Projeção de crescimento econômico, em 2010, ficará acima de 6%

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (ao centro): "O ano de 2009 acabou sendo melhor do que o esperado e as expectativas para 2010 são realmente positivas". Foto: Flavio Martin

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) fez um balanço de suas atividades em 2009, nesta terça-feira (8), e também divulgou as perspectivas para 2010, incluindo a expectativa de expansão de 6,2% da economia brasileira. De acordo com as previsões da Fiesp, esse crescimento desejado poderá ser contínuo nos próximos anos.

“O ano de 2009 acabou sendo melhor do que o esperado e as expectativas para 2010 são realmente positivas”, afirmou o presidente da entidade, Paulo Skaf, ao refletir sobre os efeitos minimizados da crise para o País e a relativa estabilidade econômica registrada.

Otimista, Skaf enfatizou que “o Brasil não é o país do futuro, é o país do momento”. Por isso mesmo, são esperados grandes investimentos estrangeiros. “O volume total poderá representar US$ 40 bilhões, quando os mais conservadores apostam em US$ 35 bilhões”, projetou.

A equação investimentos e demanda tem como forte alavancagem os projetos relacionados à Copa do Mundo, às Olimpíadas, ao Trem de Alta Velocidade (TAV) e às obras de infraestrutura, como estradas, portos, ferrovias e aeroportos.

Após um ano que retraiu tanto as exportações quanto as importações do País, a expectativa é que 2010 favoreça o crescimento das exportações entre 15% e 16% e as importações em 30%, reduzindo o superávit para algo em torno de US$ 10,5 bilhões, conforme divulgou a entidade.

A redução do superávit se explica pela retomada do crescimento mundial que se dá em ritmo mais lento em relação ao Brasil.

O presidente da Fiesp frisou que outra boa notícia é a expansão da oferta do crédito, que “deverá ultrapassar 50% do PIB, o que não ocorria há anos”. Em contrapartida, ele lembrou que é necessário diminuir os juros.

“Só há um caminho: os juros precisam ser reduzidos. E não devemos aceitar nenhuma justificativa, muito menos elevá-lo. O momento do Brasil é outro. A prioridade é a busca do desenvolvimento sustentável”, pediu Skaf.

Previsão para o cenário econômico em 2010:

  • Expectativa de expansão da ordem de 6,2%. O índice considera o crescimento da massa salarial e do crédito e um cenário externo menos adverso. No encerramento deste ano, aguarda-se um Produto Interno Bruto (PIB) positivo da ordem de 0,4% e um PIB estável para os próximos quatro trimestres.

 

  • A indústria deve retomar seu crescimento, depois dos efeitos sensíveis da crise mundial. O PIB do setor deve subir 8,5%, puxado especialmente pelos setores de transformação (9,5%) e da construção civil (9,3%). A projeção do PIB para a Agropecuária é de 3,9% e dos Serviços, 4,8%. O resultado positivo será incentivado pela maior demanda interna e a melhoria nas exportações.

 

  • A produção industrial brasileira deve retomar os níveis pré-crise em março de 2010, fechando o ano com alta de 12%. Para São Paulo, a previsão é de aumento do Indicador do Nível de Atividade (INA) de aproximadamente 13,5%.

 

  • O emprego industrial deverá registrar alta de 5,3% e alcançará o nível em que estava antes da crise apenas em dezembro de 2010.

 

  • A previsão para o emprego da indústria paulista é de crescimento em torno de 6,2%. Mesmo assim, não atingirá o nível pré-crise em 2010; a recuperação se dará apenas no primeiro trimestre de 2011.

 

  • Os investimentos devem registrar forte crescimento com alta de 19,6%, representados pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), após uma contração de 14,6% em 2009. Essa previsão reflete a expansão de 10,3% esperada para a construção civil e de 26,3% na produção de máquinas e equipamentos. O consumo familiar deve crescer 6%.

 

  • Para a massa salarial dos trabalhadores (setores privado e público), a previsão é de alta de 6,7% em 2010, acima da média de 6,1% registrada entre 2004 e 2008.

 

  • Há projeção de crescimento de 24% do crédito, com recursos livres, retomando o ritmo verificado no período pré-crise, em função da redução do spread bancário e da inadimplência, entre outros fatores.

 

Posicionamentos importantes

Durante a divulgação do balanço, Paulo Skaf tocou em outros dois pontos importantes. Um deles diz respeito à concordância da Fiesp quanto ao posicionamento do governo brasileiro levado à Copenhague. Uma delegação da entidade participa ativamente dos debates na COP-15.

Os estudos elaborados pela entidade não atendem somente o setor produtivo, mas também ao governo e à sociedade como um todo. Paulo Skaf citou análise realizada sobre a desoneração dos alimentos.

“A carga tributária sobre os alimentos no Brasil é uma das mais altas do mundo. Baseados neste estudo, sugerimos ao Presidente Luís Inácio Lula da Silva e ao ministro Guido Mantega [da Fazenda] discutir pelo menos sobre os itens que compõem a cesta básica”, explicou o dirigente industrial.

Clique aqui para ver o balanço de 2009 da Fiesp.