Planeta precisa de pacto pela segurança hídrica global, defende presidente do Conselho Mundial da Água

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água. Foto: Everton Amaro/FIESP

A questão dos recursos hídricos deve também passar por uma questão política, defendeu nesta terça (19/03), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, durante o Seminário Internacional sobre o Reúso de Água. Foi o primeiro evento público do executivo desde que assumiu a presidência do organismo, em novembro de 2012.

Braga ressaltou que 2,5% da água que cobre o planeta é doce, mas na prática, apenas uma fração mínima está disponível para a população de forma sustentável, o que representa 0,007%. “É o que chamo de efeito James Bond”, disse o executivo.

Para Braga, a fragmentação institucional da gestão hídrica nos países em desenvolvimento é um problema nacional e internacional. “Pelo menos 40% da população humana vive em bacias e rios compartilhados por dois ou mais países. Para rios transfronteiriços, a questão da gestão do recurso é uma barreira politica de difícil transposição”, pontuou, citando como exemplo do tamanho do desafio as questões entre Síria e Iraque, países que dividem os rios Tigre e Eufrates.

A tarefa não é simples, mas é preciso avançar

A segurança hídrica é uma questão sensível, especialmente no continente africano, onde a baixa incidência de chuva resulta em crescimento pífio do PIB, segundo Braga. “Nos países desenvolvidos, o potencial hidroelétrico já foi quase totalmente desenvolvido. Na América do Sul, é de 70%, mas na África, não passa de 10%”, destacou.

O Brasil, de acordo com informações do presidente do Conselho Mundial da Água, conta com 12% da reserva de água do planeta e gera 85% de sua energia a partir de fontes hídricas – uma soma que pode resultar em melhor gestão da água, segurança alimentar e alta competitividade, segundo o executivo. Ele destacou que a água desempenha um papel fundamental na saúde publica, na produção de energia, e de alimentos e na manutenção dos ecossistemas.

Braga assinalou ainda a importância do evento na semana do Dia Mundial da Água [22/03]: “2013 é ano Internacional para a Cooperação pela Água, o que significa que o sistema das Nações Unidas reconhece a importância da gestão da água. O tema engloba inúmeras questões. Os países reconhecem a importância da segurança hídrica”.

Gestão da água é tema de seminário internacional na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil tem 12% da reserva de água do planeta e gera 88% de sua energia a partir de hidrelétricas. Mas, como garantir sua competitividade e a segurança alimentar? Essas são algumas das questões que poderão ser respondidas por Benedito Braga, primeiro brasileiro a presidir o Conselho Mundial de Água. Fraga é um dos convidados do Seminário Internacional sobre Reúso de Água, que acontece na terça-feira (19/03) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento reúne especialistas de vários países para debater riscos e oportunidades do reúso de água. O Brasil já dispõe de tecnologias, produtos e equipamentos que permitem atender aos padrões ambientais e de saúde pública, garantindo água à sociedade e também ao setor produtivo. A intenção é incentivar políticas de fornecimento de água de reúso por parte das concessionárias, reforçando práticas que a indústria já promove.

O encontro começa com Benedito Braga. Ele vai abordar temas prioritários como os desafios de gestão da água e as perspectivas pós-Rio+20, além de pontos pertinentes à segurança alimentar, levando-se em conta que o Brasil deseja ser um player no cenário internacional e conta, para isso, com fortes diferenciais.

Para a segunda parte do encontro está programada a apresentação de alternativas corporativas. Para tratar dos desafios do reúso, serão trazidas as experiências das Alianças Estratégicas da Fundação Femsa e também do Projeto Coroado para o Brasil, voltado ao reúso urbano na região metropolitana de São Paulo, local com maior escassez de água no país. Trata-se de uma iniciativa desencadeada pela Comunidade Europeia junto a universidades, visando propor opções à América Latina.

No terceiro bloco, o evento traz a visão de concessionárias e a saída encontrada por outros países. De Israel virá o exemplo estatal, diante de uma política nacional, determinando que até 2014 toda a água utilizada seja de reúso (Mekorot, Israel’s National Water Company). Essa possibilidade se somará a da concessionária municipal de Amsterdã (Holanda) que, além do reúso, promove seu aproveitamento energético (Waternet, Amsterdam municipal wastewater company). Para finalizar o painel, o exemplo nacional da Sabesp e suas alternativas para o atendimento de consumidores domésticos, comerciais e industriais.

No encerramento acontece a entrega do 8º Prêmio de Conservação e Reúso de Água, iniciativa da Fiesp que tem como propósito o reconhecimento e incentivo das indústrias que voluntariamente adotam medidas sustentáveis. São aproximadamente 20 projetos inscritos que apontam saídas criativas para reduzir o consumo e o desperdício de água, envolvendo benefícios ambientais, sociais e econômicos.

Serviço

Seminário Internacional sobre Reúso de Água
Quando: 19 de março, das 9h30 às 18h30
Coletiva: por volta das 12h
Local: Avenida Paulista, 1313, 15º andar

8º Prêmio de Conservação e Reúso de Água
Quando: 19 de março a partir das 19h

Saiba mais: http://www.fiesp.com.br/agenda/seminario-reuso-de-agua/