Acesso a saneamento básico é agenda velha que Brasil ainda não resolveu, diz especialista do Banco Mundial

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544868366

Marcos Thadeu Abicalil, do Banco Mundial: 'Ainda há um déficit enorme para reduzir a pobreza em relação a esgoto'. Foto: Julia Moraes

Ao menos 47% da população brasileira não tem acesso a tratamento de esgoto, um problema antigo que o Brasil ainda não resolveu por não conseguir priorizar necessidades e tratar adequadamente as distintas realidades de cada região do país.

A crítica foi feita pelo especialista sênior em água e saneamento do Banco Mundial, Marcos Thadeu Abicalil, durante o 2º Seminário de Saneamento Básico, realizado nesta terça-feira (30/10) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“A gente lida com uma agenda velha no saneamento, ainda não resolvida”, afirmou Abicalil, acrescentando que “ainda há um déficit enorme para reduzir a pobreza em relação a esgoto.”

Ao participar do painel Mecanismos de Financiamento para o Setor de Saneamento Básico, o especialista citou projeções da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib) que revelam a necessidade de investir anualmente R$17 bilhões até 2030 para universalizar o acesso ao saneamento básico.

“O Brasil tem condições de investir R$17 bilhões por ano? Sem dúvida nenhuma tem condições, sim”, afirmou Abicalil. O problema, segundo ele, é que falta ao país uma estratégia capaz de priorizar as necessidades de cada região.

“Por exemplo: é melhor investir em rede coletora ou é melhor investimento primeiro em tratamento de esgoto com impacto imediato no tratamento de água? É esse tipo de debate que tem de ser olhar em relação às distintas realidades do Brasil”, avaliou o especialista.

Mais espaço e projetos

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544868366

Luciana Jacomasse, da Caixa Econômica Federal, alega falta de projetos para saneamento básico. Foto: Julia Moraes

Se Abicalil considera o acesso ao saneamento uma agenda velha não resolvida, o novo desafio para o setor é conquistar seu espaço nas discussões econômicas e até mesmo ambientais.

“O nosso setor de saneamento não fez parte da discussão da Rio+20, por exemplo”, reivindica o especialista. “Qual o impacto que o saneamento tem na economia do país? Qual o custo econômico da ausência de esgoto no Brasil. O setor precisa ganhar espaço nessas discussões”, completou Abicalil, ao adiantar que o Banco Mundial está conduzindo um estudo relacionado a esses temas.

Na outra mão, o setor financeiro alega falta de projetos para saneamento básico. A gerente de clientes e negócios da Caixa Econômica Federal, Luciana Marques da Costa Jacomassi, afirma que de uma contratação de quase R$ 15 bilhões, considerando obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), para saneamento, apenas R$ 5 milhões já foram desembolsados.

“A gente tem uma necessidade de ter estoques de projetos para serem financiados, porque muitos dos recursos disponibilizados não foram desembolsados por falta de projeto. Às vezes, por falta de condições para viabilizar ou pela inexistência mesmo”, afirmou Luciana.