Tom para 2016 é azul, mostra reunião do Comtextil

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Na reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário da Fiesp (Comtextil) realizada nesta terça-feira (8/12), seu coordenador adjunto, Marcelo Prado, fez o balanço de 2015 e apresentou as perspectivas para 2016 – que são boas, para quem souber aproveitá-las. “2015 é uma tela vermelha, e 2016, uma azul”, disse Prado, que mostrou estimativas para ano que vem. A produção de têxteis, segundo Prado, deve crescer 12,4% em 2016 (em volume). Vestuário deve crescer 5,5%, mas o varejo deve vender apenas 0,8% a mais, também em volume. Em cama, mesa e banho, espera-se elevação de 5,3% na produção e 0,5% no volume no varejo.

Prado lembrou que a substituição das importações é uma oportunidade, mas não será capitalizada por todos. Além do preço, há preocupação com a qualidade. Vai ser grande desafio, disse.

Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtextil, conduziu a reunião e falou sobre a percepção de estar na véspera de uma grande virada. “Temos tudo para ter um ano brilhante em 2016”, disse. “Mas vamos ter que fazer nossa parte, nossa lição de casa”, lembrando que é preciso considerar outros fatores, como qualidade e logística.

Segundo Prado, quem quiser crescer terá que fazer algo diferente, “tomar o manche na mão e enfrentar a turbulência”.

Possibilidades são explorar novos mercados regionais; criar novas formas de comercialização (chegar antes, chegar mais longe); adicionar novos canais de distribuição (o que dá mais comodidade ao consumidor e mais oportunidades para comprar a marca); explorar novos nichos de mercado ou segmentos consumidores; lançamento de novas linhas de produtos ou marcas (para encantar o cliente com o “novo”).

Desafios

Prado falou na sensação de imobilidade devido à crise, mas que não é bem assim. “Tem mercado muito grande aí.” Lembrou que o Brasil é o quinto maior mercado do mundo. Apesar da queda, continua a ser muito maior que a maioria dos outros. Foram R$ 184 bilhões em 2015 – número a ser lembrado.

Explicou que na crise, o mercado passa de demandado para ofertado, acirrando a concorrência. Cresce muito o desinteresse dos consumidores e lojistas por produtos “mais do mesmo”. Venda se dá só por oportunidade ou por encantamento, disse.

Na crise, um grupo de empresas cresce – e outro não cresce. O mesmo acontece fora dos períodos de crise, lembrou, acrescentando que são as decisões da própria empresa que determinam se ela ficará num grupo ou noutro.

Frisou que o principal ponto é ter seus próprios diferenciais. Renda cresceu nos últimos anos, e consumidor pode e quer mais. Consumidor de menor renda quer inclusão social, e o de maior renda, exclusividade – e todos querem o melhor que seu dinheiro pode pagar. “Cabe no orçamento, compra”, disse Prado.

Estratégias de precificação, combinadas com diferenciais e inovação de produtos, são parte da resposta na agregação de valor e giro dos produtos no ponto de venda.

Oferecer produto diferenciado, inovador, original, dá a oportunidade de encantar e atrair consumidores.

O que limita o cliente, nesse caso, não é o preço do concorrente, e sim a capacidade de pagar pelo produto.

Deixou como considerações finais algumas máximas:

Crie produtos para o mercado, não para você…

Para encantar um cliente não basta pensar nele, é preciso pensar como ele…

Você não escolhe o cliente, é o cliente que escolhe você…

Se a sua empresa pensa diferente do mercado, mude a sua empresa…


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Reunião do Comtextil, com balanço de 2015 e perspectivas para 2016. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Houve mais manifestações otimistas sobre o próximo ano. Francisco Ferraroli disse que 2016 tem tudo para ser ano melhor. Antônio Valter Trombeta lembrou que dólar aproximou preços internacionais dos possíveis no Brasil no caso das camisas. Nelson Grunembaum acha possível que indústria não consiga suprir a demanda.

Exportações

Na opinião de Prado, o setor têxtil deve ser o mais beneficiado pela queda nas importações. A exportação deve se recuperar, disse, lembrando que basicamente é de índigo (90% dos tecidos planos, que são 90% das exportações).

Mencionou potencial de exportação de US$ 600 milhões da Coteminas, em cama, mesa e banho, por substituição de produtos asiáticos vendidos nos EUA.

Prado disse que a exportação de vestuário tem potencial, mas não para competir em preço com asiáticos. É coisas para produtos muito inovadores, criativos, para longo prazo.

Balanço

Prado começou sua apresentação pelo balanço do setor. O varejo do vestuário vendeu R$ 183,9 bilhões em 2014, com crescimento de 6,7% sobre 2013. Em volume, crescimento foi de 0,6%, com a distribuição de 92,3% de toda a disponibilidade interna desses artigos no país.

Para 2015 estimativa é de queda de 4,2% em volume e de 0,1% em valores – descontando a inflação, queda de 10%.

Destacou que as lojas independentes são ainda o principal canal de varejo do vestuário com 37% dos volumes e 29% dos valores em 2014. Em 2015 devem perder posto para lojas de departamento especializado, atualmente com 30% do mercado em volume e valor.

Lojas independentes movimentam R$ 53,3 bilhões, contra R$ 54,6 bilhões das lojas de departamento especializado. As redes de pequenas lojas movimentam R$ 50 bilhões. Essas duas últimas cresceram de 2009 a 2014 16,5% e 18%, respectivamente.

Comparação das curvas de vendas de 2013 a 2015 mostra descolamento das linhas, com inverno de vendas baixas, mas fim do ano deve ser ótimo – com isso a queda, que era de 7,3% até setembro, deve ficar em 4,2%. Estimativa, a partir de diversas fontes, é que 75% de todos os presentes devem ser roupas.

Indústria

Desde 2010, quando atingiu o recorde de 6,4 bilhões de peças, a produção brasileira vem caindo. Em 2014, explicou Prado, a Copa atrapalhou. Em 2015, o varejo empurrou o estoque para dentro da indústria. Queda de 12,8% até setembro deve ficar em 7,1% no ano.

Boa queda nas importações esperada para 2015, mas continuará a ser importante. Das 890 milhões de peças vendidas em 2015, 13,4% devem ser importadas.

Em têxteis a curva acompanhou a de vestuário em 2014.