Nadadora do Sesi-SP, Ana Marcela Cunha embarca para o Mundial de Barcelona

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Depois de uma temporada de muita dedicação e esforço, com treinos intensos e competições preparatórias, os atletas convocados para integrar a seleção brasileira de Natação começam a embarcar para Barcelona, na Espanha, onde será sediada a disputa do Campeonato Mundial, que acontece de 19/7 a 04/8. O primeiro grupo, que viajou nesta quinta-feira (11/07), reuniu os nadadores das maratonas aquáticas, entre eles a atleta do Sesi-SP Ana Marcela Cunha, uma das promessas de medalha na competição, que é considerada a mais importante do ano para a Natação Mundial.

Atual campeã do mundo na prova de 25 km, Ana Marcela vai defender seu título no dia 27/7, além de nadar mais duas provas de resistência: 5 e 10 km, nos dias 20/7 e 23/7, respectivamente. Ainda há a possibilidade de disputar a prova de revezamento. Confiante, a nadadora afirma estar preparada para qualquer condição. “Independentemente de quem vai competir, de quais serão as adversárias, das condições que vamos encontrar, seja da temperatura até o mar no dia, eu estou pronta. Treinei muito e estou focada. Acredito que toda a preparação vai ser recompensada.”

Ana Marcela: treinos para fazer bonito no Mundial em Barcelona. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana Marcela: treinos para fazer bonito e defender título no Mundial em Barcelona. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Como parte do treinamento para o Mundial, a atleta passou 21 dias na cidade de San Luis Potosi, no México, uma das mais altas do mundo (3.967 metros de altitude). Para atletas de provas de resistência, o treino na altitude é indicado para melhorar a oxigenação. Ao voltar do México, ainda fez um “treinamento de luxo”, de acordo com o técnico Fernando Possenti, ao disputar uma etapa do Campeonato Brasileiro em Juazeiro, na Bahia.

“Na etapa do Brasileiro em Juazeiro simulamos o que a gente planeja fazer em Barcelona. E deu muito certo, a Ana fez uma ótima largada e nadou muito bem”, conta Possenti. “A expectativa é a melhor possível, porque ela se dedicou muito e deu o máximo de si durante todos os treinamentos.”

Para a nadadora, participar de uma prova na Bahia é sempre especial, por ser o seu estado de origem. Ela nasceu em Salvador. “Eu me esforço para disputar as competições que posso na Bahia, porque ajuda a revigorar as minhas forças”, conta Ana Marcela, que aos 8 anos já fazia travessias no mar. “Lá, desde pequenininho, a gente já vai pro mar e começa a nadar para competir.”

Posenti: barba grande até Ana Marcela alcançar seu objetivo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Possenti: barba grande até Ana Marcela alcançar seu objetivo, como apoio. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Além da torcida da Bahia e do Brasil todo, Ana Marcela conta com o apoio do técnico, que, mais do que cuidar do treinamento, também se esforça para dar apoio moral à atleta. Possenti deixou a barba crescer e disse que só vai tirar quando a nadadora atingir seu objetivo. “Foi a forma que encontrei de mostrar que estamos juntos. Não gosto da barba e não estou feliz com ela”, disse. “Mas com isso mostro que acredito tanto no trabalho que fizemos que vou fazer esse esforço e só tirar a barba na hora certa: quando ela conquistar um bom resultado.”

Brasil terá safra recorde de soja 2012/13, aponta estudo Rally da Safra

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho histórico das lavouras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuíram para que o Brasil registrasse uma safra recorde de soja 2012/13. O volume alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12, totalizando um aumento de 27,7%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26/03) durante a coletiva do estudo Rally da Safra 2013, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra: 'Logística mais cara é aquela que não existe. Estamos no limite do uso da que temos. Precisamos de medidas emergenciais para não penalizar o setor pelo nosso sucesso'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A expedição técnica percorreu mais de 60 mil quilômetros entre os dias 28 de janeiro e 13 de março, coletando amostras nas lavouras de milho e soja em 12 unidades da federação: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Estas unidades representam 96,6% da área cultivada da soja e 72,3% da área de milho no Brasil.

Com o registro de uma colheita recorde, o Rio Grande do Sul foi o destaque desta edição. De acordo com André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra e diretor da Agroconsult, apesar da estiagem do mês de dezembro, o estado produziu 49 sacas por hectares de soja e safra de 13,5 milhões de toneladas. “Este número é espetacular. É mais do que o dobro da produção da temporada passada [6,5 milhões de toneladas]. Tanto na colheita de soja quanto na de milho, o estado teve uma safra muito boa. O desempenho do sul do país contribuiu para que a gente tivesse uma safra de soja acima do esperado”, avaliou Pessôa.

Já o Paraná registrou a maior produtividade do Brasil, com 56 sacas por hectares e produção de 15,8 milhões de hectares – em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas. Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectares e 1,6 milhões de toneladas.

Na região centro-oeste, o destaque positivo é Goiás, com 54 sacas por hectares. Mato Grosso ficou pouco abaixo do esperado, com média de 52 sacas por hectares. Um dos motivos, apontados por Pessôa, foi o excesso de chuvas no processo da soja tardia.

A região nordeste registrou uma queda significativa na colheita, com destaque para Piauí, que teve a pior produtividade no país, em função da estiagem de 45 dias, totalizando 31 sacas por hectares. A Bahia também teve um desempenho abaixo do esperado, com uma produção de 42 sacas por hectares.

Outro problema que assolou as lavouras brasileiras, de acordo com o coordenador geral do Rally da Safra, foi a incidência de pragas, que aumentou os custos da produção de soja e milho brasileira.

Milho verão

O milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectares. Na safra 2011/12 o número foi de 75 sacas por hectares. Com destaque para o Paraná, cuja produção recorde chegou a 145 sacas por hectares. Santa Catarina registrou 120 sacas por hectares e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectares. Goiás de também apresentou uma ótima produtividade, com 144 sacas por hectares, seguido por Minas Gerais, que registrou 102 sacas por hectares.

Década de crescimento

De acordo com Pessôa, o Brasil registrou um crescimento significativo no setor do agronegócio nos últimos 10 anos. Segundo coordenador geral do Rally da Safra, neste período a área de plantio de soja brasileira cresceu 50% – de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13, uma expansão de 4,1% ao ano. Neste mesmo período, a produção aumentou 62%, de 52 milhões de toneladas (2002/03) para 84,4 milhões de toneladas (12/13).

No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13, uma elevação de 1,7% ao ano.

Porém, no entendimento de Pessôa, a falta de investimento em logística e o apagão da mão de obra no setor agrícola são grandes empecilhos para o crescimento da agricultura brasileira.

Segundo o coordenador do Rally da Safra, apenas 16% do volume de exportações de soja e milho brasileiro é realizado pelos portos do nordeste, o que, no seu entendimento é pouco funcional, tendo em vista que a região norte/nordeste é responsável por 83,5% da produção de soja e milho do país.

De acordo com Pessôa, os custos para exportação do produto pelos portos da região sul/sudeste provocam morosidade e ônus para os produtores da região norte/nordeste, com um custo médio de US$ 100 por frete.

“A logística mais cara é aquela que não existe. E nós estamos no limite do uso da que temos. E precisamos de medidas emergenciais para não penalizar nosso setor pelo nosso sucesso”, alertou.