Não houve descaso com infraestrutura, diz ministro da Secretaria da Aviação Civil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O atraso de investimentos em infraestrutura, como no setor aeroportuário, não é fruto do descaso de governos, mas sim de uma crise econômica, financeira, fiscal e cambial que ocorreu nos anos 1980, avaliou na manhã desta segunda-feira (19/05) o ministro da Secretaria da Aviação Civil, Moreira Franco.
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Ministro da Aviação, Moreira Franco, durante abertura do Lets, evento de infraestrutura integrada da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

“Não acho que houve descaso. Tivemos uma crise que desorganizou a economia brasileira a partir da década de 1980 e perdemos nossa moeda, nossa referência e tivemos, depois, mais duas décadas para nos recompor”, afirmou Moreira Franco.

Segundo ele, “só conseguimos ter a União com capacidade de investimento no segundo mandato do governo Lula”.

Ele discursou na abertura da Semana de Infraestrutura (L.E.T.S), encontro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que discute pela primeira vez a infraestrutura (logística, energia, telecomunicações e saneamento básico) de forma integrada. A realização é conjunta com o Sistema Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro).

Às vésperas da Copa do Mundo da Fifa no Brasil, e com cinco aeroportos brasileiros já sob a gestão de empresas concessionárias privadas, Moreira Franco afirmou que não há com o que se preocupar em relação à oferta para o período de jogos no país.

“Vocês podem estar absolutamente tranquilos porque vamos, na área de infraestrutura aeroportuária, atender não só a demanda interna quanto a demanda de estrangeiros para a Copa. Até porque não teremos nos aeroportos brasileiros nesse período uma movimentação maior do que tivemos nos feriados do fim do ano, por exemplo”, esclareceu.

Segundo ele, o volume de passageiros transitando nos aeroportos brasileiros cresce ao menos 10% a cada ano. Moreira Franco confirmou ainda que a partir de 31 de maio começa a entrar em operação um novo aeroporto internacional em São Gonçalo do Amarante, na grande Natal (RN).

De acordo com o ministro, “o objetivo é ter o principal aeroporto de cargas do país”.

Outorga das concessões

Moreira Franco afirmou que o desenho do novo modelo aeroportuário “já está feito” e que a outorga dos processos de concessão deve ir para o Fundo Nacional de Aviação (FNAC) e financiar obras de ampliação da infraestrutura dos aeroportos e melhorar a qualidade do aparato tecnológico no sentido de garantir segurança ao sistema brasileiro.

O governo deve arrecadar cerca de R$50 bilhões em outorga dos aeroportos Guarulhos, Viracopos, Brasília, Confins e Galeão. “Temos que conviver com uma questão de melhorar com a maior rapidez possível a capacidade operacional pelo Brasil”, disse o representante do governo.

Do lado da Fiesp, em discurso momentos antes do ministro, o diretor de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti, cobrou que essa arrecadação do governo na outorga de concessão desses aeroportos deveria ser destinada ao Plano de Aviação Nacional, “ainda inexistente”.

“Conforme alerta da Fiesp, a única destinação concreta deste montante foi a apropriação de R$1,5 bilhão, pelo Tesouro, para a geração de superávit primário. Não fossem apropriados pelo Estado, estes R$ 50 bilhão poderiam acelerar o cronograma de investimentos, reduzir tarifas e proporcionar conforto à população”, defendeu Cavalcanti.

L.E.T.S

A Semana da Infraestrutura da Fiesp (L.E.T.S.) representa a união de quatro encontros tradicionais da entidade: 9º Encontro de Logística e Transporte, 15º Encontro de Energia, 6º Encontro de Telecomunicações e 4º Encontro de Saneamento Básico. O evento acontece de 19 a 22 de maio (segunda a quinta-feira), das 8h30 às 18h30, no Centro de Convenções do Hotel Unique, em São Paulo.

Mais informações: www.fiesp.com.br/lets

Encontro da Fiesp deve reforçar continuidade de programa de biocombustível para aviação

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apresentado pela Fiesp durante o evento Humanidade 2012, em junho deste ano, no Rio de Janeiro, o projeto conjunto de instituições e empresas internacionais para desenvolver biocombustível destinado à aviação deve entrar na pauta de discussões do 13º Encontro Internacional de Energia, que acontece dias 6 e 7 de agosto, no Hotel Unique, em São Paulo.

Financiado conjuntamente por três instituições – Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Boeing e Embraer –, o projeto analisa um dos processos que permitem a produção de biocombustíveis para aviação a partir da cana-de-açúcar. A empresa norte-americana de biotecnologia Amyris também participa do desenvolvimento do combustível alternativo.

Na ocasião de seu lançamento, na capital fluminense, o diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, afirmou que empresas de aviação brasileiras já realizam testes com combustíveis alternativos desde 2010. Leia mais aqui.

“O diálogo estratégico continua. Temos o maior programa de utilização de biocombustível do mundo. A coisa mais importante da linha de pesquisa é o bioquerosene de aviação. Há uma fortíssima colaboração entre as empresas brasileiras e americanas. E temos todo o interesse no desenvolvimento de tecnologias”, afirma Cavalcanti, do Deinfra, responsável pela organização do Encontro de Energia anual da Fiesp.

América do Sul

Para Cavalcanti, quanto mais isolado um sistema de energia, mais ineficiente ele é. E a integração dos mercados energéticos da região será discutida em painel que reúne a embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues e a ex-assessora econômica da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), Vera Thortensen, entre outras autoridades.

“Quanto mais você interliga o sistema, mais eficiente ele se torna. Você aumenta integração e não a dependência. A Bolívia, por exemplo, poderia não exportar gás para o Brasil, mas está exportando e está faturando”, explicou o diretor da Fiesp.

Segundo Cavalcanti, falta aos países da América Sul um planejamento longo, de ao menos 30 anos, para ajustar a oferta à demanda sem comprometer o crescimento local. “Se um país constrói suas usinas, mesmo que oferta seja maior que a demanda, ele pode imediatamente vender na América do Sul, para o Brasil, que é um grande mercado. Com isso ele viabiliza as usinas. Conforme vai consumindo, vai diminuindo a venda.”

Serviço
13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp
Data/horário: 6 e 7 de agosto de 2012, das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 4.700, Jardim Paulista, capital
Veja a programação no site: https://www.fiesp.com.br/agenda/encontro-energia/

Paulo Skaf recebe presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, no dia 21/06

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, recebe nesta quinta-feira (21/06), às 12h, visita do presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy.

A entidade foi escolhida pelo governo espanhol para sediar o único encontro que Rajoy fará com empresários brasileiros e espanhóis durante visita oficial ao Brasil. Foram convidados para o evento representantes de diversas empresas dos segmentos de mineração, aviação, têxtil, comunicação, construção, entre outros.

Na ocasião, serão discutidos temas como as relações comerciais, crise mundial e oportunidades de investimentos no Brasil e na Espanha.

Biocombustíveis sustentáveis para aviação: veja o resumo do seminário

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

O progresso do projeto de produção, distribuição e utilização de biocombustíveis sustentáveis na aviação, bem como seus impactos no desenvolvimento de tecnologias e mercados relacionados ao tema no Brasil, América Latina e Caribe. Este foi o tema do seminário “Biocombustíveis sustentáveis para aviação”, evento promovido pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a Firjan, agenda desta segunda-feira (18/06), no Humanidade 2012 – Iniciativa da Fiesp e parceiros, em paralelo à Rio+20.

Financiado conjuntamente por três instituições – Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Boeing e Embraer –, o projeto em discussão analisa um dos processos que permitem a produção de biocombustíveis para aviação a partir da cana-de-açúcar (processo Amyris). Como resultado, espera-se a difusão dos benefícios da utilização de combustíveis provenientes de fontes renováveis, inclusive na aviação.

Durante o encontro, o diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, Carlos Cavalcanti, afirmou que já existem várias empresas de aviação brasileiras que estão realizando testes com combustíveis alternativos desde 2010 e que o Brasil já é o segundo maior consumidor de biocombustíveis do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos. “Estamos procurando uma solução para a utilização de biocombustíveis na aviação civil e comercial no país”, declarou.

Os especialistas deixaram explícito que o biocombustível foi desenvolvido para proporcionar desempenho equivalente aos combustíveis convencionais derivados de petróleo, no entanto, com a vantagem de proporcionar elevado potencial de redução da emissão dos gases que causam o efeito estufa.

André Nassar, gerente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), apresentou relatórios e estudos sobre a produção de biocombustível para transporte aéreo a partir da cana-de-açúcar.

O debate, moderado por Leandro Alves, chefe da Divisão de Energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), contou com a participação de representantes de diversas entidades favoráveis aos biocombustíveis aéreos, mas que dependem da iniciativa do governo. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, também esteve presente.

Veja um resumo do debate:

Edegar de Oliveira Rosa (WWF) – “Apoiamos a produção de biocombustíveis para redução de emissão de CO²”, afirmou o representante do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que defendeu a criação de iniciativas governamentais para viabilizar o uso de biocombustíveis. “Dependemos de políticas públicas para tornar medidas efetivas para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera”, ressaltou.

Guilherme Freire (Embraer) – O diretor de Estratégia e Tecnologia Ambiental da Embraer, Guilherme Freire, alertou: “A sociedade está nos cobrando: quais serão os ganhos?”. Lembrou ainda que a cana-de-açúcar também pode ser usada no transporte aéreo e não só nos carros.

Adalberto Febeliano (Azul) – O diretor de Relações Institucionais da Azul Linhas Aéreas, Adalberto Febeliano, foi enfático ao afirmar que acredita nessa nova tecnologia: “Esperamos que, dentro de alguns anos, possamos usar esse biocombustível de forma comercial”. E cobrou uma colaboração mais efetiva do governo. “Temos um grande desafio: o custo. Precisamos trabalhar junto com o governo para encontrar uma melhor política tributária e tornar o custo desse combustível compatível com o do petróleo.”

Rodolfo Bryce (GE Aviação) – O representante dos Programas de Clientes da GE Aviação, Rodolfo Bryce, mostrou-se otimista com os resultados da utilização da cana-de-açúcar como biocombustível: “Os resultados são impressionantes”, afirmou.

Jane Hupe (Icao) – Para Jane Hupe, diretora da Seção de Meio Ambiente da Air Transport Bureau (Icao), o que se conquistou até o momento, em relação a biocombustíveis para transporte aéreo, é um ganho. “Quando começamos a falar sobre alternativas de combustíveis sustentáveis, as pessoas não acreditavam que isso seria possível”, explicou. E ressaltou que a obrigação dessa discussão na Rio+20 é “alertar os governos para tirar barreiras regulamentares e tornar esse voos comercialmente viáveis”. Jane finalizou convidando a todos para assistirem o voo de demonstração “Azul+Verde”, que usará combustível renovável a partir da cana-de-açúcar brasileira. O projeto é uma iniciativa da Azul Linhas Aéreas, Amyris, Embraer e GE, e acontecerá nesta terça-feira (19/06), no Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro.

Joel Velasco (Amyris)  – Para o Vice-Presidente Sênior da Amyris, Joel Velasco, com essa tecnologia o Brasil pode se tornar líder mundial em combustíveis para avião.

Humanidade 2012

O Humanidade 2012 é uma realização da Fiesp, do Sistema Firjan, da Fundação Roberto Marinho, do Sesi-SP, Senai-SP, Sesi Rio e Senai Rio, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal, concebida para realçar o importante papel que o Brasil exerce hoje como um dos líderes globais no debate sobre o desenvolvimento sustentável

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Ministro de Aviação quer aumentar percentual de cobertura dos aeroportos para 94%

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Wagner Bittencourt, ministro-chefe da Secretaria de Aviação: 'Setor aéreo precisa ser pensado no longo prazo

Wagner Bittencourt, ministro-chefe da Secretaria de Aviação: 'Setor aéreo precisa ser pensado no longo prazo

O Brasil tem mais de 720 aeroportos públicos, mas apenas 129 operam voos regulares de companhias comerciais. Estes 129 aeroportos são responsáveis

pelo atendimento de 79% da população brasileira. Para aumentar a capacidade de atendimento são necessárias parcerias público-privadas competitivas e estratégia no longo prazo.

A avaliação e os números são do ministro-chefe da Secretaria de Aviação, Wagner Bittencourt, durante a abertura do 7º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp, que acontece nesta segunda (21/05) e também na terça-feira (22/05) no Hotel Unique, em São Paulo.

“Desse ponto de vista, precisávamos ter um investimento para passarmos para mais de duas centenas de aeroportos para que pudéssemos ter uma cobertura razoável de 94% da população brasileira atendida pelos aeroportos do país”, afirmou Bittencourt.

Segundo o ministro, o setor aéreo precisa ser pensado no longo prazo porque “para ser construído a partir do zero, até que seja identificado o lugar, leva alguma coisa da ordem de 15 anos”.

“Os setores público e privado têm, necessariamente, que trabalhar em conjunto, com uma divisão de tarefas entre aqueles que podem ser terceirizados com administração privada e aqueles que terão de permanecer na administração pública”, acrescentou o ministro.

Sob o tema Brasil: um país sem logística?, empresários e autoridades do setor discutem até terça-feira (22/05) desafios e soluções para reparar as deficiências nos transportes marítimo, ferroviário, aéreo e rodoviário. Confira a programação.