Orquestra Filarmônica Senai-SP: quando a música é o melhor presente

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Muito obrigado. Ver vocês foi o melhor presente que eu já recebi na vida”. O agradecimento, ouvido pelo maestro Thomaz Ferreira Martins, em março de 2014, veio de um gari. E logo após uma apresentação da Orquestra Filarmônica Senai-SP, iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) por ele tocada. O concerto aconteceu numa empresa de coleta de lixo em Osasco, na Grande São Paulo, como parte das comemorações do dia dos coletores.

Além de emocioná-lo até hoje, aquelas palavras resumem o principal objetivo da orquestra. “A nossa função é levar a arte para perto das pessoas, aproximar algo que parece distante”, explica Martins. “Muita gente ainda tem medo de ir a um concerto por falta de roupa adequada ou por não saber qual a hora certa de aplaudir”.

Exatamente para quebrar barreiras, a Orquestra Filarmônica Senai-SP foi criada em 2006, desde sempre sob a orientação do maestro Martins, responsável pelo projeto pedagógico da iniciativa. Atualmente, 75 músicos formam o grupo, sendo estimulados com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. São todos alunos ou ex-alunos do Senai-SP, com ensaios realizados na Escola Senai “Roberto Simonsen”, no Brás, na capital.

O maestro Martins e os integrantes da Orquestra Filarmônica Senai-SP: com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O maestro Martins e os integrantes da Orquestra Filarmônica Senai-SP: com aulas de instrumento, música de câmara e teoria musical. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Tivemos 200 interessados somente nessa escola quando abrimos as primeiras fichas de inscrição”, conta Martins. “Fiquei surpreso e ali quebrei qualquer ideia pré-concebida sobre o fato de trabalhar com música ao lado de profissionais da indústria, do chão da fábrica: o que vale é a sensibilidade de quem está ali tocando”.

De acordo com o maestro, a Filarmônica é uma das únicas no Brasil vinculadas a uma instituição de ensino que não seja um conservatório, escola de música ou projeto social. “Somos uma orquestra jovem, com repertório de peso. Não conheço outra entidade educacional que tenha um plano consolidado como o nosso”.

Fanfarra

O projeto que hoje encanta as plateias é fruto de toda uma tradição do Senai-SP na área musical. “Temos o registro de uma fanfarra na escola desde 1948”, conta Martins. “Depois, em 1990, essa fanfarra se transformou numa banda marcial, que existiu até a formação da orquestra”.

Beethoven na igreja

Ponto fundamental para entender o sucesso do grupo, o envolvimento dos músicos é destacado por Martins. “Até os amigos e as famílias se envolvem”, conta. “Esses jovens levam a música para a sua vida, falam de Beethoven na igreja, no bairro, colaboram para a formação de público”.

Martins: “Até os amigos e as famílias se envolvem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Martins: “Até os amigos e as famílias se envolvem”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Prova desse vínculo, o maestro lembra, comovido, de uma apresentação feita no velório de um flautista do grupo, falecido aos 17 anos, em decorrência de uma hidrocefalia. “Ele foi sepultado com o uniforme da orquestra e, naquela hora difícil, seu pai ainda veio me agradecer por tudo o que nós tínhamos feito pelo filho”, diz. “A música era a felicidade dele e aquela família vai guardar a lembrança dele tocando conosco, feliz”. Uma recompensa que, segundo Martins, “vale o trabalho de uma vida”.

Quem quiser acompanhar a Filarmônica do Senai-SP deve ficar atento às apresentações do grupo, normalmente realizadas duas vezes por mês, nos teatros do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) no estado (veja abaixo as datas dos próximos concertos).

No repertório da temporada 2013 e 2014, compositores como Beethoven, Schubert, Strauss e Debussy, entre outros.

A quem interessar possa, jeans no vestuário e aplausos em cena aberta estão liberados. “Já fui a muitos concertos de jeans e camiseta quando era estudante”, conta Martins. “E acho que, se deu vontade, tem que mais é que aplaudir mesmo:  a arte deve estar ao alcance de todos”.

Serviço

Confira as próximas apresentações da Orquestra Filarmônica Senai-SP

13 de Setembro – Teatro do Sesi em Itapetininga

Horário: 18h

Endereço: Avenida Padre Antônio Brunetti, 1360

27 de Setembro – Teatro Sesi Amoreiras– Campinas

Horário: 18h

Endereço: Avenida das Amoreiras, 450, Parque Itália

11 de Outubro – Teatro do Sesi Indaiatuba

Horário: 18h

Endereço: Avenida Francisco de Paula Leite, 2701

01 de Novembro – Teatro Municipal de Mairiporã

Horário: 20h

Endereço: Avenida Tabelião Passarella, 850, Centro

Mais informações sobre a orquestra:

https://www.facebook.com/OrquestraSenai

Em Araraquara, João Carlos Martins rege a Bachiana e coral de alunos dos Novos Núcleos de Música do Sesi-SP

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Ao menos 3.500 pessoas assistiram na noite deste sábado (14/12) a uma apresentação da orquestra Bachiana Sesi-SP, sob regência do maestro João Carlos Martins, interpretando peças de compositores como Beethoven, Mozart e Villa-Lobos no Ginásio Municipal de Esportes Castelo Branco, em Araraquara, a aproximadamente 277 quilômetros da capital.

O evento contou com a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), Paulo Skaf.

Paulo Skaf e maestro João Carlos Martins. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Também se apresentou, pela primeira vez, o coral de alunos dos Novos Núcleos de Música do Sesi-SP, projeto que deve formar ao menos 22 orquestras de cordas até o final de 2014. O projeto inova pelo método Alla Corda, desenvolvido pelo violinista e educador Ênio Antunes. É o primeiro método nacional de ensino de instrumentos de cordas.

Para o maestro João Carlos Martins, a apresentação deste sábado (14/12) foi apenas “uma degustação” do que esses alunos, com idade entre sete e 19 anos, devem aprender até o final do próximo ano.

“São crianças que vão passar a estudar instrumentos de corda. Até lá eles vão ter uma degustação através do que Deus deu para o ser humano: melodia, ritmo e voz”, afirmou o maestro. Ele explicou que as crianças e adolescentes devem aprender violino, violoncelo e contrabaixo.

Ao conversar com a reportagem, Paulo Skaf disse que apresentações como essas significam “democratizar a música clássica”. A formação de 22 orquestras de cordas, destacou o presidente, é apenas o início. “Nós queremos atingir 100 orquestras, assim como temos hoje filhotes da bachiana em 100 municípios”, afirmou.

Sob a coordenação do maestro João Carlos Martins, o projeto Novos Núcleos de Música do Sesi-SP selecionou 1.200 crianças e adolescentes de 10 escolas do Sesi-SP para aprender instrumentos de cordas e 2.798 alunos da Sesi-SP de ensino para participar das oficinas de vivência musical. Os alunos devem ser formados até o final de 2014, compondo 22 cameratas, orquestras de menor porte.

Os mais de 500 alunos do projeto que se apresentaram na noite deste sábado (14/12) são das cidades de Bauru, Botucatu, Diadema, Indaiatuba, Jacareí, Jaú, Limeira, São Caetano e São Carlos.

Sob regência de Ênio Antunes e acompanhados pela orquestra, eles interpretaram “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, “Se Essa Fosse Minha”, de Villa-Lobos, “Jubilosos Te Adoramos”, “Tema da 9ª Sinfonia de Beethoven”, “Jesus”, “Alegria dos Homens”, de Bach e “Noite Feliz”, com arranjo de Franz Gruber para coro e orquestra.

Mais de 500 alunos participaram do coral de alunos dos Novos Núcleos de Música do Sesi-SP.

Estreia

Foi a primeira vez que Gustavo Fonseca, 16, e Katy Caroline da Silva, 18, tiveram a oportunidade de se apresentar para um público de milhares de pessoas. Eles são de Botucatu, município a 230 km da capital, e esperam um dia fazer parte de uma orquestra como a Bachiana do Sesi-SP.

“Quem sabe um dia a gente está lá tocando com ele”, disse Katy, referindo-se ao maestro João Carlos Martins.

Para Gustavo, ser regido pelo maestro representa muito. “Disseram que a gente iria conhecer o maestro, mas vê-lo regendo a gente, falando o que a gente deve fazer, é uma honra muito grande”, disse o rapaz, que sonha em aprender a tocar violino, decisão tomada assim que viu, pela primeira vez ao vivo, uma apresentação.

Já Katy escolheu o contrabaixo. “Meus pais perguntaram se eu ia conseguir tocar, mas eu gosto muito daquele som grave.”