Educação profissionalizante é tema de debate no estande da Senai-SP editora

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Claudio de Moura Castro e Walter Vicioni, durante debate na 22ª Bienal Internacional do Livro

Quem visitou neste sábado (18/08) o estande da Senai-SP editora, na Bienal do Livro, teve a oportunidade de conhecer as experiências de quem tem décadas de estrada na educação profissional.

Walter Vicioni, diretor regional do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP, e Cláudio de Moura Castro, economista e assessor do Grupo Positivo, foram os convidados para uma mesa-redonda sobre o ensino profissionalizante brasileiro durante a 22ª Bienal Internacional do Livro, no Anhembi, em São Paulo.

Ao relatar suas viagens a diversas partes do mundo, incluindo Sri Lanka e Irã, Cláudio de Moura Castro comparou os estilos de ensino profissionalizante destes locais com os do Brasil. Contou ainda algumas histórias de alunos e de professores, e das relações nos ambientes de trabalho.

Em uma das passagens, o economista afirmou que existe a ideia de que no trabalho  intelectual não se usa as mãos e de que no trabalho manual não se usa a inteligência. “Isso está errado. Se fosse em uma linha de montagem, seria outro caso. Mas o trabalho manual qualificado tem uma dimensão de uso de inteligência tão grande quanto ou maior do que grande parte dos trabalhos administrativos; é preciso tomar decisões o tempo todo”, exemplificou Castro, ressaltando a importância da formação profissional correta como a do Senai.

Vicioni, por sua vez, afirmou que a competência diligente da entidade é intrínseca: “Os formados pelo Senai primam por fazer as coisas bem feitas, com amor e profissionalismo. Muitas pessoas têm diploma, mas não sabem fazê-las; outras só têm experiência sem formação. E no Senai se aprende fazendo”.

Entre outros casos de aprendizagem, Walter Vicioni lembrou de quando era diretor da Escola Senai-SP Suíço-Brasileiro. Ao formar uma turma em 1976, parte dos alunos foram selecionados para um estágio em uma empresa.

Ao receber um telefonema da dirigente da companhia, Vicioni foi informado de que lá havia um ‘problema’: no final do expediente, os alunos requisitaram vassouras para deixar seus postos de trabalho prontos e limpos para o dia seguinte, e a empresa não as possuía. “Para a diretora foi um ‘bom problema’, pois ela viu que além de os aprendizes serem aplicados no trabalho, eram também no dia a dia”, lembrou o diretor do Senai-SP.

Pesquisador irrequieto

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Após o debate, Claudio de Moura Castro lançou seu livro "Aventuras de um pesquisador irrequieto", da Senai-SP editora

Após o debate aconteceu o lançamento do livro Aventuras de um pesquisador irrequieto, de Cláudio de Moura Castro, publicado pela Sesi-SP editora. Pesquisador há 40 anos, ele contou que gosta muito de se aventurar pelo mundo, seja a pé, de barco ou avião.

“Muitos dos meus hábitos de pesquisador vazam para as aventuras, que também têm dimensão de pesquisa. E a pesquisa existe quando você tem uma pergunta que corre o risco de a resposta não estar certa”, explicou Castro, que emendou: “A condução da pesquisa tem seus riscos, desafios perigosos até: antropólogos já foram comidos por canibais”.

Claudio de Moura Castro disse não ter vivido tantos apuros, mas aventuras sim. Em 1968, ao fazer uma tese de doutorado, precisava fazer o levantamento de todas as casas da cidade onde realizava a pesquisa. “Fui ao aeroclube da cidade e consegui um piloto. Sobrevoamos a cidade em um Paulistinha [avião monomotor, de pequeno porte] e, com metade do corpo para fora do avião, fotografei a cidade. Depois ampliei as fotos e fiz o trabalho”, lembrou o pesquisador aventureiro.