Crise pode ser superada com mais facilidade que em 2008, diz Mantega em entrevista

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Guido Mantega, ministro da Fazenda e Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante entrevista coletiva

Em entrevista coletiva logo após o “Seminário Econômico Fiesp e Lide – Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, na Fiesp, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o governo federal vem tomando medidas para tornar a economia brasileira mais competitiva.

“Mudamos o mix da política fiscal, monetária e cambial, e isso tem um impacto muito grande na produção da indústria e em todos os setores da economia brasileira. A redução dos juros e do custo financeiro é fundamental, e este é um dos maiores ônus que o Brasil tem”, destacou Mantega, que declarou estar aberto à inclusão de novos setores na desoneração da folha de pagamentos para impulsionar a competitividade na indústria brasileira.

De acordo com o ministro da Fazenda, a crise atual se aproxima da ocorrida em 2008 na extensão das consequências sobre todos os países. “A redução da economia mundial e dos mercados atinge principalmente a indústria mundial. Não podemos menosprezar essa crise. Desde o ano passado vimos dizendo que esta crise é grave, e mostramos que nós temos condições de superá-la, aqui no Brasil, com mais condições do que em 2008.”

Ousadia de todos

Na avaliação de Guido Mantega, embora as empresas estejam em melhor situação e o governo tenha mais reservas do que em 2008, é preciso ousadia de todos os agentes para superar o atual cenário. “O governo tem que ser o mais ousado para tomar medidas na área tributária e nos custos de infraestrutura. E o setor privado tem que acreditar que vamos reverter este quadro; assim o Brasil pode crescer 4%, 5% perfeitamente nos próximos anos”, ressaltou, acrescentando que empresariado, setor financeiro e governo devem manter uma colaboração conjunta.

O ministro prevê para o segundo semestre um crescimento 3,5% a 4%, fator que ele reconhece depender muito da atitude dos três atores. “O governo federal está tomando todas as medidas necessárias para que isso aconteça, até com medidas adicionais, de longo, médio e curto prazo”, sublinhou o ministro, e emendou que é preciso ação do setor empresarial, com aumento de investimentos.

“Temos um mercado, o emprego continua crescendo no país. É preciso que haja mais crédito com spread caindo e que o setor empresarial crie coragem de fazer investimentos antes mesmo de as condições serem dadas, quem sai na frente tem vantagem depois”, analisou.

Crise é tão intensa quanto a de 2008 e afeta mais a indústria, afirma Guido Mantega

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de ter começado de forma mais lenta, a crise financeira que se propagou pela Europa apresenta um quadro tão grave quanto o colapso de 2008 e prejudica principalmente a indústria, avaliou nesta quarta-feira (04/07) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sede da Fiesp.

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega: 'Maior prejudicado com a crise internacional é indústria, não só do Brasil, mas também no mundo inteiro'

Ele participou da abertura do Seminário Econômico Fiesp e Lide – “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, que reuniu centenas de empresários para discutir eficiência no setor público, transformação de juros em infraestrutura local, inovação e sustentabilidade, entre outros assuntos.

“Essa crise parece menos intensa que a de 2008, mas não é. Ela tem um formato diferente. A crise de 2008 começou com um grande estresse, uma parada súbita do crédito e do comércio e por isso todo mundo ficou impactado. Agora ela começa mais lentamente e vai se agravando e produzindo os mesmos efeitos deletérios da crise daquele momento”, afirmou Mantega.

Segundo o ministro da Fazenda, o grande complicador, e que afasta a possibilidade de um fim da turbulência no curto prazo, é a lentidão com a qual o Banco Central Europeu conduz as medidas para sair da crise.

“A diferença é que em 2008 nós tínhamos o epicentro nos Estados Unidos e o Fed (banco central norte-americano) tinha agilidade e rapidez para enfrentar a crise. Coisa que o Banco Central Europeu não tem, porque são vários países que não se entendem, e aí a crise vai sendo empurrada com a barrigada”, comparou o ministro.

Indústria

Para Mantega, o maior prejudicado com a crise internacional é indústria, não só do Brasil, mas também no mundo inteiro. Ele comentou os resultados do PMI (Purchasing Managers’ Index) de manufatura – medido pelo Markit Economics em conjunto com o HSBC –, divulgados no início da semana.

Segundo o levantamento com gerentes de compras da produção indústria no mundo, o PMI da Zona Euro permaneceu em 45,1 na leitura de junho, enquanto o Brasil atingiu patamar de 48,5 no mês passado.  Conforme o indicador, pontuação abaixo de 50 indica retração do setor produtivo. De acordo com o Markit, ao menos 17% das empresas registraram queda de novos pedidos.

“Essa crise atinge mais a indústria, o setor mais afetado no mundo. Quando o PMI fica abaixo de 50%, significa que os gerentes de compra estão prevendo que a indústria vai desacelerar. E ela vai desacelerar não só nos países europeus, mas também na China e no Brasil. Este é o panorama da economia mundial”, concluiu Mantega.