais. Nos portos, exportar um contêiner de mercadorias custa 621 dólares nos países mais baratos. E quase 1800 dólares no Brasil”, prossegue o repórter.

Paulo Skaf: produto sai perdendo por conta de problemas de logística.

Na sequência, Turci aparece numa rodovia. “Nas rodovias, por onde anda a maior parte da economia brasileira, a frota cada vez maior afunila o trânsito. Portos e aeroportos estão saturados. O potencial de nossos rios continua pouco explorado. No fim das contas, quando o assunto é transporte, o Brasil não está saindo do lugar.”

“Entre 2000 e 2010, o desempenho dos principais meios de transporte no Brasil sempre beirou 1/3 do que é alcançado nos melhores sistemas do mundo”, conclui em off.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é entrevistado: “Na hora de vendermos o nosso produto lá fora ou na hora de competirmos aqui com produto importado, o nosso produto sai perdendo. E se nosso produto sai perdendo, a geração de emprego e o crescimento do país saem perdendo também.”

Bonner encerra com um informe: “o presidente da Empresa de Planejamento Logístico, Bernardo José Figueiredo, reconheceu o estado precário das rodovias e ferrovias brasileiras. Ele afirmou que os problemas se devem aos poucos investimentos nos últimos 30 anos. E lembrou que em agosto do ano passado o governo anunciou um programa de 150 bilhões de reais para serem aplicados em logística nos próximos cinco anos.”

 

Trem de Alta Velocidade é melhor solução para transporte no eixo Rio-SP, afirma Bernardo Figueiredo

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Com investimento previsto em R$7,7 bilhões, o projeto Trem de Alta de Velocidade Rio de Janeiro-São Paulo-Campinas é a melhor solução para superar problemas de logística de transportes na ligação entre os centros, afirmou nesta segunda-feira (06/05) o presidente da Empresa de Planejamento Logístico (EPL), Bernardo Figueiredo.

Bernardo Figueiredo, presidente da EPL, durante a abertura do 8º Encontro de Logística e Transportes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ele participou do painel “O Novo Arranjo Institucional e os Investimentos em Infraestrutura”, que abriu o 8º Encontro de Logística e Transportes, evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no hotel Unique, na capital paulista, onde apresentou projetos de investimento e estratégia para o setor de infraestrutura no Brasil.

Entre os planos apresentados, Figueiredo destacou o TAV Rio de Janeiro-Campinas, como importante projeto para elevar o patamar de competitividade do país.  O projeto conta com 45% de participação da EPL.

“Talvez esse seja o projeto que tenha o estudo técnico mais profundo de sua necessidade. Eu não conheço uma pessoa que tenha uma solução melhor”, afirmou Figueiredo.

Segundo presidente da EPL, o início da operação comercial do trecho Rio de Janeiro-Campinas, passando por São Paulo, está previsto para julho de 2020. O cronograma de implantação prevê o leilão da primeira etapa de licitação em setembro deste ano, com assinatura do contrato em fevereiro de 2014.

“Nós temos de fazer ferrovia e não vamos fazer uma ferrovia do século 19 ou 20. Temos que fazer uma ferrovia do século 21. A ferrovia se tornou competitiva porque ganhou velocidade”, afirmou.

 

Norte-sul é exemplo ‘mais contundente’ de planejamento e logística, diz presidente da EPL

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Bernardo Figueiredo: momento da infraestrutura no país é de convergência. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O presidente da Empresa de Planejamento Logístico (EPL), Bernardo Figueiredo, afirmou na manhã desta segunda-feira (06/05) que a inclusão da construção da ferrovia Norte-Sul no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é o “exemplo mais contundente” do novo momento da infraestrutura e logística brasileira.

Ele defendeu a inclusão no PAC deste projeto, que já integra programas de governo há pelo menos 20 anos, uma vez que, segundo ele, a construção agora obedece a um planejamento.

“A ferrovia entrou no PAC porque, apesar de estar há 20 anos no programa de governo, no orçamento, nós não tínhamos um projeto, um estudo de impacto ambiental, ou seja, condições de fazer a obra. Você tinha recurso, mas a obra não podia começar”, afirmou Figueiredo ao participar do 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp. “Nós precisamos cuidar da preparação das ações”.

A ferrovia Norte-Sul deve ter mais de 10 mil quilômetros de extensão e ligará as regiões Norte e o Nordeste ao Sul e ao Sudeste do país.

Convergência

O presidente da EPL avaliou que o momento da infraestrutura no país é de convergência em reverter a problemática situação logística brasileira.

“Eu acredito que temos hoje uma convergência que, como técnico que trabalha há 40 anos na área de transporte, eu posso garantir que é rara”, afirmou Figueiredo.

Rodolpho Tourinho, presidente do Conselho de Infraestrutura da Fiesp, no 8o. Encontro de Logística e Transportes. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo ele, a percepção de que a infraestrutura brasileira é deficiente e contrária ao crescimento do país não é mais apenas setorial, mas “do conjunto inteiro da sociedade”.

“Temos um problema de logística que precisa ser superado pra que a gente tenha condições de ter um crescimento sustentável”, disse.

Na avaliação do presidente do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, Rodolpho Tourinho,  a iniciativa privada deixou de ser coadjuvante em projetos de logística para assumir um papel de destaque.

“Nesse momento de transição estamos saindo basicamente de um passado de obras públicas para um presente de concessões e PPPs [Parcerias Público-Privadas]”, disse Tourinho.

 

EPL estima retorno de ao menos 15% para investidor em concessões de ferrovias e rodovias

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL)

Os investidores em projetos de concessões de rodovias devem obter um retorno com ganho real entre 12% e 15%, já descontada a inflação. A informação é de Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). No caso dos investidores em projetos de ferrovias, segundo ele, o retorno será maior por conta de risco maior.

“O que atrai investidor são duas coisas: o que ele vai ganhar e o risco que vai correr”, explicou Figueiredo, nesta quinta-feira (21/02), durante encontro com membros do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Figueiredo confirmou a expansão do prazo de concessão das ferrovias passando de 30 para 35 anos e afirmou que a EPL avalia antecipar a receita dos eventuais concessionários, “para melhorar a atratividade do projeto”.

Segundo ele, na próxima semana deverá ser divulgado o pré-edital do primeiro projeto de concessão do trecho ferroviário entre Açailândia (MA) e Vila Conde (PA).

“A gente quer explorar um pouco, usar esse primeiro projeto para fazer uma discussão”, explicou Figueiredo, antecipando que o debate terá como foco o estudo técnico, o edital e o contrato. “Temos reunião com a Fiesp para debater o modelo ferroviário, que é novo. A gente vai explorar um pouco a discussão. Pode ser que nesse debate tenha aperfeiçoamento”, afirmou.

O presidente EPL acrescentou que todos os editais para concessão de rodovias e ferrovias serão publicados até junho deste ano. Para Figueiredo, as concessões ferroviárias apresentam condições mais complexas em comparação com os projetos de rodovias.

“A questão ferroviária tem algumas variáveis complexas, como a responsabilidade por acidente, a capacidade da ferrovia. É muito complexa a parte regulatória da concessão de ferrovia. Tem que estar claro para todo mundo quais são as regras”, sublinhou.

Rodovias

Figueiredo também informou que o edital para leilão dos trechos das rodovias BR-040 e BR-116 será republicado em junho deste ano, à parte dos sete lotes previstos para licitação ainda em 2013.

“O programa, hoje, é o edital ser republicado em junho. O estudo está sendo refeito, ele vai ter que passar novamente pelo Tribunal de Contas da União (TCU), passar por audiência pública”, disse. “É como se tivesse recomeçado”.

EPL

A EPL foi criada pelo governo federal, no segundo semestre de 2012, com a missão de estruturar e qualificar, por meio de estudos e pesquisas, o processo de planejamento integrado de logística no país, interligando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

 

Presidente da estatal EPL debate infraestrutura com empresários na Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Bernardo Figuereido (EPL) e Carlos Cavalcanti (Deinfra e Coinfra/Fiesp). Foto: Everton Amaro

A participação da iniciativa privada na infraestrutura brasileira é necessária não só na atração de capital de investimento privado, mas na eficiência e na agilidade que ela tem na implementação dos programas contemplados no pacote de concessões para incentivar investimentos. A afirmação é de Bernardo Figueiredo, diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), estatal criada pelo governo por ocasião do “Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias”, anunciado no dia 15 de agosto pela presidente Dilma Rousseff.

Figueiredo participou nesta quinta-feira (13/09), na sede da entidade, da reunião do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Um dos problemas na área de concessões é que se cria expectativas na sociedade, de que determinado projeto vai criar melhorias imediatas por exemplo, e o programa contratado não gera esse resultado”, explicou o diretor-presidente da EPL ao ressaltar que é preciso analisar o que está causando problemas e encontrar soluções rápidas.

O presidente da EPL recebeu ainda sugestões de empresários do setor de infraestrutura, que expuseram queixas referentes às questões burocráticas e entraves na integração dos modais de transporte.

Bernardo Figueiredo, presidente da EPL (4º da dir. p/a esq.), fala a dirigentes da Fiesp e empresários durante reunião do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Mão de obra

Bernardo Figueiredo afirmou que há possibilidade de absorver técnicos formados no exterior para colaborar no processo de desenvolvimento das obras. “Temos um problema de limitação de mão de obra disponível, e para que isso se resolva, uma das formas é buscar colaboração internacional”, detalhou o presidente da EPL, ao explicar que existem técnicos “bem formados” disponíveis em função da crise financeira, em especial na Europa .

“Podemos também mandá-los a outros países para serem formados de modo mais rápido que no Brasil, e trazer técnicos do exterior é também uma forma de habilitar técnicos aqui no país”, ressaltou Figueiredo ao ressaltar a necessidade de um contingente de profissionais qualificados no Brasil.

Energia e transportes

Bernardo Figueiredo. Ao fundo, Rodolpho Tourinho, presidente do Coinfra. Foto: Everton Amaro

O diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp e vice-presidente do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da entidade, Carlos Cavalcanti, afirmou que a Fiesp está “obviamente satisfeita” com a parte econômica do anunciado pela presidenta Dilma Rousseff. “Ela teve coragem e um senso de justiça muito grande em relação às teses que defendemos na Fiesp há um ano e meio, pela campanha ‘Energia a Preço Justo’”, afirmou.

Cavalcanti afirmou ainda que o setor de transportes está “completamente atomizado” com as decisões que estão sendo tomadas em diferentes ministérios, agências e empresas sem integração. “Quando se mexe no aeroporto, não se mexe na rodovia e na ferrovia e vice-versa, e me parece evidente que esses modais de transporte precisam trabalhar de uma forma integrada, racional e que obedeça a uma lógica.”

De acordo com o diretor do Deinfra, de todo o pacote anunciado pelo governo federal em 15 de agosto, o mais importante foi a criação da EPL. “Se nós criarmos um planejamento logístico no Brasil que condicione o investimento para expansão da malha como no setor elétrico, em relação a rodovias, estará tudo dentro da nossa expectativa. A infraestrutura deve estar a serviço da sociedade”, completou.

Para Rodolpho Tourinho, presidente do Coinfra, o planejamento na área de transportes está sob retomada. “É um ponto importante, mas com uma empresa que tem o poder de fazer. O setor elétrico nunca deixou de planejar, mas não tinha o poder de fazer, e só passou a ter esse poder quando surgiu a EPL e a nossa crença neste modelo”, explanou.

Tourinho acredita que é o momento de discutir os entraves nas parcerias público-privadas (PPPs). “É função nossa levar para o governo não só nossa preocupação, mas nossa opinião para ser discutida e apontar possíveis soluções, é o que vamos tentar junto ao governo”, ressaltou.

Programa de investimentos em logística será apresentado na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra)) da Fiesp recebe nesta quinta-feira (13/9) o diretor presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, na sede da entidade.

Durante a reunião, Figueiredo apresentará o programa de investimentos em logística e o novo arranjo institucional do setor de transportes no Brasil.

Serviço
Data/horário: 13 de setembro de 2012, das 10h às 12h30
Local: sede da Fiesp – Av. Paulista, 1313, 15º andar, capital

Obras do trem-bala devem iniciar no 2º semestre de 2010

Agência Indusnet Fiesp

Bernardo Figueiredo, diretor da ANTT (à esq.) e Paulo Skaf, presidente da Fiesp

As discussões sobre a construção do Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará as cidades de São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro, ganharam fôlego nesta quinta-feira (03/09), durante reunião entre a Fiesp, Ministério dos Transportes e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Com orçamento de R$ 34,6 bilhões, as obras do TAV deverão ter início já no ano que vem, após assinatura dos contratos de construção, prevista para junho de 2010, conforme adiantou o diretor da ANTT, Bernardo Figueiredo.

“Fixamos um prazo máximo de seis anos para as obras ficarem prontas […] Caso não ocorra nenhum entrave por conta de licenciamentos ambientais, o que não acredito, pois o Ministério do Meio Ambiente está acompanhando o projeto desde o início e não apresentou nenhum obstáculo, poderemos iniciar as obras no ano que vem e entregar o Trem de Alta Velocidade em 2015”, explicou Figueiredo.

Antes disso, em outubro, começa o processo licitatório e, em janeiro de 2010, se iniciam as apresentações das propostas. Durante o encontro desta quinta-feira (03/09), na Fiesp, seis grupos estrangeiros (Japão, Alemanha, França, Coréia do Sul e dois da Espanha) já confirmaram participação na licitação.

Aportes

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) irá financiar 60% do valor total da obra, o restante dos recursos deverá vir de financiamento privado e de um capital próprio inicial.

O empréstimo de quase R$ 21 bilhões do BNDES terá prazo de 30 anos, carência de cinco anos e meio para o primeiro pagamento e custo financeiro de 1% ao ano, mais a variação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Para completar 70% de aporte público no projeto, o Eximbank norte-americano emprestará mais R$ 3,37 bilhões ao governo brasileiro, a serem pagos em 20 anos e meio, com juros de 3% ao ano mais variação cambial.

Os 30% restantes serão investidos com capital inicial próprio. Além do aporte privado de R$ 7 bilhões, o governo injetará R$ 1,1 bilhão – por meio da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade (ETAV), que gerenciará o projeto do trem de alta velocidade – no capital da operadora que vencer o leilão de lance único na BM&FBovespa.

Incentivos

Público da reunião sobre o trem-bala lotou o Salão Nobre da Fiesp

A participação pública não para por aí: além de outros R$ 2,3 bilhões em desapropriações, a modelagem financeira do projeto contempla a aplicação do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (Reidi) e isenção de ICMS e PIS/Cofins, que deve chegar a R$ 6 bilhões sem incluir São Paulo, ainda em fase de negociação.

A concessão pública para operação do TAV terá duração de 40 anos. Em contrapartida, a concessionária será beneficiada com as tarifas cobradas quando o trem estiver operando. Segundo o governo, o edital de licitação prevê um valor de R$ 0,60 por quilômetro para a tarifa na classe econômica.

Numa matemática simples, para o trajeto de São Paulo-Rio de Janeiro, de 412 km, a passagem sairá por R$ 250. Para a classe executiva, será cobrado um adicional de 75%. Também está previsto um valor diferenciado para viagens fora do horário de pico. Nesse caso, o trajeto Rio-São Paulo deverá sair por R$ 150.

Na linha de frente

No entendimento do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, a viabilização do novo trem coloca o Brasil em linha com as principais nações do mundo que mantêm um sistema moderno, seguro e eficiente de transporte.

“Além da modernidade e eficiência o projeto, pode gerar 12 mil postos de trabalho durante as obras e outros 30 mil após o inicio das operações”, afirmou Passos.

A extensão do trecho será de 510,8 km, divididos em: túnel (90,9 km); ponte (107,8 km) e superfície (312,1 km). Os R$ 34,6 bilhões serão distribuídos entre terraplanagem (R$ 2,2 bilhões), estruturas (R$ 18,1 bilhões), material rodante (R$ 2,7 bilhões), medidas socioambientais (R$ 3,8 bilhões); eletrificação (R$ 1,3 bilhão) e outras.

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, cerca de 70% da obra ficará a cargo de empresas ligadas à construção civil que, segundo ele, “estão preparadas para atender a demanda”.

“Da parte de componentes e equipamentos, nossa indústria está preparada para fornecer o que for necessário e desenvolver outros produtos que possam ser demandados”, assegurou Skaf.