Vencedor do Inova Senai, dispositivo para troca automática de baterias poupa até 20% do tempo gasto com reposições manuais

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em 320 horas, Andréa Silva Pinto, Bruno Ribeiro Barbosa, Felipe Barros Rojo e Tatiane Lourenço de Siqueira arquitetaram e produziram um dispositivo para a troca de baterias de empilhadeiras que reduz em até 20% o tempo de troca pelo meio convencional. Os quatro jovens, com idades entre 17 e 19 anos, são alunos do Senai Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, e venceram o Inova Senai deste ano na categoria Processos. A premiação envolve invenções dos alunos e professores do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

A iniciativa foi realizada em setembro de 2013, no Anhembi, durante a São Paulo Skills, maior competição do ensino profissionalizante do estado.

Os alunos desenvolveram o equipamento para a montadora Mercedes-Benz. O processo que antes era feito manualmente, com a ajuda de uma talha para suspender a bateria e levá-la ao recarregador, foi substituído por uma espécie de carro com rodas e trilhos fixados em uma mureta, além de quatro cilindros pneumáticos que erguem e encaixam a mesa de recarga na altura desejada e roletes que garantem um movimento mais livre das baterias de acordo com a altura e tamanho dos recarregadores.

O professor Valdir José Espíndola, orientador do grupo, explicou que o dispositivo é fruto de um projeto que o Senai de São Bernardo do Campo tem há  alguns anos com as fabricantes da região.

A equipe campeã da categoria Processos durante premiação no Inova Senai 2013, no Anhembi, com Paulo Skaf e Walter Vicioni. Foto: Arquivo Pessoal

A equipe campeã da categoria Processos durante premiação no Inova Senai 2013, no Anhembi, com Paulo Skaf e Walter Vicioni (ao centro). Foto: Arquivo Pessoal


“A gente identifica um problema na empresa e analisa se os nossos alunos têm condições de trabalhar com esse problema. Feito isso, chegamos a uma conclusão com o grupo”, afirmou Espíndola.  Ele calculou que a escola produz ao menos oito projetos por semestre, envolvendo cerca de 50 alunos no total.

Andréa é uma das 15 alunas da turma de Mecânica Produção Veicular que se forma em dezembro deste ano. De 48 alunos, 15 são meninas.

“Nosso projeto foi voltado para a Mercedes e a patente fica com a fábrica”, afirmou a aluna. “Provavelmente vou ser efetivada de aprendiz para funcionário na empresa”, completou.

Assim como Andréa, Tatiane também é aprendiz na montadora alemã e vislumbra uma posição melhor na empresa após vencer o Inova Senai. O pai e a irmã de Tatiane também trabalham na montadora.  “Eu espero ser efetivada também”, disse ela, que já se sente beneficiada por participar da disputa e ainda vencer o Inova Senai. “E a gente achou que não ia conseguir participar, pensamos que não daria tempo aprontar as máquinas”, disse ela sobre o equipamento que está sendo usado pela Mercedes-Benz desde 2012.

O dispositivo

A bateria de uma empilhadeira deve ser trocada a cada oito horas. Cada bateria pesa entre 350 e 480 quilos. Na operação manual, o funcionário conta apenas com uma talha para erguer a peça até uma espécie de raque onde elas são recarregadas.

Com o carro, o tempo de troca é reduzido em 20%. Além disso, contribui para que o “operário não corra riscos de acidentes”, segundo disseram os criadores.

De acordo com os cálculos dos alunos, o projeto do dispositivo automático para a troca de baterias custou R$ 15.351,14. Os gastos com materiais foram estimados em R$ 4.349,54, enquanto a mão de obra foi calculada em R$ 11.001,60.

2ª Oficina de PNRS aborda descarte de pilhas, baterias e resíduos eletroeletrônicos

Elcio Cabral, Agência Indusnet Fiesp

Diretor de responsabilidade socioambiental da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) e membro do Conselho Superior do Meio Ambiente (Cosema) da Fiesp, André Saraiva foi um dos convidados para participar da 2ª Oficina de Esclarecimento sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).

Em sua apresentação, que ocorreu na quinta-feira (23), o diretor abordou o tema Pilhas e Baterias e Resíduos Eletroeletrônicos, no contexto Construindo a Sustentabilidade a partir da PNRS e o Impacto Socioambiental que traz essa Ação.

Para começar, Saraiva mencionou o tamanho e a importância do setor eletroeletrônico responsável por 15% da indústria nacional, por 4,5% do PIB e por empregar cerca de 170 mil trabalhadores diretos.

“As áreas setoriais pelas quais estamos divididos vão desde automação industrial, componentes eletroeletrônicos, equipamentos industriais, geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, informática, materiais elétricos de instalação, serviços de manufatura em eletrônica, equipamentos de segurança eletrônica, telecomunicações, utilidades domésticas e portáteis”, afirmou o diretor.

Por isso, ele afirma que o governo não pode dar a todas as indústrias as mesmas responsabilidades.

Conscientização

“Nós temos que partir da educação ambiental para capacitar o consumidor a interpretar a sustentabilidade contida num produto eletroeletrônico e poder fazer a melhor opção na hora da escolha. E não simplesmente eleger o produto por uma questão de preço”, explicou.

Saraiva citou o exemplo das pilhas e baterias que, no Brasil, tiveram de ser modificadas para não conter mais mercúrio. No País, as pilhas são recolhidas para ter o destino correto e não prejudicar o meio ambiente. O problema é que as baterias de fora ainda contém o metal. “33% das pilhas entram no Brasil com 80 miligramas de mercúrio”, afirmou ao dizer que a indústria nacional não pode se responsabilizar por isso.

Criticando a entrada de importados ilegais e a falta de fiscalização do governo federal, Saraiva asseverou que o poder público tem de dar o exemplo. “As compras governamentais devem contemplar os aspectos socioambientais (…) O governo deve parar de comprar pelo menor preço e começar a comprar pelo melhor preço”, completou.

Oficinas

A primeira oficina de esclarecimento ocorreu no dia 30 de agosto e contou com ampla adesão de diversos setores da indústria. Nela foram abordados os principais pontos da Lei 12.305/2010, que trata da regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, e tem andamento em processo acelerado.

Dada a importância do assunto, o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), realizou a segunda oficina, que tratou dúvidas em relação à logística reversa e aos acordos setoriais.