Cosema debate resultados da COP21 e economia de baixo carbono

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Apesar do forte interesse global registrado recentemente, a COP21, ocorrida na França, apresentou poucos avanços efetivos em relação às Conferências anteriores, na avaliação pessoal de Walter Lazzarini, presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema). Esse é um debate que se estabeleceu há anos, e o tema deveria receber muito mais visibilidade, em sua opinião, externada no encontro ocorrido nesta quarta-feira (24/2) durante reunião do Cosema.

Um dos debatedores, o brigadeiro Aprígio Azevedo – diretor executivo de Projetos da Fiesp e integrante do Comitê de Mudança do Clima da entidade -, que esteve presente na COP21, lembrou que 40 mil pessoas discutiram as questões pertinentes ao clima, em Le Bourget, contando com representantes de 195 países, mais a União Europeia, que conta com quase duas dezenas de países.

Para ele, a mudança do clima entrou “rachando” na agenda mundial. Apesar de o texto final ter algumas fragilidades, sua avaliação é que a liderança da França foi crucial para que se alcançasse um documento universal sobre a redução dos Gases de Efeito Estufa (GEE). Foi um contraponto forte em relação a Kyoto, quando não se obteve unanimidade.

Azevedo lembrou que o mundo sofreu rápidas transformações com o impacto do desenvolvimento tecnológico e citou dados relevantes divulgados pela mídia ligados às discussões climáticas: a oferta mundial de petróleo cresceu 11%, nos últimos 5 anos, mas o preço despencou 60%; o da lâmpada led caiu 78%; e o custo da produção de energia solar teve redução de 37%. Outro dado interessante, divulgado ontem pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, diz respeito ao aumento do nível dos oceanos. Se o Novo Acordo for respeitado, em 2100 ele subirá 39 cm, caso contrário, a elevação poderá chegar a um metro e 30 cm. Esses dados indicam que há uma lição de casa a ser feita.

Para Azevedo, o Brasil teve posição de destaque no decorrer das negociações ao integrar o G77 + China, que é um conjunto de forças presente na Conferência das Partes.

Atualmente, as emissões em toneladas equivalentes encontram-se no patamar de 55 gigatoneladas de CO2 globais, mas pelo novo Acordo devem ser reduzidas a 40 gigatoneladas até 2030. O Brasil, em 2005, contribuía com 2,04 gigas; hoje, o número gira em torno de 1,4. Mas a expectativa é que até 2025 – tendo como ano-base 2005 – se obtenha redução de 37% nas emissões, reduzindo esse número para 1,03 giga e, em 2030, com redução prevista de 43%, 1,16 gigatonelada.

Essa redução deverá ser alcançada especialmente com a redução do desmatamento e o incremento da matriz energética limpa e baseada em fontes alternativas e renováveis. “Este é ponto em que a Fiesp pode contribuir, identificando “janelas de oportunidades”, quando se sinaliza para a construção de uma economia de baixo carbono”, avaliou o brigadeiro Aprígio Azevedo.

Fabio Feldmann – ambientalista, ex-secretário e político –, outro dos debatedores, sinalizou que esta é uma das preocupações, como cumprir o Código Florestal, com a recuperação prevista de 12 milhões de hectares, uma das metas da NDC brasileira, quando o setor sucroalcooleiro soma 5 milhões de hectares e o de papel e celulose, 7 milhões.

Para Feldmann, as negociações ocorridas em Paris se diferem das de Quioto (1997), quando o mundo era bem diferente e houve a polarização Norte-Sul. Naquele época, “sequer se colocou a questão das florestas”, informou, criticando a falta de liderança de Copenhague ( COP 15, 2009), em comparação com a francesa.

A ressalva fica por conta das NDCs, que terão impacto em nova governança a ser estabelecida nos países, principalmente quanto à energia e aos transportes. “O Brasil deve reivindicar um novo modelo de governança”, afirmou, levantando outro ponto nevrálgico: como serão feitas as alianças político-estratégicas para implementação do Acordo.

De acordo com Feldmann, “a agenda do Brasil precisa incluir a governança, que não é mais tema de meio ambiente, mas também de economia, e de uma economia inclusive florestal”. Em sua avaliação é preciso levar em conta as vantagens comparativas e competitivas. Ele ainda alertou que o Brasil não trabalha com foco em eficiência energética, o que deve ser corrigido.

O Novo Acordo, Paris Agreement, que define os procedimentos e as ações para o período pré-2020, será assinado, em abril de 2016, na sede da ONU, em Nova Yoek. E entrará em vigor 90 dias após a ratificação por, no mínimo, 55 países que representem pelo menos 55% do total global das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE). Embasado nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) e definido como “legalmente vinculante” (com força de lei), será revisado a cada cinco anos.

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Reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Oportunidades e tecnologia

As discussões sobre a agenda climática serão intensificadas na Fiesp, especialmente quanto a temas como precificação, eficiência energética e governança. A ênfase foi dada por Nelson Pereira dos Reis, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp e do Ciesp e integrante do Comitê de Mudança do Clima da entidade. Quanto à COP21, Reis frisou a participação do setor energético, inclusive o petrolífero, que aderiu ao Acordo, assumindo compromissos efetivos – especialmente os árabes, que veem oportunidades porque detêm expertise em energia e desenvolvimento de tecnologias.

A COP21 teve pontos fortes e fracos, observou o conselheiro Marcelo Morgado. Ele ressaltou dois pontos positivos. O primeiro deles, a forma como a Conferência foi organizada, como um acordo dentro dos moldes da Rio92, o que possibilitou aos Estados Unidos concordar com os termos sem a necessidade da aprovação de um Congresso conservador. O segundo, a ambição de não se ultrapassar 1,5ºC de aumento de temperatura até 2100 para se chegar ao máximo de 2ºC. Outro aspecto observado é que, pelo fato de a soma iNDCs apresentadas não ser suficientemente ambiciosa, a sua revisão a cada cinco anos é bem-vinda, inclusive pelo fato de poder incorporar os rápidos avanços tecnológicos. Morgado ainda ressaltou que um ponto fraco é a questão do financiamento, que não registrou significativos avanços em relação ao acordado em COPs anteriores. Para ele, o cenário do agronegócio é preocupante em função do impacto da ocorrência das mudanças climáticas. Mas, concluiu, há oportunidades que vêm acompanhadas pela inovação a renovar o ambiente de negócios.

A COP21 contou com uma especificidade: seu processo negocial. De acordo com o conselheiro Marco Antonio Fujihara, sempre ocorreu um duelo entre negociadores e cientistas, de um lado, e políticos, do outro. Uma barreira transposta no último encontro. Para ele, a Encíclica Laudato Si, do papa João XXIII não foi apenas inovadora, mas chamou a atenção para questões morais e éticas, uma inovação no cenário tradicional de negociações. O Papa abordou temas cruciais, como o financiamento, o fim da propriedade intelectual e a consequente transferência de tecnologia, além da restrição do crescimento de demanda energética.

Na análise de Fujihara, nas curvas de emissões globais, que tendem a crescer, “a gente já perdeu o bonde”. Porém, o Acordo de Paris representa um princípio de processo diferenciado de negociações, apesar das penalidades se resumirem a um “constrangimento moral” para quem não cumpri-lo, oposto à posição adotada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), cujas penalidades são realmente aplicadas.

Para o conselheiro, a questão do financiamento é essencial, mas há cálculos que indicam a necessidade de se obter US$ 44 trilhões para o clima, enquanto o compromisso é de US$ 100 bilhões anuais a partir de 2020. “Há um vácuo”, disse Fujihara, pois há dois fundos multilaterais que não se conversam: o Green Climate Funding, que deve ter US$ 10 bilhões, e o Fundo de Investimentos do Banco Mundial (CIF, na sigla em inglês), com US$ 6 bi. “Falta compromisso”, avaliou, que não se resolve nem com o apelo do Papa, em função da resistência quanto a mudanças na matriz energética. Para ele, há uma questão que permanece sem resposta: quem vai pagar a conta.

ENTRE OS PRINCIPAIS PONTOS DO ACORDO DE PARIS:


1. Meta a ser atingida por todas as Partes quanto à redução global de emissões de GEE até 2100: manter o aumento de temperatura abaixo de 2°C, mas com esforços para que não se ultrapasse os 1,5°C.

2. A implementação desse compromisso trará impactos e consequências para a economia mundial, em especial, quanto ao uso de combustíveis fósseis.

3. As NDCs apresentadas não integram o texto do Paris Agreement, mas compõem um Registro Público.

4. A diferenciação entre países “ricos e pobres” foi estabelecida no Artigos 2 e 3. A base da diferenciação é a NDC, conforme a capacidade nacional, respeitando-se o Princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas.

5. Atualmente, as NDCs submetidas (ações pré e pós-2020) demonstram que o incremento resultante não ficará abaixo dos 2°C. A COP21 estabeleceu, em 2018, a Primeira Reunião de revisão e a próxima em 2023. Ela ocorrerá a cada cinco anos com foco na mitigação, na adaptação e nas perdas e danos.

6. Adaptação e perdas e danos: os países ricos não devem ter obrigação legal quanto à compensação de eventuais impactos em decorrência de eventos meteorológicos extremos (responsabilidade histórica).

7. Mercado e precificação de carbono, entendendo-se que o preço de carbono tem valor social. Nos próximos cinco anos, o tema será foco de novo debate.

8. Sustainable Development Mechanism (SDM): novo mecanismo de flexibilização de mercado, nos moldes do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), mas com aplicação mais ampla.

9. Financiamento: países ricos devem liderar o processo, com piso mínimo estabelecido de U$ 100 bilhões anuais a partir de 2020.

10. Transparência em mitigação e financiamento com seus resultados de emissões de GEEs mensurados e publicados, no mínimo, a cada 2 anos.

11. Florestas: incentivos à redução de emissões relativas ao desmatamento, degradação e manejo sustentável de florestas.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda mitigação de emissões de gases de efeito estufa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Opções de mitigação de emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em setores-chave, no Brasil, foram o foco de oficina de capacitação, realizada no dia 30 de julho na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Tratou-se de metodologia para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético.

O treinamento integrou as ações de projeto que mobiliza 11 ministérios com vistas ao esforço do país quanto à mudança climática em setores-chave, como indústria, energia, transportes, edificações, LULUCF (Uso da Terra, Mudança de Uso da Terra e Florestas), gestão de resíduos e outras alternativas intersetoriais. O projeto está sendo implementado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo Régis Rathmann, do MCTI, as opções de mitigação auxiliam na identificação de seus respectivos potenciais e custos quantificados a fim de minimizar incertezas. “Muitos setores são produtores de energia e também dependentes”, avaliou. Rathmann detalhou os três componentes avaliados, na oficina:

1 – opções de mitigação identificadas e seus respectivos potenciais e custos quantificados para os períodos 2012-2035 e 2036-2050.

2 – análise integrada das diferentes opções de mitigação em estrutura de otimização integrada, considerando a não-aditividade das diferentes opções e outras considerações econômicas; e avaliação dos possíveis impactos dos custos de abatimento e diferentes políticas climáticas sobre a economia brasileira.

3 – capacitação de instituições, governo federal, estaduais e cidades-sede da Copa do Mundo 2014, bem como organizações da sociedade civil para implementação de ações de mitigação de emissões de GEE em setores-chave da economia.

Já Pedro Rochedo teve como foco a energia e frisou que o sistema energético brasileiro é bem diferente dos demais, no mundo. Aqui, há forte concentração de energia renovável, com 46% da energia primária renovável em 2013 (Fonte: EPE, 2014), contando com hidroelétricas como maior fonte de eletricidade, além do etanol, que representa cerca de 14% do consumo de combustível no setor de transporte.

Rochedo tratou, em detalhes, da estrutura do setor energético, composto por óleo e gás, carvão, sucroalcooleiro, biomassa e setor elétrico. Em termos de óleo e gás, por exemplo, o pré-sal oferece recurso enorme, com reserva entre 70 e 100 gigabarris de petróleo, porém, presente entre 200 a 300 km da costa, e a 8 mil metros abaixo do nível do mar, o que requer tecnologia, inclusive para o aproveitamento do gás acumulado nessa área. Em sua avaliação, óleo e gás contam com tecnologias maduras e, portanto, com baixa perspectiva de inovação.

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Oficina sobre mitigação de emissões de GEE, realizada na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Em termos de carvão mineral, predominante na região Sul do país, seu uso é pouco representativo em função da baixa qualidade que oferece e, em função do baixo preço, acaba sendo destinado ao uso térmico. O setor sucroalcooleiro brasileiro, como maior produtor de cana-de-açúcar, especialmente no Sudeste, só perde em etanol para os Estados Unidos, cujo etanol é feito à base de milho. Esse processo demanda vapor e eletricidade, e o bagaço deixou de ser avaliado como resíduo para se tornar fonte de energia.

Outro exemplo dado por Rochedo diz respeito à controversa energia nuclear. O Brasil conta com a 5ª maior reserva mundial de urânio, mas não domina toda essa cadeia produtiva. No entanto, a reserva existente é capaz de atender a demanda por mil anos.

O especialista do MCTI alertou para um caráter prático quanto à demanda energética: “Nos Estados Unidos, entregam-se à população de baixa renda, em algumas localidades, geladeiras mais eficientes porque isto é mais fácil do que expandir a base do setor elétrico”, exemplificou.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa das Conferências Climáticas Mundiais desde 2009, quando foi assinado o Acordo de Copenhague. Na ocasião foi reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius, até o final do século, para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então a Fiesp tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, a Fiesp integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina realizada no dia 30 de julho. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final deste ano.

Oficina de capacitação na Fiesp aborda tecnologias de baixo carbono

Agência Indusnet Fiesp

Com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realiza dia 30 de julho oficina de capacitação com foco em metodologias para “Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono” e “Construção de Cenários de Baixo Carbono” nos segmentos industrial e energético. Esse treinamento faz parte das ações do projeto Opções de Mitigação de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), integrando os esforços do país quanto à mudança climática.

A implantação do projeto é feita em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os cenários integrados do potencial de mitigação das emissões de GEE auxiliam na tomada de decisão sobre ações que possam reduzir as emissões.

A oficina será dividida em duas etapas:

Tecnologias de baixo carbono aplicáveis para a mitigação de emissões de gases de efeito estufa nos segmentos energético e industrial. Das 9h às 12h.

Construção de cenários de baixo carbono nos segmentos energético e industrial. Das 14h às 17h.

A Fiesp – por meio de seu Comitê de Mudança do Clima – participa desde 2009 das Conferências Climáticas Mundiais, quando foi assinado o Acordo de Copenhague e reconhecido que o aumento da temperatura global não deve exceder 2º Celsius até o final do século para evitar mudanças irreversíveis no sistema climático. Desde então tem integrado a delegação brasileira, acompanhado a agenda internacional e participado de todas as Conferências das Partes (COP) da Organização das Nações Unidas (ONU). Na agenda nacional, integra os fóruns governamentais e da sociedade civil, defendendo a competitividade brasileira na construção dessa nova economia de baixo carbono. Outra iniciativa é a divulgação do tema para as pequenas e micro empresas, como a oficina que está sendo realizada no próximo dia 30. O Comitê de Mudança do Clima da Fiesp participará da COP21, em Paris, no final do ano.

SERVIÇO:

Mapeamento de Tecnologias de Baixo Carbono e Construção de Cenários de Baixo Carbono nos segmentos industriais e energético

Data e hora: 30 de julho das 9h às 17h

Local: Avenida Paulista, 1.313, São Paulo, SP

Inscrição: inscrições podem ser solicitadas até 28/07 pelo e-mail ctc_mitigacao@mcti.gov.br. Vagas limitadas.

Fiesp realiza seminário para debater tecnologias limpas e inovadoras para economia de baixo carbono

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Organizada pela agência de inovação do governo britânico, Tecnology Strategy Board (TSB), foi realizado nesta segunda-feira, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o seminário “Tecnologias Limpas – Inovação para uma economia de baixo carbono”, além da apresentação da missão Clean and Cool.

A abertura do evento foi feita pelo diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Marlúcio de Souza Borges, e pelo cônsul-geral de São Paulo e diretor da UKTI Brasil, John Doddrel. O evento teve ainda a participação do diretor titular do DMA, Nelson Pereira dos Reis.

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John Doddrel: Clean and Cool visa promover parcerias entre empresas britânicas e empresas e investidores do Brasil. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Por estarmos em uma economia com foco em práticas cada vez mais sustentáveis e, por outro lado, ter os desafios do mercado, é oportuno debater a questão de tecnologias limpas e inovação, com destaque para o papel das pequenas e médias empresas”, afirmou Borges, que destacou o papel da Fiesp como órgão que busca conciliar o desenvolvimento econômico com a qualidade ambiental e o bem estar social.

Doddrel explicou o que é a missão Clean and Cool, financiada pela TSB, que tem como objetivo “promover parcerias entre empresas de tecnologia limpa britânicas e empresas e investidores brasileiros e agências governamentais”. Segundo ele, não há somente um interesse comercial, mas de parceria e cooperação entre os países.

“A missão vai oferecer soluções para alguns dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil, desde desmatamento e fornecimento de água limpa em regiões remotas, até a redução da poluição e dos engarrafamentos urbanos.”

Também participaram do seminário os britânicos Mike Pitts, especialista líder em sustentabilidade da TSB, e Scott Chain, diretor de start-ups da Future Cities Catapult. Ambos falaram sobre a importância de investir em tecnologias limpas para garantir a sustentabilidade das cidades.

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Mike Pitts: “Uma das atividades da TSB é ajudar as empresas a descobrir como o meio ambiente muda o mercado”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

“Uma das atividades da TSB é ajudar as empresas a descobrir como o meio ambiente muda o mercado”, disse Pitts. “Quando você pergunta aos empresários sobre as tendências do consumo e das tecnologias para os próximos 10 anos, eles provavelmente terão uma resposta. Mas quando você pergunta quais serão as mudanças da sociedade na próxima década ou como o meio ambiente vai colocar limites no seu negócio, eles têm que se esforçar mais para responder.”

“Em termos de negócios nós estamos falando em ajudar empresas com a evolução das necessidades de cidades ao redor do mundo”, afirmou Chain. “São tendência de longo prazo em termos de organização legal, mudanças demográficas, mudanças econômicas que nós acreditamos que podem ser vistas como oportunidades.”

Fiesp se posiciona sobre as discussões da COP16

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Às vésperas da 16ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP16), que se realizará a partir de 29 de novembro em Cancun, no México, a Fiesp reuniu, nesta terça-feira (16), autoridades, especialistas, empresários e governo para discutir o assunto.

Na oportunidade, foram divulgados:


“Este encontro de hoje, na Fiesp, tem como objetivo uma reflexão sobre a mudança do clima. Este tema ocupa espaço cada vez maior nas discussões internacionais e nacionais sobre os rumos do desenvolvimento econômico e social”, disse o segundo vice-presidente e coordenador do Comitê de Mudança do Clima da entidade, João Guilherme Sabino Ometto.

Ele destacou o protagonismo do setor privado e a necessidade de seu engajamento: “É com esse compromisso que a Fiesp, representante do maior parque industrial brasileiro, acompanha atentamente a questão desde meados de 2009 e participou da COP15, em Copenhague”.

Por envolver diferentes aspectos em sua discussão, na Fiesp, o tema é debatido pelos Departamentos de Competitividade e Tecnologia, Meio Ambiente, Energia, Relações Internacionais e Comércio Exterior e Agronegócio. Juntas, essas áreas compõem o Comitê de Mudanças do Clima.

“A dedicação a esse tema reflete a preocupação da nossa entidade com tais questões e seus impactos na indústria paulista e brasileira. A entidade trabalha para que não se estabeleçam retaliações ou restrições aos nossos produtos no mercado internacional”, salientou Ometto.

Baixo carbono

Ele disse ainda que o País já está em uma economia de baixo carbono, viabilizada por diferenciais expressivos, como a matriz elétrica renovável, o programa de biocombustíveis, os motores flexfuel, redução sistemática das emissões de carbono pelo setor industrial e progressos significativos na diminuição do desmatamento, particularmente na Amazônia.

“Cabe ressaltar que os processos industriais respondem apenas por 3% das emissões brasileiras, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. Mesmo assim, a indústria preocupa-se com a melhoria do desempenho dos outros setores, no intuito de defender a competitividade do produto brasileiro”, pontuou.

Estudo do Banco Mundial aponta uso do solo como maior emissor de GEE, no Brasil

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento da agricultura e da pecuária, no Brasil, pode ocorrer sem desmatamento se forem liberadas áreas de pastagens, de acordo com sugestão de Christophe de Gouvello, do Banco Mundial.

O especialista participou da divulgação do Estudo de Baixo Carbono 2010 para o Brasil, na sede Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (10). Apesar de o Brasil ter uma das matrizes mais limpas do mundo, Gouvello indicou a substituição do uso de combustíveis fósseis pela energia renovável.

O estudo traça cenários para o desenvolvimento sustentável até 2030, minimizando a redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e detectando oportunidades. Foram estudadas quatro áreas principais com potencial para uma economia de baixo carbono:

  • Uso da terra e mudança no uso da terra e florestas;
  • Sistemas de transporte;
  • Produção e uso de energia, incluindo eletricidade e petróleo e gás;
  • Resíduos urbanos, tanto sólidos quanto líquidos.

Agronegócio

“A grande oferta de terras disponíveis, em décadas passadas, teria construído o histórico de sustentação do crescimento da economia brasileira a partir da agricultura e da pecuária”, avaliou o especialista.

Segundo o documento, esses dois setores respondem por uma média de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, nos últimos dez anos. A consequência seria uma agricultura tradicional com baixa produtividade.

A principal fonte de emissões de GEE atualmente seria proveniente do uso da terra. Para reverter o fato, o representante do Banco Mundial aconselha investimentos com incentivos em função do seu custo social e dos juros altos.

Um dos motivos para a realização do estudo foi o Plano Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC), lançado em 2008 pelo governo federal, ao determinar redução de 70% no desmatamento até 2017.

Em 2009, foi aprovada a Lei nº 12.187, que institui a Política Nacional de Mudanças Climáticas, um conjunto de metas de redução de GEE, entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas até 2020.

Também participaram do debate Mario Hirose, do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, e Maurício Henrique Junior, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT).